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Martha Nussbaum om deltakelse og tilknytning

O caminho percorrido para a realização dessa tese foi árduo, porém tornou-se um importante momento que consigo olhar para trás e perceber o construído e para frente sentir que a vereda não chegou ao fim, mas aguarda o trajeto de outros e de outras que desejarem por ali andar. Para mim, fica um imenso contentamento em ter percorrido esse caminho da investigação. Participar com outrem, de suas histórias vividas, conviver em lugares diversificados com sentimentos que jamais vivi antes, foi algo emocionante.

Iniciei esse trabalho contextualizando historicamente a cidade de Caxias, palco em que se desenvolveu toda a construção da tese, a partir do estabelecimento, ali, de meu objeto de pesquisa, o Colégio São José. A partir disso, procurei analisar a ação do controle ideológico através das práticas de ensino, o poder da igreja junto à escola e ainda o CSJ como parte dessa luta de poder, palco de interesses políticos e ideológicos.

Nesse momento, pude perceber a supremacia da igreja católica na condução da sociedade, sobretudo no que diz respeito a escolas confessionais, no qual o CSJ encontra-se inserido. O uso do controle ideológico utilizado pelas escolas confessionais constitui uma forma de manter o controle da Igreja sobre as instituições.

Em seguida, busquei compreender o que está por trás da ideia do “controle do eu”, a partir do aporte de pensadores teóricos que fundamentaram a pesquisa, ressaltando o uso das instituições como instrumento da personalidade e perspectiva. Nesse momento, utilizei os depoimentos de ex-alunas internas, externas e semi-internas do colégio, para poder dialogar com os conceitos teóricos, mediante os quais pude observar que não há espaço para individualidade, para iniciativa, tudo é coletivo e adaptável ao modelo da escola confessional, que rejeita comportamentos indesejáveis e procura instaurar os comportamentos adequados através do imaginário, da doutrina da igreja e das representações.

Por fim, procurei firmar o conceito de “triagem e vigilância sociomoral”, como ferramenta que visava uma formação religiosa e filosófica voltada para a obtenção de instrumentos éticos e morais, capazes de imprimir nas alunas um modo de ser e agir, conforme um tipo idealizado pelos modelos confessionais, inspirada no princípio da chamada “habilitação de Genere et Moribus”, instrumento da Igreja Católica usado como indicador de pureza de sangue.

Na medida em que, durante a pesquisa, retornava sempre aos arquivos do CSJ, aos poucos percebi com mais intensidade o uso da religião para manter com eficácia o controle e

a disciplina no colégio.

Um detalhe interessante é que, embora os aspectos religiosos envolvidos na formação das alunas tenham sido os mais abordados nas narrativas, percebi que nem todas as ex-alunas permaneceram católicas; entre as entrevistadas, encontrei espíritas e evangélicas, mas todas relatam com muito respeito sobre o que representou o colégio em termos de formação espiritual e moral e declaram que, ainda que não sejam mais católicas, garantem que a dedicação espiritual nasceu com o aprendizado na escola e expressam uma grande gratidão a formação religiosa recebida.

Após percorrer o caminho demarcado de 1940 a 1960 do CSJ, procurando mostrar as estratégias de vigilância e controle mantidas pelo referido colégio, procurei evidenciar as questões ideológicas que imbuíram nas alunas da época.

Na pesquisa realizada, constatei que o CSJ fez uso da vigilância e disciplina de forma a moldar o comportamento das alunas para atingir objetivos propagados à sociedade da época. Fica latente que o diferencial era a organização, a disciplina, sobretudo, a formação moral e religiosa.

O que pude observar foi que, embora a educação feminina fosse dirigida para a classe de mulheres de elite, ela já apontava para um avanço, uma vez que, mesmo ainda restrita a determinada classe social, a mulher que até então foi preparada para ser dona de casa e esposa se destacou também no campo de trabalho remunerado. Embora ainda inferior ao homem, conquistou resistência em ser remunerada ao seu sustento, primeiro passo para minimizar a submissão masculina. Enquanto professoras, mesmo sem autonomia ideológica e reflexiva, por terem sido preparadas, sobretudo, para a prática virtuosa da vida guiada pela religião católica, de certa forma aquela formação contribuiu para suas atuações no campo educacional, em especial na área da educação infantil. Aquelas mulheres, com isso, alcançaram grande prestígio frente à sociedade caxiense, que as viam como professoras extraordinárias por terem sido formadas dentro da fé cristã, verdadeira dádiva de Deus.

A prática da escola confessional, aqui tomado como exemplo o CSJ, está imbuída de princípios que foram muito bem explicitados por Foucault, ao discorrer sobre as estruturas e formas do controle e da vigilância, que se mostram através da arquitetura da escola, seu espaço físico, a disciplina e até mesmo a distribuição da mobília, que até hoje, mesmo com tentativas de modernização, ainda conserva os traços da época, sobretudo no que se refere ao poder explícito e ao poder simbólico.

religião católica e reconhecida ao longo dos anos enquanto lugar de educação dotada de identidade própria. Entretanto pode se dizer que o CSJ buscou todos esses anos, além de legitimar a religião católica como instrumento educacional, contribuir de forma significativa no processo de escolarização em Caxias.

A expressão das ex-alunas, todas muito emocionadas ao falarem sobre o colégio, mesmo aquelas que fazem menção a pontos não favoráveis, veem o CSJ representante da “boa educação”, como foi e continua sendo nos dias de hoje, 2017, ao comemorar seu Jubileu de Carvalho, cujo mote é “80 Anos Educando e Evangelizando”, não por acaso com uma agenda repleta de comemorações, com as ex-alunas, sobretudo as mais velhas, participando integralmente das festividades.

A partir dessa pesquisa posso dizer que o projeto educacional das irmãs Missionárias Capuchinhas da Ordem Terceira de São Francisco, manteve grande influência profissional de professoras fundamentada na doutrina cristã propagando uma moral religiosa fortalecendo o colégio como instrumento de fé, evidenciando assim a força das capuchinhas na cidade de Caxias.

Enfim, pesquisar o Colégio São José, foi desmistificar ações dessa instituição, tais como as intenções, perceber a relação entre o colégio e a sociedade e a relação política que envolve o colégio, sentir a identidade das depoentes, suas representações e memórias, sobretudo, instigar outras pesquisas. O CSJ possui muitas fontes documentais primárias que podem ser trabalhadas tais como: cadernetas; fichas biométricas; pastas individuais de alunas e alunos; livros de pontos; livros didáticos adotados; boletins, relatórios, registros de visitantes de autoridades, constituindo, desta forma, um rico acervo para outros pesquisadores que pretenderem investigar acerca do referido colégio.