Esta unidade temática decorreu entre a 33ª e a 36ª sessão e teve na exploração das artes plásticas o indutor para a realização de actividades dramáticas.
Na 33ª sessão tivemos como indutor um conjunto de reproduções de quadros de pintura abstracta, com dimensões diferentes uns dos outros, tendo este material constituído o fio condutor que desencadeou o processo.
Nesta sessão, desenvolveram-se inicialmente um conjunto de exercícios de integração individual e colectiva, com a prática de movimentos de descontracção e concentração, de acordo com a seguinte sequência:
- Os participantes caminham livremente pela sala e a um sinal dado pelo professor, param a marcha e começam a conversar com um colega que esteja próximo;
- Repetição do exercício anterior tentando desta vez ao parar estabelecer uma conversa com outro colega;
- Os participantes caminham de novo livremente pela sala e a um sinal, param e trocam de lugar com outro colega, com quem «trocaram o olhar»;
- Repetição do exercício anterior;
- Os participantes caminham de novo livremente e a um sinal do professor, pegam num quadro e colocam-no num local da sua escolha, no espaço da sala;
- Repetição do exercício anterior, com a possibilidade de cada participante mudar novamente um quadro de lugar, à sua escolha;
- De seguida todos se sentam e observam do mesmo lugar os quadros dispostos pela sala;
- Cada um individualmente, pode levantar-se e mudar a posição de um quadro; - Todos se levantam e procedem como se estivessem a visitar uma exposição de pintura;
- Cada grupo escolhe um quadro, sem dar a entender a sua escolha;
- De seguida cada grupo prepara e faz uma improvisação, sem a utilização da palavra que tente identificar, sem mencionar, a escolha feita pelo grupo;
- Seguiu-se a retroacção, tendo os alunos considerado a sequência com muito interesse, visto que os exercícios tinham estimulado o seu interesse pelas obras expostas e ficaram surpreendidos pelo facto de as improvisações, na sua maioria, terem dado a entender com alguma facilidade o quadro escolhido.
Na 34ª sessão, o trabalho desenvolvido teve por base a exploração da máscara de papel, como elemento comum a duas áreas expressivas, conjugando actividade plástica e dramática, sendo utilizado para o efeito papel de cenário aplicado com fita-cola (de pintor).
A parte prática teve início com um conjunto de exercícios de movimento individual e aos pares, escolhidos aleatoriamente, seguindo-se as actividades que envolviam a manipulação dos materiais de acordo com a seguinte sequência:
- Os materiais são colocados no centro da sala tendo o professor explicado a forma como se desenrolaria o exercício;
- Tendo a música como som de fundo, os participantes distribuídos por pares, escolhem qual dos elementos iniciará a construção de uma máscara de corpo inteiro aplicada no corpo do parceiro;
- O elemento escolhido rasga tiras de papel e aplica-as com a ajuda da fita-cola, ao mesmo tempo que explora a plasticidade do material, dando-lhe formas enrugadas e expressivas;
- O exercício é executado de acordo com uma regra que impõe a sua curta duração;
- Depois de concluído o primeiro trabalho, alternam-se as posições com o elemento já caracterizado, construindo a máscara do outro;
- Os pares de mascarados apresentam a sua máscara ao grupo, desfilando pela sala de forma organizada;
- Seguiu-se a retroacção, tendo os alunos considerado a sequência com muito interesse, no seguimento da sessão anterior, dado que os exercícios tinham feito um grande apelo à criatividade, desenvolvida num curto espaço de tempo, conjugando duas formas expressivas inspiradas num suporte musical.
Na 35ª e 36ª sessão, os alunos participaram na visita à exposição temática interactiva «Da galeria à poesia», como espaço de experimentação e de vivência ludo- expressiva, concebido como ponto de partida para a exploração comum da componente estética e literária.
Esta iniciativa inseria-se num projecto de colaboração desenvolvido entre o Centro Artístico Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian e a Escola Superior de Educação, tendo em vista o desenvolvimento de formas de observação e compreensão da arte, utilizando meios expressivos de aprendizagem, através da criação e produção artística. 4.1.13. Teatralização de um conto infantil
A actividade realizada na 29ª e 30ª sessão com as consultas efectuadas na biblioteca do Centro Lúdico Infantil desta escola, bem como a constituição de grupos de trabalho na 31ª e na 32ª sessão, precederam os trabalhos iniciados nesta unidade temática, tendo a 37ª e 38ª sessão sido destinada a uma primeira apreciação dos projectos de teatralização dos vários grupos, acompanhadas das propostas de adaptação do texto original e das suas implicações em termos de trabalho seguinte.
Entre a 39ª e a 48ª sessão teve lugar a preparação e apresentação dos trabalhos elaborados pelos alunos, realizados de forma autónoma segundo as orientações do professor, de acordo com vários aspectos como veremos de seguida.
Com uma natureza específica relativamente às práticas anteriores, os projectos de teatralização teriam um processo de construção faseado ao longo de dois meses e meio, culminando com uma apresentação final destinada ao público infantil de entre as escolas que aderissem a esta actividade, nomeadamente aquelas com as quais os alunos já tinham alguma relação, devido às actividades de estágio.
Convencionou-se que as aulas tratariam das questões gerais, enquanto se sugeria que o trabalho de cada grupo não fosse divulgado antes da sua apresentação, de forma a
criar também na turma uma certa expectativa relativamente aos vários projectos, destinados a serem presenciados por todos os intervenientes.
Os trabalhos foram acompanhados pelo professor relativamente às modalidades de adaptação e concepção da actividade no seu conjunto, o que implicou a resolução de problemas relacionados com a distribuição de personagens em função do número de elementos de cada grupo e dos seus gostos pessoais, tendo sido tratadas as possibilidades de animação do espectáculo vocacionado para um público particular.
Nas sessões de conjunto, eram abordadas questões gerais e outras que surgiam no seio de cada grupo, incidindo essencialmente sobre aspectos da linguagem dramática, o que incluía o trabalho do personagem, da voz, do olhar, do corpo, da gestualidade, das interacções com o público, do ritmo e duração da representação, da componente lúdica e dos efeitos-surpresa no espectáculo, que pudessem estimular a capacidade de concentração e implicação do público no desenrolar da acção.
Por outro lado, tiveram lugar as orientações relativamente ao espaço cénico e à colocação do público de acordo com diferentes opções estéticas, o que remetia também para a natureza dos cenários a construir, o papel dos adereços, dos objectos e do guarda- roupa, tendo em vista, de uma forma geral, a sensibilização para uma certa economia de meios mais adaptados à realidade da grande maioria das escolas.
Outra das vertentes foi o trabalho desenvolvido com a luz e o som, levando os alunos a familiarizar-se com os meios técnicos existentes na sala e a desenvolverem o trabalho de montagem adaptado aos seus projectos, explorando as sonoridades e os jogos de luz e sombra, na criação de ambientes que envolvessem o público na actividade.
Estabeleceu-se com antecedência uma calendarização para a realização dos ensaios e das representações, incluindo duas por cada sessão, o que permitia também antecipadamente convidar os grupos de crianças das escolas, para assistir aos trabalhos e poderem solicitar apoio para as suas deslocações.
Cada grupo tinha também a possibilidade de marcar ensaios na sala, de forma autónoma ou sugerindo a presença do professor para os acompanhar, dando orientações adaptadas a cada uma das propostas de trabalho.
Esta colaboração foi particularmente frutuosa, pois chegava o momento de testar as ideias trabalhadas pelos vários grupos de trabalho, de constatar a sua exequibilidade, e de proceder ao aperfeiçoamento dos respectivos projectos.
Entre a 49ª e a 55ª sessão tiveram lugar as apresentações dos trabalhos efectuados pelos alunos.