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Oppgåvene til Husbanken

3.5 Husbanken som tilretteleggjar

3.5.1 Oppgåvene til Husbanken

representação da realidade.38

significam, a História Cultural vem utilizando-as como fontes historio- gráficas com estatuto de documento e evidência. Entretanto, tentar re- constituir o real através de imagens torna-se “reimaginar o imaginado”37.

Essas representações, como testemunho fragmentares de uma realida- de do passado, são, sem dúvida alguma, fontes historiográficas de gran- de valor na história da cidade e da arquitetura.

Para Tânia Navarro Swan, a força das representações e das imagens, na construção dos papéis sociais, da alteridade e da realidade e na “na-

turalização de situações/relações que, de outro modo, não seriam sequer questionadas”,39 é compreendida “em diferentes níveis de concretude, em

dimensões diversas não excludentes, ao contrário, constitutivas do real como um todo, com gradações não hierarquizadas.”.40 No Brasil novos ob-

jetos e abordagens começaram a fazer parte da construção dessa narra- tiva histórica a partir de 1970, com a renovação historiográfica. Para Ana Maria Mauad,41 “o corolário da revolução documental, da ampliação dos

tipos de fontes e registros considerados aptos à produção do texto historio- gráfico orientou o pesquisador a buscar novas possibilidades de interpre- tação.” Dessa forma, “é possível se fazer uma história com imagens, que abandone uma epistemologia da prova, rumo à construção de uma leitura histórica que valorize o processo contínuo de produção de representações pelas sociedades humanas.”.42

Assim, para fins de pesquisa, não cabe questionar a historicidade das representações ou separar na narrativa histórica, o real do imaginá- rio, uma vez que ambos os conceitos se encontram inter-relacionados e não possuem limites ou bordas perceptíveis, uma vez que, “[...] o ser hu-

mano sempre se utilizou de representações para atribuir significado às coi- sas e às relações.”43 criando novas percepções simbólicas da realidade.

Esses significados estão sempre sujeitos a interpretações, não são moldados apenas pelas percepções do mundo, mas também pela sub- jetividade daquele que interpreta os signos, no caso as imagens. Cada fotografia é por definição um ponto de vista, um ângulo e momento es- colhido pelo fotógrafo, mas é a leitura dessa imagem é que irá construir seus significados e imaginários. É parte do processo da história cultural, onde a teoria das representações e a própria fotografia como ferramenta historiográfica encontram seu lugar de fala, a influência do historiador, na forma que a história é narrada. Aqui o fotógrafo cumpre esse papel,

[ 42 ] KNAUSS, Paulo. O desafio de fazer história com imagens: arte e cultura visual, 2006, apud MAUAD, op. cit.

[ 43 ] RABENHORST, Eduardo Ramalho; CAMARGO, Raquel Peixoto do Amaral. (Re)presentar: contribuições das teorias feministas à noção da representação. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 3, p. 981-1000, abr. 2014. Disponível em: <https:// periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/ S0104-026X2013000300013>.

[ 37 ] PESAVENTO, Sandra Jatahy. Em busca de uma outra história: imaginando o imaginário. Revista Brasileira de História – Representações, ANPUH, v. 15, p. 9-27, 1995.

[ 39 ] SWAIN, Tânia Navarro. Você disse Imaginário? In: ______. História no Plural. Brasília: EdUnB, 1996.

[ 40 ] Idem.

[ 41 ] MAUAD, Ana Maria. Apresentação. In: MONTEIRO, Charles (Org.). Fotografia, história e cultura visual: pesquisas recentes. [recurso eletrônico]. Porto Alegre: ediPUCRS, 2012. (Série Mundo Contemporâneo 2).

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Walker-Evans

Lunchroom Window, 1929

sendo essencial verificar qual seu lugar de fala – de olhar – dentro do contexto histórico em que constrói a narrativa imagética.

A história humana é uma história social que acontece no espaço e se torna mais clara nos espaços públicos. O apelo da fotografia das ci- dades está na visão direta que ela proporciona de pessoas reais, da vida real e da alteridade.

Assim, considera-se a importância da compreensão, ainda que sinte- tizada, da relação entre “dinâmica das representações sociais, bem como

dos mecanismos que a constituem”45, e sua historicidade, para então ana-

lisar as representações imagéticas da capital através das fotografias de Marcel Gautherot, sem deixar de considerar seu contexto histórico e po- lítico e como esse contexto contribuiu para formar o imaginário histórico sobre Brasília.

Para Boris Kossoy46 “[...] a criação e a interpretação das imagens in-

serem-se em processos de criação de realidades [...]”47 que se consolidam

no imaginário da sociedade. Nesse contexto, as cidades trazem consigo uma série de impressões sensíveis e contatos com pessoas, onde os su- jeitos urbanos estão expostos a uma profusão de imagens fragmentadas e transitórias. Na sociedade contemporânea a imagem pode alienar e buscar construir imaginários de felicidade a partir do consumo de uma nova ou diferente sociedade. Entretanto, a imagem tem também o poder de criar relações de empatia na sociedade e a partir do olhar do fotógra- fo construir uma narrativa de alteridade entre os sujeitos.

Assim, a percepção do espaço urbano é parcial e fragmentada. A cidade é produto de vários construtores, e a partir das leituras do espaço os sujeitos que vivem o espaço urbano criam uma imagem mental da ci- dade. As imagens fotográficas, representações dos espaços, influenciam a construção dessa imagem mental que é o ponto de partida para a cria- ção de um imaginário social e da narrativa social, politica e cultural da cidade. Para Kevin Lynch48 a cidade é uma construção no tempo, porém

sua imagem depende da percepção das pessoas ao longo desse tempo em que “[...] nada é vivenciado em si mesmo, mas sempre em relação

aos seus arredores, às sequencias de elementos que a eles conduzem, à lembrança de experiências passadas.” e onde cada sujeito tem diferentes “associações com alguma parte de sua cidade, e a imagem de cada um está

impregnada de lembranças e significados.”49

[ 45 ] É importante, ainda que esse trabalho não seja traçado através do enfoque psicológico de representações sociais, compreender como se dá a relação desse conceito com a construção de um imaginário coletivo sobre a cidade e o valor da representação como ferramenta metodológica para o entendimento da história. Nesse sentido, ver VILLAS BÔAS, Lucia Pintor Santiso. Uma abordagem da historicidade das representações sociais. Cadernos de Pesquisa, v. 40, n. 140, p. 379-405, maio/ago. 2010 e CARVALHO, João Gilberto da Silva; ARRUDA, Angela. Teoria das representações sociais e história: um diálogo necessário. Paidéia (Ribeirão Preto), Ribeirão Preto, v. 18, n. 41, p. 445-456, dez. 2008 e a bibliografia apontada por ambos os autores sobre o tema. [ 46 ] KOSSOY, Boris. Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. São Paulo: Ateliê Editorial, 2007. [ 47 ] Ibid., p. 53.

[ 48 ] LYNCH, Kevin. A Imagem da Cidade. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010.

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André Kertesz

Clock of the Académie Française, 1929

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Henri Cartier-Bresson

[...] onde os sujeitos urbanos estão