4.1 Tilfeldig, usystematisk og ikke i dialog med personalet
4.1.2 Læring er individets ansvar og skjer tilfeldig
Objetivando traçar o perfil socioeconômico do residente, para analisar a natureza da urbanização em curso, obtivemos a informação por meio das entrevistas realizadas que 53,33% dos entrevistados nasceram em Tibau; e que 46,66% migraram dos estados do Ceará, Paraíba, São Paulo e das cidades potiguares Grossos e Mossoró.
Conforme os entrevistados, o objetivo da imigração se deve à busca de uma melhor qualidade de vida; de oportunidade de emprego e a questões familiares (estas relacionadas a matrimônios). A migração justificada pela busca de qualidade de vida se mostrou expressiva nos 37,50% dos entrevistados, sendo estes representados principalmente por aposentados vindos de Mossoró, que recebem os filhos e netos nos finais de semana. Essa nova realidade nos aponta para o fato de que a expansão urbana no território litorâneo em estudo vem se dando em novos patamares de motivações.
Percebemos que Tibau se impõe na rede urbana regional como centro urbano que vem proporcionando uma melhor qualidade de vida pela sua excelência ambiental, com clima ameno, por estar no litoral, como também por proporcionar oportunidade de emprego relacionado com o Lazer e o Turismo, sendo o Setor de Comércio e Serviços o grande empregador nos períodos de alta estação (férias do final do ano), como relatado por uma entrevistada emigrante de São Paulo que, em busca de qualidade de vida, constituiu negócio próprio na cidade de Tibau – um salão de beleza – e está realizando um grande sonho: morar em uma praia do nordeste brasileiro.
A evolução tecnológica e comunicacional, oferecendo assim maior mobilidade no/do espaço, gera uma maior continuidade espacial entre os municípios e os estados, favorecendo o processo de migração em curso que vem ocorrendo na cidade litorânea.
Gráfico 1 – Motivação da migração para Tibau
Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.
Dos residentes entrevistados, há uma estabilidade no âmbito da moradia, pois 86,66% possuem a propriedade de seu domicilio; 6,67% alugam-no e 6,66% representam casas doadas para trabalho (Gráfico 2).
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Gráfico 2 – Situação do domicílio
Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.
A geração de renda das famílias de Tibau está relacionada, em ordem decrescente, com a aposentadoria, o emprego municipal e o Setor de Comércio e Serviços, respectivamente. Dos entrevistados 91,30% trabalham em Tibau e os outros 8,68%, no estado
0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 Oportunidade de trabalho
Questão familiar Em busca de melhor qualidade de vida 25,00 25,00 37,50 % 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00
Herança Compra Alugada Doada Mora na casa que trabalha 13,33 73,33 6,67 3,33 3,33 %
do Ceará. A economia local, dependendo da aposentadoria e do poder público municipal como o grande empregador do município, faz-nos refletir sobre a fragilidade econômica do município, devido a sua frágil geração de riqueza, passando a sobreviver principalmente de repasses federais. Também destacamos os entrevistados que se autodenominam de
“autônomos”, “sem vínculos empregatícios”, que se empregam em atividades relacionadas
com serviços de auxiliar de cozinha, jardineiro, auxiliar de serviços gerais, todos atrelados ao período de alta estação, representando uma renda que auxilia as despesas ao longo de todo o ano, conforme os entrevistados.
Ressaltamos ainda novas atividades relacionadas à fruticultura e à perfuração e manutenção de poços de petróleo atividades produtivas que vem capacitando sua mão de obra e se encontra em expansão. Já a pesca e a agricultura se encontram em processo de decadência, devido à dificuldade enfrentada pela escassez de peixes e à falta de recursos para investir na agricultura, mas também devido a novas outras possibilidades de emprego em atividades no Setor de Comércio e Serviços, quer seja em bares, quer seja como zeladores nas casas dos vilegiaturistas.
A sazonalidade imposta pela prática da vilegiatura marítima aos residentes é um fator limitante para o desenvolvimento local. Quando os entrevistados foram indagados sobre se ocorria algum tipo de interferência em suas atividades com a chegada do período da alta estação, 86,96% responderam que sim e apenas 13,6% afirmaram não. Todavia, tanto para aqueles quanto para estes, a interferência é tida como extremamente positiva, no sentido de se ter a economia local aquecida com a permanência de uma população flutuante durante três meses seguidos, gerando um aumento das vendas no comércio local e mais emprego no Setor de Serviços. Estes dados demonstram, porém, as características de uma cidade marcada por temporalidades, pois a sua realidade é subvertida de forma perversa, uma vez que, no período fora da alta estação, tem-se uma drástica retração da economia local, com a diminuição de emprego e o fechamento de estabelecimentos, ficando boa parte da população local ociosa.
A cidade tem sua economia aquecida na alta estação, com a chegada dos vilegiaturistas, que, embora tragam seus produtos de Mossoró, sempre recorrem ao comércio local. Já na baixa estação, diminui o número de estabelecimentos de comércio e serviços que contam com o consumo da população local, a qual se mostra insatisfeita, quando se queixa da carestia, o que a leva a preferir se deslocar para Mossoró, por lá haver uma maior diversidade de preço e produtos, passando a comprar produtos desde alimentação aos de higiene pessoal e limpeza.
Também fez parte do processo investigativo de nossa pesquisa verificar se havia o hábito dos residentes de alugar seus domicílios no período de alta temporada, para a geração de uma renda alternativa para a família. Obtivemos como resposta, conforme o Gráfico 3, que 80,77% nunca alugaram seu imóvel, embora tenhamos percebido que a população local vem aos poucos investindo neste item, principalmente quando se possuem duas casas, alugando-se uma delas, ou então na compra de terrenos, a preços módicos e parcelados, em loteamentos clandestinos que vêm se proliferando na zona periférica do município às margens da RN-13, vislumbrando uma valorização no futuro com a implantação de infraestrutura.
Gráfico 3 – Entrevistados que alugam seus imóveis para vilegiaturistas
Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.
Tibau, objetivando crescer com a atividade econômica do Turismo, possui uma barreira para transpor: melhorar o nível de escolaridade de sua população. Dentre os entrevistados, foi verificado que 70% não possui o segundo grau completo, conforme apresenta o Gráfico 4. Tais dados remetem para uma realidade que dificulta muito o desenvolvimento econômico da cidade e contribui para diminuir a mobilidade socioeconômica da população. 0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00
Raramente Sempre Nunca
11,54
7,69
80,77 %
Gráfico 4 – Apresenta o nível de escolaridade dos entrevistados em Tibau/RN
Fonte: Pesquisa realizada no Município de Tibau – Trabalho de Campo 2012.
O tipo de lazer praticado em Tibau pelos residentes é ir à praia, para tomar banho, caminhar, frequentar as barracas, utilizando-se dos serviços de alimentos e bebidas, e para a prática de esporte. No entanto 23,33% dos entrevistados – um percentual significativo -
afirmaram “não ter lazer em Tibau”. Em trabalho de campo, foi verificada a falta de gestão do
poder público local com relação à cultura e ao lazer de seus munícipes. Estes não dispõem de quadras de esporte, nem de praças recreativas bem estruturadas nem tampouco de áreas coletivas que possam aglutinar pessoas em eventos culturais, dentre outros. Apenas, quando se aproxima o período de alta estação, principalmente quando o Carnaval passa a ser uma extensão das férias, dá-se o deslocamento de uma infraestrutura de show para Tibau, inclusive muito apreciada por parte dos residentes, que participam da festa, a qual representa uma forte característica da municipalidade. O que nos faz concluir que os residentes tem acesso ao lazer por ocasião da chegada dos vilegiaturistas, isto é, o lazer também se constitui como uma prática sazonal.