• No results found

3.4 Female Identity in To The Lighthouse

3.4.9 Lily`s Art and Vision

alfabetizada através da cartilha do ABC. Todo mês éramos levados à direção para submetermos a um texto de leitura. Nós tínhamos que dominar o conteúdo, caso não soubéssemos a leitura que era exigida éramos punidos com a palmatória (NICOLE, 2009).

Em seu cenário, conforme ela própria interpreta e narra, mostram-se experiências vividas na sua infância. O uso do jogo de areia permitiu-lhe reconstruir fatos da infância, de forma lúdica, transformando-os em aprendizagens significativas. As profundas sutilezas da subjetividade humana são reveladas no Jogo poético do Jogo de Areia, cenários vivos e vividos pela imaginação (CAVALCANTI, 2010). A ludicidade e a criatividade presentes na construção do Jogo de Areia permitiram ao professor em formação produzir conhecimento e transformá-lo em aprendizagens significativas.

Pudemos perceber ao analisar as narrativas que os lugares de formação encontram-se nos diversos espaços em que o professor em formação se relaciona, ora se dão no contexto familiar, ora nos espaços sociais, outras vezes nos espaços escolares. A corpografia do ser, expressa na recordação-referência, apresenta-se como experiência formativa, cartografando seu percurso numa rede relacional com o ambiente no qual se insere. De acordo com Josso (2003, p. 40),

A recordação-referência significa, ao mesmo tempo, uma dimensão concreta ou visível, que apela para as nossas percepções ou para imagens sociais, e uma dimensão invisível, que apela para as emoções, sentimentos, sentido ou valores. A recordação-referência pode ser qualificada de experiência formadora, porque o que foi aprendido (saber fazer e conhecimentos) serve, daí para frente, quer de referência a numerosíssimas situações do gênero, quer de acontecimento existencial único e decisivo na simbólica orientadora de uma vida.

Para a autora, a recordação-referência serve de conhecimento existencial único. Diante disso, buscamos interpretar e analisar as corpografias que se inscrevem nas narrativas, relacionando-as a uma corporeidade que se registra nas linguagens impressas nos gestos, nas falas e sentimentos que afloram em cada professor em formação.

Na vivencialidade “Lugar do sentipensar” com o Jogo de Areia, os professores em formação descobriram-se seres brincantes. Sentar no chão, pegar miniaturas para construir cenários, parecia coisa de criança. Ao mesmo tempo, esse momento fazia-os falarem de coisas sérias. A criança adormecida em cada um era resgatada. Ficavam curiosos para compreender os significados de cada cenário. As histórias individuais se entrelaçavam com muitas outras. Estavam felizes em falar de si, de revelar suas

histórias. Segundo Freire (1996, p. 80): “Há uma relação entre a alegria necessária e atividade educativa [...]”.

A partir da questão que norteou a construção do cenário, percebemos ao analisar as narrativas que na infância o lugar aprendente, para a maioria dos participantes, apresentou-se no espaço familiar, depois na escola e, por último, nas relações sociais. A ambientação da sala causou um novo olhar sobre os espaços de formação. O cenário infantil ajudou a estabelecer as relações do presente com o passado. O envolvimento com o Jogo de Areia possibilitou aos professores em formação momentos de autoconhecimento, reflexividade e criatividade, aspectos importantes para expandir o fenômeno da humanescência. A metáfora epistemológica da teia da corporeidade foi integralmente experienciada, ajudando a tecer os saberes do aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e o aprender a ser (DELORS, 2003).

4.4 TERRITÓRIOS DE DESCOBERTAS

Nessa vivencialidade, procuramos aguçar a curiosidade num território de pertencimento em que o corpo se revela nas manifestações biológicas, psicológicas, fisiológicas e socioculturais. Adolescência é um tempo de busca, de espera, e por que não dizer de descobertas de si. A harmonia do ambiente, desde as luzes, os tapetes, as pétalas de rosas até as caixas de areia e de miniaturas, confluía para um território de boas energias.

Ao iniciarmos a vivencialidade, que tinha como foco explorar a fase da adolescência desses professores em formação, realizamos a leitura de um memorial produzido por uma professora formadora, desvendando segredos e mistérios de uma adolescente que se aventura num ambiente natural de praias, liberdade e amigos. A escuta atenta trazia de um tempo longínquo fatos que achavam não ter relação com seu processo formativo. Nesse encontrar-se com as experiências de outros, os partícipes percebem que a aprendizagem pode ocorrer nos mais variados espaços educacionais, formais ou não.

Em seguida, sentados no chão, sobre as mantas coloridas, deixamos que cada um sentisse a areia, sua textura, observasse a tonalidade, a umidade, sua granulométrica,

fizesse da caixa de areia um território de descobertas (Figura 12). Várias mandalas com caixas de areia foram feitas, formando três grandes grupos, observando a orientação do professor formador, nos quais os grupos haviam sido distribuídos.

Observávamos atentamente cada movimento dos participantes. Uns demonstravam medo no contato com a areia, outros faziam lembrar momentos da infância, para outros, no entanto, era momento de total deleite, pois gostavam de ter contato com areia. Fotografávamos então cada expressão, tentando abstrair mais significados das diversas linguagens que se manifestavam. O território para as novas descobertas estava, enfim, preparado. Sendo assim, lançamos a questão norteadora: Quais as experiências na adolescência influenciaram na sua formação?

Figura 12 – Professoras em formação experienciam o contato com a areia

Fonte: Roque, 2011

A escrita autobiográfica nessa fase da vida, mesmo que seja fragmentos da memória, revela as experiências formativas, numa corporeidade subscrita nas entrelinhas das narrativas, conforme se apresenta a narrativa abaixo:

Figura 13 – Cenário da 3ª vivencialidade – Territórios de Descobertas

Fonte: Roque, 2011