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Os dados coletados a partir das questões relativas a este tema permitiram verificar que, na percepção dos gestores e colaboradores, há um percentual significativo, considerando que a forma de como são encaminhadas as questões da relação entre a área Administrativa e Pedagógica tem afetado o andamento das atividades na Instituição o que se verifica pelas variáveis algumas vezes e não (Tabelas e Gráficos 15 e 16). Ao mesmo tempo, afirmam que são promovidos também encontros e envidados esforços para melhorar tais relações.

Na Escola A o conflito é abordado como uma questão que vem contribuir para a mudança e a inovação. O primeiro conflito apontado pelo denominado diretor geral diz respeito à passagem de uma gestão dita “caseira”, para uma busca profissional. Provinda de ordem interna ela é sempre impactante e conflituosa, diz, porque o processo envolve pessoas que atuam na Instituição. Sem dúvida, a opção feita para desenvolver este processo conta com demissões, re-adequações no interior da Instituição. Para o gestor desta Escola, as palavras são fortes e têm um peso significativo quando diz, por exemplo, “uma pessoa que trabalhou 30 anos na Instituição e é tirada da direção é como cortar um pedaço”.

Certamente, a passagem para uma gestão profissional significa o que diz o dicionário Aurélio que ‘Gestão é o ato de gerir’ ao se auscultar prioridades que exigem mudanças a serem implementadas com coragem e ousadia. Por conseguinte, significa também a ação como “gesto” que pode representar um gesto de generosidade ou gesto de nobreza com um olhar voltado para a construção de processos sem a intenção de ferir pessoas. Gestão no campo educacional a que se está aqui referindo, traduz-se no gerenciamento pautado por princípios e ações generosas de compartilhamento de decisões, comprometido com a emancipação do ser humano (BRAGA, 2007).

Outro conflito de ordem externa talvez menos impactante, mas também traumatizante, diz o diretor, são os parceiros e colaboradores. Ao profissionalizar a gestão dão-se pistas para o trabalho e o caminho vai sendo construído juntos. Porém, na realidade, o difícil é incorporar processos porque exigem a implantação de uma nova política. E o que leva as pessoas, na maioria das vezes, a emperrar avanços é o saudosismo do tempo antigo em que havia menos cobrança, menos exigência, menos acompanhamento. A implantação do novo exige também novas posturas de todos os profissionais envolvidos.

Frente a conflitos dessa natureza e para possibilitar as mudanças e avanços esperados, o Gestor Administrativo e Gestor Pedagógico desta Escola programaram junto aos profissionais da educação algumas ações e medidas cujos resultados foram notórios. Iniciou- se por um Planejamento Estratégico, a título de ensaio, e foram definidas metas a curto, médio e longo prazo; foi providenciada a inserção de orçamento previsto e orçamento realizado para os gastos investidos nos diferentes setores da escola, que proporcionaram maior unicidade e responsabilidade coletiva; e foram elaborados critérios claros e objetivos para a aprovação e execução de projetos na Escola. Houve uma construção conjunta em que se puderam verificar as fortalezas e as fraquezas como possibilidades para articular melhor os processos, sem perder a autonomia, mesmo com a centralização de decisões na Instituição.

Estas medidas indicaram para os gestores algumas ações que incitaram reflexão no sentido de se utilizar o que é comum e sendo cúmplice no processo. Um exemplo bem concreto consistiu no uso profissional do telefone e não usá-lo para casos particulares; outra questão foi a utilização de folhas de impressão e cópias de xerox; O planejamento conjunto trouxe significativa redução de gastos assim como maximização de recursos e melhor qualidade dos serviços educacionais. Ao mesmo tempo, o fluxo das relações permitiu maior comunicação e partilha das ações administrativas e pedagógicas.

Neste aspecto pode-se perceber que para os gestores é importante considerar as pessoas como o principal patrimônio de uma instituição, pois são elas as responsáveis por dar vida aos projetos, por fazerem as idéias se concretizarem, por transformarem as metas em resultados impactantes. Concorda-se com Chiavenato (1999) quando afirma que as organizações somente podem crescer e prosperar para manterem sua continuidade, se forem capazes de valorizar o seu bem maior, as pessoas, ao propiciar-lhes oportunidades de, conjuntamente, construir o conhecimento que direcionará as ações interativas que dinamizam o cenário escolar.

Segundo Libanio (2001), aprender a viver juntos exige a capacidade de administrar o conflito, as divergências e as diferenças em todas as relações. É um aprendizado que se faz no interior dos grupos e de equipes de trabalho; pelas relações que se constituem, se constrói o ser na perspectiva de processo e na ampliação de alianças, ou seja, criando rede de comunicação (LIBANIO, 2008).

Na Escola B os conflitos e as dificuldades que perpassam o administrativo e o pedagógico parecem estar mais na linha da organização. A fala do diretor geral denota isso ao dizer “o conflito que a gente vê que, de repente, a gente falha um pouco na parte administrativa [...] administração mesmo, nós pecamos um pouco de organização, né, (pausa),

não há uma clara definição [...] cada um está muito, com muito serviço”. Outra questão levantada foi a falta de diálogo entre os grupos de trabalho. Noutro momento “[...] vamos dizer essas coordenações com muitas fofocas, muitas fofoquinhas, divisão, fala isso, fala outro e [...] então, alguém dizia, estou buscando a escola perfeita, não achei ainda [...]. Na tentativa de buscar soluções para este problema, esta escola coloca um acento especial na construção e investimento para que as pessoas percebam a necessidade de um trabalho em equipe e tenham abertura para isso. Um dos gestores administrativos o confirma “essa é nossa maior dificuldade hoje, porque a grande verdade é que desde professor e coordenadores que se formam [...] são formados para competir e não para trabalhar em equipe”. Este é um trabalho de exaustão, contínuo e constante, quanto mais se trabalha, mais aparece dificuldade.

A Escola C aponta como conflito entre o Pedagógico e o Administrativo questões relacionadas mais a aspectos legais como controle do período de trabalho das pessoas, “então a hora extra, não extra, a convocação extraordinária, por vezes desvio de função com pessoas não habilitadas, formas de contratação etc.; atividades culturais, saída de campo são atividades exercidas com frequência e, muitas vezes, o pedagógico não tem o conhecimento exato para avaliar perspectivas futuras dessas ações”, de acordo com a fala do gestor administrativo.

As medidas tomadas para a resolução desta situação são a busca de mais entrosamento, em reuniões onde se procura esclarecer e amainar os desencontros, tendo a preocupação de remunerar todos, “[...] “trabalhou, o operário vive o seu salário, então não deixar a lei da boa vontade [...] prestou serviço para a escola, computa, tal e remunera [...] e sempre que as iniciativas são bem justificadas, a gente apoia”.

A Escola D apresenta como dificuldade e desafio a instabilidade na matrícula e quanto ao número de alunos que procura a instituição: ano de redução muito grande de alunos; noutro ano já muda o quadro para um pequeno aumento, há momentos de queda e momentos que eleva o número. A gestora administrativa explica dizendo que “acho que a gente não consegue ter uma avaliação precisa porque Brasília é uma realidade muito, muito diferente”. A questão de transferências de famílias, mudanças de famílias [...] então interessante, de repente, um ano há uma queda na Educação Infantil, agora, por exemplo, há um interesse maior na Educação Infantil; [...] então a gente não consegue identificar realmente, porque o nosso empenho é constante.

O “que tenho percebido é certo descrédito das escolas da redondeza”. E acrescenta: “Então os que nos procuram é porque gosta da escola, o espaço agrada, mas esse fator é o que ocorre sempre”. A referida escola segue orientações e diretrizes estabelecidas pela sede da

província e se destinam às oito instituições espalhadas pelo Brasil com o objetivo de que haja unanimidade na caminhada. Entrementes a fala constata-se que há esforço na busca de bons resultados no trabalho educacional. Outro gestor administrativo expressa que “o administrativo conversa com o pedagógico por meio de reuniões que são programadas e definidas no calendário escolar” em que são desenvolvidos métodos e técnicas para dar suporte tanto ao aspecto administrativo quanto ao pedagógico.

Entende-se que não está muito evidente que ações a escola desenvolve para a resolução e ou encaminhamentos relativos a conflitos e dificuldades encontradas.

Na Escola E a gestora administrativa diz ser apaixonada pelo pedagógico, mas gosta muito da administração. Com isso emerge uma das dificuldades, isto é, a sobrecarga de trabalho, pois

[...] eu fico sobrecarregada porque realmente eu quero acompanhar tudo, mas eu faço isso com satisfação; [...] faltou algum professor, eu dou assessoria [...] sei dos problemas que acontecem com os alunos, sei como está sendo desenvolvida a recuperação paralela; então o desafio é participar, não deixar cair a peteca, mas a administração rouba muito tempo e eu tenho que ter esse olhar global.

Os conflitos e dificuldades da Escola F se manifestam especialmente no pedagógico: o querer fazer muita coisa sem a preocupação com o administrativo, sobretudo não levando em conta as projeções feitas em planilha que determinam os custos dos serviços. Porém, quando ocorrem tais conflitos, busca-se o equilíbrio por meio do diálogo entre o administrativo e o pedagógico para se avaliar os procedimentos. São palavras da diretora geral “existe um diferencial que nos ajuda no entendimento e na busca de soluções que é o de ambas, gestoras administrativa e pedagógica terem vivenciado, na prática, estas duas funções. Então, na gestão tem sido um facilitador pro nosso diálogo dar certo”.

5.3 TEMA 3: AS AÇÕES DE INTEGRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NA GESTÃO