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Kvalitetsreformen og resultatbasert forskningsfinansiering

In document Tilstandsrapport for UH-sektoren 2008 (sider 98-101)

A Igreja Católica teve um papel ativo na luta contra a ditadura e no fomento da organização popular e formação de movimentos sociais no Brasil. O histórico de atuação da Igreja Católica no São Francisco está particularmente vinculado à sua ala progressista (Teologia da Libertação). Sua presença no Nordeste brasileiro é bastante significativa, tanto pela atuação nas históricas épocas de secas, quanto pelo trabalho das Pastorais e das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs. Inseridas numa conjuntura de renovação da ação pastoral, as CEBs, na década de 1970, multiplicaram-se no campo e na cidade e foram importantes espaços de formação comunitária e política18. Muitos ativistas, profissionais e militantes que hoje atuam em ONGs, sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais participaram das CEBs. A igreja participa do Fórum a partir da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, da Cáritas Brasileira e da Comissão Pastoral da Terra – CPT. O mapa a seguir mostra a divisão do estado da Bahia pelas áreas das dioceses, que são as áreas de atuação da igreja católica.

A CNBB Nordeste 3, que atua nos estados da Bahia e Sergipe, sempre manifestou preocupação com a situação de pobreza no São Francisco, além da própria temática da água ser um símbolo importante para a mística cristã. O representante da CNBB no Fórum era o bispo de Barra/BA, Dom Luiz Flávio Cappio, que, entre outubro de 1992 e outubro de 1993, com mais três pessoas19 realizou uma expedição de cunho religioso, ecológico e social por todo o rio São Francisco, com o objetivo de: (1) conhecer e registrar a situação em que se encontrava o rio São Francisco e sua população, principalmente após os grandes projetos de desenvolvimento e (2) mobilizar as comunidades ribeirinhas a partir de atividades de sensibilização. Como relata Cappio, Martins e Kirchner (2000, p. 18): “Queremos aprender com as populações ribeirinhas o amor ao São Francisco e, neste diálogo, criar a força necessária para preservá-lo”.

O propósito da peregrinação foi explorar o significado do rio São Francisco como fonte de vida, a partir da ótica dos que viviam a sua degradação, que ainda continuavam excluídos dos processos de desenvolvimento. Os quatro peregrinos, num barco, paravam

18

Alguns temas de encontros das CEBs: Igreja, Povo que se liberta (1978 – Paraíba); Igreja, Povo unido,

semente de uma nova sociedade (1983 – Ceará). 19

Dom Luiz Flávio Cappio (Frei franciscano), Irmã Conceição Tanajura Menezes (Freira franciscana), Orlando Rosa de Araújo (pequeno agricultor) e Adriano dos Santos Martins. Esta expedição está registrada em livro. Ver Cappio, Martins e Kirchner (2000).

em várias cidades e discutiam os problemas, como: desmatamento, poluição das águas, barragens e irrigação (ibid, p. 77-80). Para o assessor da CPT “nunca se envolveu tanta gente num discurso muito simples – Rio vivo, povo vivo. Rio morto, povo morto”. Na sua avaliação, “ficou desse trabalho da peregrinação um apelo à mobilização cultural, política e religiosa”. Além de debates com a população local, a peregrinação também gerou várias propostas de políticas: discussões amplas sobre as consequências dos projetos de desenvolvimento, redução da degradação ambiental, aumento da fiscalização e implantação de novas políticas (ibid, 81-82). O ministro do meio ambiente da época, Rubens Ricupero, chegou a receber pessoalmente os peregrinos, o que acabou gerando um acordo, conforme relata um dos peregrinos (12/04/08):

Até então a idéia de que o São Francisco estava ameaçado de morte era de um grupo pequeno de pessoas mais diretamente ligadas com a questão, que tinha noção da gravidade dos problemas ambientais e sociais no Vale do São Francisco. A peregrinação serviu para dar visibilidade a isso. Então veio aquele Pacto pela Vida do Rio São Francisco, Fernando Henrique com os governadores, o Ministro do Meio Ambiente na época, que era do Itamar Franco, o Rubens Ricupero, quando finalizamos a peregrinação.

Esta peregrinação fora articulada um ano antes, pela rede de paróquias e dioceses, além de ter sido apoiada por ONGs. O modo de atuação durante a peregrinação é uma característica peculiar da metodologia de trabalho dos organismos da igreja católica: caminhadas, procissões, atos religiosos em torno do rio, utilizando a simbologia da água como fonte de vida, inserindo elementos de análise política e produzindo documentos que comunicassem aos órgãos públicos as situações-problema evidenciadas na peregrinação.

O outro organismo católico que faz parte do Fórum é a Cáritas Brasileira. Criada em 1956, pelo bispo Dom Helder Câmara, tem a função de articular as ações sociais da igreja católica por meio do desenvolvimento de programas temáticos (Economia Popular Solidária, Segurança Alimentar e Nutricional; Infância e Juventude, Políticas Públicas, Controle Social e Mobilização Popular). Sua representação no Fórum é a Cáritas Regional Nordeste III, responsável pela articulação de mais de 20 entidades-membro.

A decisão da Cáritas de participar do Fórum está relacionada a um conjunto de fatores. Em 1999, foi criado o Programa de Convivência com o Semiárido, com o objetivo de ter uma ação mais sistemática e continuada na região20. A Cáritas já tinha experiência em

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Objetivo do Programa: Melhorar as condições de vida das famílias residentes no semiárido brasileiro, através da conquista de políticas públicas que garantam o abastecimento de água de boa qualidade para consumo humano e para a pequena produção; a gestão sustentável de recursos naturais; a melhoria de renda através do acesso a informações e recursos para produção apropriada; a segurança alimentar e nutricional; e o desenvolvimento de conhecimentos e práticas para a convivência com o semiárido (CÁRITAS, 2009).

construir cisternas para captação de água de chuva e, juntamente com cerca de 700 organizações, constituiu, também em 1999, a Articulação no Semiárido Brasileiro – ASA, que é a responsável pela execução do Programa 1 Milhão de Cisternas – P1MC, com recursos do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome21. Ao mesmo tempo, a Cáritas considerava o São Francisco como uma área prioritária de ação, já que na região vivia uma grande população à margem do desenvolvimento.

A CPT Bahia foi criada em 1976 e é uma pastoral social que atua diretamente com as questões ligadas ao acesso à terra no Brasil: violência no campo, pobreza e combate ao trabalho escravo. Nesse sentido, o São Francisco sempre foi um território de atuação, particularmente o Médio e Submédio, que viveram intensos processos de especulação fundiária e expropriação de trabalhadores rurais, povos e comunidades tradicionais. Desde 2005, a CPT Bahia executa juntamente com o Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP, o projeto Articulação Popular pela Revitalização, que atua em toda a bacia, “tendo as populações da bacia como protagonistas de ações e pressões por verdadeira revitalização, de uma outra economia e outra ecologia” (SIQUEIRA, 2008, p. 1). Também participante e fundadora da ASA, a CPT faz parte de vários outros Fóruns e Redes da sociedade civil.

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