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3. Metode

3.5 Kvantitativ metode

O caso da Volkswagen do Brasil, no qual se estuda o desenvolvimento do motor de 1000cm3, ilustra uma situação de inovação que, apesar de sua extensão, pode ser enquadrada como incremental, no sentido de que não trouxe nenhuma revolução tecnológica. Estudar um caso desta natureza é importante porque, ao contrário do que parece à primeira vista, a maior parte da evolução da tecnologia se faz sem que

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haja grandes rupturas, ou seja, mantêm-se os conceitos básicos, mas opera-se de forma mais eficiente como conseqüência de mudanças nos processos.

Este caso ocorreu num momento particularmente delicado do ponto de vista de estratégia de negócio: na primeira metade dos anos 90, como conseqüência da Auto Latina (uma joint-venture com a Ford, formada na década anterior), os veículos de 1000cm3 com marca Volkswagen eram equipados com motores produzidos pela Ford, cujo desempenho não era compatível com a tradição da montadora alemã. A falta de um motor ajustado às expectativas do consumidor fiel à marca estava fazendo com que a empresa perdesse terreno no segmento de low-end, ou seja, veículos mais baratos, de apelo popular. A mudança na política tributária, que concedeu grandes vantagens fiscais para veículos com motores de até 1000cm3, abrira um flanco para que a concorrência (principalmente a Fiat, que se adiantou no lançamento de veículos com este tipo de motorização), passasse a conquistar market

share, às custas de menor participação da Volkswagen, que até então sempre

ocupara uma folgada liderança em vendas no Brasil.

Em meados dos anos 90, após sucessivos anos de dificuldades para ambos os lados, a Volkswagen e a Ford decidiram dissolver a Auto Latina. Isto fez emergir um problema ainda maior: se antes a Volkswagen contava com um motor deficiente, logo ela passaria a não mais contar com motor algum no segmento dos 1000cm3, pois não havia um propulsor de pequena cilindrada que substituísse, no curto prazo, o modelo Ford então em uso.

Além desta mudança no cenário nacional, é essencial enfatizar que foi no início dos anos 90 que se consolidou de fato a globalização no setor automobilístico. Antes, as empresas eram globais, mas os modelos e a produção era local. Hoje, os modelos são globais e a produção é, em larga escala, uma operação internacional amparada por forte esquema logístico de intercâmbio entre diversas fábricas, com projetos globais, suprimentos globalizados etc.

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Isto tudo somado, em 1995 a Volkswagen viu-se diante da imperiosa necessidade de viabilizar, no curto prazo, um motor de 1000cm3 para seus veículos populares. As grandes inovações, neste caso, foram as seguintes:

• Engenharia por equipes virtuais: o novo motor foi projetado por equipes

dispersas pelas diversas unidades da Empresa, localizadas em diferentes países. Isto exigiu o desenvolvimento de uma nova infra-estrutura de comunicações e de sistemas de informação;

• Fábrica totalmente integrada à engenharia de produtos: foi construída, em

tempo recorde, uma fábrica de motores para suprir a necessidade identificada e, adicionalmente, produzir alguns outros tipos de motores mais potentes, para utilização em outros modelos de veículos. Tal fábrica é integrada à engenharia de produto, com mínima intervenção humana e elevada produtividade.

4.1. Resultados tangíveis

Conforme se descreve detalhadamente no Anexo 1, foram obtidos os seguintes resultados, de acordo com a visão de Slack [1993] e Noble [1995]:

• Redução do ciclo de produção, com ganhos de até 3:1, ou seja, diminuição de até

65% no período decorrido desde o início até a efetiva liberação para sua instalação no automóvel;

• Ganho de qualidade: a nova fábrica atingiu um padrão de classe mundial,

compatível com as mais avançadas unidades de Volkswagen no exterior;

• Redução de custos, principalmente em função das já citadas redução de ciclos e

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de produção dos motores é crítico, uma vez que o consumidor é muito sensível a variações no preço do produto final;

• Flexibilidade, uma vez que a nova fábrica produz não só motores de 1000cm3,

mas toda uma linha de propulsores com capacidade até 2000cm3, incluindo-se algumas versões turbo;

• Ganhos intangíveis, ligados à imagem institucional, uma vez que a nova

motorização, de melhor desempenho e economia, reposicionou os veículos da marca como líderes no segmento dos chamados carros populares, observando-se a recuperação do market-share.

4.2. Reflexos na estratégia

Em termos de estratégia de negócio, o projeto do novo motor e a construção da nova fábrica possibilitaram à Volkswagen a reconquista de um terreno que, aos olhos de um observador externo, pareceria irremediavelmente perdido. Os principais aspectos a destacar, neste caso, são:

• Diferenciação do produto, que reforça os laços de fidelização do cliente, em

especial devido ao imediato reconhecimento das qualidades do novo motor por parte da mídia especializada, que logo o qualificou como o melhor desempenho nos veículos da categoria popular;

• Criação de laços de dependência nos fornecedores, uma vez que todos os

processos foram desenhados de forma tal que há uma significativa integração da fábrica de motores a seus fornecedores. Esta dependência (que não deve ser confundida com uma relação de domínio, pois trata-se de um processo bastante simbiótico) é intensificada pela localização geográfica da fábrica, em São Carlos,

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uma vez que a maioria dos parceiros tem poucas ou nenhuma opção em termos de clientes alternativos;

• Barreira a novos ingressantes: apesar de este caso relatar, como dito no início

desta seção, uma melhoria incremental e não uma revolução tecnológica, o salto qualitativo obtido pela empresa foi tão significativo que, por vários anos, o novo motor permaneceu como referência de qualidade, desempenho e economia de combustível. Na verdade, falar de “novos ingressantes” no setor automobilístico requer cautela, pois a barreira já existe naturalmente, dado o imenso aporte de capital necessário para se iniciar uma operação neste segmento. Entretanto, a iniciativa relatada acaba agindo como um desestímulo para os concorrentes já existentes, especialmente no caso daqueles que ainda não atuam no segmento dos motores de 1000cm3 (caso, entre outros, da Toyota e da Honda).

Os três aspectos estratégicos acima chamam a atenção em especial pela sua consistência, quando analisados numa perspectiva de longo prazo, principalmente em termos de imagem institucional. Passados vários anos, aquele novo motor continua associado, na mente do público e na imprensa especializada, como paradigma de desempenho e economia.

Cabe enfatizar também que, conforme já mencionado, os vultosos investimentos realizados pela Volkswagen na construção da nova fábrica de motores em São Carlos continuam representando um diferencial e uma barreira para seus concorrentes.

Finalmente, é oportuno mencionar que o relacionamento com fornecedores permaneceu virtualmente imutável, o que vem assegurando, à empresa, condições de preço favoráveis e, acima de tudo, uma intensa colaboração na busca por melhorias incrementais contínuas.

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