5. Drøfting
5.4. Lederstil som faktor for ulikhet
Os quadros a seguir apresentam um breve resumo dos indicadores, demonstrando, por meio de fórmulas, como foram elaborados os cálculos para a obtenção de cada um deles. Contudo, conforme descrito no objetivo específico “b)” e para fins desta pesquisa, a utilização desses indicadores foi limitada à verificação do potencial de sucesso na execução desses cálculos utilizando-se os dados disponíveis nas demonstrações financeiras da amostra. Desse modo, o autor não se comprometeu à análise do desempenho financeiro dos hospitais filantrópicos selecionados para a pesquisa, mas sim a verificar quais destes indicadores poderiam ou não ser calculados a partir dos dados disponibilizados nestas demonstrações financeiras e com base na amostra estudada.
TABELA 1. Indicadores de liquidez
Indicadores de Liquidez Fórmula
Liquidez Corrente (LC) Passivo CirculanteAtivo Circulante Liquidez Seca (LS) Ativo Circulante − EstoquesPassivo Circulante
Liquidez Geral (LG) Passivo Circulante + Passivo Não CirculanteAtivo Circulante + Realizável a Longo Prazo Liquidez Imediata (LI) Passivo CirculanteDisponibilidades
Os indicadores de liquidez representam a capacidade de pagamento de obrigações da empresa considerando diferentes composições para dos ativos (OLIVEIRA, 2014; SOUZA et al., 2009). Assim, a LC considera apenas a confrontação entre ativos e passivos circulantes, já a LS retira da LC o fator estoques, ou seja, a capacidade de pagamento do AC, sem considerar o valor dos recursos aplicados em estoques. A LI é o indicador de liquidez que contrapõe a capacidade de pagamento da empresa ao maior nível de estresse dentre os demais indicadores, pois considera apenas os ativos classificados como disponibilidades imediatas para o pagamento das obrigações do PC. A LG corresponde a um indicador que mede a capacidade de pagamento da entidade em uma visão de longo prazo, pois reúne recursos circulantes e não circulantes para a sua análise.
TABELA 2. Indicadores de rotatividade
Indicadores de
Rotatividade Fórmula
Prazo Médio de
Recebimento (PMR) 360𝑥Receitas OperacionaisCréditos a Receber
Prazo Médio de Estocagem
(PME) 360𝑥Custo dos Serviços PrestadosEstoques
Compras Estimadas +Custo dos Materiais Médico HospitalaresEstoque Final − Estoque do Ano Anterior Prazo Médio de Pagamento
(PMP) 360𝑥Compras EstimadasFornecedores
Ciclo Operacional PMR + PME
Ciclo Financeiro PMP + Ciclo Operacional
Giro dos Estoques (GE) Custo dos Serviços PrestadosEstoques Giro de Contas a Receber
(GCR) Receitas OperacionaisCréditos a Receber
Nota: os estoques de insumos médicos e o de materiais administrativos não encontravam-se separados nas demonstrações financeiras pesquisadas (isso pode prejudicar a aplicação do cálculo do prazo médio de estoques). Além disso, é necessário verificar se as receitas operacionais consideram ou não as vendas canceladas (glosas) e os descontos incondicionais concedidos (verificar se a fórmula utiliza as vendas líquidas).
Fonte: elaborado pelo NEGEC, adaptação e nota do pelo autor.
Os indicadores de rotatividade medem, basicamente, os prazos relacionados às principais atividades da empresa, como aqueles que envolvem o recebimento dos valores pagos por seus clientes, o tempo necessário para efetuar o pagamento aos seus fornecedores e o período necessário ao consumo dos estoques (SOUZA; LARA; NEVES; et al., 2010). Eles podem ser medidos em dias, sob uma perspectiva de média
anual, ou em giros. O cálculo em “giros” corresponde à escolha de uma determinada conta contábil patrimonial que servirá de parâmetro para a comparação com uma conta contábil de resultado, de modo a medir a relação entre essas contas. O número de giros implica uma proporção, ou seja, quantas vezes o valor da conta escolhida como numerador corresponde ao valor escolhido como denominador.
TABELA 3. Indicadores de eficiência de ativos
Indicadores de Eficiência
de Ativos Fórmula
Giro do Ativo (GA) Receitas Operacionais LíquidasAtivo Total Giro do Ativo Permanente
(GAP) Ativo Não Circulante − Realizável a Longo PrazoReceitas Operacionais Líquidas
Giro do Ativo Circulante
(GAC) Receitas Operacionais LíquidasAtivo Circulante Fonte: elaborado pelo NEGEC, adaptado pelo autor.
Os indicadores de eficiência de ativos seguem a mesma lógica do cálculo em “giros” descrita há pouco, mas, neste caso, utiliza-se dos grandes grupos de classificação do ativo e não das subcontas específicas que o compõem no BP. O giro do ativo (GA) mede a eficiência da empresa em gerar receitas operacionais líquidas utilizando-se, como referência, o valor total das suas aplicações, ou seja, o ativo total da empresa (SOUZA; LARA; GUERRA; et al., 2010). O giro do ativo permanente (GAP) avalia a eficiência da empresa na utilização de seus ativos de menor liquidez como máquinas, equipamentos, imóveis e veículos. O autor manteve a nomenclatura para o nome deste indicador, mas realizou adaptações para atualizar a designação dos termos que compõem a fórmula visto que a legislação (BRASIL, Lei 11.638/2007) revogou a utilização da antiga nomenclatura “Ativo Permanente”. O giro do ativo circulante (GAC) indica a eficiência da empresa ao gerar receitas operacionais líquidas quando comparadas ao valor total do grupo de ativos de maior liquidez da empresa.
TABELA 4. Indicadores de lucratividade
Indicadores de
Lucratividade Fórmula
Margem Líquida (ML) Receitas Operacionais LíquidasSuperávit ou Déficit Líquido Margem Bruta (MB) Receitas Operacionais LíquidasSuperávit ou Déficit Bruto Margem Operacional (MO) Superávit ou Déficit OperacionalReceitas Operacionais Líquidas Margem Receita Não
Operacional (RNO) Receitas Operacionais LíquidasReceitas Não Operacionais Fonte: elaborado pelo NEGEC, adaptado pelo autor.
Os indicadores de lucratividade permitem comparar os resultados obtidos pela empresa, em seus diferentes estágios de classificação e em uma perspectiva de curto prazo, com as receitas operacionais líquidas do período. Dessa forma, esses indicadores permitem gerar uma escala comparativa de impactos financeiros para a empresa, o que facilita a avaliação de questões como o efeito do valor dos tributos, dos custos operacionais, dos resultados não operacionais e do próprio superávit/déficit líquido do período sobre a receita operacional líquida da empresa. Isso permite identificar quais desses itens se destacam, de forma positiva ou negativa, na tarefa do hospital filantrópico de gerar resultados financeiros superavitários. Mesmo tratando-se de entidades sem fins lucrativos, esses resultados precisam ser suficientes à manutenção e à continuidade da empresa no mercado.
TABELA 5. Indicadores de estrutura de capital
Indicadores de Estrutura
de Capital Fórmula
Imobilização do Patrimônio
Líquido (IPL) 100𝑥Ativo Não Circulante − Realizável a Longo PrazoPatrimônio Líquido
Imobilização dos Recursos
Não Correntes (IRNC) 100𝑥Ativo Não Circulante − Realizável a Longo PrazoPatrimônio Líquido + Passivo Não Circulante
Composição do
Endividamento (CE) 100𝑥Passivo Não Circulante + Passivo CirculantePassivo Circulante
Ativo Total/ PL (AT/PL) Patrimônio LíquidoAtivo Total Relação Capital de
Indicadores de Estrutura
de Capital Fórmula
ELP/PL Passivo Não CirculantePatrimônio Líquido ELP em relação ao Passivo
+ PL (ELP/PT+PL) Passivo Não CirculanteAtivo
Fonte: elaborado pelo NEGEC, adaptado pelo autor.
Os indicadores de estrutura de capital permitem comparar informações sobre as diferentes fontes de recursos utilizadas pela entidade, assim, o volume de recursos próprios pode ser comparado, por exemplo, ao conjunto de capitais de terceiros ou, ainda, ao conjunto dos ativos de menor liquidez da empresa. Classificar essas diferentes fontes ou origens de recursos que compõem os capitais utilizados pela entidade são etapas iniciais para cálculos mais específicos, como o estudo do custo
médio ponderado de capital (CMPC), e para estudos mais amplos, como os da teoria da estrutura e do custo de capital.
Modigliani e Miller (MILLER, 1977; MODIGLIANI; MILLER, 1958, 1961, 1963) estudaram o efeito da estrutura de capital para as empresas com finalidade lucrativa, de modo a verificar se o grau de alavancagem financeira poderia interferir em questões como o custo do capital ou no valor de mercado dessas entidades. Eles desenvolveram a teoria da estrutura e do custo de capital considerando alguns pressupostos importantes, como a existência de mercados perfeitos e, mais tarde, o efeito dos tributos sobre esse cálculo.
Para os hospitais filantrópicos, o estudo dos indicadores de estrutura de capital pode ser utilizado para analisar a parcela do capital de terceiros que provém de recursos públicos, como aqueles obtidos por meio de repasses financeiros do SUS ou aqueles concedidos indiretamente por meio de desonerações tributárias, isto é, imunidades, isenções, anistias, remissões, subsídios e outros benefícios de caráter tributário. Além disso, parte do superávit que compõe o capital próprio pode vir de doações espontâneas. Identificar esses recursos na estrutura de capital dos hospitais filantrópicos por meio de suas demonstrações financeiras pode facilitar, por exemplo, a análise da eficiência desses hospitais em obter recursos ao menor custo médio de capital possível.
Outra proposta, quanto ao estudo da estrutura de capital dos hospitais filantrópicos, seria a de submeter os resultados encontrados à análise do chamado
custo de oportunidade (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1992) sob a perspectiva do
governo e das organizações civis que promovem o controle social dos recursos do SUS aplicados nos hospitais filantrópicos. O custo de oportunidade seria um dos parâmetros para que os hospitais filantrópicos justifiquem os recursos neles investidos. Esse cálculo auxiliaria, por exemplo, na execução de análises comparativas entre determinados hospitais filantrópicos, ao se verificar quais deles proporcionaram resultados (operacionais e financeiros) satisfatórios considerando-se metas pré-estabelecidas por órgão reguladores do setor, ou mesmo comparando-os a outros hospitais não filantrópicos como os hospitais públicos do SUS. Além disso, a análise da estrutura de capital pode ser associada a outros indicadores gerenciais e de rentabilidade conforme descrito na tabela 6 a seguir.
TABELA 6.Indicadores gerenciais e de rentabilidade Indicadores Gerenciais e de
Rentabilidade Fórmula
EBITDA [Resultado Financeiro Positivo ou (–Negativo)] – {[Superávit ou (–Déficit) antes do IR] – (Depreciação ADM) – (Depreciação COM)}
Margem EBITDA Receita Líquida de Serviços EBITDA
EBIT EBITDA + |Depreciação| + |Amortização|
Margem EBIT Receita Líquida de Serviços EBIT
Capital Investido Médio Contas a Receber “Valor Líquido” de Clientes + Estoques + Imobilizado “Valor Líquido” – Fornecedores
NOPLAT EBIT x {1 + [Tributos Sobre Lucros / Superávit ou (Déficit)]}
ROIC NOPLAT / Capital Investimento Médio
Margem Bruta (MB) [(Receita Líquida de Serviços + Custo dos Serviços Prestados) / Receita Líquida de Serviços]
Custo / Receita Líquida Custos dos Serviços Prestados / Receita Líquida de Serviços SG&A / RL [(Despesas Operacionais + |Depreciação|) / (Receita Líquida de Serviços)] Despesas Financeiras / Receita
Líquida Resultado Financeiro / Receita Líquida de Serviços
Retorno sobre o Patrimônio
Indicadores Gerenciais e de
Rentabilidade Fórmula
Retorno sobre o Ativo (ROA) {[Superávit ou (Déficit) Líquido do Exercício] / [(Ativo Total Atual + Anterior) /2]} Dívida Bruta (Empréstimos de Curto Prazo + Empréstimos de Longo Prazo) Caixa = Disponibilidades Numerário em Caixa + Bancos Conta Corrente + Aplicações de Liquidez Imediata
Dívida Líquida Disponibilidades – Dívida Bruta
Dívida Líquida / EBITDA Dívida Líquida / EBITDA
Despesas Financeiras / Dívida
Líquida Resultado Financeiro / Dívida Líquida
Dívida Líquida / Imobilizado
Líquido (Dívida Líquida) / (Imobilizado “Valor Líquido”) Dívida Líquida / PL Dívida Líquida / Patrimônio Líquido
Fonte: elaborado pelo NEGEC, adaptado pelo autor.
Os indicadores gerenciais e de rentabilidade contribuem na identificação do perfil econômico-financeiro da entidade indicando diferentes perspectivas de análise quanto ao retorno dos investimentos, em especial quando considerados no longo prazo (VELOSO; MALIK, 2010). Isso implica extrair informações que apontem, por meio desses indicadores, o quanto os recursos investidos na empresa contribuem para mantê-la em operação e continue no mercado. Dessa maneira, a eficiência operacional (isto é, a do uso de ativos), as decisões de financiamento ou mesmo a eficiência das vendas são alguns dos temas que podem ser abordados por meio dos indicadores de rentabilidade, embora existam críticas quanto a sua aplicação (CARNEIRO; SILVA, 2010; DIAZ, 2002).
Dentre esses indicadores, existem aqueles que utilizam o EBITDA – sigla em Inglês e que significa “lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização” (LAJIDA) – e suas variações na composição do cálculo. O autor julgou que esses indicadores, que direta ou indiretamente utilizam o EBITDA, demandariam um estudo mais aprofundado quanto ao seu conceito e quanto ao respectivo despenho apresentado pelos hospitais filantrópicos da amostra. Dessa forma, o tópico 2.6.2 foi elaborado para atender a esse objetivo.
TABELA 7. Modelo dinâmico (Fleuriet)
Modelo Fleuriet Fórmula
CCL = Capital Circulante Lí- quido = (Ativo Circulante - Pas- sivo Circulante)
(Ativo Circulante Líquido – Passivo Circulante)
Ativo Circulante Operacional (Cíclico) (ACO)
Contas a Receber de Clientes “Valor Líquido” + Estoques
+ Custos e Despesas de Exercícios Seguintes
Ativo Circulante Financeiro (Er-
rático) (ACF) – Ativo Circulante Operacional) (Ativo Circulante
Passivo Circulante Operacional (Cíclico) (PCO)
(Fornecedores + Obrigações com Pessoal
+ Obrigações Fiscais)
Passivo Circulante Financeiro
(Errático) (PCF) – Passivo Circulante Operacional) (Passivo Circulante
Necessidade de Capital de Giro
(NCG) (ACO – PCO)
Saldo de Tesouraria (T) (ACF – PCF)
Capital Permanente Líquido
(CPL) = CDG = (PNC – ANC)
Saldo de Tesouraria (T) (CPL – NCG)
Índice de Liquidez do Modelo
Dinâmico (ILD) (T / |NCG|)
Fonte: elaborado pelo NEGEC, adaptado pelo autor.
O Modelo Dinâmico ou Fleuriet (FLEURIET et al., 2003; VIEIRA, 2005) apresenta um enfoque diferenciado quando comparado à análise contábil tradicional. Ele permite realizar estudos, por meio de uma restruturação das contas, que privilegia a dinâmica operacional da empresa (tabela 7). Neste modelo, alguns conceitos passaram a ser analisados sob novas perspectivas e um deles foi o de liquidez, que incorporou questões como as de subsistência da empresa, de crescimento das suas atividades ou de geração de empregos. De forma semelhante ao estudo do EBITDA, o autor também julgou que os indicadores do Modelo Dinâmico também demandariam um estudo mais aprofundado de seus conceitos e aplicações e, por isso, dedicou o tópico 2.6.3 a esse tema.
As fórmulas contidas nos quadros anteriores foram apresentadas conforme encontradas no banco de dados do NEGEC. Algumas contas contábeis utilizadas permaneceram com a nomenclatura antiga, isto é, anterior às mudanças definidas pela legislação, como a conta “Exigível a Longo Prazo (ELP)”, que atualmente é registrada como “Passivo Não Circulante (PNC)”. O motivo foi o risco de que a atualização desses nomes pudesse gerar inconsistências na aplicação das fórmulas utilizadas no gerenciamento deste banco de dados. Contudo, sempre que possível, o
autor promoveu a exposição de resultados utilizando a nomenclatura em consonância com o que exige a legislação contábil atual.