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Meat and intestinal carcinogenesis in A/J Min/+ mice

N- glyconylneuraminic acid (Neu5Gc)

5.3 Meat and intestinal carcinogenesis in A/J Min/+ mice

A publicidade sob análise, retirada do livro Português: Linguagens, de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães (2003), propõe-se a anunciar a sopa da marca Sadia. Nela, é possível percebermos uma organização em termos enunciativos que remete à figura de um locutor (L) que pode ser visto como assimilado a alguém que representa a marca (apresenta- se aí também mais de uma voz, mesmo que isso não seja explicitado: há a voz do publicitário que criou a peça e a de seu cliente que deseja promover seu produto). O alocutário (tu) é o consumidor que faz suas opções ao comprar determinado produto. Podemos mencionar também um ―ele‖, que não remete a figuras discursivas, mas ao tema tratado no discurso.

Discurso

L1 L2

O discurso é composto pelo enunciado: Se você enxergar o fundo do prato, a sopa não é Sadia.

Nele, percebemos que o locutor opta por se manifestar por meio de duas vozes. Ambas são introduzidas pelo uso conjunto de ―se‖, que expressa uma possibilidade, e da negação (não é Sadia). Na verdade, são esses recursos linguísticos que revelam a polifonia neste discurso. Uma dessas vozes remete ao encadeamento:

enxergar o fundo do prato DC neg-ser sopa Sadia

A outra evoca o encadeamento:

neg-enxergar o fundo do prato DC ser sopa Sadia

Essa oposição, criada no e pelo discurso, pelo locutor, parte do princípio de que há mais de uma marca de sopa no mercado. O consumidor (alocutário) é apresentado, nesse contexto, como alguém que faz uma opção ao adquirir um produto e este deve ser dotado de qualidade. A publicidade visa a afirmar a qualidade da sopa Sadia para o consumidor. Assim, devemos perceber alguns encadeamentos intermediários que a esclarecem:

enxergar o fundo do prato DC ser sopa rala ser sopa rala DC neg-ser sopa de qualidade

neg-ser sopa de qualidade DC neg-ser sopa Sadia

O outro encadeamento é construído então por:

neg-enxergar o fundo do prato DC ser sopa consistente ser sopa consistente DC ser sopa de qualidade

ser sopa de qualidade DC ser sopa Sadia

A publicidade, que tem como objetivo dar a conhecer ao interlocutor a qualidade do produto anunciado, o faz por meio da apresentação da falta de qualidade (não-qualidade) de outras sopas. A alteridade aparece neste

discurso, por meio desse jogo proposto pelo locutor, o qual cria o confronto entre os dois aspectos:

Sopa de outras marcas Sopa Sadia

neg-ser sopa de qualidade DC neg-ser sopa Sadia

ser sopa de qualidade DC ser sopa Sadia

Pelo jogo entre o ―se‖ e a negação, o locutor evidencia que há sopas que não são de qualidade porque deixam ver o fundo do prato e há a sopa da marca Sadia que tem sua qualidade afirmada justamente por não deixar ver o fundo do prato. O locutor põe em cena dois enunciadores e se apresenta como assumindo o aspecto negativo (neg-A DC neg-B), mas deseja de fato impor ao alocutário, leitor da revista e possível consumidor, o aspecto recíproco, que nega o aporte e também o suporte, mantendo o conector (A DC B). Os dois aspectos constituem o mesmo bloco semântico que relaciona a qualidade da sopa à marca Sadia.

Esse entendimento pode ser formalizado pelo quadrado argumentativo referente a esse bloco semântico:

(1) A PT NEG B (2) NEG A PT B

ser sopa de qualidade PT não ser sopa Sadia não ser sopa de qualidade PT ser sopa Sadia

(3) NEG A DC NEG B (4) A DC B

neg-sopa de qualidade DC neg-sopa Sadia

O locutor convoca os aspectos (3) e (4), construindo o sentido de acordo com a argumentação ―sopa Sadia é consistente, suculenta...‖, características que as demais sopas não possuem. Os outros aspectos que compõem o bloco permanecem como possibilidades virtuais de argumentação, relacionando a consistência e qualidade da sopa à marca Sadia. Entretanto, o discurso tal como é construído não poderia resgatar nem o ângulo do E1 (1), nem o do E2 (2), os quais não poderiam ser utilizados para vender a marca Sadia. O anunciante não poderia afirmar a qualidade de outra sopa (1), nem negar a qualidade da marca que pretende vender (2).

O modo como o locutor constrói a imagem do produto, mostra-se interessante sob o ponto de vista adotado neste trabalho, o da alteridade, considerando-se que as qualidades da sopa, tema do discurso, não são anunciadas explícita e diretamente, mas estão implícitas ao enunciado que põe em evidência o que as sopas de outras marcas não são. É esse entendimento que faz a Sadia ser a única marca de qualidade do mercado.

Em outros termos, podemos dizer que a ideia do que é a sopa da marca Sadia é construída por meio dessa oposição que toma como base aquilo que ela não é (e que são outras sopas). Ela só é em relação a outrem, ou seja, sua qualidade é definida pela falta de consistência e de qualidade das sopas de outras marcas. É a expressão se você enxergar posta em relação com a negação em a sopa não é Sadia, que remete ao entendimento de que para a sopa ser boa, não se pode enxergar o fundo do prato. Em outras palavras, ela deve ser consistente, grossa, ter bastante conteúdo, ou algo do tipo.

Esse sentido da sopa Sadia, construído pela relação de alteridade, pode ser sintetizado com a seguinte formalização:

MAS

Vale observar que temos aqui uma oposição entre dois encadeamentos e, portanto entre dois aspectos do mesmo bloco semântico, que, em termos de análise, pode ser marcada com o uso do articulador mas. O locutor constrói a norma que remete à qualidade e à consistência da sopa Sadia e mostra que ao negar a qualidade (aporte do encadeamento), também não se trata mais da sopa anunciada. É a alteridade que demonstra o que é a sopa Sadia, comparada ao que não é ela.

Discurso