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Legacies from the Civil War

CHAPTER 6: Challenges to the Peace in Mozambique

6.2 Legacies from the Civil War

Para a pesquisa foi pensado em aplicar os instrumentos de coleta de dados no ambiente natural da biblioteca, porém, isso não foi possível em todos os campi devido a sua estrutura, algumas não tem salas de estudo em grupo aonde pudessem ser feitas as entrevistas sem atrapalhar o andamento da biblioteca e os usuários que estavam estudando no local. Por isso, a pesquisa foi realizada em outros ambientes como as salas de aula, as salas de coordenação e direção. Contudo, a maioria dos participantes informou que o ambiente físico não exerceu influência na sua interação com o OPAC, assim como os sistemas operacionais. Já o leiaute do navegador influenciou a percepção de um usuário na interação. Os participantes conheciam os navegadores Google Chrome, Internet Explores, Mozilla Firefox, Safari e Toch Browser. A maioria prefere o navegador Google Chrome, porque afirmaram ser mais simples para usar.

Alguns participantes não sabiam da existência de programas leitores de tela. Outros já tinham ouvido falar no sistema DOSVOX, nos leitores de tela Jaws for Windows, Virtual Vision e NVDA, mas nenhum dos participantes chegou a usar. Compreende-se que esse dado está relacionado a questão da maioria dos participantes ter baixa visão e conseguir realizar as suas tarefas sem o leitor de tela e de que a participantes com cegueira não utiliza informação digital, por isso nunca usou este tipo de programa. Porém, os participantes se demonstraram interessados em conhecer os benefícios desses programas.

Durante a realização da tarefa os participantes foram observados e constatou-se que eles não encontraram a informação proposta rapidamente. E alguns participantes não compreenderam facilmente as informações disponibilizadas no OPAC. Todos demonstraram ter dificuldades de acessibilidade na realização da tarefa, sendo que a maioria precisou de ajuda extra no uso do catálogo. No entanto, foi possível identificar que houve uma diversificação da interação durante a tarefa. Segundo Belkin (1978), diferentes usuários respondem ao mesmo conjunto de dados de forma diferente e, ainda, o mesmo usuário responde ao mesmo conjunto de dados de maneira diferente em momentos distintos, e que a natureza da resposta de um utilizador depende, em certa medida, da apresentação dos dados.

Assim, as principais dificuldades observadas foram:

1. Para encontrar os caminhos para o OPAC, ou seja, os links que direcionam o usuário para a página do catálogo não foram facilmente visualizados;

2. Os usuários perderam tempo tentando compreender como funcionava a interface do OPAC;

3. Os campos para o preenchimento da busca não foram facilmente compreendidos; 4. Dificuldades para escolher a opção de buscar em todas as bibliotecas;

5. Dificuldades para retornar para a página anterior; 6. Dificuldades para atualizar a página;

7. Dificuldades para entender a qual biblioteca pertencia o item recuperado; 8. Dificuldades relacionadas as cores utilizadas na interface;

9. Dificuldades para identificar a delimitação do campo para inserção do termo de busca. Alguns participantes declararam que não se sentiram informados sobre o que estava acontecendo, principalmente no início da tarefa. Uma participante, com prática em outros catálogos informou, que “tinha muita informação. Para quem não tem costume não sabe nem por onde começar. (...) eu olhei e fiquei assustada. Falta instrução para as pessoas. Quando eu olhei não foi muito confortável. Eu pensei: por onde eu começo?”.

Porém, os participantes declararam se sentir confortáveis com a linguagem utilizada. Não apareceram mensagens de erro durante a interação dos usuários com o OPAC. Não havia CAPTCHA. Os links possuíam descrições adequadas e remetiam para os locais que se propunham. E os recursos de aumento de tela funcionaram adequadamente.

No entanto, seria interessante o sítio apresentar o conjunto de páginas percorridas pelo usuário, criar o mapa do sítio, além de dicas de navegação para que o usuário possa se situar enquanto estiver interagindo com o sistema.

Observou-se que os conhecimentos e experiências dos participantes com outros sistemas influenciaram na interação com o catálogo, o que está relacionado ao letramento informacional que “constitui um processo que integra as ações de localizar, selecionar, acessar, organizar, usar informação e gerar conhecimento, visando à tomada de decisão e à resolução de problemas” (GASQUES, 2010, p. 83).

Sugere-se que os usuários não souberam opinar sobre âncoras e atalhos por desconhecerem esses recursos e por não utilizarem atalhos de teclado para a navegação, como fazem os usuários de leitores de tela. Por isso, não os observaram durante a interação.

Embora tenham sido evidenciadas dificuldades relacionadas à acessibilidade como barreiras geradas pelos pop-up, as disposições dos links, o direcionamento automático do

usuário para outra página, também foram identificadas dificuldades relacionadas à falta de prática com catálogos como dificuldades para delimitar a busca. O que também impactou no grau de facilidade indicada pelos participantes que foi o de mais ou menos fácil.

Quanto ao fator emocional, foram apontadas emoções relacionadas à satisfação e à dúvida e incerteza. No entanto, a maioria dos participantes afirmou ser indiferente ou normal a emoção notada. Isso pode ter ocorrido pelo fato da tarefa ser hipotética e por isso não ter “valor” expressivo para o usuário quanto à busca pela informação, ou seja, a busca pelo item sugerido não causaria nenhum impacto na vida dos participantes de forma que, se fosse uma requisição real poderia gerar algum tipo de emoção dependendo do acesso ou não à informação.

O grau de satisfação foi identificado como satisfatório, porém houve participante que indicou não se sentir motivado a utilizar o catálogo outras vezes. Para Nielsen e Loranger (2007), nas avaliações subjetivas de satisfação os usuários tendem a atribuir avaliações generosas mesmo quando têm grandes dificuldades para utilizar um sítio, primeiro porque é um desejo humano geral de ser gentil e aceito e, segundo, porque os usuários frequentemente não sabem ao certo como foi o seu desempenho ao utilizar o sítio, se os usuários encontrarem informações para o seu problema acreditam que o sítio foi útil e acabam por não perceber que poderiam contar informações muito mais relevantes que não foram disponibilizadas para eles.

No entanto, o catálogo foi considerado pelos participantes como um sistema em processo para se tornar acessível digitalmente, porém ressaltaram que é preciso trabalhar ainda esta questão para tornar efetiva a sua acessibilidade digital. A nota atribuída por eles foi a 7,42. O que mostra que a acessibilidade digital da interface do OPAC foi considerada satisfatória pelos participantes, mas que precisa melhorar para conseguir atingir às boas práticas de acessibilidade indicadas pelo e-MAG e pelas diretrizes e recomendações de acessibilidade internacionais.

Os participantes também contribuíram com críticas e sugestões para melhorias no sítio. É preciso melhorar o contraste das cores utilizadas na interface. Ajustar o posicionamento dos elementos na página, principalmente, os recursos de ampliar e diminuir fonte, o de tela cheia e o botão ajuda, para que o usuário consiga visualizá-los mais facilmente. Reelaborar a divisão das áreas de informação para que o sítio apareça mais simples e mais “organizado” para o usuário e facilite para ele a realização da sua tarefa. Melhorar a lógica dos formulários para a realização da busca no acervo, agrupando e destacando os campos para a delimitação da busca, rever o seu posicionamento na página, o contraste das cores e oferecer mais instruções para os usuários para que ele possa se situar

melhor na página e realizar a sua busca no catálogo de maneira mais satisfatória.