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2.1.Intervenções Para O Público

No nosso estudo, o conhecimento dos participantes sobre o AVC, embora superior ao da doença de Alzheimer, é lacunar e apresenta concepções erróneas.

Kothari et al. (1997) sugerem que os profissionais de saúde deveriam ter um papel mais importante na educação do público sendo que penas 2% dos utentes vêem o seu médico como primeira fonte de informação sobre o AVC. Os autores sugerem ainda que os utentes e as suas famílias deveriam aprender com os médicos, enfermeiros ou farmacêuticos: (1) formas de modificar os factores de risco, (2) sintomas do AVC e (3) a forma correcta de proceder em caso de AVC.

Os programas educacionais sobre o AVC enumeram sinais e sintomas. De acordo com Kothari et al. (1997) as mensagens mais eficazes são curtas, simples e repetitivas, e dão ênfase a dois ou três pontos. Sendo assim, a mensagem deveria focar poucos sintomas, de fácil identificação, comuns e específicos ao AVC. Tendo em conta a investigação acerca dos sintomas neurológicos mais comuns no AVC isquémico, a mensagem inicial deveria referir que “o surgimento súbito de fraqueza num lado do corpo, dormência ou problemas de fala podem significar que está a ter um AVC”.

Os programas educacionais dirigidos ao público em geral focalizaram-se no rápido reconhecimento do AVC de forma a diminuir o tempo entre o seu aparecimento e a chegada à urgência hospitalar. Contudo, sabe-se que reconhecer o AVC nem sempre é sinónimo de reconhecimento de que se trata de uma emergência. Sendo assim, as campanhas educacionais devem dar ênfase não só aos sintomas do AVC mas também ao que fazer, e reforçar a ideia de que: “se tiver um sintoma de AVC, ligue 112 imediatamente” (Pancioli et al., 1998; Kothari et al., 1997).

Embora o grupo de maior risco sejam os mais velhos, os programas educacionais não devem focar-se apenas neste grupo. Dado que as pessoas que sofrem um AVC apresentam muitas vezes dificuldades na comunicação dos seus sintomas ou na

capacidade de os reconhecer, as pessoas de todas as faixas etárias devem ser capazes de os reconhecer, facilitando a sua identificação e resposta (Pancioli et al., 1998).

106 2.2.Intervenções Para Cuidadores

No que diz respeito aos cuidadores, têm sido desenvolvidos vários programas. Embora os estudos sejam heterogéneos, as revisões de literatura (Brereton, Carroll & Barnston, 2007) têm mostrado a importância dessas intervenções. De uma forma geral, foram encontrados resultados positivos nos cuidadores, i.e.: (1) os treinos têm impacto no bem-estar e na qualidade de vida dos cuidadores, reduzindo os seus níveis de ansiedade, depressão e sobrecarga; (2) a educação e o aconselhamento aumentam o conhecimento resultando na diminuição da deterioração do funcionamento familiar; (3) os grupos de apoio e visitas domiciliárias, realizadas por enfermeiros, melhoram

estratégias de coping como a auto-eficácia, a confiança para cuidar do paciente e a procura de apoio social, embora não apresentem um efeito benéfico no bem-estar, e (4) as intervenções telefónicas têm um efeito significativo na saúde dos cuidadores, assim como na capacidade de resolução de problemas.

Para uma melhor compreensão destas várias intervenções, descreve-se mais pormenorizadamente o seu procedimento:

1. Treino de cuidadores (Kalra et al., 2004) – neste treino era fornecido aos cuidadores apoio convencional que consistia em: (1) informação sobre o AVC, suas

consequências e prevenção, (2) envolvimento no estabelecimento de objectivos para a reabilitação e para a alta hospitalar, (3) incentivo para participar em actividades de enfermagem e terapêuticas para facilitar a aprendizagem das capacidades do doente e obter informações informais acerca da mobilidade, transferência, e actividades da vida diária, e (4) aconselhamento sobre serviços comunitários.

Para além deste apoio era fornecido, também, treino aos cuidadores que incidia em: (1) instruções sobre problemas comuns no AVC e sua prevenção (e.g. úlceras de pressão, incontinência, nutrição, posicionamento, andamento e serviços

comunitários), (2) aprendizagem, adaptada às necessidades individuais do paciente, em técnicas de manuseamento, levante, mobilidade, transferência, incontinência, ajuda nas actividades da vida diária e comunicação. O treino é geralmente iniciado quando a quando a necessidade de reabilitação se estabiliza, e a alta hospitalar é ponderada. É constituído por 3 a 5 sessões, de 30 a 50 minutos cada uma, e as competências dos cuidadores são avaliadas no final do treino. Posteriormente a

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equipa hospitalar realiza uma sessão em casa, de forma a adaptar o conhecimento ao ambiente.

2. Educação e aconselhamento (Evans, Matlock, Bishop, Stranahan & Pederson, 1988) – os cuidadores frequentam uma aula, com a duração de uma hora, onde visionam um vídeo “Viver com o AVC”, e é transmitida informação (desenvolvida por psiquiatras) acerca das consequências do AVC (dificuldades na linguagem, perdas físicas e sensoriais, perdas na capacidade de memória e de aprendizagem,

consequências emocionais e na sexualidade) por um terapeuta ocupacional.

Posteriormente, os cuidadores participam numa sessão de uma hora, moderada por uma assistente social, onde se explica o tratamento específico para cada situação familiar, e se responde a perguntas. O aconselhamento é realizado em sete sessões individuais de uma hora cada, e o objectivo principal é que o cuidador aplique a informação aprendida, desenvolva estratégias de coping e resolva problemas que ocorrem em casa.

3. Grupos de apoio e visitas domiciliárias (van den Heuvel et al., 2000; van den Heuvel et al., 2002) – os enfermeiros participam num programa de treino com a duração de 1 dia. A intervenção em casa contempla 4 visitas de 2 horas cada, durante um período de 8 a 10 semanas. Estas intervenções são supervisionadas por um enfermeiro

especialista. Os grupos de apoio são realizados em 8 sessões de 2 horas cada, durante 2 meses. Os grupos são compostos por 8 a 13 cuidadores, supervisionados por enfermeiros dos cuidados domiciliários e com formação na educação para a saúde. 4. Intervenções telefónicas (Grant, Elliott, Weaver, Bartolucci & Giger, 2002) – esta

intervenção designada “Parceria Telefónica para a Resolução de Problemas Sociais” consiste, numa primeira fase, numa sessão de 3 horas, em que um enfermeiro

treinado se desloca pessoalmente a casa do cuidador. Os cuidadores são ensinados a utilizar uma orientação positiva para os problemas, e 4 passos sistemáticos para a sua resolução: (1) identificar e definir o problema, (2) traçar um objectivo e listar

possíveis soluções, (3) escolher e testar a melhor solução, e (4) avaliar consequências da resolução do problema.

À sessão inicial segue-se um seguimento telefónico semanal até à 4ª semana após a alta, e de duas em duas semanas da 6ª à 12ª semana após a alta, para desenvolver e manter as competências. Durante o contacto telefónico, é pedido ao cuidador que identifique os 3 problemas mais importantes desde o último contacto, e de que forma

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lida com eles. O enfermeiro ajuda na aplicação da estratégia de resolução de problemas, e fornece feedback sobre as estratégias utilizadas pelo cuidador.

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