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Fujimoto, Sou, (2010) ‘Sou Fujimoto, o arquitecto que constrói florestas’, em: http://ipsilon.publico.pt/artes/entrevista.aspx?id=268755 (acedido: Setembro 2013).
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A Casa Final de Madeira localiza-se na orla de uma floresta que se desenvolve junto ao rio
Kuma, em Kumakura, Japão. Apresenta-se como uma contrução detentora de uma aparente
simplicidade formal. Trata-se de um cubo de 4mx4m, construído através de encaixe de 187 blocos sólidos de madeira com 350mm de secção quadrada, mantidos na sua posição pelo seu peso próprio e por um sistema de cabos de aço que os mantêm unidos no sentido vertical. Sou Fujimoto acredita nas "possibilidades da floresta como arquitectura" 56 e, nesse sentido, compara o espaço construído pelo Homem a um "ninho", pela necessidade de conforto e adaptação do meio que nos rodeia às nossas necessidades. Na verdade, assenta sobre todos os princípios de flexibilidade que temos vindo a desenvolver. Não poderá esta arquitectura ser um modo de flexibilidade? A nossa resposta é sim.
Contudo, o que este arquitecto propõem é um pouco diferente, Fujimoto propõe um "regresso
à caverna" 57 . Assim, ao contrário do ninho, não é o espaço que se adapta às necessidades do homem, mas o contrário. Segundo Fujimoto a caverna "inspira as pessoas a comportarem-se
com maior liberdade" 58.
Para melhor explicar estas ideias, Sou Fujimoto criou um conceito denominado “Futuro
Primitivo”, 59 que se traduz na Casa Final de Madeira.
“O ninho é um espaço bem preparado para as pessoas. A caverna é um espaço não preparado para as pessoas no qual gradualmente vamos encontrando o nosso local confortável para nos sentarmos, vamos descobrindo as possibilidades do espaço” 60.
O interior contém um programa completo para viver numa Casa. Apresenta-se como um “open space” que contém as variadas funções íntimas (descanso, higiene e reflexão), é desenhado pela justaposição dos blocos de madeira que “definem” ou “delimitam” a utilização do espaço. Contudo, apesar da complexidade visual que o interior apresenta este parece ser funcional.
O exterior caracteriza-se pela sua clareza formal e relação com a floresta – parte integrante da Casa. Deste modo o exterior pretende ser uma espécie de extensão do interior mantendo a relação constante entre interior/exterior através dos vazios.
56 Idem. 57 Idem. 58 Idem. 59 Idem. 60 Idem.
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É ainda no exterior que este arquitecto reflecte sobre a relação entre o interior e o exterior dos espaços que habitamos.
“Nasci em Hokkaido, onde faz muito frio lá fora e dentro das casas está quente. Quando mudei para Tóquio encontrei uma cidade em que as casas são muito pequenas e as ruas muito estranhas, o que cria uma continuidade interessante entre o interior e o exterior. De certa forma estamos protegidos” 61.
Sou Fujimoto entende que o carácter orgânico de Tóquio em que a rua se transforma numa espécie de prolongamento da Casa, lhe serviu de inspiração.
É nesta dualidade de espaços que se desenvolve a Casa Final de Madeira. Os blocos de madeira que visualizamos a partir do exterior “entram” no espaço interior da Casa. São estrutura e acabamento final. Não existe separação entre piso, parede ou tecto. Um espaço que se imagine ser o piso pode tornar-se numa cadeira, tecto ou parede.
Consequentemente, a delimitação dos espaços da Casa são relativos e a sua “espacialidade” é percebida de acordo com a posição do seu utilizador. A distribuição espacial faz-se a três dimensões de um modo constante.
F.35. – Fujimoto - Casa Final de Madeira, Kumakura, Japão, 2008. Planta.
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Fujimoto, Sou, (2010) ‘Sou Fujimoto, o arquitecto que constrói florestas’, em: http://ipsilon.publico.pt/artes/entrevista.aspx?id=268755 (acedido: Setembro 2013).
65 F.36. – Fujimoto - Casa Final de Madeira, Kumakura, Japão, 2008.
Alçados.
A aparente presença de um conceito de "utilização" depressa se desvanece na contradição da relação entre os usos do espaço e a suas respectivas dimensões. Os usos não são estanques, mas as suas dimensões atendem sempre a padrões reduzidos.
O arquitecto procura recuperar uma relação mais intuitiva entre o corpo e o espaço. Algo que entende que se perdeu ao longo dos tempos.
“Quando exactamente? A partir do momento em que o Homem começou a construir espaços para habitar” 62.
F.37. – Fujimoto - Casa Final de Madeira
Plantas ilustrativas da utilização do espaço da Casa
F.38. – Fujimoto - Casa Final de Madeira Corte ilustrativo da utilização do espaço da Casa
Casa Final de Madeira, Kumakura, Japão, 2008. Plantas ilustrativas da utilização do espaço da Casa.
Casa Final de Madeira, Kumakura, Japão, 2008. da utilização do espaço da Casa.
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Neste sentido, Sou Fujimoto tem consciência de existirem diferentes formas de viver os espaços construídos de acordo com a sua época. Fujimoto caracteriza, ainda, a Arquitectura de Corbusier como uma “arquitectura funcionalista”, mas também “uma arquitectura com
maior abertura de espírito” 63.
“Não defendo o regresso à natureza ou à montanha, mas acho que seria agradável recuperar algumas sensações que se perderam nesta sociedade contemporânea” 64.
Tal como o Petit Cabanon de Le Corbusier, a Casa Final de Madeira realiza-se de uma forma híbrida na contradição entre o protótipo universal (definido pela técnica e racionalidade de utilização dos materiais) e a complexidade do seu uso. Porém, a espontaneidade, a diversidade e o improviso presentes na Casa Final de Madeira apresentam um desafio ao entendimento do espaço doméstico contemporâneo, enquanto espaço de habitar dominado pela diversidade.
Mais do que um objecto, esta Casa consiste numa “rede” de relacionamentos
Observemos agora o caso de Shigeru Ban. Este arquitecto ficou conhecido pelas alternativas eficientes para a construção urbana, promovendo o conceito inovador do uso de materiais renováveis e de baixo custo, como tubos de papelão e madeira.
Conhecido pelo seu trabalho voluntário em regiões afectadas por desastres em todo o mundo também defendeu o uso eficiente de materiais renováveis em alojamentos de refugiados, os quais, com criatividade e inovação podem ser feitos de forma eficaz e simples.
F.39. F.40.
63 Fujimoto, Sou, (2010) ‘Sou Fujimoto, o arquitecto que constrói florestas’, em:
http://ipsilon.publico.pt/artes/entrevista.aspx?id=268755 (acedido: Setembro 2013).
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F.41. F.42.
F.39., F.40., F.41., e F.42. – Fujimoto - Casa Final de Madeira, Kumakura, Japão, 2008. Imagens do exterior da casa.
O arquiteto japonês iniciou as suas pesquisas com tubos de papelão na década de 80 e a Paper
Arbor, de 89, foi seu primeiro projecto utilizando esse material. O arquitecto trata o papelão
como ”madeira evoluída”, em referência à sua origem.
Preocupado com o meio ambiente, defende a reciclagem como uma solução pós-tecnológica e pós industrial e também diz que a arquitectura hoje em dia pouco faz para os mais necessitados, que são muitos e representam um desafio a todos os arquitectos.
" Os arquitectos podem ser úteis a muita gente, não apenas aos ricos" 65.
F.43. F.44.
F.43. e F.44. – Shigeru-ban - Paper Arbor, 1989.