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5.5.1. Análise bibliométrica

Como unidades de análise das citações foram tomadas as referências de artigos, livros e capítulos de livros que caracterizaram as núcleos estabelecidas: Fonoaudiologia, Educação Especial e Interface, contidas em cada uma das teses e dissertações, disponíveis no sistema on line da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. Para tanto os procedimentos das etapas metodológicas e sua análise permeiam a descrição da Figura 9.

Figura 9. Esquema de análise bibliométrica

Rehn e Kronman(2008) definem indicadores como uma medida utilizada para determinar processos e resultados, com isso foram estabelecidos os seguintes indicadores bibliométricos para análise: (i) núcleo principal “core”de cada categoria Núcleo da Educação Especial; Núcleo da Fonoaudiologia e Núcleo da interface; (ii) tipo das publicações; (iii) temporalidade; (iv) origem das fontes citadas (nacionais ou internacionais); (v) abrangência das temáticas/população alvo, com base no conteúdo do artigo, capítulo ou livro (vi) índice de citação de autores e de obras. No Quadro 5 segue a descrição de cada indicador.

Quadro 5. Descrição e definição dos indicadores bibliométricos

Indicadores Bibliométricos Definição

“Core” - Núcleo principal de cada categoria

O core revela os assuntos mais abordados, para encontrá-los foram lidos cada título das referências e enquadrada em 3 categorias:

Educação Especial, Fonoaudiologia e

Interface.

Tipo de publicação Corresponde ao tipo de publicação mais utilizado entre artigo, livro ou capítulo. Temporalidade Remete ao ano das publicações que os pesquisadores buscaram. Origem das fontes citadas Origem das obras nacionais ou internacionais.

Abrangência da temática /população alvo

Corresponde ao tema referencial de análise da literatura e seu publico alvo.

Nunes, Ferreira, Mendes (2002,2004), Garrutti (2007) e Bello (2009).

Índice de citação de autores e obras Obras e autores mais citados por núcleo. Destacam-se pontos relevantes para complementar à escolha dos indicadores que podem ser demarcados por entender que a literatura clássica de uma área, de acordo com Calvino (1994), refere-se a livros que tragam conteúdos marcados pelas leituras que precederam as nossas, demarcados por referências de Piaget e Vygosty que são autores referencias tanto do núcleo da Educação Especial como também do núcleo da Fonoaudiologia, portanto enquadrados na interface.

As referências que não se enquadraram nesses três núcleos não foram demarcadas, uma vez que caracterizavam interfaces com outras áreas, tais como a psicologia, terapia ocupacional, educação física e outras áreas.

Além disso, realizou uma planilha no programa Excel15para armazenar os dados voltados às categorias de análise bibliométricas para, posteriormente, transferi-los ao software denominado Vantage Poin®t,16, utilizado em outras pesquisas da área da Educação e também na área da Educação Especial Hayashi et al. (2005; 2007) e Silva (2004).

15 O Microsoft Excel é um programa que permite criar planilhas eletrônicas. É parte integrante do

Microsoft Office.

16Vantage Poin®t,é um programa desenvolvido nos EUA por Allan Porter, do Georgia Institute of

Technologia da University of Georgia, em parceria com a empresa Search Technologie e o Technologie Policy and Assessment Center. Esse software é uma ferramenta analítica flexível, que pode ser configurada em qualquer tipo de base de dados estruturada em texto.

Esse software também pode ser utilizado para construir indicadores bibliométricos traduzidos em figuras, tabelas e gráficos com a intenção de obter uma melhor interpretação e apresentação dos resultados, a fim de refletirem o grau de citação.

5.5.2. Análise das redes de colaboração

No que se refere à análise das redes, os dados foram organizados da seguinte maneira. Inicialmente os dados, compostos por 833 registros, foram organizados e sistematizados, de forma a permitir a realização do estudo das redes, utilizando o aplicativo Excel. Nessa perspectiva, a análise se estendeu apenas a artigos, livros e capítulos de livros que foram escritos em coautorias, somando um total de 486 registros.

Para clarificar, os dados foram divididos da seguinte maneira:

• Cada registro de artigo de periódico foi dividido em autor e título do artigo. O campo autor subdividido de acordo com o número de autores de cada artigo e elencado seu nome e sobrenome para eliminar as repetências de registro;

• Cada registro de livro foi dividido em autor e título. O campo autor foi subdividido de acordo com o número de autores de cada livro;

• Cada registro de capítulo de livro foi dividido em autor; título do capítulo e autor (es) do livro. O campo autor foi subdividido de acordo com o número de autores de cada capítulo de livro. Para esses registros, vale destacar que foram considerados apenas os autores dos capítulos e não dos livros.

Na sequência foram identificados e eliminados os registros repetidos, e em cada registro foram eliminados os autores repetidos, ou seja, aqueles que foram cadastrados duas ou mais vezes no mesmo registro. Além da eliminação de temas que não caracterizaram a interface, nem mesmo seu campo de origem. O que fez permanecer um total de registros de 267 artigos, 21 livros e 198 de capítulo de livros.

Os nomes dos autores foram padronizados para facilitar a recuperação e o manuseio das informações, foram, também, indicados pelo último sobrenome, em maiúsculas, seguido do(s) prenome(s).

Os dados foram inseridos, armazenados e trabalhados no Excel para, posteriormente, serem transferidos para o software Ucinet, adequado para a proposta

desta pesquisa, que é analisar a interação dos autores por meio da coautoria, relevante para redes de colaboração.

Por fim, com base nesses arquivos modelados minuciosamente, montou-se 3 matrizes valoradas de coautoria em Excel (uma para cada tipo de publicação, artigo, livro e capítulo de livro). Os valores das matrizes representam o número de vezes que um autor aparece relacionado a um segundo autor, considerando todos os registros abarcados no tipo de publicação analisada. Supõe-se que quanto maior esse número, mais forte é o laço entre os autores da rede.

Cada matriz elabora no Excel para transferência Ucinet seguiu o modelo da Tabela 3.

Tabela 3. Matriz para análise de redes de coautoria

--- MODELO, A. MODELO, B. MODELO, C.

MODELO, A. 0 5 1

MODELO, B. 5 0 2

MODELO, C. 1 2 0

Modelo de matriz de coautoria

Após a confecção das matrizes, estipularam-se atributos na tentativa de demonstrar os gráficos das redes com maior clareza. Dessa forma, os autores que fizeram mestrado foram representados nas redes pela cor amarela; os que realizaram o doutorado, pela cor verde; e os que realizaram mestrado e doutorado foram representados pela cor vermelha.

Para facilitar a visualização dessa proposta seguem, no Quadro 6, alguns indicativos métricos de observações nas redes:

Quadro 6: Conceitos envolvidos na ARS

Definições Significados

Grafos São as representações visuais que podem demonstrar os nós e os laços que unem os atores pelas linhas.

Tamanho da rede estrutura dos laços, pois os recursos e a capacidade que um ator tem para Dado pelo total de atores que compõe uma rede. É fundamental para a formar e manter laços são limitados.

Quantidade de pares Depende do tipo de laço que há entre eles, neste trabalho, os laços serão as coautorias de trabalhos científicos.

Centralidade

Pode ser entendida como a medida da posição de um ator em relação às trocas e à comunicação na rede. Esse aspecto é relevante, pois à medida que

um ator encontra-se melhor posicionado, terá maior acesso às trocas de informações.

Centralidade de proximidade (closeness

centrality)

Indicador da posição do ator na rede. Mede o quanto o nó que representa o ator está próximo de todos os demais na rede. Em uma rede de coautoria representa o quanto um autor está próximo de outros, independente de existir uma ligação direta entre ele e os demais.

Fonte: Baseado em Marteleto; 2001; Hawe et al, 2004; Lima, 2009; Santos e Steinberger-Elias, 2010

Para melhorar a visualização do que pode ser oferecido pelo software, pode-se destacar o exemplo a seguir da Figura 10.

Figura 10. Modelo de grafo extraído da coleta de 2009

Observa-se nessa configuração que os atores estão representados pelos círculos e o ator principal da interface pelo quadrado, os laços que estabelecem entre si são representados pelas linhas, os nós que não aparecem conectados por linhas não interagem entre si. Nesse caso em específico, observa-se linhas mais escuras que demonstram a força do laço, ou seja, mais relações foram efetuadas entre esses atores.

Assim, os resultados obtidos no estudo foram analisados com base em reflexões teóricas sobre as figuras elaboradas sob o alicerce das análises informatizadas da

produção científica da interface investigada, que poderão ser visualizadas no capítulo a seguir.