Com relação ao riso e humor em sala de aula todos os alunos foram favoráveis a situação, expressando opiniões como:
“É bom, pois faz com que a aula seja mais descontraída, e faz com que os alunos se interessem mais”
“Eu acho bem daora porque com o riso e humor na sala eu acho que fica mais daora aprender”
“Eu acho que é uma ótima forma do professor e aluno se interagirem”
“É um bom método de assimilar a matéria”.
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Outros Maior distanciamento entre professor e alunos Descontrole da sala de aula
Dificuldade de entender os conteúdos …
Maior integração dos alunos Descontração nas aulas Maior facilidade de assimilar os conteúdos Melhor contextualização dos conteúdos
Nº de alunos Ít en s id en ti fi ca d o s d u ra n te a s au la s
Baseado em todas as opiniões se observa que a maioria dos alunos considerou que o riso e o humor auxiliam a descontrair a aula e a assimilar conteúdos, e ainda, que as aulas tornam- se mais interessantes e propiciam maior interação entre professores e alunos.
Uma vez que o riso pode ser considerado um fenômeno social, é de se esperar que seu “bom” uso promova/facilite a socialização de um grupo, como foi apontado por Roth et al (2011) em seu trabalho feito com uma professora também iniciante em ensino de ciências. Essa questão de interação, principalmente entre os alunos, tornava-se bem explícita quando algum aluno demonstrava dificuldade em compreender alguma das anedotas/charges utilizadas, pois neste momento ocorria uma discussão dentro da sala de aula que visava auxiliar o aluno a compreender a mesma. Foi interessante observar que alguns alunos que apresentaram menor interesse e maior dificuldade com a disciplina durante o ano tiveram a oportunidade de demonstrar entendimento do assunto (compreendendo a piada) e auxiliar alunos que não houvessem entendido a tirinha trabalhada.
Na apresentação dos trabalhos associados ao humor notou-se também um aumento na participação, principalmente de alunos que nunca ou raramente se manifestavam durante o ano. Vários recorreram ao professor para sanar dúvidas e levantar curiosidades.
Tendo em vista esse quadro, os alunos, avaliaram as aulas como boas, considerando-as diferentes do habitual por serem mais dinâmicas e descontraídas, com um professor mais divertido:
“O Professor esta sendo mais compreensivo e divertido e também explicando mais conteúdo.”
“As últimas aulas foram boas, melhores que as do começo do ano” “As últimas aulas foram muito legais, e o que eu mais gostei foram os vídeos e as piadinhas foi muito bom”.
Quando questionados sobre o impacto causado na disciplina algumas das respostas encontradas foram:
“Uma descontração pois a matéria de química já tem um rótulo de “chata” e com esses recursos à mais a aula ficou melhor de ser entendida”
“Tornou a matéria de mais fácil entendimento e dinâmica”
“Com esses recursos o professor tem mais exemplos para nos ensinar a química”
“As aulas ficaram mais interessantes, e por terem sido usados temas que estão presentes no cotidiano, pode-se ver que a química mais próxima de nós”.
Através das respostas teve-se que 22% dos alunos consideraram a disciplina mais interessante, 17% salientaram uma disciplina menos cansativa, 11% consideraram-na mais contextualizada e 44,5 % afirmaram que esta se tornou de mais fácil compreensão. 22% afirmaram que as aulas não foram como as habituais, mostrando uma “Química” diferente do esperado e ainda, 72% dos alunos afirmaram terem mudado sua visão da disciplina, que deixou de ser tão complexa e tornou-se mais próxima a eles (ao passo que 28% manifestaram que sua visão sobre a disciplina continuava a mesma).
Todos os alunos entrevistados também avaliaram as aulas como melhores, por terem sido mais dinâmicas e descontraídas por serem diferentes do método de uso exclusivo de lousa:
“Por que é uma coisa diferente, é uma coisa mais que nem o negocinho da tirinha, das piadas engraçadas assim, as pessoas descontraíram mais porque foi uma aula mais diferente entendeu ?” A respeito da relação entre as aulas e o aprendizado, 17 alunos consideraram um impacto positivo e 1 como indiferente, tendo como justificativas desse impacto, o aumento de interesse na aula apareceu em 17% dos questionários, facilidade de entendimento em 50% e auxílio na memorização e maior contextualização apareceram uma vez cada.
Em uma questão aberta, na qual os alunos eram convidados a expressar críticas e sugestões livres a respeito das aulas, apenas 6 responderam, afirmando que as aulas estavam ótimas da maneira que ocorriam, não precisando de mudanças.
As discussões acima apresentam resultados semelhantes aos apontados por Powell e Andresen (1985), que utilizaram o humor para atrair o interesse e a atenção dos alunos, e também com o trabalho de Hosle e Boomer (2011), que através do uso de quadrinhos para transmitir conceitos em aulas de ciências aumentaram o conhecimento sobre evolução dos alunos e principalmente mudaram a relação dos mesmos com a disciplina de biologia.
Os dados analisados e as observações em aulas associados com trabalhos já feitos demonstram que realmente o uso do humor tem potencial para tornar uma aula mais atrativa e despertar o interesse do aluno, aumentando a atenção e participação em aula. Com isso as interações positivas entre alunos e destes com o professor também aumentam, assim pode-se alcançar um aprendizado mais bem sucedido.
Ou seja, o ponto principal acaba por ser o despertar do interesse do aluno, e isto ocorre não apenas porque um recurso descontraído esta sendo usado, mas também porque a aula esta
ocorrendo diferente do tradicional, pois como já discutido, os alunos apresentam ânsia por aulas diferentes, visto que durante toda sua formação a maioria das aulas (de todas as disciplinas) ocorre de forma tradicionalista (aulas expositivas dialogadas baseadas no uso de lousa e giz apenas) e ao primeiro sinal de uma mudança agradável, o aluno desperta. É interessante notar que a importância de despertar a atenção do aluno já aparece em trabalhos como o de Powell e Andresen, de 1985, levando à reflexão de que mesmo com o passar de décadas, com o crescimento e a solidificação das pesquisas educacionais que culminam com o debate sobre a necessidade de um ensino diferenciado, centrado no aluno, que objetive instrumentalizar o estudante para sua vida cotidiana, as aulas sempre acabam em moldes tradicionalistas, quadro que se mantém até os dias de hoje. Não que em certos momentos uma aula tradicional não possa ser eficiente, porém repetir sempre o mesmo esquema torna a o processo cansativo para o aluno, que acaba por ser desmotivado e encarando a disciplina com estereótipos tradicionais (como apresentado no início das discussões). Portanto a sala de aula precisa de mudanças, o ensino precisa ser dinâmico e o professor precisa estar atento aos anseios de seus alunos.