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Likeverdige offentlige tjenester

Del II Fellesskap og tilhørighet

13.1 Likeverdige offentlige tjenester

A preparação de medicamentos citotóxicos para os doentes constituí uma das recentes funções executadas nos SFH no HSMG. Este tipo de medicação, por atuar ao nível da proliferação de células cancerígenas afetando, contudo, células viáveis, e devido à sua margem terapêutica estreita, requer um conjunto definido de procedimentos quanto à sua receção, armazenamento, manipulação, distribuição e administração. O leque farmacológico de medicamentos citotóxicos presentes em cada hospital é dependente das patologias aí existentes. No HSMG são tratados tumores do tubo digestivo (cólon, pâncreas, vias biliares, reto), urológicos (bexiga e próstata) e pulmonares, sendo a sua preparação efetuada em CFLV, tal como os Anticorpos Monoclonais.

Semanalmente, às sextas-feiras, é rececionado via e-mail um documento relativo a toda a medicação citotóxica que terá de ser feita durante a semana seguinte. Em cada dia são elaboradas as guias de medicação de cada doente (Anexo 2.18) assim como os rótulos em triplicado. Após isto, é feita a dupla conferência das guias de preparação e das etiquetas por parte de um farmacêutico e efetua-se a seleção de todo o material e medicação necessários, sendo que tudo é pulverizado com álcool a 70% antes de ser introduzido na Sala Limpa através do transfer.

Antes da minha entrada na Sala Limpa, observei todo o processo relativo a um dia de preparação de citotóxicos, desde a elaboração das guias de medicação à desinfeção do material, passando pela limpeza inicial da CFLV, manipulação medicamentosa, limpeza final e remoção de resíduos, e só no segundo dia participei de forma ativa no processo, onde me foi explicado individualmente o que teria de executar, segundo as especificações atualmente aceites (18).

A limpeza da CFLV é efetuada sempre antes de qualquer tipo de manipulação, começando da área mais limpa para a menos limpa, ou seja, a parede frontal em primeiro lugar, seguindo-se as paredes laterais, o vidro e por fim o tabuleiro, sempre com movimentos verticais de cima para baixo, tendo este processo sido praticado por um TF com formação na área da manipulação de citotóxicos. Após substituição da roupa convencional por uma bata apropriada para o efeito, efetuei a lavagem das mãos com água e sabão na sala de apoio, entrando posteriormente para a antecâmara. Aí, segui os procedimentos indicados para me equipar com o maior rigor e segurança começando pela inserção dos protetores de calçado. Seguiu-se a inserção da touca, máscara de proteção P3-SL, o Equipamento de Proteção

Individual (EPI), aplicação de solução assética de base alcoólica nas mãos e colocação do primeiro par de luvas (não estéreis) sob os punhos da bata. Entrei em seguida na Sala Limpa, onde preparei uma solução de Levofolinato de Cálcio. Após me adaptar à área de trabalho, foi- me explicado que toda a manipulação deveria ocorrer limitada à área do pano estéril que na câmara tinha sido colocado. Antes de qualquer entrada de material ou medicação na câmara ocorre nova pulverização com solução alcoólica a 70%. Procedi à inserção do segundo par de luvas, estas estéreis, e iniciei a manipulação, fazendo uso do material adequado (spikes, seringas com rosca, gazes estéreis). Por fim, descartei as luvas estéreis em contentor amarelo tal como os restantes resíduos acumulados ao longo da manipulação. À medida que as manipulações ocorriam, a Farmacêutica presente na Sala Limpa foi preenchendo o Diário de Preparações (Anexo 2.19) que é, no final do procedimento, levado pelo AO ao SC ou Hospital Dia para se proceder à administração aos doentes. As administrações são aí registadas e de seguida o Diário de Preparações volta para os SFH onde é arquivado. Como procedimentos finais enumera-se a limpeza da CFLV com uma solução detergente, a eliminação de todo o EPI utilizado com posterior lavagem das mãos, e a eliminação dos resíduos da câmara, ao final do dia, por um AO dos SFH designado para o efeito.

Na sala de apoio destaca-se a existência de um arquivo onde se podem encontrar os procedimentos internos relacionados com os Citotóxicos, tais como Planos de Limpeza, Derrame e/ou Exposição Acidental a Citotóxicos, Tratamento e eliminação de Resíduos contendo Citotóxicos e Controlo Ambiental e Microbiológico. São também arquivadas as Guias de Medicação que vão sendo elaboradas, bem como o Diário de Preparações.

4.3.1. Controlo Ambiental e Microbiológico

Antes de qualquer tipo de manipulação, a farmacêutica verificou as condições de temperatura, humidade e diferencial de pressão entre a Sala Limpa e a Antecâmara, de forma a verificar a conformidade dos valoresapresentados. Para além disso, o tempo de exposição dos profissionais que executam a manipulação é contabilizado e devidamente registado. Tive a oportunidade de assistir ao controlo microbiológico da Sala Limpa em que a TF, antes do início da manipulação, efetua a colocação de uma placa de meio de cultura na CFLV e outra numa determinada superfície da sala. Para além disso, foram recolhidas amostras, com recurso a zaragatoas, aos tabuleiros, carro de apoio, bancada, paredes da CFLV, transfer e cadeira de trabalho. No final da manipulação, a TF que procedeu à preparação dos citotóxicos realizou uma simulação de manipulação tendo como base um soro e o controlo microbiológico das dedadas da mão direita e esquerda, em placas distintas. Todo o material, devidamente identificado, foi posteriormente enviado ao Laboratório de Análises Clínicas existente no hospital, sendo este controlo normalmente efetuado uma vez por semana.

4.3.2. Estojo de Contenção de Derrames

Na eventualidade de ocorrência de algum tipo de incidente envolvendo fármacos citotóxicos é necessária a existência de um conjunto de materiais e procedimentos que garantam a proteção dos envolvidos. Desta forma, existe um Estojo de Contenção de Derrames (ECD) ao qual se deve recorrer e cuja constituição se encontra na Figura 3.

Para além dos SFH, o único local do HSMG que possuí um ECD é o Hospital de Dia de Oncologia, uma vez que os doentes se dirigem a esse setor para que a medicação lhes possa ser administrada. Em caso de ocorrência de acidente com a terapêutica mencionada, existe uma ficha de Notificação de Acidentes com Citotóxicos (Anexo 2.20) que deve ser preenchida e arquivada.