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Laboratorieundersøkelser

3.3 Utførte grunnundersøkelser

3.3.2 Laboratorieundersøkelser

NANOTECNOLOGIA EM FLORIANÓPOLIS

A academia é um agente fundamental no processo de inovação. Nela começa o processo de pesquisa e, muitas vezes, é na universidade que nascem importantes empresas.

Nesse sentido, julgou-se fundamental o conhecimento dos grupos de pesquisa da área de nanociência e nanotecnologia existentes na cidade de Florianópolis e a compreensão do seu ponto de vista com relação ao trabalho cooperado.

Inicialmente, realizou-se uma pesquisa exploratória em dados disponíveis nos endereços eletrônicos de universidades, CNPq e laboratórios de pesquisa para o levantamento dos principais laboratórios e grupos de pesquisa da área na cidade. Os dados foram corroborados nas entrevistas realizadas pelo grupo da parceria CERTI/Udesc e encontram-se no Apêndice D.

A autora deste trabalho visitou e entrevistou oito laboratórios do quadro apresentado, escolhidos aleatoriamente pela divisão entre o grupo de pesquisadores.

Para esse trabalho, o objetivo das visitas e entrevistas era a compreensão das atividades realizadas pelos laboratórios, suas competências, bem como a coleta de percepções dos entrevistados quanto ao trabalho cooperado e o interesse em participar de um cluster da área. Não se buscou, nessa etapa, a realização de uma análise quantitativa e probabilística, mas a apreciação qualitativa dos dados, a fim de se obter um panorama dos grupos.

As categorias de análise selecionadas para essa etapa foram: a. Competências dos laboratórios e grupos de pesquisa:

compreensão das áreas de atuação dos laboratórios com o intuito de identificar a complementaridade de competências para futuros projetos cooperados;

b. Principais fontes de recursos e demandas: levantamento das fontes de recursos dos laboratórios e grupos e identificação dos principais demandantes de pesquisas;

c. Principais parceiros: identificação dos principais parceiros dos laboratórios e grupos em nível acadêmico, industrial, governamental e no exterior;

d. Disposição em participar de projetos cooperados: identificação da vontade e propensão do laboratório em participar de projetos cooperados;

e. Principais dificuldades encontradas em parcerias: análise das percepções dos entrevistados quanto ao trabalho cooperado e parcerias;

f. Questões de propriedade intelectual: compreensão das principais dificuldades em questões de propriedade intelectual;

g. Geração de spin-offs: identificação da geração de novos negócios e empresas a partir dos estudos do laboratório. A seguir, serão detalhados os resultados obtidos na análise de cada uma das categorias apresentadas.

3.2.1 Competências dos laboratórios

As principais competências e áreas de atuação dos laboratórios encontram-se no Apêndice D. O conhecimento das competências de cada projeto permitirá ao cluster a possibilidade de articulação de projetos envolvendo diferentes laboratórios e empresas com competências complementares.

3.2.2 Principais fontes de recursos e demandas

As principais fontes de recursos dos laboratórios são órgãos do governo, como a FINEP, FAPESC, BNDS, CAPES e CNPq. Já os principais demandantes de pesquisas são em primeiro lugar a universidade/academia, seguida pelas empresas, nos laboratórios pesquisados. Foram apontados também como motivadores de pesquisas o governo, demandas internas e demandas de mercado (como a necessidade de estudos na área toxicológica).

3.2.3 Principais parceiros

Dentre os principais parceiros acadêmicos dos laboratórios pesquisados estão outros laboratórios da UFSC, universidades brasileiras e universidades no exterior. Com relação às parcerias entre laboratórios da própria universidade, alguns entrevistados apontaram a existência de cooperação no próprio departamento de origem enquanto outros afirmaram que não possuem parcerias em seu departamento, mas com laboratórios de outras áreas e competências, corroborando as ideias de Porter (2009) de que a cooperação não precisa ser necessariamente com agentes que sejam concorrentes diretos, mas com aqueles que possuam competências diferentes, a fim de se obter uma visão multidisciplinar. No caso das parcerias com universidades do exterior, além das pesquisas em conjunto, as parcerias consistem muitas vezes na troca de alunos para capacitação.

Além das parcerias acadêmicas, muitos laboratórios apontaram a existência de parcerias junto a empresas. As parcerias surgem,

geralmente, por parte de uma demanda ou problema identificados pela empresa, que procura a universidade para obter soluções. Neste caso, as pesquisas dos laboratórios que possuem parcerias com empresas costumam ser bastante aplicadas, já que partem de uma necessidade do mercado. Neste ponto, é possível verificar uma distinção entre os laboratórios com foco em nanociência e aqueles que trabalham com nanotecnologia.

Algumas parcerias são formalizadas, enquanto outras são apenas informais, variando muito de acordo com as partes envolvidas. Alguns entrevistados relatam a existência de parcerias de longo prazo, evidenciando que essas relações podem ser benéficas para os laboratórios.

3.2.4 Disposição em participar de projetos cooperados

Todos os entrevistados afirmaram estar dispostos a participar de projetos cooperados e de iniciativas que envolvam diferentes agentes de um setor, como no caso da criação de um cluster de nanotecnologia. Essa pré-disposição pode ser considerada algo muito positivo, mostrando que os entrevistados tem consciência da importância do trabalho cooperado para o alcance da inovação.

Alguns mostraram maior participação na prática em eventos como o “Workshop para o Planejamento do API Nano” e o “2º Simpósio Técnico-Empresarial de Nanotecnologia”. Além disso, todos assinaram o termo de adesão ao API Nano, no dia 13 de junho de 2013. 3.2.5 Principais dificuldades encontradas em parcerias

Dentre as principais dificuldades e reclamações apontadas pelos entrevistados para a realização de seu trabalho e para a consolidação de parcerias estão:

a. Problemas de infraestrutura: falta de espaço físico (alguns laboratórios precisam desligar um equipamento para poder utilizar outro), falta de boa estrutura de água, energia elétrica e um gerador (o que muitas vezes põe em risco as pesquisas);

b. Problemas administrativos e burocráticos: problemas logísticos, dificuldades na entrega de correspondências (que muitas vezes são materiais vivos e precisariam ser entregues com maior agilidade), necessidade da realização

de compras por licitações (que muitas vezes acarretam em perda de tempo);

c. Problemas de recursos humanos: falta de técnicos de alto nível e bem remunerados; doutores estão indo para o exterior em busca de melhores oportunidades; pesquisadores geralmente não são especialistas em nanotecnologia, já que esta é uma área multidisciplinar e nova;

d. Especificidades da área: nanociência e nanotecnologia são ainda temas muito novos, não se sabe tudo sobre a área e há deficiência na sua definição;

e. Ausência de legislação: material nano não é legislado no Brasil, dificultando sua utilização e comercialização; f. Propriedade intelectual: dificuldades no processo de pedido

de patentes.

3.2.6 Questões de propriedade intelectual

As questões de propriedade intelectual são apontadas como uma grande dificuldade na realização de parcerias. Alguns entrevistados, mais voltados para a nanociência, afirmam que não procuram registrar patentes por saberem que é algo complexo e que publicam seus resultados em congressos e revistas científicas.

Já entre os entrevistados que precisam lidar com essas questões, as principais dificuldades levantadas são a demora do processo e a falta de apoio da universidade. Um dos entrevistados comentou que no Japão conseguiu realizar um pedido de patente de forma bastante simples, em apenas um mês. Ele comenta ainda que a universidade poderia disponibilizar auxílio e assessoria em algumas etapas importantes, como a de redigir o texto dos pedidos de patente. Para isso, é importante a existência de um escritório de patentes com uma equipe especializada, com advogados, químicos, farmacêuticos e profissionais de diversas áreas e conhecimentos técnicos. Além disso, outra entrevistada sugeriu que a universidade revisse o esquema de sigilo de dissertações e teses, que é de apenas um ano atualmente.

Na opinião de dois entrevistados, a Lei Federal da Inovação criou burocracias desmotivando o processo e separando ainda mais a academia do mercado, fazendo com que as empresas recuassem. Eles explicam que as empresas querem obter algum benefício das parcerias e que o processo poderia ser mais eficiente.

Alguns entrevistados relataram ainda que firmam contratos entre os parceiros antes do início de um projeto, especificando questões de propriedades intelectuais, para minimizar problemas. Um dos laboratórios explicou que em seu novo modelo de contrato de propriedade intelectual, que realiza com uma grande empresa do estado, estão previstos o pagamento de prêmios, patentes ou percentuais para as partes envolvidas. O entrevistado comentou que o novo contrato demorou cerca de um ano para ficar pronto e que estes contratos costumam mudar de tempos em tempos, sendo que o último durou cinco anos.

3.2.7 Geração de spin-offs

Dentre os laboratórios entrevistados, a maior parte relatou que, embora não haja uma política formal para a geração de spin-offs, os alunos são incentivados a empreender. Apenas alguns laboratórios, no entanto, relataram a real criação de uma spin-off a partir de pesquisas do grupo, sendo que todos os casos tratam-se da mesma empresa, já que a fundadora realizou sua formação (mestrado e doutorado) em diferentes laboratórios.

Esses dados mostram que existe uma compreensão da importância da geração de novos negócios a partir dos conhecimentos gerados na academia, mas que a geração de spin-offs não é, ainda, uma prática comum.

Em geral, foi possível perceber que os laboratórios de pesquisa possuem consciência da importância do trabalho cooperado, sendo que muitos deles já atuam em projetos deste tipo, mas que existem alguns entraves que, se solucionados, poderiam facilitar essa atividade. No capítulo Proposições, serão apontadas possíveis ações para a solução de alguns problemas identificados nas visitas e entrevistas.