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4. Estructura y desarrollo de los contenidos

4.1. Marco teórico

1970 12.605 896 3.903 31,0 -67 -7,5

1975 16.508 829 3823 23,2 2153 259,7

1980 20.331 2.982 -3841 -18,9 11518 386,3

2002 16.490 14.500 -660 -4,0 290 2,0

maior longevidade e se costeado torna-se dócil. Entretanto tais vantagens biológicas não se transformaram em vantagens econômicas já que o rebanho bubalino é até hoje inabilitado para comercialização em larga escala, já que não recebe tratamento sanitário necessário à venda dos produtos advindos deste rebanho. O manejo extensivo de cria-recria e engorda fora o modelo implantado desde sempre pelos pecuaristas da Ilha. Estudos recentes sobre a atividade pecuária da região do Marajó esclarecem que o modelo pecuário implantado na Ilha de Marajó era um “modelo falido”. Segundo Arima e Uhl (1996, p. 9) “somente uma vez por ano, na época do verão, os animais são separados, contados, ferrados e vacinados [...] no restante do ano, os animais são mantidos juntos, sem controle”. Este “sem controle” quer dizer que o rebanho fica livre para “limpar” os lagos de várzea100 e para invadir plantações, provocando conflito.

Estudos realizados pelo projeto VARZEA, na região do Baixo Amazonas, seguindo a Meta 2 de seu programa, concluíram que “a falta de delimitações de áreas individuais para a criação de gado incentiva a superlotação dos campos de várzea, causando a degradação deste ambiente”. A área desenvolve os “acordos de pesca” e o projeto vêm tentando encontrar um ponto em comum entre pescadores e pecuaristas, a fim de solucionar a questão, minimizando, conseqüentemente os conflitos provocados. Segundo Sheikh (2003, p. 2) estes conflitos foram identificados em sua pesquisa que estudava o manejo e os impactos de búfalos na várzea. Sobre os impactos o autor afirma que:

[...] uma das questões mais polêmicas é o impacto do búfalo na vegetação e, conseqüentemente, nos recursos pesqueiro de várzea. De um lado o búfalo é altamente adaptado ao ambiente de várzea e conseqüentemente muito mais produtivos do que o gado branco. Do outro, no entanto, o búfalo tem um impacto tanto ambiental como social, degradando a vegetação, pisoteando o fundo dos lagos e invadindo as roças dos agricultores [...].

Fato inconstante nas comunidades rurais negras de Salvaterra é que a criação extensiva de bovinos e bubalinos inibe por completo a prática da agricultura, em comunidades como Deus Ajude, Providência, Paixão, Salvá e Mangueiras, e provocam sérios danos ás culturas de mandioca, abacaxi etc.

100 O fato do uso dos lagos, rios e igarapés como bebedouros naturais dos rebanhos é prática reinante entre os criadores de rebanhos bubalinos, bovinos, bem como caprinos, eqüinos e suínos (Azevedo, Camarão e Mesquita (2000).

O búfalo criado solto no campo provoca danos à saúde daqueles que vivem nas comunidades rurais de Salvaterra, pois seus dejetos101 espalham-se por todos os lugares, contaminando poços “de boca aberta”, baixas, lençóis freáticos, igarapés e lagos. Em pesquisa realizada em 2004 pela Dra. Karla T. Ribeiro utilizando a Técnica de Colilet, que consiste em detectar a contaminação por Coliformes fecais na água que é consumida nos lares, foi possível verificar como é preocupante esta contaminação já que a água coletada em Siricari, Deus Ajude, Providência, Paixão e Boa Fé foi considerada imprópria para o consumo humano.

Na paisagem rural encontramos as rampas, que são cavas no meio de manguais, nas beiras de estradas, de lagos ou nas baixas. Estas rampas podem ser construídas por ação humana ou animal, pois o búfalo para se resfriar escava a terra, provocando destruição da fauna e flora local (fotografia 15).

A falta de seletividade alimentar provocada pelo fato do animal ser capaz de comer qualquer tipo de capim, a qualquer hora do dia ou da noite, ou mesmo de se alimentar de objetos como redes de pesca, roupa, qualquer cultura como abacaxi, feijão, faz deste animal um causador de conflitos, pois as comunidades que tentam desenvolver a agricultura, ou a pesca vêem suas tarefas devastadas pela fome do búfalo.

Fotografia 15 - Rampa no meio da estrada entre Pau Furado e a comunidade de Barro Alto. Foto de Cristiane Nogueira

Os lagos (exemplo, fotografia 16) e baixas, assim como as rampas, são freqüentadas pelos búfalos que encontram neste lugar ambiente propício para se refrescar e se livrar de

101 Um animal bubalino adulto produz em torno de 9 toneladas de esterco por ano, ou cerca de 25 kg por dia. O esterco só pode ser usado como fertilizante depois de fermentado, fato que ocorre em torno de dois a quatro meses (PRONAF, 2003,16).

piolhos102 (H. tubercullatus). Estes animais também pisoteiam os lagos, provocando a morte dos alevinos, prejudicando a reprodução do peixe.

Fotografia 16-Lago Veneza, nas proximidades do povoado de Providência, totalmente pisoteado pelos búfalos. Foto de:

Atualmente muito se tem falado do manejo correto dos bubalinos e do quanto é rentável a mussarela de Búfala. Na Internet é possível encontrar sites como, trazendo manchetes sobre o “búfalo orgânico” ou da Secretaria de Estado de Agricultura (SAGRI) informando a parceria do Estado do Pará com criadores de búfalos e investidores italianos para a criação da “primeira fábrica de laticínios de grande porte na produção de mussarela”103 do Estado que esta contando com o rebanho do Marajó para este projeto de desenvolvimento. Por outro lado, há pequenos produtores de queijo na ilha tanto que a “Revista de Agronegócios da Amazônia”, do mês de maio de 2002, informa que os municípios de Soure e Cachoeira do Arari são, atualmente, os maiores produtores de queijo de leite de búfala do Pará e que seu mercado consumidor é exclusivamente a cidade de Belém, por não possuir certificado de inspeção sanitária. A higiene da produção do queijo precisa ser garantida desde a captação do leite, a ordenha, por isso necessário que o rebanho esteja livre de doenças muito freqüentes no Marajó como mamite, brucelose e tuberculose. É preciso separar duas situações: - uma que é a instalação de uma fábrica de grande porte de lacticinios para produção da mussarela, que além de não trabalhar com a mão de obra local vai concorrer com pequenos produtores artesanais (cerca de 20 indústrias de médio porte); - outra que é a

102 A lama barrenta na qual o búfalo se resfria seca ao sol no corpo e acaba sendo um agente natural no combate dos piolhos que são retirados no momento que o animal se coça. Os Lagos, rampas e baixas freqüentados por estes animais acabam contaminados por piolhos, verminoses e pela uréia do mesmo.

103 Também conhecido com “MOZZARELA” está sendo pesquisada pela CPATU, no ano de 2003. Estima-se que é necessário 5,5 litros de leite de búfala para produzir 1kg deste queijo enquanto que para o mesmo fim são necessários 8 a 12 litros de leite bovino (CPATU, 2003).

tentativa de melhoria da qualidade sanitária dos produtos destes pequenos artesãos que não possuem ajuda creditícia e cujo mercado está restrito à população local.

Cabe refletir como o modelo de desenvolvimento da bubalinocultura está sendo implantado no Marajó aparentemente, Instituições públicas como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e EMATER, vem apostando na produção de leite e queijo e na produção de carne a partir da cria de rebanho semi-confinado. Entretanto é preciso lembrar que a Ilha possui um modelo pecuário ultrapassado, um rebanho que vem crescendo sem nenhum controle sanitário104 e, principalmente, uma oligarquia poderosa, mais preocupada em usurpar os recursos alheios do que inovar.

Há em Salvaterra algumas fazendas que estão investindo em inovações, como as cercas elétricas (quadro 9), consideradas as mais adequadas para o manejo do rebanho bubalino. Na Fazenda Santa Antonio, por exemplo, foram colocadas cercas com dois fios elétricos para criar o gado em pastos rotativos e de forma semi-confinada, mas também foram construídas cercas de limite, ou seja, cercas com seis fios que impedem o acesso das pessoas por entre suas terras. Segundo o depoimento do proprietário da referida fazenda e de sua esposa, há muitos ladrões nas comunidades vizinhas que invadem o lago de sua propriedade e que pretendem roubar o gado. Por outro lado, a comunidade vizinha é a comunidade negra rural de Deus Ajude que à muitas gerações pescam no Lago São João, um lago aberto e ligado a igarapés que ultrapassam os limites da fazenda do Barbudo e que fora impedida de extrair peixe e açaí há dois anos, desde a chegada deste senhor à comunidade.

FAZENDAS COM CERCA ELÉTRICA