A Fundação de Educação para o Trabalho de Minas Gerais – UTRAMIG atua nos campos de ensino, pesquisa e educação tecnológica e é uma das clientes e parceiras da Associação de Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável – ASMARE. A unidade visitada está localizada na Avenida Afonso Pena, 3.400, Bairro Cruzeiro, na regional centro sul da cidade de Belo Horizonte (FIGURA 75).
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FIGURA 75 – Unidade da UTRAMIG na Avenida Afonso Pena
Desde 2004, na UTRAMIG, são implementadas e geridas ações caracterizadas como de responsabilidade socioambiental por meio de programas que se desdobram em projetos. Entre os impulsionadores desse processo de incorporação de responsabilidade socioambiental estão os programas: Sistema de Educação Responsável – SER e Sistema de Educação Inclusiva – SEI, e a adoção da disciplina Responsabilidade Socioambiental nas grades curriculares dos cursos ministrados na Fundação.
Um fortalecedor nesse processo foi o Programa de Educação Ambiental em Prédios do Governo de Minas Gerais – Ambientação81, aderido pela UTRAMIG em 2007. Esse Programa conta com uma comissão e agentes do Governo do Estado para sua implementação e acompanhamento.
Na pesquisa de campo, o vice-presidente da Fundação mostrou alguns resultados e produtos das ações socioambientais da UTRAMIG e contou um pouco sobre a experiência da UTRAMIG com a ASMARE.
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“... é um programa de comunicação e educação socioambiental concebido, em dezembro de 2003, pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEAM, por meio da Coordenação de Educação e Extensão Ambiental – CEAE, com o objetivo de promover a sensibilização para a mudança de comportamento e a internalização de atitudes ecologicamente corretas no cotidiano dos funcionários públicos do governo estadual.” (PROGRAMA AMBIENTAÇÃO, 2009)
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Inicialmente, com a implementação da coleta seletiva, os resíduos recicláveis eram destinados para a ASMARE, pois, de acordo com o vice-presidente, a ASMARE é uma associação reconhecida e considerada referência pela sociedade. Além disso, para envolver os atores da UTRAMIG como protagonistas nesse processo de implementação e educação ambiental na Fundação, foram encaminhadas visitas a ASMARE para uma sensibilização e conscientização não apenas da responsabilidade ambiental, que envolvia separar os resíduos sólidos recicláveis, mas da importância social de gerar renda para as famílias que constituem a associação.
Na implementação da coleta seletiva para o interior dos prédios foram escolhidos os coletores fabricados na marcenaria da ASMARE (FIGURA 76). Conforme o vice-presidente: “... a partir de então (após as visitas a ASMARE) nós criamos o processo de coleta seletiva nesta parceria junto com a ASMARE e nos atentamos para um detalhe: nós poderíamos fazer muito mais do que imaginávamos que estávamos fazendo. Aí, decidimos então, ao invés de adquirir nossos coletores de uma grande empresa que fornece coletores diversos, de polietileno, resolvemos comprar da própria ASMARE e do próprio reciclo.” Na conversa a expressão reciclo é entendida como material reciclado: a ecoplaca.
FIGURA 76 – Coletores feitos pela marcenaria da ASMARE na sala do vice- presidente da Fundação
Já para a área externa, outros coletores (FIGURA 77), de outro fornecedor, foram comprados porque se considerou que seriam mais adequados às condições de exposição (áreas externas por vezes a céu aberto), pois são de plástico (polietileno) resistindo melhor as intempéries do que a ecoplaca.
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FIGURA 77 – Um dos modelos de coletores utilizados na área externa da UTRAMIG
Segundo o entrevistado, os coletores tem funcionado bem durante os dois anos de uso na Fundação. O vice-presidente comenta: “Atende satisfatoriamente. Não é um material que eu possa usar da mesma forma que eu usaria um polietileno, assim, para lavar com constância não, não vou mesmo, porque eu já estaria numa outra linha de desperdício de água. Então, ele me atende perfeitamente porque nossas funcionárias estão treinadas para isto: colocam sacola de plástico em algumas salas... Tem atendido perfeitamente, tanto que comprei mais.”.
A UTRAMIG já adquiriu mais de trezentos coletores em ecoplaca manufaturados na marcenaria da ASMARE (a FIGURA 78 ilustra um modelo triangular utilizado em diferentes ambientes) e, conforme o entrevistado, a Fundação pretende ampliar a utilização dos coletores comprando mais unidades para a implementação da coleta seletiva em outras unidades da UTRAMIG no interior do Estado (Lagoa Santa, Nova Lima e Vespasiano).
FIGURA 78 – Coletores em ecoplaca fabricados na marcenaria da ASMARE em diferentes combinações e locais da Fundação
178 E, o material utilizado no coletor da marcenaria: a ecoplaca é considerado um ponto positivo referente às questões socioambientais: “Esses coletores que você está vendo aqui (referindo- se aos que estavam em sua sala feitos em ecoplaca na marcenaria): Tetra Pak, ou seja, caixinha de leite mais tubo de creme dental. Qual era o objetivo de nós adquirirmos os coletores aqui para a Fundação? Primeiro, agente está bem direcionado na questão de responsabilidade e de preocupação com os impactos ambientais. Nós estamos aproveitando o próprio reciclo82. Uma outra visão: estamos valorando a questão lá na ponta, tirando da nossa casa, da porta da nossa Fundação, da nossa residência aquilo que não queremos, que chamamos de lixo. Para eles não é lixo, é matéria prima de sobrevivência. Então, de alguma maneira estamos gerando renda para aquelas famílias. Então, nós agregamos no nosso projeto de coleta seletiva os valores sociais de maior importância que julgamos ser.”.
Quanto ao mobiliário (proveniente de material reaproveitado combinado ao uso da ecoplaca) o vice-presidente, que adquiriu para a Fundação uma mesa grande (FIG. 79) para uma das salas da UTRAMIG e já está com outro pedido de mobiliário (mesas) em andamento na marcenaria, conta como considera o mobiliário feito na marcenaria: “Mobiliário é uma experiência nova. E eu diria para você que é uma experiência nova que está causando um certo diferencial de outras organizações, de envolvimento, de empresa. E, é como se nós fossemos, de início, um cartão de visita eu diria, uma referência neste sentido. Eu posso garantir para você que eu saio daqui tranquilamente, da minha Fundação, e se eu entrar em qualquer fundação do Estado é raro eu achar um móvel de Tetra Pak.”.
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FIGURA 79 – Mesa feita a partir do reaproveitamento de materiais, laminas de alumínio, vidro e ecoplaca
Pode-se notar que, além das considerações positivas ecológicas e sociais percebidas pelo entrevistado, vice-presidente da Fundação, há também a questão da diferenciação da estética, da aparência, do material em relação aos mais utilizados no mercado moveleiro. Na ecoplaca presente nos móveis fica evidenciada a origem em embalagens, contendo partes ou fragmentos das mesmas em dimensões visíveis (FIGURA 80), com textos e grafismos das embalagens originais (que passam a ser identificadas na ecoplaca), o que desperta a atenção para a composição do material reciclado, a ecoplaca, a partir da reciclagem de embalagens como tubos de creme dental e embalagens longa vida.
FIGURA 80 – Detalhe do tampo em ecoplaca
Conforme afirma o vice-presidente, os móveis que utilizam a ecoplaca contribuem na formação de uma rede, uma “teia”, de ações que buscam construir a responsabilidade
180 socioambiental na sua Fundação, proporcionando reflexões ao longo da cadeia dos materiais, especialmente os recicláveis e reciclados, como a ecoplaca. Vendo e utilizando um móvel em ecoplaca o indivíduo pode fazer conexões entre a importância de sua atitude no descarte de embalagens e o resultado que essa atitude pode ter no futuro: a composição de um novo tipo de matéria prima, um material reciclado que tem como um dos componentes a embalagem que um dia ele descartou no passado.