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7. NVEs vurdering av konsesjonssøknaden

7.3 NVEs vurdering av kraftledningen

7.3.3 Landskap

Apresentamos seguidamente algumas considerações sobre a utilização de versões tradutivas na análise dos discursos.

Na nossa investigação empírica, optamos pela utilização de versões tradutivas escritas, para português europeu, dos respectivos discursos. O discurso produzido no âmbito da aula magistral usou originalmente a língua espanhola europeia. O discurso correspondente à conferência aconteceu com a utilização do inglês.

Numa investigação, os procedimentos utilizados não podem retirar validade e fiabilidade aos dados empiricamente investigados. Nesta perspectiva merece que reflictamos sobre a utilização de versões tradutivas ou dos corpora tradutivos, nas investigações cujo objecto são os discursos.

Esta problemática não é especificamente nossa, já que tem alimentado reflexões e alguma investigação (Vanderschueren, 2006-2007; Pasqualini, 2011; Pasqualini & al., 2011; Pasqualini & al., 2015), em quadrantes diversos (Linguística computacional, pragmática etc.). Propomos pois uma digressão pelo debate sobre a utilização de versões tradutivas nos estudos linguísticos.

Os estudos de Pasqualini (Pasqualini 2011; Pasqualini & al. 2011, 2015), a partir da linguística computacional, apontam algumas variações quantitativas entre originais ingleses e traduções para Português do Brasil, com a utilização dos programas Coh-Metrix (para os textos em Inglês) e o Coh-Metrix-Port (para textos em Português do Brasil). Estas diferenças ocorrem sobretudo com a tradução de textos literários, permeáveis à subjectividade do tradutor, no tocante por exemplo a efeitos estilísticos, afectivos, ideológicos, etc. Alguns resultados apurados (Pasqualini & al., 2015, p. 10-11) são os seguintes:

 “O número de palavras dos contos de Poe é ligeiramente menor nos textos originais em inglês, do que nos textos traduzidos para o português”. Ao invés, “Já as traduções dos contos brasileiros apresentam, todas elas, um número maior de palavras.”.

 No índice ‘type/token ratio’8, vê-se que a diferença, nesse quesito, entre os contos

originais e traduzidos de Poe é bastante baixa. O mesmo ocorre com os artigos científicos de Pediatria.

 Os cinco textos-fonte de Edgar Allan Poe apresentam mais operadores lógicos do que as traduções para o português. Os textos de Pediatria traduzidos para o inglês apresentam um número expressivamente maior de operadores lógicos.

 No que se refere aos conectores, três dos textos-fonte de Poe têm maior incidência de conectores do que as suas respectivas traduções; os textos do Jornal de Pediatria têm uma incidência maior de conectores do que os textos-fonte em quatro das 5 traduções; três traduções dos contos brasileiros apresentam incidência maior e dois apresentam incidência menor de conectores.

Retemos porém a advertência dos autores (Ibidem) de que “Uma vez que a amostra é bastante reduzida, é inviável fazer generalizações acerca dos textos analisados no que diz respeito ao género, ao par de línguas e à direcção da tradução” (p. 11).

Os autores admitem que, neste tipo de textos, o tradutor se preocupe em traduzir o que considera “ todas as finezas de um texto”, e que esta preocupação explique, pelo menos em parte, as variações registadas.

Nos textos de carácter científico (ex.: artigos de pediatria), o uso da língua é denotativo, isto é, mais propício a uma tradução literal.

Assim Pasqualini (2011) refere-se aos dados apurados, neste tipo de texto, dizendo que “O número de palavras dos textos de Pediatria analisados não mostra um padrão de aumento ou de diminuição; há perceptivelmente ínfima variação no número de palavras entre os textos- fonte e as traduções para o inglês” (p. 13).

Os estudos em consideração fazem uma comparação índice a índice, na parte das métricas coincidentes nas duas versões do Coh-Metrix (Inglês e Português). Além disso, alguns desvios verificados têm uma orientação inversa consoante se trate de uma tradução do Português para o Inglês ou de uma versão do Inglês para o Português.

A quantidade de variação não se apresenta de igual modo nos três tipos de textos considerados (Contos, textos literários, artigos científicos).

8 Segundo os autores , o índice “type/token ratio” corresponde ao quanto o repertório das formas das

Ficamos pois com a evidência de que existem variações entre traduções e textos originais, mas que não se extraem destes estudos padrões generalizáveis.

Vanderschueren (2007) também se debruça sobre a utilização dos corpora tradutivos, na investigação linguística. Percorre “algumas reflexões e observações relativas à praxis da tradução” e apresenta “algumas propostas para o uso de traduções como recurso metodológico na investigação linguística” (p. 3). Recolhe algumas fontes cépticas que apontam alguns inconvenientes:

 Segundo esta autora (ibidem), Abaitua “ nota, por exemplo, que a variação lexical [sublinhado nosso] tende a reduzir-se nos textos traduzidos e que nos mesmos textos se descobre uma acumulação de palavras funcionais” (p. 5).

 Ainda segundo Vanderschueren (2007) Li & Xu, outros dos autores citados , “assinalam que a tradução pode [sublinhado nosso] provocar efeitos enfáticos (não intendidos pelo autor do texto original (p. 5)”.

Outros dois autores, Chesterman e Baker, também referidos por Vanderschueren (2007), fazem evoluir o debate sobre a validade da utilização das traduções, para uma postura mais conciliadora, já que defendem em palavras de Vanderschueren (2007), “uma abordagem descritiva: aceitar e descrever a tradução como variante linguística em si, com as suas próprias especificidades e diferente dos textos originalmente escritos na língua em questão, em vez de ser considerada como um texto alvo imperfeito” (pp. 5-6) e “ […] distinguem várias condições que podem influenciar a aparição de certas características, tal como os idiomas em questão, o tipo de texto, o próprio tradutor e factores situacionais, por exemplo convenções formuladas pela editora” (ibidem).

Porém o debate é também animado por autores que não hesitam em defender a utilização das traduções para “explorar sistematicamente fenómenos linguísticos (Vanderschueren, ibidem, p.7)”.

Vanderschueren (ibidem, p.8) cita os seguintes linguistas, defensores desta perspectiva de utilização de “corpora tradutivos” em “diversas áreas da linguística”: Gellerstam (1996), Dyvik (1998), Aijmer & Simon-Vandenbergen (2004), Aijmer, Foolen & Simon-Vandenbergen (2006), Aijmer & Simon-Vandenbergen (2006).

Particularmente relevante para o nosso estudo é a informação de que Aijmer, Foolen e Simon- Vandenbergen, em palavras de Vanderschueren , “usam corpora tradutivos para sondar o sentido dos marcadores do discurso (“pragmatic markers) (Ibidem, p. 8)”.

Este procedimento metodológico de utilização de “corpora tradutivos” tem para nós relevância porque, o nosso estudo empírico assenta em “corpora tradutivos” e em grande medida também no recurso aos marcadores pragmáticos (conectores lógicos e marcadores discursivos), para identificar os segmentos discursivo-textuais que ilustram algumas das nossas categorias de análise.

Wong (2006), citado por Vanderschueren (ibidem, p. 6), localiza as dificuldades tradutivas nas diferenças que línguas “geneticamente diferentes” apresentam, ao nível das sintaxes respectivas. Referindo a posição desta mesma autora, Vanderschueren (ibidem) afirma: “Ao contrário”, prossegue este estudioso, “ […] as traduções dentro da mesma família são consideravelmente mais fáceis de realizar, dado que muitas vezes basta « descarregar » a estrutura de um texto para outra língua [sublinhado nosso]” (p. 6).

Relativamente ao caso concreto do Português e do Espanhol, Vanderschueren (ibidem) conclui que “a ‘traduzibilidade’ [sublinhado nosso] sintáctica entre o português e o espanhol é indubitavelmente bastante alta e muito menos problemática do que entre línguas de famílias totalmente diferentes, como por exemplo o português e o chinês” (p. 6).

Particularmente interessante parece-nos o recurso ao conceito de “traduzibilidade” não de uma forma monolítica mas como algo que deve ser considerado em vários planos. Assim sendo, a “traduzibilidade” pode aplicar-se a vários planos: lexical, semântico-referencial, pragmático, estilístico, composicional ou seja referente aos processos de construção dos textos, relacional, afectiva, etc.

Para terminar a nossa digressão, reportamos que estudos contrastivos entre o inglês e o espanhol, e o espanhol e o português, no âmbito dos marcadores pragmáticos, evidenciam a possibilidade de tradução destes elementos, apresentado para o efeito classificações bilingues dos marcadores discursivos: por exemplo, Sáez (2003) para o inglês e o espanhol; Briones & Perez (2002) para o Português e o Espanhol.

Depois desta digressão, na perspectiva do nosso estudo empírico, importa sobretudo reflectir sobre se as considerações sobre a “traduzibilidade”, são relevantes de um ponto de vista geral, mas sobretudo do ponto de vista da nossa selecção das categorias de análise.

Comecemos pelo ponto de vista geral.

1. Os resultados dos estudos referidos anteriormente apontam no sentido de que os textos de carácter científico, em análises com o Coh-Metrix, são menos propícios aos inconvenientes de traduções de textos literários, pelo menos no caso de traduções do Português brasileiro para o inglês, analisadas igualmente com o Coh-Metrix.

2. Por outro lado, os resultados provenientes de fontes referidas por Vanderschueren (2007), permitem a esta mesma autora concluir que a “traduzibilidade” sintáctica do português para o espanhol ou vice-versa é bastante elevada. Recordamos que Wong ( citado por Vanderschueren, ibidem, p. 6) localiza as dificuldades tradutivas nas diferenças sintácticas que as línguas apresentam.

3. Vimos ainda que alguns autores, cujas investigações se desenvolvem no plano da pragmática, não só utilizam de forma sistemática os “corpora tradutivos”, como defendem esta metodologia.

4. Finalmente noticiámos a existência de classificações bilingues, referentes aos conectores.

Em nosso entender, estes pontos abonam em favor da validade e da fidedignidade dos dados de natureza pragmática, extraídos de “corpora tradutivos” constituídos por textos de carácter científico.

Quanto ao ponto de vista da nossa selecção de variáveis, importa assinalar antes de mais, que as nossas categorias são categorias que relevam da pragmática textual e, correspondem a

“actos de composição textual” (Kotschi, 1986) e segmentos discursivo-textuais com uma

função de cortesia ou de instauração de uma relação entre locutores e alocutários. Segundo este autor “COMENTAR e AVALIAR (assim como muitos outros, como por exemplo PARAFRASEAR, PRECISAR, TEMATIZAR, COMPLETAR) são de facto actos verbais de um tipo particular que denominamos “actos de composição textual” (p. 209). Kotschi (ibidem, p.211) acrescenta a estes actos, outros como JUSTIFICAR, EXPLICAR, COMPLETAR, REPETIR, RESUMIR, ACENTUAR (Intensificar) e porque não, na nossa perspectiva, MITIGAR (atenuar), MODALIZAR, PARENTETIZAR, REFORMULAR, etc. … Estes actos de composição textual denotam o esforço que o emissor investe para produzir o seu enunciado visto que para Kotschi (ibidem):

[…] a actividade do locutor está sempre dirigida para um parceiro, levada a cabo de modo a que esse parceiro possa com ela fazer a interpretação desejada, e organizada tendo em vista as suas possíveis reacções: dito de outra forma a produção do discurso não é apenas acção, mas interação. O discurso pode ser considerado como o produto de dois ( ou de vários) interlocutores, resulta de uma produção interactiva (p. 209). Numa perspectiva de construção do texto, interessa-nos sobretudo a localização discursivo- textual dos “actos de composição textual”. Isto não quer dizer que prescindamos totalmente dos aspectos linguísticos que intervêm na formulação desses actos. Consideramos antes que a localização destes actos goza de certa autonomia relativamente à formulação lexical e sintáctica.

Em suma, aquilo que nos parece, é que podemos identificar os “actos de composição textual”, sem colocar necessariamente na linha da frente a formulação lexical ou sintáctica. Importantes para essa localização são fundamentalmente os marcadores pragmáticos. Assim, mais importante do que a “traduzibilidade” da formulação lexical ou sintáctica, para nós é importante e determinante que exista uma total “traduzibilidade” do ponto de vista funcional dos segmentos discursivo-textuais que correspondem aos “actos de composição” e aos actos de fala. Em suma importa-nos que as versões tradutivas preservem:

 A matriz pragmático-textual e composicional da transcrição da língua fonte para a versão tradutiva.

 A matriz ilocutória, ou seja a matriz referente aos actos de fala, também na tradução da língua fonte.

 A matriz dos segmentos discursivo-textuais que têm uma função de figuração ou uma função de preservação ou instauração de um tipo de relação entre locutor e alocutário (s).

Se diligenciarmos para que essa “traduzibilidade” matricial se realize fielmente (tanto qualitativa como quantitativamente), na passagem para os “corpora tradutivos”, estaremos em condições de confiar que, os valores de validade e fidedignidade dos dados utilizados na nossa análise são preservados. Para tal, a investigação como dissemos, em certos casos, oferece-nos classificações bilíngues dos conectores pragmáticos.

Quanto aos processos cognitivos implicados na formulação de cada “acto de composição textual”, consideramos que eles são os mesmos para os locutores de qualquer língua.

Para tornarmos estas considerações mais evidentes, tomemos como exemplo algumas das nossas categorias de análise, que utilizamos para analisar a construção do texto pelo locutor.

Ex.: Plano do texto informativo/Dimensão: construção do texto/sub-dimensão: coesão textual/categoria de análise: conector coesivo.

Língua fonte:

Entonces la idea sería. ... tenemos que considerar que existen diferentes umbrales

Esquema: conector conclusivo (entonces) + ………….,…………

Língua alvo:

Esquema: conector conclusivo (Então) + ………

Nesta situação, o importante, para a nossa análise, é que na versão tradutiva, em posição inicial, conste o conector conclusivo “Então”, equivalente ao conector espanhol “Entonces”, de forma a conservar a matriz coesiva. É irrelevante, para a nossa análise, termos na versão tradutiva “devemos” , “ temos que” ou “é preciso”. Igualmente irrelevante seria termos “limites” em vez de “limiares”.

Ex.: Plano do texto informativo/Dimensão: construção do texto/sub-dimensão: complexidade estrutural das proposições derivada da estrutura linguística de superfície/categoria de análise: tipo de proposição.

Lingua Fonte (Oc= oração coordenada)

En este caso el sujeto llega al umbral de excitación [Oc1] pero no llega al umbral orgásmico [Oc2].

Esquema: Oc1 + pero+ Oc2

Língua alvo

Neste caso o sujeito chega ao limiar de excitação [Oc1] mas [CD-contrastivo]2 não chega ao limiar orgástico [Oc2].

Esquema : Oc1 + mas+ Oc2

Na presente situação, o importante para nós, é que, na versão tradutiva seja preservada a operação de coordenação do esquema da língua fonte, que indica estarmos ante uma proposição composta derivada de duas orações coordenadas.

Exemplo: Plano da relação interpessoal/Dimensão um: o trabalho de figuração ou imagem/categorias “FTA” e “FFA”.

Língua fonte:

1.

En el último día, recordad que estuvimos hablando de la los, de la experiencia del deseo sexual y de las posibles componentes desde el punto de vista psicológico de la experiencia del deseo…

2.

y entonces en el día de hoy vamos a comenzar pues analizando algunos de los aspectos y los procesos psicológicos

Língua alvo:

1. No último dia, lembrai-vos que estivemos a falar da, dos, da experiência do desejo sexual e das possíveis componentes desde o ponto de vista psicológico da experiência do desejo …

2. e então no dia de hoje vamos começar então analisando alguns dos aspectos e os processos psicológicos

Neste exemplo, o que interessa para a análise da dimensão considerada, são os dois marcadores sublinhados. Na língua fonte, a forma imperativa “recordad” introduz um acto de fala com intensidade ilocutória directiva, que constitui um FTA, já que constitui uma ameaça à “face” dos alocutários. Esta forma imperativa tem igualmente um valor de “relacionema” horizontal, porque estabelece uma distância entre o locutor e os alocutários. Tem igualmente o valor de “relacionema” vertical (taxema), porque indica que o locutor ocupa o “lugar” alto na relação assimétrica. O “vamos a” é um novo acto de fala igualmente directivo mas, mitigado. Em vez da forma imperativa o locutor utiliza “vamos” e não “vou”. Com esta mitigação restabelece-se o equilíbrio interacional que poderia ter sido abalado pelo acto de fala anterior com forte intensidade directiva.

Todos estes efeitos discursivo-textuais de cortesia e de instauração de um tipo de relação, estão preservados na versão tradutiva, porque se conservou a matriz pragmático-ilocutória da língua fonte, os efeitos de cortesia e o valor proxémico e taxémico dos segmentos discursivo-textuais. Para além da matriz pragmático ilocutória que envolve o “lembrai-vos” e o “vamos a”, a restante formulação lexical e sintáctica do resto do enunciado é de certa forma acessória.

Pensamos ter estabelecido as condições de validade e fiabilidade dos dois “corpora tradutivos” que sustentam o nosso estudo empírico.

Capítulo 4 – Questão investigada,