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In document HSC - Training (sider 13-17)

Chapter 1 Introduction

1.1 List of abbreviations

Tendo em consideração o grande alcance de toda uma rede universal de criadores, difusores, mediadores e recetores de música, escolheu-se centrar o estudo na Associação Cultural Sonoscopia. Esta escolha acontece porque se entendeu que se ajustaria estudar a realidade da Sonoscopia enquanto Associação Cultural com um enquadramento criativo artístico e musical sólido.

A investigação realizada partiu assim da Associação Cultural Sonoscopia, situada na Rua da Prelada da freguesia de Ramalde na cidade do Porto, e das relações com artistas e músicos que fazem parte da teia de relações artísticas e musicais proporcionadas pela Associação. Desta forma fomos ouvir os “sons da Prelada” numa dimensão mais abrangente, porque não confinada apenas ao espaço físico da Sonoscopia, mas partindo dele para encontrar artistas e músicos que passaram e passam pela Sonoscopia enquanto espaço social, cultural e artístico. Ou seja, trata-se de olhar sociologicamente para a Sonoscopia não apenas nas suas dinâmicas interiores, mas perspetivando-a como um local de passagem, ainda que de “permanência” para outros, tornando esta investigação um percurso por uma rota levantada pela Sonoscopia numa dinâmica de comunicação com o mundo artístico e musical.

Na Sonoscopia encontramos em termos concretamente físicos e espaciais, um autêntico lar para música e para os músicos. O que permite um ambiente familiar de trabalho musical para a produção, performance e fruição da arte sonora. Com concertos realizados naquilo que seria perfeitamente uma sala de estar, há uma valorização da proximidade social com os públicos no momento do artista apresentar a sua criação. Aliás, cada concerto no espaço da Sonoscopia não começa sem antes se realizar um convívio- jantar que junta particularmente o lado da criação e o lado da receção musical para partilhar ideias, sentimentos e ligar socialmente esta comunidade e as pessoas que fazem assim parte deste microuniverso das artes e música experimental.

Em termos oficiais a Associação Cultural Sonoscopia trata-se de uma plataforma com o objetivo de proporcionar condições muito concretas, como acontece a partir da cedência do espaço ou de instrumentos e materiais, para a criação e promoção de diferentes projetos artísticos musicais. Podemos referir que se pauta por ter uma vertente educativa, pedagógica e de investigação que é transversal a toda uma série de projetos

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essencialmente musicais, mas onde existe a preocupação de dar forma a toda uma interdisciplinaridade através do cruzamento com outras artes como, por exemplo, a dança ou o teatro.

É neste cenário de relação mais próxima com a música e, especificamente, num compromisso mais vincado com a música experimental, mas de uma exploração artística mais abrangente, que trabalha a Sonoscopia enquanto associação cultural. Desta forma a Sonoscopia depara-se com os desafios de potenciar um espaço geográfico e social algo adormecido para as artes e para a música e dinamizar a música experimental enquanto género pouco disseminado e pouco mediático num contexto nacional e internacional, correspondendo a um nicho da música de registo mais underground, porque se encontra longe dos “grandes holofotes” e de um arquivo mais publicitário da prática musical. O projeto Sonoscopia é anterior ao espaço na Rua da Prelada, uma vez que o grupo nuclear do corpo associativo já se encontrava trabalhar em conjunto numa sala de um antigo centro comercial. Aquilo que começou em diferentes salas de ensaios foi tomando maiores proporções e o grupo constituído começou a ter propostas para desenvolver diferentes projetos e participar em diferentes eventos, o que levou à criação oficial da Associalização Cultural Sonoscopia. Algo que já se constituía como um objetivo do grupo ganhou forma.

A Associação Cultural Sonoscopia surge para dar resposta a necessidades culturais, artísticas e musicais do próprio panorama nacional e concretamente do contexto portuense ao emergir no contexto de uma proposta pela organização de um festival promovido e desenvolvido na cidade. Face às necessidades um dos objetivos da Sonoscopia passa por se constituir como um espaço intermediário que faz uma ligação entre os espaços institucionais e os espaços mais informais, estando os públicos no cerne da questão.

A principal missão em termos artísticos da Sonoscopia é proporcionar um espaço intermédio de contacto entre a cultura underground e a parte académica, fazendo ponte com a parte institucional também. Um dos objetivos prende-se, mantendo a qualidade, com a eliminação das burocracias associadas às grandes instituições.

A Sonoscopia está originalmente associada a conceitos como os de underground e do it yourself que a caraterizam e a identificam num contexto artístico e musical mais subalterno e, portanto, fora dos circuitos mais reconhecidos de arte e música no Porto.

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Aponta-se, por isso, a um crescimento sempre controlado e à manutenção do tamanho em detrimento da impulsão para um registo de maiores dimensões que não interessa à Sonoscopia por questões de identidade que estão plasmadas no próprio contexto de criação artística e musical – o experimental.

A Sonoscopia tem uma missão artística no contexto da música experimental e dentro dessa lógica acaba também por se envolver com um conjunto de dinâmicas sociais subjacentes a tarefas como a educação de públicos e um potencial contributo para as comunidades locais, revelando-se também aqui uma consciência face ao social envolvente.

A investigação que teve a duração de quase um ano, desde Setembro de 2016 a Junho de 2017, pautou-se por diferentes momentos e diferentes espaços, que tiveram sempre um denominador comum na Associação Cultural Sonoscopia que direta ou indiretamente esteve sempre presente. Desta forma a Sonoscopia constituiu-se como o grande ponto de experiências sociológicas e sociais, dado que todo o trabalho de campo teve como grande colaborador e mediador o diretor da Sonoscopia.

A relação com a Sonoscopia e a permanência no espaço em determinados contextos da investigação permitiram aprofundar o conhecimento da realidade e dinâmicas que caraterizam a organização, bem como as pessoas que constituem o grupo diretivo e artístico. Ora, esta aproximação à Sonoscopia partiu do contexto de observação direta participante nos concertos realizados no interior da própria associação. E foi também desta forma que a investigação ficou sociologicamente mais rica, uma vez que se criou uma convivência personalizada com o núcleo da Sonoscopia e com os seus públicos, acabando por se estar a participar de forma mais ou menos ativa na preparação logística dos concertos ou no suporte em determinados contextos de trabalho artístico criativo. Ainda na senda da recolha de dados, quase todas as entrevistas foram realizadas na Associação em diferentes dias, o que levou a que houvesse um número crescente de idas à Sonoscopia e se estivesse mais perto de onde tudo acontece, isto é, mais perto das pessoas e do circuito social e artístico que define o espaço. Assim o olhar sociológico permitiu um “olhar por dentro” com uma deambulação pelos “bastidores” e diferentes dinâmicas internas que ultrapassam a dimensão mais contemplativa dos públicos, ou seja, ultrapassou-se a visão de quem passa para assistir, ao ficar para questionar e desconstruir

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sob o ponto de vista sociológico a construção que permite a realização dos concertos e outras atividades promovidas.

É a partir da mobilização das técnicas e da sua aplicação no terreno que se está mais perto de conhecer a realidade e tudo o que lhe está subjacente. Esta experiência permitiu reconhecer e verificar que o sociólogo encontra ao nível do terreno de investigação uma necessidade de constante adaptação face às diferentes situações sociais a que é exposto para cumprir as suas funções e conhecer sociologicamente a realidade que investiga. Assim, constatou-se a importância do “saber sociológico” para mobilizar recursos teóricos que se revelam muito importantes na gestão da ação e movimentos no terreno. A Sociologia entra em ação a partir do momento em que entramos em terreno de investigação e no contexto mais técnico de entrevista ou observação na forma como o sociólogo possui uma formação que lhe permite estar consciente dos diferentes contextos que explora, bem como está devidamente preparado para fazer uma gestão da interação e da comunicação que mantém com os diferentes atores sociais que fazem parte do seu objeto de estudo. Portanto, não faz grande sentido questionarmo-nos sobre como podemos encontrar a Sociologia em determinado contexto de investigação ou profissional, uma vez que a sociologia está em “nós” e compete ao sociólogo expressá-la ou mobilizá-la no campo de investigação. A missão consiste em olhar o real social com a lente sociológica, ou seja, mobilizar os conhecimentos teóricos e técnico-metodológicos que permitem uma interpretação sociológica dos factos observados e percecionados. Neste sentido, não temos de encontrar a Sociologia, porque ela foi sendo descoberta durante o período académico e vai sendo redescoberta conforme a vamos deixando expressar-se nos diferentes contextos de mobilização. Importa pois levá-la para o terreno. E foi seguindo as artes e a música que é um gosto pessoal que a Sociologia conduziu este processo investigativo.

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