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2.2 Cost Effectiveness of Norwegian Incentive Schemes

2.1.8 Charging Infrastructure Discussion

- Descrição das observações microscópicas.

- Grupo I - Técnica ART / ácido fosfórico / Fuji II LC - Foram observadas

microscopicamente irregularidades superficiais nos preparos cavitários

analisados (Figura 14), destacando a presença de grande quantidade de

colônias bacterianas (Figura 15). Quanto à interação do material restaurador

com tecido dentinário, observou sua existência com espessura variável,

porém presente em todos os cortes. Além disso, houve formação de tags

FIGURA 14 - Corte histológico do grupo I, apresentando irregularidades superficiais nos preparos cavitários, área de interação (A.I.) e tags dentinários (T). 400X

A. I.

FIGURA 15 - Corte histológico do grupo I, apresentando a área de interação (A. I.) dente-material restaurador, além de uma grande quantidade de colônias bacterianas (B). 400X

- Grupo II - Técnica convencional / ácido fosfórico / Fuji II LC - Formação de

uma área de interação bem evidente, com pouca variação de sua espessura

e presente em toda a extensão das cavidades (Figura 16). Quanto aos tags

A.I

formados, apresentaram-se bem definidos, uniformes, numerosos e também

presentes em todas cavidades (Figura 17).

FIGURA 16 - Corte histológico do grupo II, apresentando a área de interação dente-material restaurador (A.I.) nítida e contínua e tags dentinários (T). 400X

A. I.

FIGURA 17 - Corte histológico do grupo II, apresentando a área de interação dente-material restaurador (A.I.) nítida e contínua e tags dentinários numerosos (T). 400X

- Grupo III - Técnica ART / ácido poliacrílico / Fuji II LC – Também foi

observada irregularidades superficiais nos preparos cavitários e, da mesma

forma que no grupo I, foi visualizada a presença de inúmeras colônias

bacterianas no interior dos túbulos dentinários, bem como na região da

interface dente/restauração (Figura 18). Observou-se também a presença de

uma área de interação bem evidente entre o tecido dentinário e o material

A. I.

restaurador, no entanto em algumas regiões onde a dentina apresentava-se

muito desorganizada, esta interação não foi tão evidente (Figura 19). Os tags

foram presentes na maioria dos cortes, apresentando-se bem definidos e

numerosos, sendo diferenciados das bactérias pela coloração apresentada

FIGURA 18 - Corte histológico do grupo III, apresentando irregularidades superficiais cavitárias, tags dentinários (T), além da presença de colônias bacterianas (B). 200X

A. I.

T B

FIGURA 19 - Corte histológico do grupo III, apresentando área de interação (A.I.) não uniforme e presença de colônias bacterianas (B). 400X

- Grupo IV – Técnica convencional / ácido poliacrílico / Fuji II LC – A interface

dente/restauração foi evidenciada como uma área de interação contínua,

porém consideravelmente mais delgada que a apresentada pelos demais

grupos (Figura 20). Também foi observada ausência de tags na grande

maioria dos cortes (Figura 21).

A. I.

FIGURA 20 - Corte histológico do grupo IV, apresentando área de interação (A. I.) delgada e uniforme em toda extensão cavitária. 100X

FIGURA 21 - Corte histológico do grupo IV, apresentando ausência de

6 DISCUSSÃO

técnica do ART, que foi inicialmente indicada para locais com

infra-estrutura precária, além de fazer uso de curetas

dentinárias para remoção do tecido cariado tem como material restaurador

de eleição o cimento de ionômero de vidro convencional. 21, 22, 23, 24, 25, 26 Por ser uma técnica que preserva ao máximo a estrutura dental, não necessita

de anestesia odontológica, fato que é citado por vários autores como sendo

um ponto positivo, principalmente no tratamento de pacientes infantis. 11, 20, 26, 53

Mjor e Gordan;47 Cole e Welbury;11 Frencken e Holmgren,26 são unânimes em afirmar que o ART é muito bem indicado em odontopediatria,

possuindo boa aceitação pelos pacientes, o que contribui muito para o

estabelecimento de uma relação de confiança entre os pacientes, pais e o

cirurgião dentista. Este fato também é destacado por Frencken e Holmgren,26 que constataram que 95% das crianças que receberam tratamento pela

técnica do ART, estavam preparadas para um novo tratamento, se

necessário.

Atualmente, porém, o tratamento restaurador atraumático tem sido

aplicado cada vez mais nos consultórios odontológicos particulares, onde se

A

pode fazer uso de outros recursos como materiais restauradores

fotopolimerizáveis, exames radiográficos, e outros, visando com isso

melhorar os resultados clínicos. 53, 26 Nestes casos, em que há alteração em

algum dos passos do ART, fica caracterizada a técnica do ART modificado,

ou seja, modifica-se a técnica original com o intuito de reduzir suas

deficiências.

Van Amerogen70 citou como limitações do ART a potencial dificuldade

de se remover tecido cariado de lesões relativamente pequenas utilizando

somente instrumentos manuais e, principalmente, as limitações do material

restaurador, originalmente o cimento de ionômero de vidro convencional.

Levando-se em consideração as limitações deste material como material

restaurador definitivo, uma alternativa para aprimorar o ART e empregar a

técnica do ART modificado, seria a alteração do material restaurador,

acompanhando a evolução e melhorias dos materiais restauradores. O

presente trabalho utilizou como modificação da técnica do ART, a

restauração das cavidades com cimento de ionômero de vidro modificado por

resina. Tal modificação da técnica também é citada como opção no

tratamento de lesões cariosas por Cordeiro et al.13

Os cimentos de ionômero de vidro modificados por resina são

amplamente utilizados e a melhoria em suas propriedades físicas é apontada

por vários autores como sendo responsável por seu emprego como material

Croll e Killian16 ressaltaram que a adição de resina ao ionômero, possibilita ao operador controlar o tempo de trabalho e diminui a

possibilidade de enfraquecimento da restauração pela ocorrência de sinérese

e embebição, concordando com as observações feitas por Croll e

Nicholson,17 que destacaram ainda, que tais fatores influenciam muito nos resultados clínicos obtidos na odontologia infantil.

Vale destacar que, diante da utilização de um material ionomérico

híbrido, torna-se interessante a aplicação de um agente condicionador de

superfície, que trará benefícios no selamento marginal e na união ao

substrato. 3, 5, 6, 7, 40, 41, 63

Sabe-se que o objetivo do condicionamento ácido do tecido dentinário

é o de criar uma superfície capaz de promover uma adesão química e/ou

micromecânica com os materiais restauradores. 3, 19 Os trabalhos de Araújo;1 Breschi;4 Namen et al;49 Olmez et al;52 Pioch et al,58 constataram a efetividade do ácido fosfórico, em diferentes concentrações, na remoção da

smear layer e smear plug, promovendo um aumento da permeabilidade

dentinária e com isso maior penetração do material adesivo no interior dos

túbulos dentinários. Já Pashley,54 citou que a técnica do condicionamento ácido evoluiu muito, passando de tratamentos mais agressivos, como a

utilização dos ácidos mais concentrados para tratamentos mais brandos, com

a redução do tempo de aplicação e da concentração do agente

Heymann e Bayne,31 assim como Nakabayashi,48 destacaram que a adesão à estrutura dentinária depende de vários fatores, porém um intimo

contato entre o material restaurador e a estrutura dentária são condições

fundamentais para que se tenha êxito na adesão. Neste contexto, destaque

deve ser dado aos agentes condicionadores empregados no presente

trabalho, que possibilitaram a formação de uma área de interação entre a

dentina e o material restaurador, encontrada em todos os espécimes

estudados, fato também constatado por outros pesquisadores. 52, 55, 58, 64

Essa área de interação pôde ser observada pela permanência do

material ionomérico aderido quimicamente à estrutura dental. Cabe salientar

que tanto os cimentos ionoméricos convencionais quanto os resinosos

apresentam adesão à estrutura dental por meio dos íons de hidrogênio que

deslocam íons cálcio e fosfato que por sua vez, unem-se aos grupos

carboxílicos do próprio cimento e do dente (reação de quelação). Nestas

situações puderam ser observados fragmentos do material restaurador

unidos à estrutura dental e separados do resto das restaurações,

provavelmente pelo rompimento do material durante a remoção das

restaurações (Figura 22). Já nos casos de maior espessura e definição desta

área, acredita-se que além desta união química com a estrutura dental,

também houve formação da camada híbrida de adesão, observada

principalmente nos grupos que empregaram o ácido fosfórico como

relacionada com a desmineralização da dentina intertubular e peritubular

provocada pelo ácido fosfórico e com a penetração do material restaurador

adesivo nesta área desmineralizada rica em fibras colágenas, possivelmente

formando uma zona híbrida ionomérica.

FIGURA 22 - Fragmentos do material restaurador (M.R.) - Fuji II LC e área de interação (A.I.), unidos à estrutura dental. (Grupo IV). 400X

FIGURA 23 - Presença de fragmentos do material restaurador (M.R.) - Fuji II LC e formação da área de interação (A.I.) e tags dentinários (T) (Grupo II). 200X

M.R.

Os resultados desta pesquisa mostraram também que o material

ionomérico empregado, foi capaz de penetrar no interior dos túbulos

dentinários. Vale destacar que provavelmente apenas o conteúdo resinoso

do material (HEMA), que ainda não tivesse reagido com sua porção

ionomérica, formou os tags. Sabe-se que o cimento de ionômero de vidro

convencional possui partículas de vidro com dimensões que variam entre 20

e 50µm. Provavelmente o material ionomérico Fuji II LC possui partículas de

M.R.

A.I. T

tamanho maior do que a abertura dos túbulos dentinários, muito embora

essa informação não seja fornecida pelo fabricante. Este fato impossibilitaria

a penetração do conteúdo inorgânico no interior dos túbulos, que possuem

abertura de no máximo 2,5µm.66

Ainda na observação das projeções resinosas no interior dos túbulos

dentinários, foi observado que a formação de tags dentinários foi

semelhante, tanto para o grupo que recebeu a remoção do tecido cariado

com instrumentos cortantes rotatórios quanto para aqueles em que esta

remoção foi realizada com instrumentos cortantes manuais (Tabela 6).

Porém quando associados os tipos de condicionamento dentinário com os

preparos cavitários realizados, verificou-se que no grupo III, que teve o tecido

cariado removido com curetas dentinárias e tratamento superficial com ácido

poliacrílico, também houve a formação de tags dentinários numerosos e bem

definidos, fato que não ocorreu com o grupo em que o tecido cariado foi

removido com brocas esféricas, que não apresentou penetração de material

restaurador no interior dos túbulos.

Esta observação pode estar relacionada ao fato do tecido dentinário

obtido após a realização do preparo cavitário com brocas possuir smear layer

e smear plug que se formam na superfície deste tecido, impedindo seu

contato com o material restaurador e obliterando a entrada dos túbulos

dentinários. Esta camada é composta de restos de matéria orgânica e

esmalte ou do cemento, e sua morfologia é determinada principalmente pelo

tipo de instrumento que a cria e pela zona da dentina onde é formada.56 Assim, provavelmente a presença da smear layer e principalmente da smear

plug impediram a formação dos tags neste grupo. Pode-se até inferir que o

material resultante da utilização das brocas esféricas possivelmente

provocou a obliteração da entrada dos túbulos dentinários, impedindo a

formação dos tags, fato que não ocorreu nos espécimes tratados com o ART,

onde o corte realizado no tecido dentinário pelas curetas não formou smear

plug, mantendo a abertura dos túbulos, permitindo assim a penetração do

material restaurador.

Sundfeld64 em 2002 empregando a mesma metodologia da presente

pesquisa, também observou presença de camada híbrida e tags formados

com o material Fuji II LC, no entanto, constatou que o comprimento do tags

dependeu do tipo de tecido dentinário que o material foi aplicado. Os autores

obtiveram tags maiores diante da dentina hígida, quando comparada com a

dentina obtida pós-remoção de tecido cariado. Vale destacar que no

presente trabalho não houve variação no tipo de substrato, sendo realizadas

restaurações em dentina obtida com remoção de parte ou de toda a lesão e

em nenhuma situação os procedimentos operatórios foram executados em

tecido hígido.

Observando agora a análise descritiva dos grupos, destaque deve ser

brocas e para os grupos que empregaram instrumentos cortantes manuais.

Quando foram usadas as brocas, suas lâminas cortaram a dentina de forma

regular, ao contrário do observado nos cortes obtidos com colheres de

dentina. Além disso, o uso das brocas possibilitou a formação da smear

layer e smear plug, diminuindo a efetividade da união micromecânica no

grupo que empregou o ácido poliacrílico.

Ainda na análise qualitativa das lâminas obtidas nos grupos que

empregaram curetas, foi observada grande quantidade de colônias

bacterianas no tecido dentinário, fato que constitui preocupação de vários

pesquisadores.12, 32, 46, 62, 67 Tais colônias bacterianas somente puderam ser observadas devido a coloração empregada e obtida pelo método de Brown &

Brenn que possui afinidade pelas bactérias gram positivas e gram negativas,

bem como pelo componente orgânico dos materiais restauradores.

Diante desta observação, pesquisadores como Consolaro;12 Thylsptrp e Fejerskov,69 destacaram que o tecido dentinário infectado, que apresenta

consistência mole e amarelada, deve ser removido, já que não possui

possibilidade alguma de cura. Porém, a dentina contaminada; que é aquela

que apresenta uma textura parcialmente mantida, é considerada

remineralizável e, portanto, deve ser preservada.

Os trabalhos de Toi et al.;67 Wambier,71 também constataram a presença de bactérias após o preparo com o ART, entretanto, os

pesquisadores ressaltaram que quando se obtém um selamento adequado

da cavidade, a quantidade de microrganismos diminui significativamente.

Desta forma, se faz necessária a utilização de materiais restauradores

que efetivamente realizem o selamento cavitário. O trabalho de Briso et al.5 avaliou a capacidade seladora de um cimento de ionômero de vidro

modificado por resina, após restauração em cavidades hígidas e pós-

remoção de tecido cariado e foi verificado que a infiltração marginal na

interface esmalte/ionômero do ionômero de vidro foi consideravelmente

controlada quando a superfície dental recebeu o condicionamento com ácido

fosfórico à 37%, previamente à inserção do material na cavidade. Também

Mertz-Fairhurst et al.,46 acompanhando lesões cariosas, verificaram que após

um ano, as lesões que permaneceram abertas apresentaram um aumento

significativo em sua profundidade, enquanto que as lesões cariosas oclusais

seladas, mostravam um pequeno ou nenhum aumento.

Assim, o selamento marginal conseguido com o uso dos

condicionadores e emprego dos materiais ionoméricos adesivos podem

assegurar a diminuição, paralisação e até mesmo a estimulação de dentina

esclerótica e reparadora que poderão garantir um pós-operatório sem dor e

maior longevidade nas restaurações.

Portanto, a combinação do preparo cavitário com instrumentos

cortantes manuais e restauração com materiais mais resistentes e com

dentinários, constitui uma ótima opção no tratamento de lesões cariosas. Tal

proposta, que caracteriza a técnica do ART modificado, vem sendo cada vez

mais aplicada, principalmente pelo fato de possuir uma ótima aceitação pelos

pacientes. A presença de uma área de interação e da formação de tags

dentinários após a aplicação de tal técnica constitui um importante fator na

sua indicação. Seguindo os passos de sucesso da técnica do ART realizada

em comunidades carentes, a técnica do ART modificado vem se firmar como

sendo mais uma opção de tratamento, principalmente no atendimento de

pacientes infantis não colaboradores. Além disso, as observações realizadas

nesta pesquisa são indícios importantes de que o ART modificado poderá se

7 CONCLUSÃO

Baseado nos resultados obtidos, pode-se concluir que:

O preparo cavitário convencional com uso de brocas, seguido do

tratamento superficial com o ácido poliacrílico não se mostrou efetivo

na formação dos tags quando utilizado material ionomérico;

A Técnica Restauradora Atraumática Modificada com emprego prévio

do ácido fosfórico ou do ácido poliacrílico possibilitou considerável

interação micromecânica ao tecido dentinário;

O uso de instrumentos cortantes rotatórios associado ao

condicionamento da estrutura dentinária com ácido fosfórico

possibilitou a formação contínua de uma camada híbrida de adesão,

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