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2. Material og Metode

2.1. Material

Nesta Tese, o catador é entendido, antes de mais nada, como trabalhador sobrante oriundo dos mais diversos setores. Em segundo lugar, entendemos que este trabalhador sobrante experimenta uma (re)inserção produtiva no conjunto de atividades que integram a base da indústria da reciclagem.

Antes da exposição sobre o processo de trabalho realizado pelos catadores avulsos, elaborada com base nos relatos obtidos junto aos catadores no trabalho de campo, apresentaremos informações disponibilizados por pesquisadas realizadas pela Prefeitura de São Paulo.

Em primeiro lugar, apresentamos informações para demonstrar que muitos dos moradores de albergues e dos moradores de rua são catadores, conforme duas pesquisas realizadas pela Secretaria de Assistência Social. Em segundo lugar, apresentamos informações de uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal do Trabalho, na qual foram aplicados questionários junto a 500 catadores. Esta última demonstrou, entre outros aspectos, que a maior parte destes trabalhadores já tiveram uma profissão, com inserção no mercado de trabalho formal.

No primeiro caso, a pesquisa Estimativa do Número de Pessoas em Situação de Rua da Cidade de São Paulo, realizada em 2003 pela Secretaria Municipal de Assistência Social, com execução da FIPE,78 demonstrou que em 23% dos 2.223 “pontos de pernoite” de pessoas em situação de rua havia a presença de carrinhos (carroças) de catadores. Segundo o relatório desta pesquisa:

A estimativa do número de carrinhos de catação presentes entre as pessoas das rua foi preocupação explícita de SAS, haja vista a

78 PREFEITURA DE SÃO PAULO. Estimativa do Número de Pessoas em Situação de Rua da

importância dessa atividade para a obtenção de renda monetária para esta população. Uma das demandas localizadas pelas pessoas de rua, que são catadores, é a possibilidade de guardar seus carrinhos (ou carroças) nos albergues, possibilitando a guarda desse instrumento de trabalho durante o pernoite. (SAS/FIPE, 2003:29-30)

A referida pesquisa também abrangeu os moradores de albergues. Pôde-se observar a presença de catadores dentre os 3963 albergados pesquisados, inclusive com informações sobre os principais materiais coletados pelos mesmos:

As pessoas albergadas também são catadores, usuários de carrinhos de catação. Estima-se que pelo menos 31,3% dos albergados sejam catadores de sucata Os produtos mais procurados pelos catadores são a latinha (85,8%) e o papelão (52,0%). Pelo menos 21,7% dos que catam utilizam carrinho , desses, 60,7% não são proprietários dos carrinhos. (SAS/FIPE, 2003:43-43)

No Quadro 01 a seguir, estão apresentadas as atividades remuneradas exercidas pelos moradores de albergues. A atividade de biscateiro, juntamente com a de coleta de sucata, representa cerca de 50% dos casos:

QUADRO 01 Atividade remunerada exercida na última semana (respostas múltiplas)

Atividade Freqüência %

exerceu atividades remuneradas 3696 100

Biscateiro/coleta sucata 1938 52,4 Trabalhadores de serviços/comércio 714 19,3 Construção civil 372 10,1 Frente de trabalho 263 7,1 Artesão 97 2,6 Empregado Doméstico 80 2,2 Outros 232 6,3

Obs. Dos 3696 albergados que alega ter exercido atividade remunerada na última semana, 3.464 declararam o tipo de atividade em resposta múltipla. Fonte: (SAS/FIPE, 2003:29-30)

Entre dezembro de 2005 e janeiro de 2006 a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) e FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) realizaram outro estudo sobre população de rua, destinado especificamente aos Usuários dos Albergues conveniados com a Prefeitura. Foram entrevistados 631 homens adultos (com 18 anos ou mais), sendo divididos em 205 jovens (18 a 29 anos), 229 adultos (30 a 54 anos) e 197 adultos mais idosos (com 55 anos ou mais), encontrados em 22 albergues.

Em relação ao exercício de atividades de trabalho, esta pesquisa apontou que 74% dos albergados trabalhavam. Destes, 69% realizavam trabalho informal, e apenas 5% tinham carteira assinada. A pesquisa identificou ainda que 36% dos albergados eram catadores de materiais recicláveis, também inseridos no universo do trabalho informal.

Observa-se que em relação à pesquisa anterior houve uma redução da porcentagem de catadores, de 52,4% para 36%. Mas, devemos considerar que na primeira pesquisa (2003), a atividade “coleta de sucata” encontra-se junto com a atividade de “biscateiro”. Portanto, é possível relativizar a redução que aparece quando comparamos os dados das duas pesquisas, em relação ao número de moradores de albergues que são catadores.

Outra pesquisa foi realizada pela Secretaria Municipal do Trabalho em 2005, com a proposta de identificar o perfil dos carroceiros em São Paulo. Para a realização da pesquisa foram aplicados questionários junto a 500 catadores, divididos entre algumas Sub-Prefeituras, conforme exposto no Quadro 02 apresentado a seguir:

QUADRO 02

APLICAÇÃO DAS PESQUISAS No. %

CACHOEIRINHA 38 8% CENTRO 166 32% IRIRANGA 21 4% JAGUARÉ 11 2% LAPA 28 6% MOOCA 144 29% PINHEIROS 39 8% STO. AMARO 39 8% VILA MARIANA 10 2% VAZIAS 4 1% Fonte: SMTrab (2005).

Dentre os 500 catadores entrevistados, 90% eram homens e apenas 10% mulheres. De fato, esta é a tendência observada em diversas pesquisas sobre a atividade da catação, sendo esta a situação encontrada na pesquisa de campo que realizamos.

Quanto ao local de moradia, 55% dos catadores declararam residir em domicílio residencial (casa), 37% em albergues, 5% em pensão, 2% no próprio local de trabalho. Ou seja, a associação que comumente é feita entre catadores e

moradores de rua deve ser relativizada. Embora quase 40% dos catadores entrevistados pela pesquisa da Secretaria Municipal do Trabalho seja de albergados – o que não deixa de ser muito representativo – mais da metade deles eram domiciliados. Esta informação aponta para ao menos dois aspectos: primeiro, que estes catadores apresentam algum nível de inserção social (possuem endereço, alguma privacidade, provavelmente uma família, entre outros aspectos) que permite aos mesmos não se caracterizarem como população de rua. Segundo, podemos inferir que a atividade da catação, em maior ou menor grau, oferece a este catador a condição (ainda que mínima) de morar num domicílio. No trabalho de campo que realizamos, os catadores do Itaim eram todos domiciliados. Os catadores do centro que eram domiciliados, predominantemente, passavam a semana no centro e retornavam para casa, fora do centro, no final de semana. Outros moravam na “periferia do centro”, a exemplo dos moradores da Baixada do Glicério.

Outra informações levantada pela SMTrab foi em relação à idade. A pesquisa demonstra que os catadores são predominantemente maiores de 40 anos, conforme apresentado no Quadro 03 a seguir:

QUADRO 03