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3 Energy

3.3 KPIs

Antes de concluir este trabalho gostaria de referir o exemplo de um composto com origem marinha aprovado para o tratamento corrente de uma patologia: a eribulina. A eribulina é um fármaco obtido a partir de esponja Halichondria okadai e é um antimitótico que interfere selectivamente com a dinâmica dos microtúbulos do citoesqueleto de células neoplásicas, afectando deste modo a sua replicação. Este fármaco é utilizado no tratamento do cancro da mama metastisado, sendo utilizado como uma terapêutica de 3ª linha quando a administração de outros fármacos citóxicos já não é eficaz. Ao ser utilizada para o tratamento do cancro da mama, uma das formas de cancro mais frequente e mortal da actualidade, a eribulina revela a importância que os compostos com origem marinha podem ter para a descoberta de novos fármacos e para o tratamento de doenças graves. O facto de a eribulina ser o primeiro fármaco a ser obtido a partir de uma esponja e o terceiro fármaco com origem em invertebrados aquáticos a ser comercializado, confirma essa importância. [47]

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11. Conclusão

As terapêuticas clássicas contra o parasita da malária estão a revelar-se ineficazes dado que a emergência de resistências por parte do P. falciparum é cada vez maior. Deste modo, a busca de novos fármacos passíveis de serem utilizados em monoterapia ou nos regimes de ACT é fundamental para contornar este fenómeno de selecção de resistências. O OZ439 e o RKA 182, um trioxolano e um tetraoxano, respectivamente, estão na fase final de ensaios clínicos para determinar se podem ser utilizados em protocolos de quimioterapia da Malária devido às suas características farmacológicas e baixos custos de produção. É de salientar que quanto maior for o arsenal terapêutico disponível para tratar a Malária em intervalos curtos de tempo, ou usar em profilaxia, mais vidas irão ser salvas, ao mesmo tempo que a longo prazo o número de resistências parasitárias irá surgir mais lentamente, tornando as terapêuticas mais eficazes e duradouras.

Os 1,2-dioxanos com origem marinha são potenciais antimaláricos que estão a ser alvo de estudos de correlação estrutura/actividade, de modo a determinar quais os requisitos estruturais que cada 1,2-dioxano deve possuir para que o seu potencial antiplasmodial seja maximizado e a farmacocinética optimizada. Devido à sua estrutura simples e possibilidade de obtenção por meios economicamente sustentáveis, quer seja por síntese química quer por meios biotecnológicos, os 1,2- dioxanos são compostos promissores no tratamento futuro da malária. Se for verificada a sua eficácia farmacológica em seres humanos, estes endoperóxidos podem representar uma nova classe de fármacos antimaláricos.

O facto de os 1,2-dioxanos terem um mecanismo de acção semelhante aos endoperóxidos já utilizados no tratamento da malária, nomeadamente a ART e seus derivados, é uma característica que estimula o estudo da sua actividade em sistemas biológicos. No caso dos ácidos peroxiplakortínicos foi proposto um mecanismo onde existe, simultaneamente, a bioactivação com o Fe(II) no vacúolo alimentar do parasita e a formação de um radical alquilante. Em conjunto com o PLK e seus derivados, os ácidos peroxiplakortínicos podem ser considerados compostos promissores para

Endoperóxidos de origem marinha com actividade antimalárica Página 44 ensaios clínicos que determinarão os seus parâmetros farmacocinéticos, farmacodinâmicos e a sua toxicidade no organismo humano.

Para os restantes 1,2-dioxanos conclui-se que as sigmosceptrelinas devem ser alvo de estudos in vivo de modo a determinar, em primeira instância, quais as dosagens que têm eficácia terapêutica sem provocar efeitos tóxicos. Os norditerpenos necessitam de ser sujeitos a ensaios relaccionais de estrutura e actividade, como aconteceu com o PLK, de modo a determinar-se quais são as optimizações estrurais que irão garantir que o epinuapapuanoato de 3-metilo e o deoxidiacarnoato de β- benzilo tenham um perfil farmacocinético e farmacodinâmico optimizado.

É de salientar que a aprovação da eribulina para o tratamento de uma forma de cancro denota a importância que os compostos com origem marinha podem ter para o desenvolvimento de novos fármacos que podem ser utilizados no tratamento de patologias graves. Pensamos que a prospecção de metabolitos secundários de origem marinha para fins farmacológicos e biotecnológicos é uma área com elevado potencial.

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