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4. DISCUSSION

4.4. M ICROHABITAT AND ECOLOGICAL INDICES

Esta pesquisa buscou rediscutir o fenômeno da intertextualidade observando, principalmente, a finalidade do uso desse fenômeno, ou seja, pretendemos identificar as diferentes funções textual-discursivas assumidas pelo intertexto. Assim, nossa metodologia se pautou pelo seguinte método de abordagem: trata-se de uma pesquisa indutiva, pois analisamos as ocorrências individualizadas para ir chegando a planos cada vez mais abrangentes, indo das constatações mais particulares às leis e teorias LAKATOS, , p. . Seguimos, portanto, do particular para o geral, demonstrando que manifestações particulares dos tipos em estudo, que cumprem diferentes funções textual-discursivas, serviram para descrever a ocorrência do fenômeno em diversos gêneros do discurso.

Do ponto de vista dos objetivos, nossa pesquisa é explicativa, uma vez que, consoante Gil (2002), toda pesquisa explicativa identifica fatores que determinarão ou contribuirão, no nosso caso, para a existência das funções textual-discursivas das manifestações intertextuais citação, referência e alusão. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuidade de uma descritiva, de modo que, para explicarmos um fenômeno, necessitamos descrevê-lo detalhadamente.

Já em relação aos procedimentos técnicos a serem realizados, a pesquisa é bibliográfica, pois nossos dados foram coletados a partir de materiais anteriormente publicados e/ou que se encontram disponíveis na internet, não necessitando, portanto, que recorramos a uma pesquisa de campo. No nosso caso, proporemos um olhar mais funcional para os processos intertextuais.

Optamos, nesta dissertação, por trabalhar com a abordagem qualitativa no tratamento dos dados, uma vez que utilizamos de interpretação e atribuição de significados aos textos analisados. Foi feita uma análise minuciosa das escolhas intertextuais que desempenharam funções textual-discursivas nos diversos textos que compuseram nosso corpus constituído por gêneros diversos, caracterizados como verbais e verbo-visuais, práticas de linguagem disponíveis na internet, de um modo geral, e na rede social Facebook16. Também retiramos nosso corpus de livros de artigos científicos e livros literários. Cabe informar que a escolha por tratar também da intertextualidade nos textos verbo-visuais se deu pelo fato de a maior parte dos estudos em intertextualidade se restringir somente a textos verbais, principalmente no campo literário e por termos descoberto, após a primeira pesquisa sobre os dados, o universo de textos verbo-visuais disponibilizados na internet, favorecendo, em muito, a pretensão de nossa pesquisa.

Nesse sentido, atentamos para as ocorrências intertextuais nos textos escolhidos e, depois, classificamos os processos intertextuais quanto ao tipo intertextual para depois identificar as respectivas funções textual-discursivas. Após a identificação, passamos a caracterizar essas funções. Seguimos o critério da explicitude nesse percurso e, depois, o das funções para as análises segundo o nosso objetivo principal.

Como contexto de pesquisa, podemos afirmar que nosso universo foi constituído de gêneros discursivos vários, advindos de diferentes domínios discursivos. Vale ressaltar que tanto Genette (2010) quanto Piègay-Gros (2010) se limitaram a analisar as relações intertextuais recorrentes em gêneros literários, contudo podemos afirmar que a utilização de recursos intertextuais é passível de ser encontrada em qualquer gênero e em qualquer domínio discursivo, tal qual já mostraram Koch, Bentes e Cavalcante (2007). Assim, a intertextualidade pode ocorrer entre os mais variados universos discursivos, da mesma forma que pode se apresentar em textos verbais e textos verbo-visuais, uma vez que sabemos que elementos verbais e visuais não podem ser separados quando pretendemos compreender, de modo geral, o sentido expresso por um enunciado concreto.

16 <http://www.facebook.com/>

Na nossa análise, não determinamos a quantidade de dados por funções, mas mostramos os que se apresentaram como mais expressivos em nosso corpus.

Informamos que não delimitamos os gêneros, uma vez que nos deparamos com a presença da intertextualidade em várias práticas discursivas. Assim, analisamos a charge, a tirinha de humor, a crônica, o anúncio, o poema, a notícia e o artigo científico. Também trabalhamos com textos que chamamos de gêneros humorísticos, tamanha a dificuldade em se nomear essas práticas discursivas estabelecidas e compartilhadas na internet e nas redes sociais.

Nossos procedimentos de geração de dados deram-se de acordo com a perspectiva da indução, em que Lakatos e Marconi (1991) propõem que devemos considerar a existência de três elementos fundamentais para toda indução. Esses elementos são considerados como etapas para se chegar ao processo indutivo. São elas: a observação dos fenômenos, a descoberta da relação entre eles e a generalização da relação.

Ainda nesse sentido, também utilizaremos o modelo metodológico de análise intertextual de Bazerman (2006), reformulando a tabela proposta pelo autor. Embora não tenhamos assumido a conceitualização que Bazerman faz de intertextualidade, como mostraremos em capítulo posterior, achamos interessante o procedimento de análise utilizado por Bazerman (2006).

Assim, seguindo a orientação da perspectiva da indução e de Bazerman (2006), como estamos trabalhando com referências explícitas, isto é, com a existência de elementos por copresença, observamos os fatos ou fenômenos, isto é, buscamos estabelecer a presença da intertextualidade nos objetos. Após isso, criamos uma tabela, em que, na primeira coluna, escrevemos o nome do texto, exemplo texto 1, Figura 2 etc; na segunda coluna, listamos a ocorrência intertextual; na terceira coluna, identificamos o tipo intertextual; na quarta coluna, a função textual-discursiva encontrada; e, por fim, na quinta coluna, o gênero em questão.17

Vejamos o quadro:

Quadro 5 – Procedimentos para a análise. Nome do texto Ocorrência intertextual Tipo intertextual

Função textual-discursiva Gênero discursivo Ex: Texto 1

– Figura 1 Jason Referência  Apelo à memória (intrínseca);  Servir a uma alusão

(intrínseca);  Simbolismo (extrínseca) Gênero humorístico. Fonte: FORTE (2013).

Mesmo que não seja nosso objetivo, tentaremos tecer reflexões sobre uma possível relação entre gênero e função textual-discursiva do tipo intertextual manifestado. Ainda cabe informar que, para a análise, se os textos não estavam disponibilizados na internet, transcrevemos ou escaneamos esses textos.

Nossa coleta foi feita em sites e na rede social Facebook, para o caso das charges, das tirinhas de humor, do anúncio, dos gêneros humorísticos e, em livros, para as crônicas, poemas e artigos científicos. Escolhemos tratar dos gêneros crônica e poema em livros para mostrar que as funções textual-discursivas se conservam as mesmas, na maior parte das vezes, tanto para gêneros, digamos assim, literários, quanto para textos específicos do espaço midiático.

Após essa primeira fase de observação, os objetos passaram por uma seleção, etapa em que os tipos escolhidos para o presente estudo foram identificados e determinados nos textos em análise. Assim, classificamos o corpus, agrupando os textos e arquivando-os de acordo com a presença do tipo intertextual. Percebemos, então, nesse momento, a relação constante que se mostrou entre eles (LAKATOS; MARCONI, 1991). Feito isso, catalogamos os dados de acordo com o quadro mostrado anteriormente.

Logo depois, passamos à análise. Testamos, pela análise individual dos textos, as funções já descritas na literatura, o que chamamos de funções intrínsecas ao tipo intertextual. Verificamos, então, se houve, efetivamente, a relação entre a função textual- discursiva e o tipo intertextual. Realizada essa etapa, identificamos os textos que

assumiam as funções textual-discursivas novas, ou seja, o que chamamos de funções extrínsecas a cada tipo intertextual estudado. Essa foi a última fase do método indutivo, na qual identificamos a generalização das relações encontradas e observadas.

Eis um quadro que configuraria as três fases para se chegar à indução segundo Lakatos e Marconi (1991):

Quadro 6: Fases para alcançar a indução.

Fonte: FORTE (2013).

Por fim, diremos que o fenômeno intertextual é um recurso importante para a elaboração e compreensão de textos, estando relacionado à produção, à recepção e à transformação dos sentidos. A intertextualidade, de fato, auxilia na construção dos sentidos, mas não encerra em si mesmo a função textual-discursiva no texto. Por isso se mostra pertinente a junção de elementos linguísticos, sociointeracionais, cognitivos e textual-discursivos para que se identifiquem suas funções.

4.2 Análise dos dados: um olhar funcional sobre os processos intertextuais por