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XII. Lønninger og priser
Constatamos nas Referências Bibliográficas um total de 43 teóricos. Desses, trinta e oito possuem uma ocorrência, ou seja, são listados com uma obra; cinco são listados com duas obras (J.B.Freire, Ghiraldelli Jr., Goffman, Gramsci e Mazzota); e apenas um teórico é listado com cinco obras: Paulo Freire.
Diante disso, evidencia-se que o pesquisador recorreu preponderantermente a um teórico para interagir. Esse fato ocorreu também na introdução e nos capítulos, onde P.Freire esteve presente em muitos momentos, apoiando o pesquisador na construção da
dissertação. Nas Referências Bibliográficas, P. Freire supera inclusive aqueles teóricos que com ele estavam dividindo o maior número de ocorrências nesses partes da Dissertação — introdução e capítulos. Assim, o pesquisador quis que P.Freire estivesse também nas Referências Bibliográficas, revelando, assim, sua opção preferencial na interação.
2.5 Posições do pesquisador na interação com o outro
Seguindo o procedimento adotado na primeira Dissertação vamos retomar as questões que foram acrescentadas e apresentar as respostas encontradas a partir do trabalho desenvolvido com a segunda Dissertação.
2.5.1 Como o pesquisador integra o outro no contexto?
A integração do outro no contexto ocorre por meio do discurso citado e dos verbos que introduzem o discurso. Sobre esse último cabe dizer uma peculiaridade revelada pelo texto. A soma de ocorrência de discurso direto e indireto ultrapassa 1/3 da totalização dos verbos (151) utilizados pelo pesquisador Na segunda Dissertação. Isso conduz à interpretação de que a integração do outro ocupou uma parte significativa nesse Texto.
Quanto ao uso do verbo dicendi identificamos uma predominância do verbo colocar sobre os demais, inclusive em relação a outros verbos mais citados (analisar, enfatizar, observar e denunciar). O sentido dado ao verbo colocar pelo pesquisador é de “testemunha” que fala sobre um fato. O pesquisador em seu contexto denunciador da situação do aluno com deficiência visual, dá voz ao teórico para que este fale como testemunha de acusação.
2.5.2 Como o pesquisador justifica a integração do outro no texto?
A justificativa da integração do outro no texto ocorre pelo parâmetro da denúncia ou do panorama histórico. Na denúncia, também interpretado por nós como uma dimensão contextual, o pesquisador tece uma rede de casos e/ou fatos relacionados à “discriminação” e/ou “marginalização” ao aluno com deficiência visual e conta com os teóricos para “colocar” (reforçar, testemunhar) seu discurso a respeito desse assunto. Assim, o teórico é integrado no contexto com a finalidade de fazer time frente à denúncia construída pelo pesquisador.
Essa ação de linguagem ocorre de maneira semelhante no panorama histórico. Ao construir o panorama histórico da deficiência visual (ou dos “deficientes”), o pesquisador contou com o teórico. Pois ele encontrou na literatura aqueles teóricos que não só tratam desse assunto, mas o fazem com um tom desejado pelo pesquisador: o tom de alerta ou denúncia.
2.5.3 Qual o papel atribuído ao outro pelo pesquisador no texto?
O papel atribuído pelo pesquisador ao outro no texto é fundamentalmente de denunciador (polemizador). Como interpretado anteriormente, do conjunto de 56 verbos dicendi, os mais usados pelo pesquisador para introduzir o discurso do teórico no texto foram colocar e enfatizar para o discurso direto, e analisar e colocar para o discurso indireto. O contexto de uso deles nas cenas textuais é de “relato da testemunha de promotoria”, ou seja, de acusação. O teórico quando “coloca” o faz para “reforçar” ou o panorama histórico, ou uma situação de marginalização e discriminação, ou algo parecido. Vejamos um exemplo de como ocorre isso no Texto.
Neste sentido, Freire (1994:126) nos coloca que as crianças oriundas das classes populares, excluídas, têm o direito de
Crescer fisicamente, normalmente, com o desenvolvimento orgânico indispensável; crescer emocionalmete equilibrado; crescer intelectualmente através da participação em práticas educativas quantitativa e qualitativamente asseguradas pelo Estado; crescer no bom gosto diante do mundo; crescer no respeito mútuo, na superação de obstáculos que proíbern hoje o crescimento integral de milhões de seres humanos espalhados pelos diferentes mundos em que o mundo se divida, mas, sobretudo, no Terceiro. (p.45).
Esse papel de denunciador vem reforçar, na verdade, todo o trabalho do pesquisador. Pois logo na Introdução (p.7) ele formula os objetivos do seu texto que é analisar “várias formas de exclusão dos portadores de deficiência visual na Educação Física (...)” e as “alternativas de sua superação (...)”. O fato é que o texto se ateve às exclusões históricas. E o autor é integrado para com o pesquisador forma time de denunciadores dessa situação na sociedade brasileira.
2.5.4 Que posições o pesquisador assume na interação com o outro? As posições que o pesquisador assume na interação com o teórico são fundamentalmente duas, a de co-promotor e a de relator. Tanto numa como na outra, o pesquisador nunca está sozinho, ou seja, na cena em que acusa ou relata ele está sempre com um autor.
Na posição de co-promotor entendemos que o pesquisador não dá trégua para o panorama identificado numa situação histórica, social e pedagógica, e elaborado por ele no texto, a respeito do aluno com deficiência visual. Esse panorama é o “réu”. Ele acusa esse panorama de discriminação, marginalização e exclusão para com o aluno com deficiência visual. E na interação com os teóricos, o pesquisador
assume essa posição contando com o outro para reforçar o seu discurso acusativo.
Na posição de relator, o pesquisador usa a voz para apresentar a situação do aluno com deficiência visual. Para tanto, ele conta não só com os teóricos, mas com a sua experiência como professor de Educação Física. Junto com o teórico, o pesquisador aborda o que “viu” na literatura que fundamenta o seu trabalho e a sua vida profissional, e o que necessita mudar para solucionar a situação identificada.