• No results found

Ao longo da evolução da sociedade industrial no ocidente, a maneira de divulgar informações e elaborar jornais sofreu diversas mudanças. Na Europa do século XVIII, os periódicos, eminentemente opinativos, foram utilizados como instrumentos para divulgação das idéias iluministas na França pré-revolucionária ao mesmo tempo em que começava a solidificar- se a triangulação produtor de jornal – anunciante – público (LAGE, 1979:22). No século seguinte, as notícias publicadas nos jornais ganharam um estilo ficcionista, que as confundiam com as novelas literárias (CHIARINI, 2000:12). As influências que mais deixaram marcas no jornalismo contemporâneo, contudo, partiram dos Estados Unidos e primavam pela elaboração de discursos objetivos, neutros e imparciais, produzidos a partir de informações coletadas junto às partes envolvidas no fato noticiado.

Ao lado da neutralidade, que envolve a não-manifestação de posicionamento, a imparcialidade na atividade jornalística contemporânea pressupõe o equilíbrio de versões e a ausência de tendências, sem a emissão de opiniões e juízos. O fato de uma organização ou um jornalista informar uma notícia de maneira imparcial, contudo, não implica afirmar que esse sujeito não possua um posicionamento. Certamente ele o possui, apenas não o evidencia. O pressuposto da imparcialidade no jornalismo objetiva levar informações precisas ao público, a fim de que ele possa opinar e participar dos processos decisórios dentro da democracia. Sobre jornalismo e democracia, Lage já apontava para o fato histórico de que “onde quer que o Estado aristocrático estivesse fortemente implantado, a censura era exercida, de maneira preventiva e arbitrária” (1979:18). Nessa direção, Ignácio Ramonet afirmou que “o público sente muito bem que de uma informação de qualidade depende sua maior ou menor participação na vida cívica” (2007:15).

Preceito recorrente dentro da atividade jornalística, a liberdade de imprensa está intimamente ligada ao direito dos cidadãos à informação e, por conseguinte, à democracia. Micael Kunczik recorreu aos Direitos do Homem e do Cidadão, da França, para evidenciar a importância conferida à liberdade de imprensa: “A livre comunicação de idéias e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem. Todos os cidadãos podem, dessa forma, falar, escrever e imprimir com liberdade” (2002:27). Nos Estados Unidos, o assunto integra emenda à Constituição que afirma que “o Congresso não promulgará nenhuma lei referente ao estabelecimento de nenhuma religião, nem [...] limitará a liberdade de palavra nem de imprensa”. Na Constituição brasileira de 1988, a liberdade de expressão e de imprensa estão amparadas pelo artigo 220, segundo o qual “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”. A Carta magna vigente no país garante ainda que “nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social”.

A partir do entendimento de que o público precisa estar bem informado para tomar as próprias decisões, o jornalismo assumiu o papel de prestar informações criteriosas, atualizadas e periódicas à sociedade (BENEDETI, 2006:49). Entretanto, o fato de que a atividade jornalística opera dentro da esfera pública social evidencia a proximidade do jornalismo com uma zona de conflito na qual o mercado (interesses econômicos privados), políticos e representantes de outras instituições atuam e podem exercer pressões objetivando alcançar vantagens pessoais ou corporativas. Dito de outra forma, em razão do ambiente em que opera, o jornalismo pode sofrer pressões econômicas e atos de censura a partir de diversas frentes. Como destaca Benedeti:

À medida que aumenta a complexidade das relações sociais e a importância do jornalismo nesse processo, a noção de censura à atividade é ampliada para ser capaz de abranger outros mecanismos de intervenção, não apenas políticos, mas também econômicos e culturais, bem como constrangimentos profissionais. Dessa forma, há uma diversidade de tentativas de interferências na atividade jornalística que contrariam o seu direito de informar livremente; são reprimendas oficiais ou veladas que têm a intenção de impedir a publicidade de informações ou impor uma perspectiva de interpretação para os fatos (2006:50).

Considerada dentro das democracias liberais como o quarto poder52 constituído, a imprensa “passou a ser a instituição política e ideologicamente mais notável da sociedade, suplantando outros poderes, como o Parlamento [...] e superando outras instituições poderosas, como a igreja e a escola” (MOTTA, 2002:16). Ligada historicamente à idéia de poder, vigilância, oposição e resistência, a imprensa constantemente atua como agente de cobrança e de defesa dos cidadãos. Devido à sua força dentro da sociedade, dependendo do momento histórico, ela pode ser usada também como instrumento de difusão de assuntos de interesse de governos situacionistas e grupos empresariais, mediante atos coercitivos ou comerciais. Como evidenciado por Luiz Gonzaga Motta, “o paradoxo revela, assim, que não existe imprensa sem inserção política” (2002:15).

O processo de seleção de acontecimentos e seu tratamento como notícia obedece a outro preceito importante: o da objetividade. O conceito de objetividade surgiu nos Estados Unidos “como resposta a um sentimento de desconfiança dos fatos, advindo de um contexto de intensificação de estratégias de propagandas” (BENEDETI, 2006:41) que eram publicadas durante a primeira guerra mundial. O caráter objetivo no jornalismo era uma tentativa de conferir à atividade noticiosa uma postura mais científica, com um método consistente para validação das investigações acerca dos fatos noticiados. Como um dos fundamentos do jornalismo contemporâneo, pode-se afirmar que o conceito de objetividade não está limitado à existência de critérios metodológicos utilizados pelo jornalista para identificar o que é notícia e elaborar o seu texto; ele reflete a busca pela exatidão na comunicação do fato, a partir de um conhecimento especular do profissional que procura separar o relato da notícia de juízos (próprios) de valor. Desse modo, como atestou Carina Benedeti “legitimou-se a idéia de que um jornalismo isento de subjetividade e fiel à realidade produziria relatos verdadeiros sobre os fatos”. (2006:41).

Frequentemente discutido nos meios jornalísticos e acadêmicos, o conceito de objetividade está relacionado à capacidade do relato corresponder à realidade sem o falseamento de fatos. Para Nilson Lage, a objetividade “consiste basicamente em descrever os fatos tal como aparecem; é, na realidade, um abandono consciente das interpretações, ou do diálogo com a

52 A imprensa expressaria um poder autônomo que, dentro do regime democrático, sucederia os três poderes

constituídos: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Na visão de Ramonet, entretanto, o primeiro poder é exercido, na atualidade, pela economia e o segundo (cuja imbricação com o primeiro é muito forte) pela mídia. O

realidade, pra extrair dele apenas o que se evidencia” (1979:25). Ao tratar do tema, Michael Kunczik explica que “por trás da noção de que é possível uma reportagem objetiva está a idéia de que a informação pode ser apresentada de tal maneira que seus receptores sejam capazes de formar suas próprias opiniões” (2002:227). No entendimento do autor, “a reportagem objetiva é entendida como desapaixonada, sem preconceitos, imparcial, isenta de sentimentalismo e conforme a realidade” (2002:227).

Ao discutir o conceito, Lage alerta para o caráter subjetivo da tarefa de ordenação das informações no texto, que inevitavelmente privilegia algumas informações e suprime outras (1979:25). Autores como Eduardo Meditsch seguem nessa direção e entendem que o paradigma da objetividade é precário para explicar a realidade porque a natureza dos fatos não é – exclusivamente – objetiva, uma vez que os próprios fatos resultam de uma construção humana e, como tal, carregam dentro de si um componente subjetivo inseparável (2001:232). Nesse sentido, o autor propõe o conceito de intersubjetividade como alternativa ao conflito objetividade versus subjetividade. No seu entendimento “a intersubjetividade é o parâmetro lógico que estabelece e, ao mesmo tempo, limita a relatividade de todo o conhecimento” (MEDITSCH, 2001:233). Em outras palavras, na visão do autor a intersubjetividade está presente na atividade jornalística a partir de referências compartilhadas (senso comum) entre a sociedade e os próprios jornalistas (membros dessa sociedade), que interpretam os fatos e constroem os relatos a partir de recortes na realidade local.

Antes de avançar sobre alguns conceitos e critérios de valoração e seleção de notícias, é importante estabelecer aqui a diferença entre fato e acontecimento. O primeiro termo remete “a um conteúdo estranho ao contexto de convenções sociais pela lógica de uma causalidade corrompida”(NORA, 1978:184): é o homem que morde o seu cão. O acontecimento, por sua vez, pode ser de natureza política ou social, literária ou científica, local ou nacional. Nas palavras de Pierre Nora, “no interior de sua categoria bem marcada, o acontecimento se faz assinalar por sua importância, a novidade da mensagem, tanto menos indiscreto quanto menos banal” (1978:184). No discurso jornalístico, o acontecimento é o referente do que se fala, “uma espécie de ponto zero da significação”(RODRIGUES, 1997:98). O caráter de noticiabilidade desse fato está

relacionado, entre outros aspectos, ao grau de previsibilidade do acontecimento, ou seja, quanto menos previsível ele for, mais probabilidades tem de se tornar uma notícia jornalística.

A notícia tem uma forma axiomática, “isto é, se afirma como verdadeira: não argumenta, não constrói silogismos, não conclui nem sustenta hipóteses. O que não é verdade numa notícia, é fraude ou erro” (LAGE, 1985:25). Tanto um fato inusitado do cotidiano quanto um acontecimento podem ser transformados em notícia. Entretanto, a mídia tem o poder de dar ou não visibilidade ao fato ou acontecimento e, dessa maneira, “imprensa, rádio, imagens não agem apenas como meios dos quais os acontecimentos seriam relativamente independentes, mas como a própria condição de sua existência” (NORA, 1978:181). De outro modo, é a divulgação, o ato de tornar-lo conhecido, que legitima o acontecimento na lembrança e na história da sociedade.

A notícia, apresentada em forma de narrativa, opera com a construção da realidade a partir do inusitado, do imprevisível e do que é considerado singular. No entendimento de Luiz Gonzaga Motta53, a notícia pode ser conceituada como um bem simbólico cujo valor está relacionado ao conteúdo não-familiar que traz consigo e que pode ser compartilhado entre diversos grupos sociais. Segundo suas explicações, o homem necessita continuamente de significados que estandartizem o cotidiano, que ajudem a estabelecer consenso sobre como deve ser o mundo. Essa concepção, somada às definições de outros autores, como Marcondes Filho (1985), para quem a notícia é a informação transformada em mercadoria com todos os seus apelos estéticos, emocionais e sensacionais; Martinez Albertos, que a define como um fato verdadeiro, inédito ou atual, de interesse geral e Nilson Lage (1985), que considera notícia como o relato de uma série de fatos a partir do fato mais importante ou interessante, direciona a análise do jornalismo contemporâneo para a necessidade de identificação dos critérios de noticiabilidade empregados pelos jornalistas na seleção e hierarquização dos fatos noticiáveis.

Marina Castro (2006:28) lembra que o processo de construção da notícia é sempre complexo e envolve uma série de rotinas produtivas, valores e procedimentos que, muitas vezes, não evidenciam o outro lado do processo seletivo, que é o lado dos acontecimentos não selecionados, das fontes não ouvidas, dos ângulos não destacados. Nas palavras de Luiz Gonzaga Motta:

Toda decisão de comunicar uma coisa é, ao mesmo tempo, uma decisão de não comunicar outras. O conteúdo das mensagens não é a única parte que significa. Quando dizemos algo, o que dissemos e o que poderíamos ter dito são partes inseparáveis do que dizemos. Esse axioma, comum a todas as formas de comunicação, é particularmente relevante para a comunicação de massa não só pela ampla gama de assuntos que fica de fora como pelos interesses envolvidos na inclusão e na exclusão de conteúdos (MOTTA, 2002:127).

Dentro dos estudos que abordam o processo de seleção de notícias, o conceito de

gatekeepers54 foi adotado em 1950 por David Manning White para descrever as pessoas que, dentro dos veículos de comunicação, atuam como porteiros, selecionando e descartando as informações que serão ou não divulgadas pela mídia. Na prática, a escolha do que pode se transformar em notícia ocorre em diversos níveis: há uma seleção dentro da agência de notícias, do repórter que recebe a informação e, em seguida, dos editores regionais e nacionais. Para percorrer esse fluxo de filtragem, o momento de chegada de uma matéria jornalística pode determinar se ela será ou não aproveitada. Na análise de Kunczik, “quanto mais cedo chega uma notícia, maior é a probabilidade de que seja aproveitada [...] O que ficou dito deve ter deixado claro que a notícia frequentemente se define de maneira puramente tautológica, no sentido de que é notícia o que os meios do dia publicam como notícia” (2002:240).

Dito desse modo, o papel de selecionador de notícias parece manipulador e totalitário. Entretanto, há que se considerar o imenso volume de informações que transitam pelas redações e agências de notícias. No livro Social Meanings of News, Dan Berkowitz afirma que gatekeepers de jornais norte-americanos lêem e avaliam cerca de mil reportagens por semana (1997:79). Nesse sentido, pode-se afirmar que “sem os gatekeepers, um leitor ou espectador ficaria estupefato com a quantidade de detalhes noticiados, alguns deles triviais e conflitantes. Gatekeepers ajudam na ordenação das informações. A propensão dos gatekeepers provavelmente não é um problema tão grande, exceto no caso de descuidos com a verificação e o equilíbrio dos fatos noticiados (STONE, SINGLETARY. RICHMOND, 1999:174)

Para a realização da filtragem dos acontecimentos noticiáveis, além da experiência pessoal do gatekeeper, que determina por sua própria conta se uma matéria merece ou não ser

54 O termo gatekeeper foi utilizado, inicialmente, por Kurt Lewin (1947) em estudos sobre a dinâmica dos

processos de tomada de decisão sobre consumo alimentar em grupos sociais (KUNCZIK, 2002:234). Em português, no âmbito da comunicação, o termo foi traduzido como “seletor de notícias”.

publicada (KUNCZIK,2002:238), são utilizados alguns critérios de noticiabilidade, que serão analisados posteriormente neste capítulo. A partir desse entendimento, pode-se inferir que o nível de subjetividade e arbitrariedade no processo de seleção é alto. Como lembram Stone, Singletary e Richmond, apesar de ser considerado importante, o conceito de gatekeeper “geralmente não é o único a operar sobre as escolhas do comunicador. Na maior parte das vezes, as escolhas dos gatekeepers resultam do complexo de influências formado pela rede web, preferências, motivações pessoais, valores comuns e gostos (1999:176). A escolha das matérias, entretanto, não finaliza o processo da informação. Muitas vezes, a notícia é modificada de acordo com a linha editorial da publicação. Nas palavras de W.Gieber, “uma matéria jornalística é o resultado daquilo que as pessoas do jornal fazem com ela” (GIEBER apud KUNCZIK, 2002:237). De um modo ou de outro, a decisão desses “porteiros” de notícias contribui com a construção da imagem que o receptor formula sobre a própria sociedade, o mundo e, também, o meio de informação.

Há outra corrente de estudos que investiga a produção das notícias enquanto processo industrial. Denominada newsmaking, ela analisa a lógica dos processos pelos quais a comunicação de massa é produzida, a partir de variáveis como a organização do trabalho, do processo produtivo e da cultura jornalística. O newsmaking se desenvolveu na Inglaterra, mais precisamente na Universidade de Birminghan, “fazendo uma forte crítica ao empirismo da sociologia da comunicação norte-americana” (MOTTA, 2002:130). Inicialmente, seus autores mais influentes foram Stuart Hall (1973) e Raymond Williams (1974). Há, contudo, outros representantes, como Gaye Tuchman e George Gerbner.

Partindo da premissa de que a notícia é um produto que resulta de um planejamento ou rotina produtiva, é possível concluir - dentro do conceito de newsmaking – que “embora o jornalista seja participante ativo na construção da realidade, não há uma autonomia incondicional em sua prática profissional, mas sim a submissão a um planejamento produtivo” (PENA, 2005:129), que tende a condicionar as notícias ao reforço de tendências de opinião.

De acordo com a abordagem dos newsmaking, a notícia é uma construção elaborada pelos próprios jornalistas – via de regra alinhados a uma ideologia e a uma organização – que se difunde por meio da cultura profissional. A seleção dos fatos a serem publicados, então, depende sempre dos interesses e das necessidades do jornalista e do órgão informativo, este último,

constantemente interessado na vendagem e no lucro. Nessa direção, Luiz Gonzaga Motta considera que “princípios como ‘dar ao público o que o público quer’ são, na verdade, a máscara que determina como a mídia seleciona e apresenta as informações” (2002:131).

Em termos de estudos dos efeitos dos meios de comunicação na construção da realidade social, o conceito de newsmaking está muito ligado ao conceito de agenda-setting. O estudo pioneiro que apresentou o agendamento da sociedade foi elaborado por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970 sob o título The Agenda Setting Function of Mass Media. Este estudo tinha o objetivo de investigar a capacidade de agendamento dos media na campanha presidencial de 1968 nos Estados Unidos. A hipóstese de fixação de uma agenda pressupõe que são os meios de comunicação de massa quem predeterminam os assuntos de interesse e discussão na sociedade. Para reforçar esse entendimento, Mauro Wolf recorreu a Shaw para afirmar que, em consequência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público sabe ou ignora, realça ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo. (1996:130)

Dentro da lógica do agendamento, pode-se inferir que o nível de influência de um programa ou jornal está diretamente relacionado à abrangência geográfica e ao público atingido. “De uma maneira concreta isso significa que os temas enfatizados pelos meios de comunicação serão percebidos na proporção de sua visibilidade” (KUNCZIK, 2002:314). Se for considerado que a mídia e especificamente a imprensa têm “um papel cultural na medida em que veicula e consolida hábitos, costumes, gostos [...] e é legitimadora de regras éticas e morais socialmente aceitas” (MOTTA, 2002:15), chega-se à conclusão de que esses meios e seus representantes detêm muito poder. Apesar de não reconhecer publicamente o “poder” advindo da capacidade de pautar a sociedade e influenciar ações, comportamentos e consumo, os meios de comunicação conhecem a sua força e a precificam, comercializando inserções em forma de merchandising e anúncios publicitários.

Essa precificação é amparada por índices de audiência e auditorias de tiragem, que evidenciam a diferença entre os produtos de comunicação a partir de critérios como segmentação, abrangência e perfil do público consumidor. As diferenças entre os meios de comunicação, contudo, se estendem também à variação dos temas agendados, uma vez que os

veículos possuem “capacidade diferente para estabelecer a ordem do dia dos assuntos publicamente importantes” (Wolf, 2003:107). Além desse aspecto, a hipótese da agenda-setting considera que a força de influência dos meios de comunicação aumenta quando não existem outras fontes de informação que possam concorrer e apresentar produtos, assuntos e pontos de vista diferentes. E como lembra Michael Kunczik, “se a estrutura de valores de uma sociedade está em estado de mudança, são especialmente grandes as possibilidades de que os meios de comunicação de massa alcancem e influenciem diretamente as pessoas da maneira como desejam os comunicadores” (2002:316).

A capacidade de a imprensa determinar os assuntos que serão discutidos na própria mídia e também nos ônibus, bares, ruas, escolas, ambiente familiar e profissional, está relacionada a duas variáveis que definem a agenda jornalística: a atuação dos jornalistas, guiados pelos critérios de noticiabilidade e a ação estratégica de assessores e promotores de acontecimentos e notícias. Além dessas variáveis, há que se considerar duas possibilidades de fixação de agendas: a direta, mediante comunicação dos veículos com o público, e a indireta, que consiste em influenciar os formadores de opinião. O efeito do agendamento, principalmente nas avaliações relacionadas ao tema política, tem sido verificado a partir de critérios como centralidade, relevância, onipresença (o assunto ganha outras editorias) e tematização (desdobramento em suítes de matérias).

In document Lederrollen i kommunehelsetjenesten (sider 34-41)