O desenvolvimento da cultura do café e seus fatores relativos à produção são afetados, dentre outras coisas, pelos elementos climáticos ocorridos durante as diferentes fases fenológicas da cultura. Dessa maneira, a ocorrência e distribuição das chuvas, bem como a ocorrência de extremos de
temperaturas máxima e mínima, além da umidade do ar, vento e radiação solar, afetam o desenvolvimento da cultura (IAC/CIIAGRO, 2007).
O desenvolvimento vegetativo na cafeicultura é influenciado pelo clima e pela incidência das principais pragas e doenças, as quais sofrem interferência dos fatores climáticos, principalmente a temperatura e precipitação (RICCI; FERNANDES; CASTRO, 2002).
Neste trabalho, durante o ano de 2007 foram mensurados em três épocas distintas, os parâmetros referentes à altura das plantas, número de ramos e diâmetro do caule, que demonstram o desenvolvimento dos cafeeiros das parcelas do experimento e registrados nas Tabelas 34 e 35 e representados nos gráficos das Figuras 32 e 33.
Tabela 34- Altura das plantas e número de ramos dos cafeeiros. Desenvolvimento da cultura Parcelas Data Características P1 P2 P3 P4 P5 P7 Altura (cm) 59,3 60,5 50,5 48,7 43,4 65,2 mar/07 Nº. ramos 20 20 16,1 17,2 12,2 19,7 Altura (cm) 61,85 58,07 53,58 55,6 48,1 71,1 ag/07 Nº. ramos 24,2 21 19,6 19,2 15,6 26,8 Altura (cm) 83,10 78,50 74,80 76,90 45,00 92,70 dez/07 Nº. ramos 32,60 31,20 25,60 29,00 17,30 40,20 Fonte: Dados coletados no local do experimento.
Os valores representam a média de dez plantas por parcela.
P1- Parcela com café orgânico com vegetação espontânea nas entrelinhas; P2- Parcela com café orgânico e plantio de feijão guandu e mucuna anã nas entrelinhas; P3- Parcela com café orgânico e plantio de feijão guandu nas entrelinhas; P4- Parcela com café orgânico e plantio de bananeiras e feijão de porco nas entrelinhas; P5- Parcela com café convencional na área da Escola Técnica; P7- Parcela com café convencional de propriedade de um produtor parceiro em Avanhandava;
Através desses registros observamos um desenvolvimento heterogêneo das parcelas do experimento, destacando-se a parcela P7 (café convencional de um produtor parceiro, em Avanhandava) com maior desenvolvimento na altura das plantas, com uma diferença final próxima a dez centímetros maior do que a parcela P1 (plantio orgânico no Colégio Agrícola, sem uso de leguminosas nas entrelinhas), sendo esta, superior às demais parcelas (P2, P3 e P4), ambas com cultivo orgânico e utilização de diferentes arranjos de leguminosas nas entrelinhas e a parcela (P5), com cultivo
convencional da área do Colégio Agrícola. Nota-se uma menor altura das plantas em dezembro, nesta parcela, por motivos de invasão de animais na área do experimento, em outubro de 2007.
O fato da parcela P1 se destacar em relação ao desenvolvimento das plantas pode estar associado a uma possível concorrência que as plantas das outras parcelas sofreram com as leguminosas implantadas e ocasionais déficits hídricos.
Avaliou-se, no Núcleo de Agronomia da Alta Paulista, no período de 1991 a 1993, a produção de café Apoatã IAC 2258 (Coffea canephora, Pierre) submetido ao plantio intercalar dos adubos verdes. Os resultados mostraram que o guandu e a Crotalária júncea reduziram a produção de café, e o guandu, a altura e o diâmetro do caule do cafeeiro, o que não ocorreu com as demais leguminosas. As maiores quantidades de fitomassa seca foram produzidas por guandu e crotalária respectivamente. A produção de café correlacionou-se inversamente com a fitomassa seca das leguminosas e, positivamente, com a altura e o diâmetro do caule do cafeeiro (PAULO, 2001).
Outros fatores como as condições físicas do solo e manejo da cultura também influenciam no desenvolvimento das plantas. Problemas de solo compactado vão afetar o desenvolvimento das raízes, prejudicando conseqüentemente a parte aérea dos cafeeiros, reduzindo a altura das plantas, numero de ramos e o perímetro do caule, assim como um manejo inadequado das ervas espontâneas vai resultar em competição por nutrientes e umidade, se os níveis de nutrição e de matéria orgânica do solo não estiverem satisfatórios (MATIELO, 1986).
No parâmetro “número de ramos”, também se registrou um maior valor para a parcela P7, a partir de agosto/07, seguido pelas parcelas de cultivo orgânico, de uma forma um pouco mais homogênea, porém, também aqui se sobressaindo a parcela P1.
Quanto à parcela P5 (café convencional na área do Colégio Agrícola), é necessário registrar que houve uma interferência no experimento pela invasão de bovinos, em outubro/07, o que danificou as plantas e, portanto,
desconsideramos os registros de altura das plantas e número de ramos referentes a dezembro/07, desta parcela.
Desenvolvimento da cultura
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90Altura (cm) Nº ramos Altura (cm) Nº ramos Altura (cm) Nº ramos
mar/07 ag/07 dez/07
cen tí m et ro s P1 P2 P3 P4 P5 P7
Figura 32 – Gráfico da evolução da altura das plantas e número de ramos dos cafeeiros durante o experimento.
Média de dez plantas por parcela.
Quanto ao perímetro do caule, também mensurado como um parâmetro de desenvolvimento da cultura (Tabela 35) e representado no gráfico da Figura 33, complementa as observações sobre o desenvolvimento dos cafeeiros nos diferentes tratamentos.
Tabela 35 - Perímetro do caule dos cafeeiros a 5 centímetros do nível do solo. Desenvolvimento da Cultura - perímetro do caule (cm)
Época P1 P2 P3 P4 P5 P7
mar/07 7,00 7,34 5,63 5,74 4,71 6,25
ago/07 6,99 6,30 5,58 5,71 5,01 8,10
de/07 9,40 8,15 7,75 8,90 6,30 9,60
Fonte: Dados coletados no local do experimento. Os valores são a média de dez plantas por parcela.
P1- Parcela com café orgânico com vegetação espontânea nas entrelinhas; P2- Parcela com café orgânico e plantio de feijão guandu e mucuna anã nas entrelinhas; P3- Parcela com café orgânico e plantio de feijão guandu nas entrelinhas; P4- Parcela com café orgânico e plantio de bananeiras e feijão de porco nas entrelinhas; P5- Parcela com café convencional na área da Escola Técnica; P7- Parcela com café convencional de propriedade de um produtor parceiro em Avanhandava;
Perímetro do caule
0
2
4
6
8
10
mar/07 ago/07 dez/07
cm
P1 P2 P3 P4 P5 P7
Figura 33 - Gráfico da mensuração dos perímetros dos caules dos cafeeiros. Fonte: Dados da pesquisa.
Na primeira mensuração do perímetro do caule realizado em março/07 constatou-se que as parcelas P1 e P2 sobressaíram-se em relação às outras, mas nas outras épocas analisadas observamos que a parcela P7, de café convencional de um produtor parceiro em Avanhandava, destaca-se pelo maior valor, sendo próximo os valores da parcela P1, com apenas ervas espontâneas nas entrelinhas e a parcela P4, com bananeiras e feijão de porco nas entrelinhas.