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Kvalitative forandringer

In document GAMLE HUS DA OG NÅ (sider 48-53)

Na canção para crianças, a metacanção tematiza a enunciação apresentando-a também a partir de uma outra estrutura própria da cultura lúdica infantil, a narrativa. As canções abaixo exemplificam essa ocorrência.

Acordei com o pé esquerdo / Calcei meu pé de pato / Chutei o pé da cama / Botei o pé na estrada / Deu um pé de vento / Caiu um pé-d'água / Enfiei o pé na lama / Perdi o pé de apoio / Agarrei num pé de plante / Despenquei com pé descalço / Tomei pé da situação / Tava tudo em pé de guerra/ Tudo em pé de guerra / Pé com pé, pé com pé, pé com pé / Pé contra pé / Não me leve ao pé da letra / Essa história não tem pé nem cabeça / Vou dar no pé/ Pé quente / Pé ante pé/ Pé rapado / Samba no pé/ Pé na roda / Não dá mais pé/ Pé chato / Pega r no pé/ Pé de anjo / Beijar o pé/ Pé de meia / Meter o pé/ Pé-de-moleque / Passar o pé/ Pé de pato / Ponta do pé/ pé de chinelo / Bicho de pé/ Pé de gente / Finca r o pé/ Pé de guerra / De orelha em pé/ Pé atrás / Pé contra pé/ Pé fora / A pé/ Pé frio / Rodapé/ Pé (“Pé com pé”, Sandra Peres / Paulo Tatit, por Palavra Cantada, 2005).

Preste atenção que eu vou contar / A história de uma menininha / Seus cabelos enroladinhos / Seus olhinhos tão pequenininhos / Que sorrisso doce, que beleza! / Ela é uma princesa, cheirinho de flor, / É feita de amor, lindinha, / Perfeitinha, oooh! / Ela gosta de música ! Solta o som, / Solta o som! / Dança, dança, dança / Maria dança e te convida pra dançar! / Pula, pula, pula / Maria pula e te convida pra pular! / Roda, roda, roda / Maria roda e te convida pra rodar! / Canta, canta, canta / Ma ria canta e te convida pra canta r! / Maria dança, Maria pula, / Maria roda e te convida pra rodar! / Maria canta, Maria brinca, /

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Vamos brincar, tirar o pé do chão (É!) / Vamos brincar, tirar o pé do chão / Já começou a nossa brincadeira / É pique, pique alto / É pique, pique alto / Se tocar o pé no chão, cuidado! / É pique, pique alto / É pique alto / Você tem que escolher um lugar (É!) / Bem longe e no alto pra ninguém te pegar / Depois de um tempo tem que trocar (Vai!) / Correr pra outro canto, tem que se ligar / Se bobear, vão te pegar / Corre, corre, muda de lugar / Tem que fugir! Tem que pegar! Vamos brincar! / Já começou a nossa brincadeira / É pique, pique alto / É pique, pique alto / Se tocar o pé no chão, cuidado! / É pique, pique alto / É pique alto / Não pode muito tempo esperar (Não!) / Se fugir correndo, consegue escapar / Você tem que sair do lugar (Sai!) / Senão o pegador é quem vai ganhar” (“Pique Alto”, Vanessa Alves / Ary Dias Sperling / Leonardo Reed Sperling, por Xuxa, 2007).

54“Parara / Paratiparara / Paratiparara / Paratipara ra / Perere / Peretiperere / Peretiperere / Peretipererere / Piriri / Piritipiriri / Piritipiriri / Piritipiriri ri / Pororo / Porotipororo / Porotipororo / Porotiporororo / Pururu / Purutipururu / Purutipururu / Purutipuru ru ru / Vou te ensinar uma brincadeira, e essa vai pegar (Paratiparara) / Junte a mão direita com a mão esquerda / E desse jeito a gente vai brincar / Chama a galera, que a festa já vai começar (Paratiparara) / Uma vogal pra cada verso / Vai ser um sucesso / E chama todo mundo pra cantar” (“Paratiparara”, Vanessa Alves / Pe Lu, por Xuxa, 2013)

Brinca e te convida pra brincar! / Maria canta, canta, canta / Maria brinca, brinca, brinca / Maria corre, pula, corre Maria! / 1,2,3 E vai! / Dança, dança, dança, dança, dança / Ooooooooooooooh! / Pula, pula, pula, pula, pula / Ooooooooooooooh! / Maria canta, Maria dança! / Vai Maria! (“Maria dança”, Gislaine / Mylena, por Aline Barros, 2014).

Cinco patinhos foram passear / Além da s montanhas / Pa ra brinca r / A mamãe gritou: Quá, quá, quá, quá / Mas só quatro patinhos voltara m de lá. / Quatro patinhos foram passea r / Além das montanhas / Para brincar / A mamãe gritou: Quá, quá, quá, quá / Mas só três patinhos voltaram de lá. / Três patinhos foram passear / Além das montanhas / Para brincar / A mamãe gritou: Quá, quá, quá, quá / Mas só dois patinhos voltaram de lá. / Dois patinhos foram passear / Além das montanhas / Pa ra brincar/ A mamãe gritou: Quá, quá, quá, quá / Mas só um patinho voltou de lá. / Um patinho foi passear / Além das montanhas / Para brincar / A mamãe gritou: Quá, quá, quá, quá / Mas nenhum patinho voltou de lá. / "Puxa, a mamãe patinha ficou tão triste naquele dia / Aonde será que estava m os seus filhotinhos? / Mas essa história vai ter / Um final feliz, sabe por quê?" / A mamãe patinha foi procurar / Além das montanhas / Na beira do mar / A mamãe gritou: Quá, quá, quá, quá / E os cinco patinhos voltaram de lá. (“Cinco patinhos”, Cook Murray James / Fatt Jeffrey / Field Anthony Donald / Page Gregory John. Versão: Vanessa Alves, por Xuxa, 2000).

Por meio dos trechos grifados, podemos observar que o locutor trata de identificar as canções enquanto narrativas. Desse modo, assim como as três canções anteriores, a tematização não é acerca do discurso literomusical de modo geral ou do gênero canção, mas sobre a cena construída textualmente. O locutor faz questão de apresentar a enunciação recorrendo a uma estrutura da cultura lúdica infantil a fim de mostrar-se adequada e atrativa para o público alvo. Ao fazer essa apresentação, o locutor constrói para si a imagem de um contador de história, enquanto que para o interlocutor, atribui a imagem de ouvinte. Sendo o contador, o locutor mostra-se, portanto, como aquele que detém sabedoria, experiência, domínio sobre a linguagem, capacidade de entreter o público etc.. Já ao ouvinte cabe o papel de estar atento, de se divertir, de aprender e, posteriormente, até ser ele próprio o contador de história.

Não se trata de narrativas quaisquer. Uma compreende uma “história sem pé nem

cabeça” que aponta para o imaginário, para o ilógico e que reúne expressões que propiciam

uma brincadeira não só com a linguagem, mas também com o corpo, focando o movimento com os pés. Outra é “a história de uma menininha” ( “ela é uma princesa”) que tem como protagonista uma personagem com a qual o público se identifica, por ser uma criança, particularmente, uma menina, e a qual está associada a um universo fantástico, de princesa. Além disso, o seu nome é muito popular, Maria, o que pode aumentar ainda mais o nível de empatia entre as meninas que têm o mesmo nome. Para além dessa identidade feminina, a

também “te convida” para executar todas essas atividades com ela, as quais são realizadas a

partir da canção, ou seja, esta canção acaba por se configurar também como uma canção de

brincar. E “Cinco patinhos” configura-se como uma narrativa que tem na personificação de

animais sua marca. Os patinhos, nessa história, assumem características que apontam para uma identidade infantil: brincam, passeiam, distraem-se, (não) escutam o chamado da mãe, requerem cuidados maternos, são referidos através de diminutivos (“patinhos”, “filhotinhos”) etc. Por outro lado, há também uma identificação com outras narrativas que, da mesma forma, lançam mão da personificação de animais: fábulas, desenhos animados, brincadeiras de imitação etc.

“Pé com pé”, “Maria dança” e “Cinco patinhos” são apresentadas como histórias

para crianças, construindo, assim, um espaço lúdico específico que lança âncoras na cultura lúdica infantil. Desse modo, o fenômeno da metadiscursividade corrobora para que a canção para crianças seja configurada como um discurso que se destina para crianças e que visa ao prazer desse público.

Agora, após a apresentação da metadiscursividade como um elemento que caracteriza canções para crianças como narrativas, passamos a outra função da metadiscursividade na configuração desse discurso.

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