Em terminologia, o conceito apresenta características estáveis, ou seja, um dado termo deve designar um conceito que por sua vez, deve ser aceito e partilhado pela comunidade científica em um domínio de especialidade.
Porém, nota-se que essa estabilidade pode ser infringida quando a esse mesmo conceito são incorporados diferentes e variados constituintes no decorrer do tempo. Desse modo, a instabilidade de seu uso perante uma comunidade científica ainda deixam transparecer uma certa insuficiência teórica que por sua vez se reflete na própria metodologia para se observar, analisar e descrever essa unidade.
Tal complexidade é evidenciada por Depecker (2000). Na citação, o autor aponta que o conceito pode ser considerado como uma categorização de objetos, as propriedades referentes a um conceito, um sistema de símbolos, um ícone, etc: “Les objets sont catégories sous la forme de concepts. Les propriétés d’un objet sont
arbitraites, dans le concept, sous la forme de caracteres. Ces propriétés sont plus ou moins exploitées et mises en oeuvre dans le concept. Cela dépend, notamment, de l’appréhension que l’on a de l’objet, certaines propriétés pouvant échapper à la perception ou à la conceptualisation. Un concept peut être décrit par un système symbolique (Granger 1960, 1979): notamment une equation, une représentation visuelle, une icône, une ou plusiers unites linguistiques.” (Depecker, 2000:94)
Por sua vez, Klein and Smith mostram que a complexidade do conceito está vinculada a sua universalidade: “Thus in some contexts the term “concept” refers to what would more properly be called a “universal” in the sense of the realist doctrine; in some contexts it refers to general ideas in people’s minds, and in yet other contexts it refers merely to general terms in some controlled language.” (Klein and Smith, 2010:434).
Atualmente, a complexidade do conceito diz respeito, também, à falta de fronteira entre o conceito e a significação. Geralmente, em muitos artigos que tratam sobre essa temática têm em conta que ambos os elementos podem ser abordados sob o mesmo nível de análise (cf. ponto 3.5).
Acrescentamos que, as características de dinamismo e evolução são inerentes à complexidade do próprio conceito em virtude de seus componentes articularem-se entre si para a formação de uma ideia que se processa na mente do especialista quando esse indivíduo observa um objeto dentro de uma dada realidade.
No que se refere à definição do conceito, esse elemento pode ser abordado sob três distintos níveis, são eles: unidade de pensamento; unidade de conhecimento e unidade de comunicação. Contudo, não é o nosso objetivo tratar do conceito sob esses distintos níveis, importa-nos falar das características dinâmicas e evolutivas do conceito.
Através de distintas definições observa-se que o conceito veicula perspectivas distintas; desse modo, é possível identificar o seu processo dinâmico e evolutivo.
Ao invés de conceito, Baldinger fala sobre objeto mental, que caracteriza um esquema de representação. O autor define o objeto mental da seguinte forma: “El objeto mental es una abstracción de muchas realidades emparentadas entre sí, pero la
lista de estas realidades queda, en general, abierta, lo cual impide toda enumeración completa (y por consecuencia, toda definición extensional).” (Baldinger, 1970:75).
Tanto a característica de abstração do conceito, quanto a lista da realidade que permanece em aberto, referidas por Baldinger, dão a ideia do dinamismo que é intrínseca ao conceito.
Esse mesmo pensamento é encontrado em Kuhn (1970). O autor tem em conta a característica arbitrária do conceito, desse modo o conceito pode ser concebido por acidentes pessoais e históricos, que integra as crenças adotadas por uma comunidade científica específica numa determinada época. No dizer do autor: “An apparently arbitrary element, compounded of personal and historical accident, is always a formative ingredient of beliefs espoused by a given scientific community at a given time”. (Kuhn, 1970:4).
Dahlberg define o conceito como uma “compilação de enunciados verdadeiros sobre determinado objeto, fixada por um símbolo linguístico.” (Dahlberg, 1978:102).
Através da definição da autora, o conceito resulta numa abstração que, por sua vez, se concretiza ao estabelecer uma união com uma unidade linguística que tem por finalidade denominar a realidade abstrata.
O pensamento de Dahlberg é partilhado por Faulstich (1991), quando a autora afirma que o conceito comporta-se como uma unidade do conhecimento, constituída de afirmações verdadeiras em relação a uma dada referência, que, por sua vez, é representada por uma designação verbal.
Nesse sentido, a ISO (1087-1, 2000) reconhece o conceito como uma unidade do conhecimento criada através de combinações de características.
Mais tarde, a ISO (704, 2009) reforça a ideia de que o conceito deve ser visto não apenas como uma unidade de pensamento, mas também como uma unidade de conhecimento.
Por sua vez, Depecker (1999) diz-nos que o conceito é um elemento do pensamento pelo qual se constrói um conhecimento acerca da realidade. Através do conceito, o indivíduo estabelece as propriedades de objetos, seres, coisas que fazem parte da realidade que o rodeia.
Por fim, no dizer de Stock (2010), os conceitos são unidades semânticas mínimas que integram um sistema de organização do conhecimento.
O conceito resulta da observação parcial realizada pelo especialista em relação a um dado objeto que, por sua vez, constitui a realidade de um domínio de especialidade do qual este mesmo indivíduo está integrado. Ao mesmo tempo, esse mesmo objeto faz parte de um grande universo, que de certo modo, esse mesmo especialista não consegue visualizá-lo na sua plenitude. Apenas, a uma parte desse objeto o especialista tem acesso e assim consegue conceitualizá-lo através do conhecimento que adquiriu através de observações e pesquisas.
Desse modo, é necessário referir que os especialistas apresentam diferentes conteúdos epistêmicos que resultam em distintas maneiras de pensar, considerado o objetivo de seu estudo.
Através da evolução conceitual, os especialistas de um domínio podem justificar e inferir sobre as novas hipóteses que são levantadas com a finalidade de analisar e descrever as novas teorias e/ou reformular as já existentes ou ainda fundamentar as pesquisas e práticas experimentais sobre o objeto da realidade que está sendo observado e analisado. É necessário precisar que essas mesmas teorias devem fundamentar, explicar e subscrever os motivos da mudança e da evolução do conceito.
A evolução conceitual reflete o ponto de vista de um grupo de especialistas de um determinado domínio através do comum acordo elaborado por esses indivíduos no que diz respeito ao novo objeto. Essa mudança é o resultado de uma prática de investigação realizada pelos especialistas desse mesmo grupo, no qual a observação e descrição da realidade estão sujeitas à evolução.
A evolução conceitual é um processo que apresenta características racionais, uma vez que o grupo de especialistas do domínio, no momento de descrever um novo objeto, deve ter a plena convicção de que a mudança descoberta e identificada necessita ser denominada para ser reconhecida como uma nova vertente do conhecimento a ser veiculada perante a comunidade científica.
Por fim, Grzega (2002) fala sobre a onomasiologia histórica, termo utilizado pelo próprio autor para referir esse tipo de mudança que ocorre no eixo do tempo; a onomasiologia histórica tem em conta os conjuntos de denominações referentes a um conceito ao longo do tempo. Para o autor, a onomasiologia histórica está relacionada com a motivação para a criação de um novo conceito e de uma nova unidade para expressar a inovação que ocorre no léxico.
Nesse contexto, o conceito caracteriza-se pela movimentação no tempo, isto é, o conceito absorve constituintes que ao longo do tempo permitem a sua evolução. É através do conceito que se pode identificar e assimilar as experiências passadas que de certo modo, contribuem para a sua renovação.