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M ARKEDSEKSPANSJON , KUNNSKAPSRELASJONER OG RESSURSBASE

5. KONSERNOMRÅDE KAPITALAVKASTNING:

5.3 M ARKEDSEKSPANSJON , KUNNSKAPSRELASJONER OG RESSURSBASE

Ao longo de aproximadamente 3 (três) anos que estive em campo, percebi uma rotina no CCMN. Uma rotina que acompanha o ciclo do comércio de Juazeiro do Norte. Início de mês com maior faturamento. Mês de muito feriado é mês de apreensão, as vendas caem. Mas o que pode ser mais pontual na observação é a divisão da rotina nos dias da semana. De

42 Pode-se supor que os museus que justapõem obras de várias ordens, da pintura ao mobiliário, têm, em

verdade, dois públicos (ou mais) que se diferem na sua composição social e seus gostos. Por exemplo, móveis, que são parte das experiências cotidianas e interesses estéticos cotidianos podem, melhor do que a pintura - para as quais nem sempre se está preparado - atrair a classe média, que há alguns anos vem desenvolvendo o gosto pela decoração da casa. Da mesma forma, como foi testemunhado pela difusão de revistas de ciência histórica, objetos histórico ou folclóricos podem satisfazer uma demanda relativamente grande nesta classe. (Tradução nossa)

segunda a sexta, com um movimento de clientes, entrando e saindo, comprando, variável. Os dias de maior movimentação sãos os do meio da semana, quartas e quintas, as segundas normalmente, como os próprios membros do centro dizem, são “fracas”, e o dia de maior movimentação mesmo, quer seja de clientes quer seja de artistas, é o sábado.

Aos sábados o grupo se reúne, não é um dia de trabalho normal. Sábado é dia de rateio do que foi auferido na semana, de prestação de contas da associação com os seus associados. Os artesãos e artistas vão até o CCMN pela parte da manhã, alguns levam seus filhos outros vão sós, mas vão mais arrumados, em termos de vestimenta, do que normalmente vestem. Aos sábados ainda ocorrem as reuniões da AAPC, quando é necessário discutir alguma coisa, como a entrada de um novo parceiro, como foi o caso do escritório regional do Instituto de Cultura do Ceará, que o governo almeja criar.

Discute de tudo, ou ao menos se comunica aos membros, desde a entrada de um grupo como a Embaixada Social, uma Organização Não Governamental que estava responsável para fazer o levantamento da produção local de artesanato e os obstáculos encontrados. Tal estudo fora feito tendo com o amparo de grupos de pesquisa e extensão da UFC, no mapeamento das tipologias e nas prospecções das necessidades dos produtores de arte local. Após terem feito o “mapeamento”, instalaram uma sala com um computador, mobiliário de escritório e ar condicionado, uma representação do Instituto referido acima.

Nas ocasiões em que há reunião, são espalhadas cadeiras no pátio e é colocado um aparato sonoro, com caixa, microfone e um aparelho de som. Atualmente, também são colocados pedestais e uma câmera filmadora para registrar a reunião. A filmagem, segundo Hamurabi, serve também como um documento, pois, há algum tempo, havia problemas com autoridades, como o prefeito que queria intervir na gestão do Centro ou promessas feitas também pelos políticos locais e depois diziam não ter falado ou prometido nada. Segundo Hamurabi, desde a primeira vez que passaram a utilizar essa tecnologia, o tratamento dessas pessoas com eles mudou. Ele cita que o então prefeito, Manuel Salviano, entrou notoriamente irritado com eles que diziam não aceitar a interferência na gestão do Centro, mas quando viu que estava sendo filmado até sua fisionomia mudou.

Imagem 27 - Trabalhando e esperando o início da reunião em um sábado no pátio central do CCMN

Fonte: Arquivo do autor.

Nesses sábados, enquanto esperam a chegada de pessoas para pegar a sua parte no que foi apurado ou em sábados em que os membros venham para alguma reunião específica, com algum político ou parceiro, como é o caso SEBRAE, Embaixada Social entre outros, o grupo toca algumas emboladas, cantam alguma música puxada pelo pífano e pela zabumba, conversam, tomam um café feito na hora.

Aliás, esse tipo de reunião acompanhada de música e apresentações tornou-se elemento obrigatório desde que o centro passou a ostentar o título de Ponto de Cultura, pois, no projeto apresentado ao governo federal para a obtenção de tal título, havia a previsão de apresentação de grupos musicais e de reisados aos sábados. Tal cláusula não foi compreendida muito bem pelos associados que trabalham com música, pois, para cada apresentação, paga-se um valor de 300,00 (trezentos) reais que são repassados pelo governo federal junto com os outros recursos previstos no orçamento do Ponto de Cultura.

Mestre Chico, que aparece na imagem abaixo junto com Hamurabi, é um dos associados que trabalham com música. Segundo Mestre Chico, ele se apresentou apenas uma vez e não entende o que é feito com o recurso destinado semanalmente para tais

apresentações, já que os outros associados que trabalham com música também não têm se apresentado.

Segundo Hamurabi, as apresentações ocorrem conforme previstas no projeto inicial do Ponto de Cultura, mas não necessariamente aos sábados e não necessariamente no CCMN. Hamurabi diz que esta é uma das dificuldades para que pessoas como Mestre Chico entendam o projeto, pois o recurso não é destinado apenas aos membros da AAPC ou ao CCMN. O recurso deve ser utilizado no fomento das práticas artísticas de uma forma geral. Sendo assim, grupos de Maracatu ou de Maneiro Pau que não são membros nem da AAPC, nem do CCMN fazem apresentações em comunidades às vezes distantes e os membros, por não verem, acreditam que a gestão está fazendo um uso inadequado da verba ou, ainda, quando ficam sabendo, não raro defendem que o dinheiro deveria ser utilizado com os músicos que são associados.

Imagem 28 – Música para animar e agrupar os artesãos.

Imagem 29 – Hamurabi Batista canta uma embolada.

Fonte: Arquivo do autor.

Os sábados também são dias em que os equipamentos novos do Centro são utilizados, quer sejam caixas de som, câmeras filmadoras digital, microfones, entre outras aquisições realizadas pelo CCMN com o intuito de serem utilizadas somente nestas ocasiões de sábado. É muito difícil ver a utilização desses materiais em outros dias da semana. A música, atividade agregadora aos sábados, não é comumente utilizada em outros dias da semana, quer seja uma apresentação ao vivo ou só a reprodução de um CD, bem como a caixa de som que a propaga só é utilizada aos sábados. Sábado é o dia de eleição no CCMN, entretanto nesta última, apesar de todo o aparato tecnológico, não foi registrada.

Aos sábados também se faz o rateio das embalagens de garrafa produzidas pelos membros da AAPC e do CCMN que trabalham no bairro do Horto. Esses membros pouco vão ao CCMN, quer seja para rateio quer seja para participar de reuniões. Apenas quando há uma ameaça maior, como a intervenção que a prefeitura tentou fazer no CCMN, eles ocupam lugar na sede. Até mesmo nas eleições, estes não vão à sede, as urnas vão até eles.

Esses fatos geram desconfiança pelos demais quanto ao processo eletivo e mesmo quanto ao rateio do que fora produzido. A ramificação no bairro do Horto do CCMN ainda

hoje está sob os cuidados de Dona Lourdes, esposa de Abraão, cofundador da AAPC e do CCMN, e mãe de Hamurabi, que é o atual presidente da AAPC e coordenador do CCMN. Ou seja, mesmo passados mais de dois anos após se afastar da coordenação do CCMN ela detém o controle do comércio de embalagens em palha para garrafas de cachaça que o CCMN faz com uma empresa do Rio de Janeiro.

Imagem 30 – Em alguns sábados festivos o espaço da “telhosca” serve de refeitório para o almoço.

Fonte: Arquivo do autor.

Os sábados também são os dias de confraternização. Desde a época em que o CCMN foi reformado, com ajuda de Violeta Arrais, é utilizado para confraternizações. Nos dias em que celebram algo, alugam mesas e as põe no centro da telhosca, a Floresta Encantada, onde normalmente é colocado um número considerável de obras.

Ainda em relação à Violeta Arrais, o Prof. Abraão não soube me informar se a ideia do nome das salas laterais e do espaço coberto foi dela ou do arquiteto. Sabe-se que o arquiteto já havia pensado em uma utilização para confraternizações do CCMN e que, pelo espaço, seria ali mesmo. O serviço de buffet é de fora do CCMN e, normalmente, não passa por qualquer tipo de licitação ou concorrência. São relações pessoais, entretanto, ao que consta, o espaço

nunca foi usado para finalidades pessoais de qualquer membro. Sabe-se, também, e que há o reconhecimento de todos os membros do CCMN, que, se não fosse a briga política comprada por Violeta Arrais, o CCMN nunca teria chegado aonde chegou, nem em relação ao seu espaço, que foi reformado graças a sua influência, e tão pouco com o reconhecimento que goza atualmente.