O Brasil no cenário da Cooperação Internacional em HIV/AIDS, desenvolveu as novas e recentes iniciativas internacionais, isto somado ao esforço continuo das agências multilaterais, bilaterais, dos governos e das organizações da sociedade civil que lutam para combater a epidemia do HIV/AIDS que assola o mundo. No entanto, para efetivar a demanda com relação ao acesso universal ao Tratamento Antirretroviral é necessária uma permanente ampliação e consolidação da cooperação Sul-Sul em Saúde que o Brasil proporciona aos países membros da CPLP/PALOP e entre outros.
Para tanto, primeiramente foi desenvolvido panorama histórica da evolução epidemiológica do HIV/AIDS nos países de CPLP/PALOP. Para isso, o resultado mostra que Moçambique apresenta alto índice entre todos os membros da CPLP e dos PALOP com aproximadamente 1,6 milhões de pessoas soropositivas, seguido da Guiné-Bissau com cerca de 700 mil pessoas soropositivos. No que diz respeito ao país que apresenta menos caso de incidência de HIV/AIDS é a República de Timor- Leste que apresente um total de 0,5%da população soropositivas.
Quanto à cooperação Sul-Sul, o resultado mostra que, os países em desenvolvimento, especificamente os da África, Ásia e Europa de Leste e Oceania intercalam-se no aspecto de cooperação técnica com Brasil. Isto foi realçado pelo desempenho elogiável da Agencia Brasileira de Cooperação (ABC). Por outro lado, observa-se que os países africanos são os mais beneficiados com os projetos de cooperação estabelecidos pelo acordo de Cooperação Horizontal Sul-Sul em Saúde.
No que diz respeito às relações históricas de cooperação em saúde entre o Brasil e PALOP, o resultado mostra que, apesar da existência das relações de cooperação outrora, mas de maneira muito limitada que só se consolidou com a chegada ao poder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003. E, a partir daí nasce à nova estratégia política externa entre o Brasil e a África.
Em relação à propagação da epidemia do HIV/AIDS no continente africano, o resultado mostra que, o Brasil preocupou-se em ajudar no combate a epidemia e tratamento dos pacientes portadores de vírus de HIV/AIDS que assola os PALOP, por meio de instalação de fábrica para a produção de medicamentos antirretrovirais em Moçambique, por ter apresentado o elevado índice da infecção em relação aos outros países do PALOP. Como a Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe apresentam números de casos relativamente baixa se comparado ao Moçambique. Em razão disso, o Brasil tem os apoiado na obtenção dos remédios antirretrovirais, na formação e capacitação dos profissionais da área de saúde, com a finalidade de combater a propagação da epidemia de HIV/AIDS nesses países. O apoio dado pelo Brasil por meio do Ministério da Saúde, através dos seus departamentos e institutos ligados à saúde, como por exemplo, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Farmanguinhos, RETS e RET-SUS. Com a finalidade de fortalecer a educação técnica em saúde.
Tudo isso, necessita-se realçar por outro lado, os esforços alcançados pelo Brasil com a quebra de patente dos medicamentos antirretrovirais, e na distribuição gratuita aos portadores de vírus de HIV/AIDS, assim como na prevenção e cuidado das pessoas vivendo com HIV/AIDS. Desta maneira, os projetos de cooperação ajuda a sinalizar as perspectivas em direção ao futuro em função dos compromissos políticos internacionais ratificados pelos países-membros da CPLP/PALOP, com ênfase naqueles relacionados ao acesso universal à prevenção, tratamento e no cuidados da infecção pelo HIV/AIDS.
O resultado de pesquisa mostra que entre 2003 e 2014, os países pesquisados demonstram um grande no campo da farmacologia dos antirretrovirais, tendo como suporte o Brasil, o que proporcionou a mudança no estágio clinico e na vida das pessoas vivendo com HIV/AIDS, possibilitando um aumento na expectativa de vida dos pacientes soropositivo. Apesar dos avanços alcançados, verifica-se a facilidade com que os vírus adquirem a resistência, por meio da genotipagem, hoje estão sendo adotado apenas para pacientes com falha terapêutica, o que torna imprescindível o desenvolvimento de novos medicamentos. Assim é possível uma terapia de resgate mais personalizada de acordo com o perfil de mutações apresentadas. A ampliação do arsenal terapêutico aliado a politerapia baseada na genotipagem para todos os pacientes com indicação de uso, influenciará o controle farmacológico desta infecção por períodos maiores, auxiliando no combate da epidemia. A adesão aos medicamentos é essencial para a manutenção da baixa carga viral e menor desenvolvimento de resistência.
No que tange ao histórico epidemiológico, o resultado mostra que, a República de Moçambique com cerca de 1,6 milhões pessoas infectadas pelo vírus de HIV/AIDS é o país com maior números pessoas vivendo com a doença. Por outro lado, Moçambique acolhe 4% dos casos que se estima existirem a nível mundial, e 6% da África subsaariana, segundo o relatório da ONU. Uma tendência que é replicada nalguns dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Na Guiné-Bissau de 4% para 3,7%, e em São Tomé e Príncipe de 1,4% para 0,6%. Cabo-Verde manteve-se nos 5%, e em Angola houve um aumento de 1,9% para 2,4%.
A dissertação trouxe em evidencia importantes informações sobre as formas de cooperações estabelecidas entre o Brasil, os Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Esta cooperação possui seus aspectos contributivos positivos e negativos, tanto para a sociedade brasileira quanto para a comunidade dos países de língua portuguesa e os lusófonos da África. Apesar de entender os aspectos técnicos dessa cooperação foi o grande desafio dessa pesquisa.
Assim sendo, a partir desta dissertação recomenda-se os seguintes engajamentos no cumprimento dos acordos assinados pelos Governos dos Estados em Cooperação em saúde na luta contra a epidemia do HIV/AIDS:
a) Maior empenho nos compromissos firmados pelos Governos dos países que ratificaram os acordos de cooperação em saúde, e devem empenhar no cumprimento do mesmo para que traga bons resultados em favor da dignidade humana. Na falta do cumprimento do mesmo, significa que haverá mais a propagação da epidemia nesses países e pelo mundo.
b) Reforçar o investimento na divulgação, formação, capacitação dos profissionais da área de saúde, prevenção, nas campanhas de sensibilização e conscientização, educação preventiva das populações sexualmente ativa, nos trabalhadores e trabalhadoras de sexo e, de manei geral em toda a sociedade. Se as pessoas não levarem a cério a doença, ela pode se tornar mais grave do que já é.
c) É necessária a criação de polos e fábricas farmacológicos para reforçar a produção de medicamentos em diferentes países, tendo em conta a mutabilidade e resistência de vírus. Com as instalações das fábricas irão contribuir significativamente na redução dos valores nos Orçamentos Gerais dos Estados disponibilizados pelo Ministério da Saúde para a compra dos medicamentos antirretrovirais.
d) Seria pertinente levar em consideração a ideia sustentada pelo GADELHA, quando afirma que, “não há país que se possa ser considerado como desenvolvido com a saúde precária”. Sendo dessa forma, pode-se afirmar que os avanços nos sistemas de saúde do Brasil podem ajudar a levar aos países de CPLP/PALOP a melhorar a qualidade de vida e as condições socioeconômicas das pessoas portadoras de vírus de HIV/AIDS.