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MARC TEÒRIC I CONTEXTUALITZACIÓ

1.1 DE CONCEPTES I TERMES

1.1.4 Les ideologies lingüístiques

Como a maior incidência da violência se dá sobre os grupos de jovens e jovens- adultos, elaborou-se a Tabela 9 para as faixas etárias compreendidas no grupo de 15 a 39 anos de idade, com o número de “anos de vida perdidos” e respectivas proporções em relação ao total estimado para o conjunto das causas externas. A análise do indi- cador desagregado por Grande Região não deixa margem a dúvidas. A participação do grupo etário de 15 a 39 anos na composição do indicador “anos de vida perdidos” referente ao sexo masculino é de 64%, em 2005, quando se considera o Brasil como um todo. O maior valor é observado na Região Sudeste (67%) e o menor ocorre na Região Sul (60%).

As mulheres exibem proporções signifi cativamente menores (inferiores a 50%), embora já se possa observar uma tendência de aumento nessas proporções em todas as regiões, com exceção da Norte, nos anos considerados no estudo.

A análise dessas mesmas informações, por sexo, para as Unidades da Fede- ração selecionadas (Tabela 10), apontam para algumas especifi cidades. Se, por um lado, para o sexo masculino, é também elevada a participação dessa faixa etária no total de “anos de vida perdidos” por causas externas, chegando, em 2005, a 69% em Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, nos demais estados constata-se uma esta- bilidade ou até leves reduções nessas proporções de 1996 para 2005.

Ao focalizar as mulheres, observa-se, em algumas Unidades da Federação, fortes incrementos nessas proporções durante o período considerado. Esta é a situação do Distrito Federal, com um crescimento percentual da ordem de 41%, Sergipe (de 20%), Ceará (de 16%) e Paraíba (de 14%). Nas demais áreas, a tendência foi de declínio e/ ou estabilidade. Goiás R ondônia Amaz onas Pará São P aulo Ceará

Rio Grande do Nor

te

Rio Grande do Sul

Rio de J

aneiro

Mato Grosso do Sul

Mato Grosso Minas Gerais Distrito F ederal S anta Catarina P araíba Paraná P ernambuco Alagoas S ergipe Bahia Espírito S anto 2005 1996 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00

Gráfico 17 - Número de anos de vida perdidos para mulheres, em ordem crescente de 2005, segundo as Unidades da Federação selecionadas -1996/2005

Fontes: Ministério da Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade 1996/2005; e IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Projeto UNFPA/BRASIL (BRA/02/P02) - População e Desenvolvimento, Indicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Brasil 1991-2030.

Em síntese, apesar da tendência declinante, as mortes violentas continuam sendo responsáveis por perdas signifi cativas de anos de vida do sexo masculino no conjunto do País. Em alguns estados, são observadas reduções importantes, como no Rio de Janeiro e em São Paulo, em contraposição a outros, onde houve crescimento da violência, particularmente o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas, já com índices próximos a Pernambuco, um dos mais violentos do País.

Torna-se, portanto, de fundamental importância a implementação de ações e atitudes práticas, por parte da sociedade civil brasileira e autoridades públicas nacional, estadual e municipal, de forma a solucionar o problema da violência.

Simões (2000), em seu estudo, fornece alguns indicativos em termos de “orien- tação de políticas” para a área:

• localizar o combate à violência principalmente na prevenção primária, mais do que simplesmente cuidar dos atos violentos, ou seja, observar padrões, fatores de risco e causas, desenhar e avaliar intervenções e implantar programas locais efetivos;

• desenvolver pesquisas e programas, com o envolvimento de instituições governamentais juntamente com a iniciativa privada;

• implementar políticas de melhor distribuição de renda e acesso ao emprego; e • estimular políticas educacionais voltadas para o esclarecimento da população

e para a valorização do cidadão.

1996 2005 1996 2005 Brasil 2,1 2,1 62,3 64,0 Norte 2,0 2,1 62,8 60,6 Nordeste 2,2 2,1 61,1 64,4 Sudeste 2,2 2,1 65,7 67,0 Sul 1,6 1,6 58,6 59,6 Centro-Oeste 2,4 2,3 60,2 62,3 Brasil 0,4 0,3 41,9 47,7 Norte 0,5 0,3 51,7 49,3 Nordeste 0,4 0,3 42,4 44,8 Sudeste 0,3 0,3 46,5 50,0 Sul 0,4 0,3 45,0 46,0 Centro-Oeste 0,5 0,4 45,6 48,1

Fontes: Ministério da Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade 1996/2005; e IBGE, Diretoria de Pesquisas, Co ordenação de População e Indicadores Sociais, Projeto UNFPA/BRASIL (BRA/02/P02) - População e Desenvolvimento, Indicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Brasil 1991-2030.

Homens

Grandes Regiões

Número de anos de vida perdidos devido à causas externas para o grupo de 15 a 39 anos de idade, por sexo (%)

Mulheres

Tabela 9 - Número de anos de vida perdidos devido à causas externas para o grupo de 15 a 39 anos de idade, por sexo, segundo as Grandes Regiões

1996/2005

Anos de vida perdidos

Relação entre o número de anos de vida perdidos pelo grupo de 15 a 39 anos de idade e o número de anos de vida

A qualidade da informação sobre a mortalidade no Brasil recente e avaliação

do impacto das causas violentas no número de anos de vida perdidos_________________________________________

1996 2005 1996 2005

Rondônia 2,9 2,8 60,4 58,1

Amazonas 2,1 1,7 62,4 60,6

Pará 1,9 1,9 61,1 62,0

Ceará 2,2 2,2 60,9 59,6

Rio Grande do Norte 1,9 2,1 57,0 59,9

Paraíba 2,0 2,2 62,3 62,9 Pernambuco 3,0 3,2 65,3 69,4 Alagoas 2,2 2,3 61,6 58,6 Sergipe 2,3 2,1 59,4 60,6 Bahia 1,8 1,9 60,6 62,0 Minas Gerais 1,4 1,5 57,3 61,7 Espírito Santo 2,6 2,6 65,4 65,6 Rio de Janeiro 2,8 2,4 69,1 68,9 São Paulo 2,3 2,2 67,6 68,8 Paraná 1,7 1,8 58,2 60,2 Santa Catarina 1,5 1,5 55,1 56,6

Rio Grande do Sul 1,6 1,5 61,2 60,5

Mato Grosso do Sul 2,5 2,2 60,9 62,9

Mato Grosso 2,9 2,6 61,3 61,1 Goiás 2,2 2,3 58,7 63,1 Distrito Federal 2,3 1,9 60,2 63,3 Rondônia 0,7 0,6 50,0 53,6 Amazonas 0,4 0,2 47,4 41,1 Pará 0,4 0,3 53,2 50,9 Ceará 0,3 0,3 41,9 48,4

Rio Grande do Norte 0,3 0,3 41,0 41,3

Paraíba 0,4 0,3 41,7 47,7 Pernambuco 0,4 0,4 43,6 42,9 Alagoas 0,3 0,3 38,2 36,1 Sergipe 0,4 0,3 39,0 46,9 Bahia 0,3 0,3 41,1 44,8 Minas Gerais 0,3 0,3 43,5 49,1 Espírito Santo 0,5 0,5 48,9 52,9 Rio de Janeiro 0,4 0,3 46,8 49,1 São Paulo 0,3 0,3 47,0 50,9 Paraná 0,4 0,3 46,4 48,5 Santa Catarina 0,4 0,3 41,4 44,9

Rio Grande do Sul 0,3 0,2 46,3 45,1

Mato Grosso do Sul 0,5 0,5 51,0 51,7

Mato Grosso 0,6 0,4 45,6 46,7

Goiás 0,5 0,4 46,0 48,2

Distrito Federal 0,3 0,3 34,8 49,1

Fontes: Ministério da Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade 1996/2005; e IBGE, Diretoria de Pesquisas, Co- ordenação de População e Indicadores Sociais, Projeto UNFPA/BRASIL (BRA/02/P02) - População e Desenvolvimento, Indicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Brasil 1991-2030.

Homens

Mulheres

Tabela 10 - Número de anos de vida perdidos devido às causas externas, do grupo 15 a 39 anos de idade, por sexo, segundo as Unidades da Federação

selecionadas - 1996/2005

Unidades da Federação

selecionadas Total

Relação entre o número de anos de vida perdidos pelo grupo de 15 a 39 anos de idade e o número de anos de vida

perdidos pelo total da população Número de anos de vida perdidos devido às causas externas,

Conclusões

As informações apresentadas ao longo do estudo apontam para mudanças na dinâmica da estrutura da mortalidade no Brasil, com alterações nos perfi s de causas de morte e diferenciações na sua incidência entre as distintas faixas etárias. As causas relacionadas às enfermidades infecciosas e parasitárias, importantes até meados da década de 1990, começam a perder relevância, sendo substituídas pelas enfermidades não transmissíveis e causas externas (violentas), sendo que estas últimas iniciam uma trajetória de ascensão desde a década de 1980. As análises realizadas, por outro lado, apontam para a melhoria da qualidade da informação da causa da mortalidade e, portanto, para a redução das causas maldefi nidas, processo que vem ocorrendo ao longo dos últimos cinco anos, particularmente nos estados que compõem a Região Nordeste.

Não há dúvidas de que o acesso social e regionalmente desigual aos princi- pais serviços públicos de saúde, educação e saneamento básico resulta, ainda, num conjunto de óbitos que poderiam e deveriam ser evitados. Por tudo isto, e apesar da diminuição que vem sendo observada do número de mortes por causas violentas, particularmente em alguns estados onde esses óbitos já haviam atingido patamares extremamente elevados, há que se tomar atitudes mais efi cazes no sentido da cria- ção de mecanismos que possam intensifi car essa tendência de redução, sobretudo porque a violência está concentrada nas idades jovens e de jovens-adultos do sexo masculino.

Como a violência se manifesta no contexto de uma sociedade muito desigual, por vezes, a pobreza aparece associada à delinquência, praticada exclusivamente por marginais. De fato, num quadro de condições socioeconômicas de baixas expectativas quanto às perspectivas ocupacionais e de ascensão social, combinado a um padrão de vida precário em convívio com uma sociedade que estimula o consumo de supérfl uos, a violência tende a prosperar. Agregue-se a isto a ausência de cidadania e a segregação urbana, espaços favoráveis à propagação da criminalidade, que acaba por se localizar, prioritariamente, onde há privações generalizadas de atendimento à saúde, educação, boas condições de moradia e emprego (KAHN, 1994; WALDVOGEL, 1993).

Sobre a condição de saúde dos idosos: