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Nesse contexto, os róticos foram realizados como tap vozeado [ɾ], tap desvozeado [ɾ ], vibrante alveolar vozeada [r], vibrante alveolar desvozeada [r ] e aproximante alveolar [ɹ].

Tap – [ɾ]

O tap foi a realização mais frequente nesse contexto linguístico, identificado em sílabas tônicas mediais e átonas finais.

10 Ressalta-se que este trabalho propõe ampliar a aplicação do termo fonológico ‘arquifonema’ para os róticos do

PB que ocupam todas as posições em que ocorre a neutralização fonológica (grupo consonântico, início de palavra e codas), conforme interpretação baseada na corrente estruturalista de Trubetzkoy.

Abaixo, seguem as ilustrações para o reconhecimento visual do tap:

Figura 1: forma da onda e espectrograma contendo o rótico realizado como [ɾ], em sílaba tônica medial da palavra ‘parede’, evocada por BSB_MAS_054 (67).

Na figura 1, a visualização do tap vozeado [ɾ] é possibilitada pela identificação do espaço branco marcado no espectrograma, resultante da descontinuidade espectral que caracteriza o [ɾ], em consonância com as descrições de Silva (1996) e Nishida (2005). Além disso, observa-se que durante a produção do tap ocorre uma diminuição da amplitude da forma de onda correspondente. A descontinuidade do espectro acústico representa o momento da produção em que há uma interrupção do fluxo aéreo provocado por um único e breve contato da língua contra o rebordo alveolar, gerando uma queda ou ausência de energia acústica no momento da obstrução.

A sonoridade do rótico é identificada pela faixa escura, que perpassa o tap, na base do espectrograma, indicando que há vozeamento durante a produção deste segmento.

Outras Ocorrências de [ɾ]

LGS_LGN_MAS_013: ‘amarelo’→ [ə.ma.ˈɾɛ.ʊ] LGS_LGS_MAS_065: ‘xícara’→ [ˈʃi.ka.ɾɐ] BSB_BSB_MAS_076: ‘tesoura’ → [ʧi.ˈzo.ɾɐ] LGS_LGS_MAS_097: ‘nariz’ → [na.ˈɾiːs]

Tap Desvozeado – [ɾ ]

Identificamos uma única ocorrência de [ɾ ], realizada em sílaba átona final.

Figura 2: forma da onda e espectrograma contendo o rótico realizado como [ɾ ] no vocábulo ‘banheiro’, evocado por LGS_MAS_065 (1).

Neste exemplo, confirmam-se as características acústicas do tap descritas para a Figura 1, com a diferença de que há ausência da barra de sonoridade correspondente ao segmento assinalado, uma vez que a interrupção da faixa escura na base do espectrograma indica o seu desvozeamento. Ressalta-se que a ausência de sonoridade, nesta produção, também foi percebida auditivamente.

Vibrante Alveolar Vozeada – [r]

A vibrante alveolar foi registrada em sílaba tônica medial e em sílaba átona final, com dois a quatro contatos de oclusão, conforme demonstram os espectrogramas das Figuras abaixo:

Figura 3: forma da onda e espectrograma contendo o rótico realizado como [r], com duas oclusões, na sílaba átona final da palavra ‘tesoura”, evocada por BSB_FEM_125 (42)

Figura 4: forma da onda e espectrograma contendo o rótico realizado como [r], com três períodos de contatos, na sílaba tônica medial da palavra ‘floresta’, evocada na sentença ‘que é floresta”, por BSB_FEM_125 (125).

Figura 5: forma da onda e espectrograma contendo o rótico realizado como [r], com quatro oclusões nítidas, na palavra ‘pera’, evocada por BSB_MAS_034 (15).

Os exemplos acima demonstram os róticos vibrantes que possuem, pela definição fonético-acústica de Ladefoged e Maddieson (1996), sequências de duas a cinco oclusões ou períodos de contato. Todos os exemplos apresentam características visuais semelhantes às descritas para o tap, definidas pela descontinuidade espectral, cujo correlato articulatório são as pequenas obstruções no trato vocal, dispostas em sequência. Além disso, não há interrupção da barra de vozeamento durante a produção dos róticos, indicando que todas as vibrantes alveolares dos exemplos são vozeadas.

Nos exemplos apresentados, identificam-se dois a quatro períodos de contato bem definidos, com dois contatos na figura 3 (‘tesoura’); três contatos na figura 4 (‘floresta’) e quatro contatos na figura 5 (‘pera’). Ressalta-se que, na última figura, ocorre um ruído provocado por um fluxo expiratório forte antes de a vibrante bilabial iniciar, tal como percebido pela oitiva.

Nota-se que entre os períodos de contato indicados pela parte branca no espectrograma, há a presença de uma estrutura formântica que caracteriza o elemento vocálico, de curta duração, conforme descrito por Ladefoged e Maddieson (1996).

Além disso, é possível identificar visualmente uma duração maior para o primeiro período de contato da sequência, no exemplo da figura 3, tal como descreveram Ladefoged e Maddieson (1996). Nos demais exemplos, a duração diferenciada dos primeiros contatos não parece evidente, embora estejam mais definidos em relação aos próximos da sequência.

Outras Ocorrências de [r]

LGS_LGN_MAS_013: ‘adoro’→ [a.ˈdɔ.rʊ]

BSB_BSB_MAS_054: ‘tesoura e...’ → [ʧi.ˈso.rɐiː] LGS_LGS_MAS_065: ‘parede’ → [pa.ˈre.ʤi] BSB_BSB_MAS_076: ‘e ferozes’→ [i.fe.ˈrɔ.zis]

– ]

A única ocorrência da vibrante alveolar desvozeada, na amostra analisada, foi registrada em sílaba tônica medial, na palavra ‘parede’, ilustrada a seguir.

Figura 6: forma da onda e espectrograma contendo o rótico realizado como [r ] na palavra ‘parede’, evocada por LGS_MAS_065 (8).

Nesse exemplo, são identificados dois períodos de contato bem definidos, porém, com interrupção da barra de sonoridade durante a produção da vibrante. Essa característica acústica associada à percepção de ausência da sonoridade durante a produção do segmento indica que o rótico analisado é desvozeado. Nota-se que mesmo na ausência de vozeamento durante as fases de contato, é possível perceber a presença da estrutura formântica que caracteriza o elemento vocálico, tal como a identificação de Silva, Nishida e Clemente (2006) para os dados do Português Brasileiro.

Aproximante Alveolar – [ɹ]

O rótico [ɹ] teve ocorrência menos frequente na amostra analisada, observada tanto em sílaba tônica medial quanto em sílaba átona final.

Figura 7: forma da onda e espectrograma contendo o rótico realizado como [ɹ] na palavra ‘fósforo’, evocada por LGS_MAS_097 (22).

Na figura acima, o rótico realizado como [ɹ] caracteriza-se por possuir continuidade espectral e estrutura formântica, diferente de quando ocorre a formação de espaços em branco no espectrograma, correspondentes aos contatos dos articuladores durante a produção de vibrantes e taps, de acordo com a caracterização descrita em Nishida (2005).

Outras Ocorrências de [ɹ]

LGS_LGS_MAS_065: ‘amarela’→ [a.ma.ˈɹɛ.lɐ] BSB_BSB_FEM_125: ‘umas flores’ → [u.mɐs.ˈflo.ɹis] BSB_BSB_MAS_076: ‘direto’ → [ʤi.ˈɹɛ.tu ]