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refletimos sobre uma pesquisa baseada nos fundamentos da didática da Estatística, em consonância com os princípios que norteiam a Educação Matemática Crítica, através de projetos de modelagem para a formação do engenheiro ambiental.

MODELAGEM MATEMÁTICA: PERSPECTIVAS PARA O ENSINO DE ESTATÍSTICA

Cada vez mais, professores pesquisadores da área de Educação Matemática vêm buscando soluções e alternativas para modificar o paradigma do exercício e desenvolver atividades que atendam interesses e necessidades da formação matemática dos estudantes da contemporaneidade. Diferentes perspectivas de Modelagem surgem, estruturando abordagens distintas, por meio de múltiplos olhares fundamentados em diferentes pressupostos teóricos, que geram caminhos nem sempre convergentes.

Embora na literatura, haja diferentes caracterizações para Modelagem Matemática no âmbito da Educação Matemática, este estudo utiliza a concepção de Modelagem Matemática proposta por Barbosa "um ambiente de aprendizagem no qual os estudantes são convidados a indagar e/ou investigar, por meio da matemática, situações com referência na realidade" (BARBOSA, 2001, p.31).

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Anais da XIII Semana de Matemática

e III Semana de Estatística SEMATES 2013 ISBN 978-85-7764-034-8

Modelagem Matemática é um ambiente de aprendizagem, em que as atividades de modelagem, segundo Barbosa (2001, p. 29) “[...] são consideradas como um meio de indagar e questionar situações reais por meio de métodos matemáticos, evidenciando o caráter cultural e social da matemática”.

Barbosa (2001) propõe três casos ao trabalhar com Modelagem:

Caso 1: O professor apresenta a descrição de uma situação-problema, com as informações necessárias à sua resolução e o problema formulado, cabendo aos alunos o processo de resolução;

Caso 2: O professor traz para a sala um problema de outra área da realidade, cabendo aos alunos a coleta das informações necessárias à sua resolução;

Caso 3: A partir de temas não-matemáticos, os alunos formulam e resolvem problemas e também são responsáveis pela coleta de informações e simplificação das situações-problema.

O Caso 3 sugerido por Barbosa (2001) é uma possibilidade de trabalho em que os alunos tem participação ativa no projeto e a partir disso, podem compreender e utilizar a estatística, para resolver problemas ou encontrar melhores soluções para questões que estão amplamente presentes na sociedade e trazem implicações para as suas vidas.

Ao suscitar discussões sobre o uso da Estatística, este trabalho adentra na formação de saberes, na consciência crítica e na matemacia. Portanto, o estudo utilizou como principais bases teóricas a proposta de modelagem matemática defendida por Barbosa (2001) e a Educação Matemática Crítica segundo reflexões de Skovsmose (2001).

Skovsmose (2001) destaca que as discussões em sala de aula devem estar focadas em: preparar os alunos para o exercício consciente da cidadania; relacionar a matemática como um instrumento para analisar características críticas de relevância social; considerar os interesses dos alunos; considerar conflitos culturais e sociais; refletir sobre a matemática e sua utilidade; estimular a comunicação em sala de aula, pois as inter-relações oferecem uma base para a vida democrática.

A adoção da Modelagem, como método de ensino da Matemática demanda do professor disposição para adquirir conhecimentos interdisciplinares e multidisciplinares, e um espírito inovador, aumentando sua iniciativa para a pesquisa e de flexibilidade perante os obstáculos (BARBOSA, 1999).

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A condição necessária para o professor implementar modelagem no ensino – modelação – é ter audácia, grande desejo de modificar sua prática e disposição de conhecer e aprender, uma vez que essa proposta abre caminho para descobertas mais significativas (BIEMBENGUT; HEIN, 2003, p. 29).

Cinco argumentos para a inserção da Modelagem no currículo são apresentados (BLUM apud BARBOSA, 2003): motivação, no sentido dos alunos se sentirem mais estimulados para o estudo; facilitação da aprendizagem, pois é possível conectar as ideias matemáticas a outros assuntos; preparação para utilizar a estatística em diferentes áreas; desenvolvimento de habilidades gerais de exploração; compreensão do papel sócio-cultural da estatística, ou seja, os alunos analisam como ela pode ser utilizada nas práticas sociais.

Campos, Wodewotzki e Jacobini (2011) apoiados em recomendações de diversos autores consideram que, entre os principais objetivos da Educação Estatística estão: a) entender o propósito e a lógica das investigações estatísticas; b) entender o processo de investigação estatística; c) dominar as habilidades usadas nos processos de investigação estatística; d) entender as relações matemáticas presentes nos conceitos estatísticos; e) entender a probabilidade, a chance, a incerteza, os modelos e a simulação; f) desenvolver habilidades interpretativas para argumentar, refletir e criticar; g) desenvolver habilidades para se comunicar estatisticamente, usando corretamente a sua terminologia; h) desenvolver habilidades colaborativas e cooperativas para trabalhos em equipe; i) desenvolver habilidades de transposição dos saberes escolares para sua vida cotidiana, como cidadão e como profissional; j) desenvolver hábitos de questionamento dos valores, grandezas, dados e informações.

Estas metas, só poderão ser alcançadas se as atividades de estatística promoverem investigações que privilegiem estratégias de reflexão e valorização da consciência crítica. Portanto, o professor, ao adotar esses objetivos, terá que deixar a sua zona de conforto, “protegido pelo conhecimento pronto e acabado que domina ou pelo qual é dominado, e entrar numa zona de risco, em que o inesperado, o imprevisível, pode acontecer, em que ele não domina, tem dificuldade de acompanhar” (FONSECA, 2010, p.49).

Outra contribuição a esta pesquisa se encontra em Hernández e Ventura (1998) que consideram as seguintes bases teóricas para fundamentar e dar sentido ao trabalho com projetos: busca por uma aprendizagem que seja significativa, que parta dos

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conhecimentos prévios dos alunos e estabeleça conexões entre seus esquemas de conhecimento precedentes e a nova temática a ser abordada; a atitude favorável para o conhecimento por parte dos componentes do grupo, no sentido de privilegiar os interesses dos envolvidos no projeto.

Em face desses pressupostos, estabelecemos como objetivo da pesquisa, investigar a contribuição do uso de projetos de modelagem estatística na formação do Engenheiro Ambiental, além de investigar e discutir as implicações que projetos de modelagem podem oferecer para o ensino e a aprendizagem de Estatística.

INTERFACES COM O ENSINO DE ESTATÍSTICA E A EDUCAÇÃO

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