3.5 Lokasjon: Figur og bakgrunn
3.5.2 Lokasjon er bevegelse
A Caatinga é o bioma predominante no Nordeste do Brasil, se estendendo do Piauí a Minas Gerais. Sua vegetação apresenta-se extremamente heterogênea, incluindo pelo menos uma centena de diferentes tipos de paisagens únicas, fazendo dela um ambiente de extrema importância biológica (MMA, 2002).
No ambiente de Caatinga, a família Fabaceae é a melhor representada, correspondendo a aproximadamente 30% do total de espécies vegetais descritas para esse bioma, onde foram registrados 77 gêneros e 293 espécies. Além disso, as espécies de Leguminosae estão completamente inseridas na cultura da população rural da Caatinga, sendo utilizada como alimento, lenha, forragem, produtos medicinais e até nos rituais religiosos destas populações, indicando ser esse grupo de plantas uma fonte significativa de recursos naturais, especialmente para os habitantes do semiárido (QUEIROZ, 2006; QUEIROZ, 2009).
De acordo com Juchum (2007), a família Fabaceae (anteriormente classificada como Leguminosae) é a terceira maior família das Angiospermas relatadas (Figura 1), maior divisão do reino vegetal, que compreende as plantas superiores que contém sementes encerradas no ovário e, portanto podem formar frutos (JOLY, 2002 apud VIRTUOSO, 2005).
Figura 1. Comparação do número de espécies apresentadas por algumas famílias do Reino Vegetal: (a) Asteraceae, (b) Orchidaceae, (c) Leguminosae, (d) Rubiaceae e (e) Graminae (BACKLUND et al., 2000). a) Asteraceae: 21 000 spp. b) Orchidaceae: 17 500 spp. c) Leguminosae: 16 500 spp. d) Rubiaceae: 13 000 spp. e) Graminae: 8 000 spp. a b c d e htt p:/ /www .b r.f go v.b e/RE S E A RC H/P ROJE CT S /r ub iace ae .p hp
23 Três subgrupos são geralmente reconhecidos como pertencentes à família Fabaceae: Caesalpinoide, Mimosidae e Faboideae (Papilionoideae). Em muitas classificações, estas são consideradas como subfamílias, mas algumas vezes são tratadas como famílias separadas. Dentre estes três grupos, Faboideae apresenta-se como o maior, seguido por Caesalpinoideae e Mimosoideae (JUDD et al, 1999 apud MAIA, 2008).
Os três subgrupos têm em comum: ovário súpero, unicarpelar, legume e a capacidade de apresentar nodosidades nas raízes (SOUZA & SOUZA, 2011). Entretanto, uma diferença entre elas é a capacidade de fixação de nitrogênio, pois, esta propriedade é manifestada na maioria das espécies de Papilionoideae, enquanto que em Caesalpinioideae, considerado o grupamento mais primitivo das leguminosas, os indivíduos que nodulam são a minoria (CORBY, 1988).
Segundo Juchum (2007), a família das leguminosas compreende mais de 730 gêneros que reúnem mais de 19.400 espécies no mundo (uma das maiores dentre as dicotiledôneas) e estão espalhadas em todo o mundo especialmente nas regiões tropicais e subtropicais (Figura 2).
Figura 2. Distribuição de espécies da família Fabaceae no mundo (Fonte: Missouri Botanical Garden, 2012).
24 No Brasil, foram catalogados 212 gêneros e 2716 espécies da família Fabaceae, sendo encontrados em maior quantidade na região norte, no domínio do cerrado (Figuras 3 e 4) (LIMA et al., 2012).
Figura 3. Distribuição de espécies da família Fabaceae nas regiões brasileiras (LIMA et al., 2012).
Figura 4. Distribuição de espécies da família Fabaceae nos domínios fitogeográficos brasileiros.
De modo geral, plantas dessa família caracterizam-se como ervas anuais ou perenes, eretas, prostradas, difusas ou escadentes, subarbustos, arbustos eretos e árvores de pequeno, médio e grande porte, com sistema
40% 44% 37% 41% 20% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50%
Nordeste Norte Centro-Oeste Sul Sudeste
23% 43% 41% 0,4% 5% 35% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50%
Caatinga Cerrado Amazônia Pantanal Pampa Mata Atlântica
25 radicular bem desenvolvido e predominância da raiz principal sobre suas ramificações (MAIA, 2008).
Seu valor econômico é significativo e junto com as gramíneas representam as mais importantes famílias produtoras de alimentos vegetais (SALINAS, 1992). São cultivadas desde a antiguidade como alimentícias (lentilha, ervilha, feijão); forrageiras (alfafa, trevos, ervilhacas); oleaginosas (soja, amendoim); adubo verde (tremoços); tintóreas (índigo, pau-brasil); tânicas (acácia-negra); fornecedoras de celulose (bracatinga); melíferas (alfafa, trevos-de-cheiro); medicinais (pata-de-vaca, erva-de-touro); florestais (canafístula, angico); ornamentais (guapuruvú, corticeiras) (MIOTTO, 2008), fixadoras de nitrogênio, através da simbiose com bactérias do grupo dos rizóbios (Rhizobiaceae) presentes no solo, permitindo que sejam utilizadas na agricultura como plantas para adubação verde (SOUZA & SOUZA, 2011).
O uso medicinal das plantas pertencentes à família Fabaceae pela população de diferentes partes do mundo tem encontrado respaldo nos estudos científicos, que comprovam a eficácia destas plantas em vários modelos experimentais.
Espécies desta família são utilizadas popularmente como antifúngicas (FENNER et al., 2006), no tratamento de doenças respiratórias, de diabetes, de infecções renais e de doenças hepáticas, (COVA & MONDADORI, 2006; VIEIRA, 1992 apud SOUZA & SOUZA, 2011 ), para dores de estômago, flatulência, dores de cabeça (LEVI-STRAUSS, 1997 apud SOUZA & SOUZA, 2011), no tratamento de insônia, desordens do sistema nervoso central e processos inflamatórios (OLIVEIRA et al, 2009) .
Cientificamente, já foram relatados diversos efeitos biológicos ou farmacológicos para espécies dessa família, entre eles, efeito antibacteriano, analgésico, anti-inflamatório, antifúngico e antidiabético (SILVA et al., 2008; OLIVEIRA et al, 2009).
Espécies dessa família são reputadas pelo grande número de ocorrências de flavonoides, em especial isoflavonoides com atividade antimicrobiana, como também pela presença de alcaloides com atividade cardioativa, terpenoides, taninos e esteroides (CORDELL et al., 2001).
26 3.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE Calliandra Benth.
O gênero Calliandra Benth. (Leguminosae: Mimosoideae) é composto por 200 espécies que se distribuem a partir do sudeste dos Estados Unidos ao Uruguai, região de clima temperado quente da Argentina e norte do Chile (Figura 5). Trinta espécies são restritas à América do Norte, quatro espécies distribuídas na América do Norte ao norte da América do Sul, seis espécies endêmicas do Caribe, setenta e quatro espécies concentradas no Brasil - principalmente no nordeste (Figura 6), vinte e seis espécies restritas ao norte, nordeste e leste da América do Sul (a partir das Guianas, ao sul do Peru e leste da Bolívia), sendo encontradas também em Madagascar e na Índia (MATTAGAJASINGH et al., 2006; LEWIS & RICO 2005; SOUZA, 2012).
Figura 5. Distribuição de espécies do gênero Calliandra Benth. no mundo. Fonte: Missouri Botanical Garden, 2012.
27
Figura 6. Distribuição das espécies de Calliandra Benth nas regiões brasileiras (Fonte: SOUZA, 2012).
Muitas espécies de Calliandra são cultivadas em jardins como plantas ornamentais devido a sua aparência atrativa com lindas flores esféricas com longos estames de cores diferentes e com folhas pinadas ou bipinadas, ou seja, as folhas apresentam-se divididas em folíolos, e estes por sua vez divididos em outras folhas ainda menores (Figura 7) (MATTAGAJASINGH et
al., 2006).
Figura 7. Calliandra em floração (BARBOSA, 2008)
No Brasil são conhecidas como esponjinhas e podem ser encontradas em seu habitat natural, na região do cerrado, chegando até as áreas da
75% 15% 14% 27% 8% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
28 caatinga no nordeste, mas também em outras regiões com climas mais amenos (MILIKEN, 1997 apud BARBOSA, 2008).
Na medicina popular espécies deste gênero são usadas como laxativa e abortiva (ADESINA, 1976 apud ORISHADIPE et al, 2010), anti-helmíntica e antidepressiva (NIA et al, 1999), no tratamento de uretrites, cistites, dores renais, cálculos biliares, inflamações da próstata, dor de dente, cólicas, febre (DIMAYUGA et al, 2006), no tratamento da malária e Leishmaniose (BARBOSA, 2008), gonorreia, constipação, alívio de dores (AGUNU et al, 2005), contra infecções da garganta (AGRA et al., 2008).
Também são relatadas atividades anticonvulsivantes (ADESINA, 1982
apud ORISHADIPE et al, 2010), antidiarréica, antiespasmódica, antipirética, antireumatica, analgésica (AGUWA & LAWAL, 1988; AGUNU et al, 2005), anticolinérgica, antiácida, antiulcerogênica, antibacteriana contra Escherichia
coli, Staphylococcus aureus, Streptococcus faecium e Candida albicans (ADESINA, 1982 apud ORISHADIPE et al, 2010), e antioxidante (CHEW et al, 2011).
As principais classes de metabólitos secundários encontradas em
Calliandra são diterpenos cassanos (DIMAYUGA et al, 2006), saponinas (SILVA et al., 2005), flavonoides e taninos (MURILLO et al, 2008) (Quadro 1).
29 Quadro 1. Estrutura de algumas substâncias isoladas de espécies de Calliandra.
O O MeO MeO OMe OMe O O MeO OH OMe H H O OH CHO H O H H O OH CH2OH H O O O O HO HO O OH OH O O O O O O O O O O O OH O O O O O OH OH OH O OH OH OH OH NHCOCH3 OH OH OH OH OH OH OH OH OH OH OH OH OH HO O OH OH R OH O O O HO OH OH OH
Ácido elágico Pulcherrimasaponina
Escobarina A Escobarina B 7,2’,3’,4’-tetrametoxiflavona 7,4’-dimetoxi-3’-hidroxiflavona 1 - R = OCH3 2 - R = OH 1 - 7-metoxiquercitrina 2 - quercitrina
30 3.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE Calliandra umbellifera Benth.
Calliandra umbellifera Benth. é uma espécie endêmica do Brasil, entretanto pouco conhecida, tendo sido coletada apenas no sul do Ceará e sudoeste do Piauí, tendo como domínio fitogeográfico a caatinga (SOUZA, 2012).
É um arbusto de 1-1,5 m altura, com a presença de umbelas heteromórficas, flores pentâmeras e estames brancos. Esta espécie pode ser diagnosticada pela presença de tricomas glandulares pedunculados sobre o pedicelo e o perianto. A morfologia geral é semelhante à de C. ulei, incluindo os folíolos relativamente largos e oblongos destas duas espécies. Os principais caracteres diferenciais entre estas espécies são folhas mais agrupadas no ápice dos ramos e folíolos menores (3-5 x 1-1,5 mm em C. ulei vs. 6-8 x 2-3 mm em C. umbellifera), lacínias do cálice mais longas do que o tubo e ausência de tricomas glandulares pedunculados (Figura 8) (QUEIROZ, 2009).
Figura 8. Fotos de Calliandra umbellifera (J. F. Tavares).
Esta espécie ainda não tem relato de estudo fitoquímico, farmacológico e nem uso popular.
3.4 CONSIDERAÇÕES QUÍMICAS, BIOLÓGICAS, FARMACOLÓGICAS E