6. Desenvolupament de la proposta
6.1. Aplicacions
6.1.5. Editor d’àudio
em recursos humanos
14 Esta síntese foi elaborada com base em documentos da VII Conferencia das Republicas Americanas ( 1924); da I Conferencia Panamericana de Directores Nacionais de Saúde (OPAS, 1926); da VIII Conferencia Sanitaria Panamericana, (OPAS, 1927); da II Conferência Panamericana de Diretores de
No caso das profissões da saúde, assim como em outros domínios relativos à organização e oferta dos serviços de saúde, as iniciativas então levadas a efeito na América Latina pela Fundação Rockefeller tinham, de fato, maior alcance e significação. A partir de 1916, essa fundação atuou em apoio às instituições de ensino, pesquisa ou de prestação de serviços de saúde na Colômbia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Granada, Guatemala, Haiti, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela. Atuou também em países da Ásia, do Oriente Médio, da África, da Europa Mediterrânea e Balcânica, e também na Inglaterra, Irlanda e Canadá (FARIA, 1995, p. 114-116).
O Brasil foi, de longe, em volume de recursos, o maior receptor das iniciativas de assistência na América Latina, na primeira metade do século XX, com importância reconhecida no terreno da modernização do ensino da medicina, na promoção do ensino das ciências básicas e do ensino especializado de higiene e saúde pública, sem prejuízo de outras áreas de atuação. Exemplo da presença da fundação, foi o seu apoio, a partir de 1917, à Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, sobretudo na introdução das cadeiras de histologia patológica e na criação do curso de higiene e do laboratório de higiene. Este último foi transformado, mais tarde, em 1924, no Instituto de Higiene de São Paulo, nos moldes da Escola de Higiene e Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, instituída alguns anos antes, em 1916, em Baltimore, EUA, também com o auxílio direto da Fundação Rockefeller. Dentre os objetivos do novo instituto incluíam- se a pesquisa e o ensino de pós-graduação em higiene e saúde pública; o estudo de métodos de intervenção em saúde pública e de legislação sanitária; a fiscalização sobre soros e vacinas; o treinamento de enfermeiras e profissionais auxiliares, além de iniciativas de educação em saúde (FARIA, 1999). O apoio a essas iniciativas tanto envolveu o envio, ao Brasil, de professores norte-americanos quanto a concessão de uma considerável quantidade de bolsas de estudos para brasileiros (LIMA, 2002).15
No tocante à formação de profissionais da saúde, outra linha de atuação importante da fundação, no Brasil, foi dar suporte ao ensino superior de enfermagem de
15 Entre 1918 e o final da década de 30, a Fundação Rockefeller teria proporcionado setenta viagens de estudos para brasileiros aos EUA, segundo o discurso de Gustavo Capanema, proferido em saudação a Fred Soper, em 1940 (FARIA, 1999: 185).
saúde pública e hospitalar.16 Com o apoio direto da Fundação Rockefeller, o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) criou uma escola de enfermeiras que enfatizava a formação em saúde pública, com o propósito de atender às necessidades do departamento concernentes a uma expansão das ações de caráter preventivo, que teriam por objetivo fazer frente às demandas por saneamento rural vocalizadas por um movimento reformador da saúde especialmente atuante a partir da segunda metade da década de 10. A escola tinha por propósito, também, formar quadros docentes com vistas a uma expansão do ensino de enfermagem para outras unidades da federação. Todavia, segundo os cânones da enfermagem norte-americana, defendidos pela Fundação Rockefeller, a formação em enfermagem não poderia descuidar-se de uma formação completa, capaz de habilitar as novas enfermeiras também para o cuidado direto ao paciente em condições de ambulatório ou internação. Em 1926, essa escola de enfermagem transformou-se na Escola de Enfermagem Ana Néri, reafirmando seu compromisso com esse tipo de formação ampla, porém integrada (SANTOS & FARIA, 2004).
Nessa mesma década, mais precisamente em 1925, também com o apoio da Fundação Rockefeller, o governo de São Paulo criou, no Instituto de Higiene, o curso de educadoras sanitárias. O propósito do curso era constituir um quadro de visitadoras de saúde, especificamente orientado para o atendimento estrito das necessidades educativas em campanhas sanitárias contra a ancilostomíase, o glaucoma, a febre amarela, entre outras doenças constantes da agenda sanitária (SANTOS & FARIA, 2004).
Em ambas as iniciativas, assim como no apoio à modernização do ensino médico, a Fundação Rockefeller ofertou bolsas de estudo para viagens de estudo aos EUA. Da mesma forma, proporcionou também apoio financeiro para que estudantes de engenharia sanitária desenvolvessem seus estudos naquele país. Assim, a fundação foi partícipe direta e relevante de um processo, em andamento já nos anos 20, e especialmente marcante a partir da década de 30, de redirecionamento das elites médicas e, sobretudo, das lideranças da saúde pública, no que concerne às suas
referências científicas e doutrinárias no exterior: da Europa, especialmente da França e da Alemanha, para as instituições e os profissionais dos EUA.
O que importa assinalar aqui, todavia, é que nas décadas de 20 e 30, o caso brasileiro é especialmente exemplar do papel de maior protagonismo da Fundação Rockefeller, no que concerne à implementação de iniciativas concretas de cooperação internacional no contexto regional, conferindo à Repartição Sanitária Pan-americana e à assistência intergovernamental multilateral, portanto, um papel marcadamente secundário.
O início da Segunda Guerra Mundial (1939–1945) introduziu um novo componente na cena da cooperação internacional bilateral em saúde. Em 1940, a administração Franklin Delano Roosevelt, dos EUA, instituiu, sob a chefia de Nelson Rockefeller, o Office for Coordination of Commercial and Cultural Relations between the American Republics, que, no ano seguinte, foi transformado em Office of the Coordinator of Inter-American Affairs - OCIAA, ou Escritório de Coordenação dos Negócios Interamericanos, como o organismo responsável pela ampliação das operações de cooperação bilaterais entre os EUA e os países americanos, em domínios como cultura e artes, indústria e comércio, defesa, educação e saúde. Seu propósito foi reforçar as relações de interdependência entre os EUA e os países da região, robustecendo a liderança continental norte-americana, iniciativa tida como fundamental, na conjuntura da eclosão e desenrolar do conflito mundial (CUETO, 2007).
Na saúde, essa agenda incluiu a proteção sanitária de áreas estratégicas, inclusive no tocante às regiões de produção de matérias-primas fundamentais para o esforço de guerra. No contexto brasileiro da saúde, a cooperação com o OCIAA, através do Institute of Inter-American Affairs, (IIAA), um instituto subsidiário, resultou na criação, em 1942, do Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp), com atribuições inicialmente específicas para atuar em regiões produtoras de borracha e minério de ferro. Essa iniciativa teria continuidade no pós-guerra, até pelo menos 1960, com implicações significativas para a organização dos serviços de saúde e a formação dos recursos humanos. O Sesp, muito rapidamente, deu início a um vigoroso programa de bolsas de estudos e, no tocante, por exemplo, ao ensino de enfermagem, apoiou diretamente a instalação, orientação metodológica e/ou capacitação docente de mais de
uma dezena de escolas de enfermagem, além de atuar diretamente na formação de auxiliares de enfermagem e visitadoras sanitárias (RENOVATO & BAGNATO, 2008; CAMPOS, 2006, 2008; CASTRO SANTOS & FARIA, 2004).5
Os primeiros anos da guerra registraram a emergência de um novo ator relevante na filantropia internacional norte-americana no tocante à educação e saúde: a Fundação Kellogg, uma instituição que desempenharia, duas décadas depois, um papel ativo no financiamento de iniciativas da Opas, dentre elas, a Biblioteca Regional de Medicina (Bireme) e o Centro Latino-americano de Tecnologias Educacionais em Saúde.17
Criada em 1930, por Will Keith Kellogg, empresário que fizera fortuna no comércio de cereais, a Fundação Kellogg manteve originalmente sua atividades circunscritas ao estado de Michigan, EUA, dedicando-se à saúde de comunidades rurais. Nos primeiros anos da década de 40, entretanto, associando-se às estratégias governamentais de cooperação internacional, a fundação ampliou a abrangência territorial de suas atividades, assim como o leque de temas de interesse (CHAVES & CUTHBERT, 2002, p. 10-11). Desse modo, muito cedo ela se tornaria uma das mais expressivas fontes de recursos destinados à concessão de bolsas de estudos em saúde. No decênio compreendido entre 1947 e 1957, por exemplo, a instituição concedeu cerca de 500 bolsas, a metade delas para médicos e as demais para dentistas, enfermeiras e, em menor escala, engenheiros sanitários, administradores hospitalares e especialistas em saúde pública (CUETO, 2007, p. 103).
Diante de uma manifesta carência de meios à disposição da Repartição Sanitária Pan-americana, uma ampliação expressiva da cooperação bilateral norte-americana em saúde e a presença em cena de novas organizações filantrópicas poderiam comprometer ainda mais o peso relativo da cooperação multilateral em saúde no âmbito regional. O conflito mundial e os anos que se seguiram ao seu desfecho, todavia, produziram também condições para um aumento sensível dos recursos financeiros e da capacidade operacional da organização.
17 Segundo Cueto (2007), a Fundação Kellogg teria desempenhado, na segunda metade do século XX, um papel similar e de importância equivalente aquele exercido pela Fundação Rockefeller ao longo das primeiras décadas do mesmo século. Para a descrição detalhada da colaboração entre a Opas e a Fundação Kellogg nas primeiras décadas de desenvolvimento da Bireme, ver Pires-Alves (2004). Para o caso do
III.4 - A Repartição Sanitária Pan-Americana no novo cenário