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Lévy copulas characterize neither MTP2 nor CIS

Desde que CHAGAS (CHAGAS, 1910 apud CHAPADEIRO et al., 1985) descreveu a presença de arritmias cardíacas nas crianças acometidas pela doença e, naquela época, sugeriu o envolvimento vagal na doença. Posteriormente, juntamente com VILLELA (CHAGAS & VILLELA, 1922), confirmou este fato, após observar a falta de resposta cronotrópica com administração de atropina em chagásicos.

Nas décadas de trinta e quarenta foram descritas as lesões nervosas do plexo mioentérico (ORIA & RAMOS, 1949). Anos depois, KÖBERLE (1961) descreveu as alterações patológicas envolvendo o aparelho digestório, o coração e outras vísceras. Essas alterações caracterizaram-se por envolvimento dos plexos neurais intramurais e pela redução na quantidade de neurônios ganglionares parassimpáticos. Posteriormente esses achados foram confirmados (PRATA, 1999).

A partir de então, deu-se início a uma seqüência de estudos utilizando-se técnicas variadas de pesquisa da função autonômica (AMORIN et al., 1968, 1982; MANÇO et al., 1969; GALLO Jr. et al., 1975; 1987; MARIN-NETO et al., 1975, 1980, 1986, 1998; JUNQUEIRA Jr., 1985; SOUSA et al.,1987). Na época, as limitações de recursos tecnológicos, não impediram que aqueles pesquisadores identificassem o padrão de resposta deprimida da freqüência cardíaca e da pressão arterial nos indivíduos chagásicos. Eles utilizaram, muitas vezes, de medidas invasivas com utilização de drogas injetáveis.

No laboratório cardiovascular da UnB, vários estudos da função autonômica com a utilização de técnicas simples de medidas da variabilidade dos intervalos R-R do eletrocardiograma, têm identificado diversos graus de acometimento da função autonômica, em todas as formas clínicas da doença de Chagas (JUNQUEIRA Jr. & VEIGA, 1984; JUNQUEIRA Jr. et al., 1987,1988; JUNQUEIRA Jr. & SOARES, 2002;

28 JUNQUEIRA Jr., 1990). A conclusão desta série de estudos foi que, a disfunção autonômica cardíaca estava manifesta em diversos graus, em pacientes com e sem expressão da doença.

Apesar das evidências descritas, o grupo da Universidade do Los Andes na Venezuela publicou alguns estudos, cujos resultados não confirmam o envolvimento precoce do SNA. Eles sugerem que a disfunção autonômica cardíaca na doença de Chagas não estaria presente nos pacientes sem disfunção cardíaca e sim, somente naqueles em que a doença encontra-se em estágio avançado, como nas demais cardiopatias (DÁVILA et al., 1988; 1998; GUERRERO et al, 1991). MARIN-NETO (1998) comentou algumas das afirmações de DÁVILA e colaboradores (1998). MARIN-NETO (1998) concorda que a disfunção autonômica, sobretudo a cardiopatia parassimpaticopriva, sugerida por KÖBERLE (1968), não seja responsável pelo desenvolvimento da cardiopatia chagásica, mas afirma que a desnervação ganglionar, mesmo que em grau variável, é um fato (LOPES & CHAPADEIRO, 1983). Discorda ainda, da afirmação de que os pacientes com megaesôfago e megacolo não apresentam disfunção autonômica. Existem estudos que comprovam esta disfunção (AMORIN et al, 1982; SOUSA et al., 1987). Contudo, recentemente, foi publicado, também por pesquisadores da Venezuela (OCTAVIO et al., 2004), estudo em que o perfil circadiano e a VFC estariam preservados em pacientes chagásicos portadores da forma indeterminada da doença. E sugerem que os diferentes resultados poderiam estar ligados às diferenças geográficas e o tipo de progressão da doença. Na forma indeterminada, alguns dos nossos autores não evidenciaram a presença da disfunção autonômica, quando o estudo foi realizado na área endêmica (RESENDE et al. 2003; CORREIA FILHO, 2000).

29 Embora tenha ganhado força inicialmente, a teoria neurogênica tem sido questionada como base patogênica para o desenvolvimento da cardiopatia. A base atual para a explicação da patogenia da cardiopatia chagásica é a miocardite fibrosante, com grau de acometimento e evolução variáveis. Esta teoria não sugere que a disfunção autonômica cardíaca tenha uma relação direta com disfunção contrátil (MARIN-NETO, 1998; MARIN-NETO et al., 1998; 1999; 2000).

Outro aspecto intrigante da cardiopatia chagásica é a morte súbita, que é responsável por um a dois terços das mortes dos indivíduos acometidos pela doença. Destes pacientes acometidos, um terço a um quinto são assintomáticos, sem alterações ao exame clínico ou à radiografia de tórax. E mais raramente o eletrocardiograma é normal (BESTETTI et al., 1993). Estes aspectos sugerem que a morte súbita pode ser a primeira manifestação da doença. Os pacientes chagásicos com a forma indeterminada apresentam um risco aumentado de morte súbita, embora seja um evento raro. Dentro deste grupo, o comportamento não é uniforme e, até o momento, carece de elementos marcadores que identifiquem os indivíduos com risco real aumentado de desenvolverem morte súbita (RIBEIRO & ROCHA, 1996). A disfunção autonômica cardíaca tem sido responsável por mecanismos desencadeantes de arritmias potencialmente fatais nos indivíduos chagásicos cardiopatas (DIAZ et al., 2001). A importância da definição do estado autonômico cardíaco vem do seu possível papel na gênese da morte súbita nesses pacientes (JUNQUEIRA Jr., 1991). Com base em várias evidências obtidas em estudos clínicos e experimentais, a disfunção autonômica cardíaca, em cima de um substrato patológico inflamatório e/ou cicatricial, teria um papel fundamental na arritmogênese (JUNQUEIRA Jr., 1991; BAROLDI, et al., 1997). Paradoxalmente, parece que, teoricamente, quanto mais sutil a disfunção, como ocorre na forma indeterminada da doença, maior o risco do

30 desenvolvimento de arritmia fatal, e quanto mais severa a disfunção autonômica, como nas formas digestivas e cardiodigestivas, menos suscetível ao desenvolvimento dessas arritmias estaria o indivíduo (JUNQUEIRA Jr., 1991; JESUS, 2000; JUNQUEIRA Jr., 2006).

Apesar dos mais de quarenta anos acumulados em pesquisa da função autonômica em indivíduos portadores da doença de Chagas, o seu significado clínico e fisiopatológico ainda não está bem esclarecido. É possível inferir, que a disfunção autonômica seja um elemento colaborador, e não causador direto, na progressão da doença. É tentador relacionar a disfunção autonômica, associada ao substrato patológico, na gênese de eventos arrítmicos e, possivelmente, com morte súbita, frequentemente encontrada na doença de Chagas (JUNQUEIRA Jr., 2006).

Desta forma, estudos da função autonômica em indivíduos chagásicos nas suas diversas formas e em diversos estágios da doença têm sido realizados com a finalidade de identificar elementos que, precocemente, possam indicar os indivíduos com risco de evoluir para a forma clínica definida e (ou) desenvolver morte súbita.