1. INNLEDNING
6.1.1 Lojalitet
Conforme a tabela 5.8, as plantas cultivadas no LVA sem fertilização mineral (LVA- S/FERT) apresentaram concentrações foliares de cálcio e fósforo 2 a 4 vezes maiores no tratamento LE em relação ao tratamento T, assim como as plantas cultivadas no LVE-S/FERT também apresentaram concentração foliar de cálcio 2 vezes maior sob efeito residual do lodo (LE). Estes resultados podem ser atribuídos a elevada quantidade de cálcio e fósforo em ambos os solos (Tabela 5.2), devido à aplicação do lodo tratado com cal e à sua lenta decomposição (POGGIANI; SILVA; GUEDES, 2006).
As concentrações foliares de nitrogênio e potássio nos rabanetes cultivados no LVA- S/FERT foram cerca de 2 vezes maiores no tratamento T em relação ao tratamento LE. Segundo Mills e Jones Junior (1996), o potássio e o nitrogênio possuem elevada mobilidade dentro da planta, o que faz com eles sejam facilmente distribuídos nos diferentes componentes do rabanete (folhas e raízes). Isto pode justificar a menor concentração de K e N nas folhas de rabanete do tratamento LE, em que as plantas apresentaram maior crescimento, levando a um maior efeito-diluição destes elementos nos órgãos da planta.
Observa-se na tabela 5.8, que a concentração foliar de zinco (Zn) dos rabanetes cultivados no LVA-S/FERT foi 2 a 3 vezes superior no tratamento LE comparado as plantas cultivadas do tratamento testemunha (T); ao passo que, a concentração foliar de manganês
(Mn) foi cerca de 4 a 7 vezes menor no tratamento LE. Este tipo de resultado não foi observado nas plantas cultivadas em LVE, evidenciando que o efeito residual do lodo encontra-se em função do tipo de solo onde foi aplicado.
Tabela 5.8 – Concentração de nutrientes nas folhas das plantas de rabanete submetidas aos tratamentos testemunha (T) e efeito residual do lodo de esgoto (LE), sem e com fertilização mineral (S/FERT e C/FERT, respectivamente), cultivadas em dois tipos de solo: Latossolo Vermelho Amarelo (LVA) e Latossolo Vermelho Escuro (LVE)
--- S/FERT --- --- C/FERT --- Nutriente TRAT.
LVA LVE LVA LVE
T 48,82 Aa 49,04 Aa 33,43 Aa 31,41 Aa Nitrogênio (g kg-1) LE 27,91 Bb 44,85 Aa 31,19 Aa 31,65 Aa T 1,12 Ab 2,43 Aa 4,84 Aa 4,32 Aa Fósforo (g kg-1) LE 4,19 Aa 1,38 Aa 4,58 Aa 4,20 Aa T 19,13 Aa 17,22 Aa 26,39 Ba 32,90 Aa Potássio (g kg-1) LE 8,29 Ab 12,58 Aa 25,82 Aa 22,95 Ab T 16,50 Ab 12,50 Ab 39,12 Aa 31,70 Aa Cálcio (g kg-1) LE 26,00 Aa 27,25 Aa 50,16 Aa 39,58 Aa T 3,40 Aa 3,25 Aa 2,93 Aa 3,60 Aa Magnésio (g kg-1) LE 3,30 Aa 2,78 Aa 2,18 Ba 4,28 Aa T 6,37 Aa 6,79 Aa 5,78 Aa 5,55 Aa Enxofre (g kg-1) LE 6,20 Aa 6,68 Aa 6,62 Aa 5,46 Aa T 5,50 Aa 6,08 Aa 7,88 Aa 6,13 Aa Cobre (mg kg-1) LE 4,50 Aa 6,50 Aa 7,13 Aa 7,00 Aa T 192,50 Aa 183,50 Aa 189,63 Aa 188,13 Aa Ferro (mg kg-1) LE 145,25 Aa 137,33 Aa 172,88 Aa 174,13 Aa T 379,70 Aa 911,33 Aa 186,66 Aa 273,56 Aa Manganês (mg kg-1) LE 55,38 Ab 292,32 Aa 41,87 Ab 160,64 Aa T 103,75 Ab 181,25 Aa 37,68 Ab 56,75 Aa Zinco (mg kg-1) LE 265,83 Aa 234,00 Aa 104,27 Aa 68,78 Aa
Nota: Para cada FERT (S/ ou C/), nutriente e tipo de solo (coluna), médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si pelo teste de Tukey (P>0,05). Para cada FERT (S/ ou C/), nutriente e tratamento (linha), médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula não diferem entre si pelo teste de Tukey (P>0,05).
Apesar da concentração foliar de zinco ter sido acrescida consideravelmente no tratamento LE, não foram observados sinais de toxidez nas plantas, como por exemplo, folhas com pigmentação avermelhada no pecíolo e nervuras ou clorose generalizada (DECHEN; NACHTIGALL, 2006). Há de se destacar também que não foram observados sinais de deficiência de Mn nas plantas cultivadas no tratamento LE, como clorose entre nervuras e lesões necróticas.
Nas raízes de rabanete, a concentração de fósforo nas plantas cultivadas no LVA- S/FERT, bem como a concentração de cálcio nas plantas em LVE-S/FERT, foram significativamente superiores (de 40 a 330%) no tratamento LE (Tabela 5.9). Por outro lado, como nas folhas, a concentração radicular de manganês foi significativamente inferior no tratamento sob efeito residual do lodo de esgoto, tanto em LVA quanto em LVE, chegando a ser até 8 vezes menor em relação ao tratamento T. De acordo com Borkert, Pavan e Bataglia (2001), a disponibilidade de manganês no solo e, consequentemente, para as plantas depende do pH, do potencial de oxi-redução, da matéria orgânica do solo, além do equilíbrio dinâmico com outros cátions, tais como o ferro, cálcio e magnésio.
Tabela 5.9 – Concentração de nutrientes nas raízes das plantas de rabanete submetidas aos tratamentos testemunha (T) e efeito residual do lodo de esgoto (LE), sem e com fertilização mineral (S/FERT e C/FERT), cultivadas em dois tipos de solo: Latossolo Vermelho Amarelo (LVA) e Latossolo Vermelho Escuro (LVE)
--- S/FERT --- --- C/FERT --- Nutriente TRAT.
LVA LVE LVA LVE
T 38,95 Aa 36,46 Aa 19,22 Aa 21,49 Aa Nitrogênio (g kg-1) LE 16,67 Bb 28,11 Aa 19,99 Aa 22,58 Aa T 1,23 Ab 1,67 Aa 5,69 Aa 5,36 Aa Fósforo (g kg-1) LE 5,33 Aa 3,77 Aa 5,77 Aa 5,52 Aa T 16,84 Aa 19,90 Aa 47,24 Ba 56,99 Aa Potássio (g kg-1) LE 17,18 Aa 27,54 Aa 47,05 Ba 55,85 Aa T 2,36 Aa 2,27 Ab 2,60 Aa 2,51 Aa Cálcio (g kg-1) LE 2,70 Aa 3,28 Aa 3,01 Aa 3,26 Aa T 0,70 Aa 0,80 Aa 0,85 Aa 0,95 Aa Magnésio (g kg-1) LE 0,67 Aa 0,80 Aa 0,75 Ba 1,08 Aa T 5,49 Aa 6,14 Aa 3,93 Aa 3,72 Aa Enxofre (g kg-1) LE 4,76 Bb 5,58 Aa 4,45 Aa 3,86 Aa T 2,75 Aa 3,50 Aa 3,75 Aa 3,50 Aa Cobre (mg kg-1) LE 2,17 Aa 3,50 Aa 3,63 Aa 3,25 Aa T 96,25 Ba 143,50 Aa 55,00 Aa 58,13 Aa Ferro (mg kg-1) LE 55,25 Ba 80,25 Ab 51,25 Aa 60,63 Aa T 42,31 Aa 171,45 Aa 22,05 Aa 31,16 Aa Manganês (mg kg-1) LE 5,72 Ab 32,72 Ab 8,62 Ab 18,48 Aa T 29,25 Aa 71,25 Aa 31,38 Ab 35,25 Aa Zinco (mg kg-1) LE 85,63 Aa 100,25 Aa 56,00 Aa 41,13 Ba
Nota: Para cada FERT (S/ ou C/), nutriente e tipo de solo (coluna), médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si pelo teste de Tukey (P>0,05). Para cada FERT (S/ ou C/), nutriente e tratamento (linha), médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula não diferem entre si pelo teste de Tukey (P>0,05).
De acordo com a tabela 5.9, a concentração radicular de zinco foi superior (cerca de 100%) apenas nos rabanetes cultivados no LVA-C/FERT do tratamento LE em relação ao tratamento testemunha T. Segundo a ANVISA (1965), o limite máximo de tolerância de Zn em alimentos vegetais é de 50 mg kg-1 com base na matéria fresca. Essa concentração limite de Zn, corrigida com base na matéria seca dos rabanetes (500 mg kg-1), não foi excedida por nenhum dos tratamentos T ou LE.
Em relação aos metais pesados, observa-se na tabela 5.10 que as concentrações foliares de níquel e as concentrações radiculares de chumbo não alcançaram o nível mínimo necessário para a sua determinação pelo equipamento analítico utilizado (ICP-OES). Entretanto, observa-se que a concentração radicular de Ni nos rabanetes cultivados em LVA foi cerca de 9 vezes maior no tratamento LE em comparação ao tratamento T, o que aparentemente não afetou o crescimento das plantas.
Kopittke, Asher e Menzies (2007), ao avaliarem a toxicidade do níquel (Ni) sobre o cultivo do feijoeiro (Vigna unguiculata), constataram que a concentração radicular de Ni foi de 3 a 10 vezes maior em relação às folhas e que a redução do crescimento (cerca de 10%) se deu depois de alcançada a concentração radicular de 440 g kg-1 de Ni. Segundo esses autores, os sinais de toxidez por Ni parecem surgir inicialmente nas folhas (clorose), provavelmente pela deficiência induzida de ferro; mas é nas raízes que a toxidez por Ni se faz realmente perceber, reduzindo o seu crescimento.
Tabela 5.10 – Concentração de metais pesados (mg kg-1) nas folhas e raízes das plantas de rabanete, submetidas aos tratamentos testemunha (T) e efeito residual do lodo de esgoto (LE), cultivadas em dois tipos de solo: Latossolo Vermelho Amarelo (LVA) e Latossolo Vermelho Escuro (LVE)
--- FOLHA --- --- RAIZ --- Elemento TRAT.
LVA LVE LVA LVE
T 0,415 Aa 0,360 Aa 0,145 Aa 0,090 Aa Cádmio LE 0,540 Aa 0,335 Aa 0,167 Aa 0,075 Aa T 1,522 Aa 1,283 Aa 0,647 Aa 0,501 Aa Cromo LE 0,684 Ab 0,591 Ab 0,587 Aa 0,225 Aa T > 0,025 > 0,025 0,031 Ab 0,094 Aa Níquel LE > 0,025 > 0,025 0,269 Aa 0,035 Aa T 0,238 Aa 0,169 Aa > 0,0025 > 0,0025 Chumbo LE 0,169 Aa 0,070 Aa > 0,0025 > 0,0025
Nota: Para cada órgão da planta, elemento químico e tipo de solo (coluna), médias seguidas de pelo menos uma mesma letra minúscula não diferem entre si pelo teste de Tukey (P>0,05). Para cada órgão da planta, elemento químico e tratamento (linha), médias seguidas de pelo menos uma mesma letra maiúscula não diferem entre si pelo teste de Tukey (P>0,05).
Em ambos os solos, a concentração foliar de cromo nas plantas de rabanete cultivadas no tratamento LE foi significativamente menor (cerca de 100%) em comparação às plantas cultivadas no tratamento testemunha. Segundo Bramryd (2013), o cromo presente no solo com ou sem adição de lodo de esgoto é rapidamente convertido a Cr3+ (estado oxidado), cuja estabilidade química é maior, além de ser imóvel e inerte no solo. Segundo Egiarte et al. (2008), a forma trivalente do cromo (Cr3+) tem alta afinidade pelos íons carregados negativamente e pelos colóides organominerais do solo, o que o torna relativamente imóvel e não tóxico.