Como ocorreram mudanças significativas na paisagem da bacia, observadas nos Mapas 12 e 13, uma análise mais minuciosa se fez necessária para avaliar como ocorreram as mudanças em cada classe separadamente e quais interações ocorreram entre as mesmas. Para tanto, foram gerados mapas das alterações ocorridas no período considerado no estudo (1987 e 2010), destacando onde ocorreu a alteração, sendo esse processo de mudança analisado sempre na perspectiva da recuperação ou degradação da cobertura vegetal. Os mapas da evolução da vegetação também foram necessários para o mapeamento final dos níveis de desertificação na Bacia.
A classe de solo exposto continuou concentrada próxima aos rios, e foram observados três tipos de interações: áreas sem alteração, ou seja, não ocorreu recuperação da vegetação; áreas com alteração, indicando recuperação da vegetação, e áreas com alteração, indicando a degradação, ou seja, mudança de qualquer tipologia da vegetação para solo exposto, conforme mostra o Mapa 14.
A não alteração foi verificada de modo bastante fragmentado na área, principalmente nas proximidades dos cursos d’água em pequenas áreas, que devido a resolução espacial da imagem (30 m), dificultou sua visualização com detalhes. De modo menos fragmentado, observa-se a permanência da classe de solo exposto na porção nordeste da Bacia. A alteração indicou que houve recuperação da vegetação, essencialmente pela mudança da classe de solo exposto pelas classes de caatinga arbustiva fechada e aberta. A alteração que indicou degradação, ocorreu uma superestimação devido a cobertura de nuvens encontrada na imagem de 2010 ser confundida na classificação como solo exposto. A superestimação ocorreu nas porções nordeste e oeste da Bacia.
A classe de caatinga arbustiva aberta foi uma das responsáveis pelas principais mudanças ocorridas na paisagem da Bacia, por apresentar interações com outras classes de forma bem distribuídas pela área de estudo, conforme mostra o Mapa 15. Foram encontradas nessa classe as seguintes interações: sem alteração, quer dizer, não houve mudança de classe que indicasse recuperação ou degradação; e alteração indicando recuperação da vegetação. As áreas sem alteração ficaram localizadas na porção central da Bacia, enquanto as áreas com alteração apresentaram distribuição uniforme por toda a área de estudo. Quanto às alterações, foram identificados dois tipos: alteração para caatinga arbustiva fechada, isto é, mudança da classe de caatinga arbustiva aberta para caatinga arbustiva fechada; e alteração do solo exposto que passou a ser caatinga arbustiva em 2010.
No Mapa 16, identifica-se como ocorreu a dinâmica da classe de caatinga arbustiva fechada, verificando-se que áreas sem alterações ficaram concentradas na porção sudeste da Bacia e as áreas com alterações, indicando recuperação da vegetação que passou a ser caatinga arbórea arbustiva fechada ficaram concentradas na porção norte. A mudança de classe, indicando a alteração do que antes se apresentava como solo exposto, ocorreu de forma fragmentada, distribuída por toda a Bacia, com concentração um pouco maior na porção nordeste.
Para a classe de caatinga arbóreo-arbustiva aberta (Mapa 17), as áreas sem alterações, consideradas como preservadas, ficaram concentradas nas porções oeste e sudoeste da área. Esses trechos da Bacia apresentam áreas de maior elevação topográfica, onde há maior dificuldade de utilização das terras, tornando-a menos vulnerável ao uso mais intensivo do solo. Sobre as áreas com alteração, é possível afirmar que estas apresentaram dois tipos de interações: mudança da classe arbóreo-arbustiva aberta para arbóreo-arbustiva fechada, indicando a recuperação deste último tipo de vegetação e mudanças do solo exposto e outras tipologias da vegetação para caatinga arbóreo-arbustiva aberta, indicando também a recuperação da vegetação mais densa.
Por fim, analisa-se a classe caatinga arbóreo-arbustiva fechada (Mapa 18), julgando- a como a mais próxima da constituição original da caatinga, e, portanto, a mais preservada. Verifica-se nessa classe, áreas preservadas, degradação e de recuperação. Quanto à recuperação, ocorreu de modo fragmentado em toda a Bacia. Já as áreas preservadas concentraram-se nas extremidades da Bacia. O que chama a atenção nesta classe é a grande quantidade de pontos de degradação, principalmente nas porções norte e nordeste, embora a degradação também tenha ocorrido nas porções oeste e sudoeste, porém, nessa área a degradação apresenta-se menos acentuada porque passou a ocorrer a caatinga arbóreo- arbustiva aberta, considerada uma vegetação ainda preservada.
De modo geral, avalia-se a ocorrência de um processo de recuperação da vegetação, principalmente da caatinga arbóreo-arbustiva aberta e da caatinga arbustiva fechada em toda a Bacia, principalmente nos limites da área. Não obstante, a recuperação da caatinga arbustiva aberta também foi considerável nas áreas que antes eram de solo exposto.
Indica-se, com base nos dados expostos da dinâmica das classes de vegetação no período estudado, a necessidade de criação de áreas de ações prioritárias, tanto de recuperação como de preservação na Bacia, mesmo com a indicação de um quadro de recuperação da vegetação. Levando em consideração dados divulgados pelo IBAMA em 2010 sobre os valores do desmatamento no Bioma Caatinga, que apontam de 2002 a 2008 a supressão de
mais 16.576 km², representando um desmatamento acumulado de aproximadamente 375 mil km² (45,39% da área do Bioma), fica evidente a necessidade de intensificação de ações tanto de recuperação quanto de preservação da caatinga na Bacia Hidrográfica do Rio Taperoá.
Avalia-se de modo preliminar, as áreas de caatinga arbóreo-arbustiva fechada e aberta como áreas prioritárias para ações de conservação e preservação, principalmente da porção oeste da Bacia, devido à topografia condicionar o uso menos acentuado dos recursos naturais nessa localidade, proporcionando, ainda, a existência de certa diversidade tanto da fauna como na flora. Ações de conservação também podem ser associadas com o ecoturismo, para exploração das potencialidades locais.
Sobre as ações de recuperação, indicam-se as áreas de caatinga arbustiva aberta nas proximidades dos corpos hídricos, pois, apesar do sinal de recuperação do quadro ambiental, não é possível dizer se o processo de reconstituição das condições ambientais originais irá se concretizar, assim como em que escala temporal esse fato irá ou poderá acontecer sem algum tipo de intervenção humana.
Mapa 14- Evolução do Solo Exposto na BHRT entre os anos de 1987 e 2010. Base de Dados: INPE (2013) e AESA (2013).
Mapa 15– Evolução da Caatinga Arbustiva Aberta na BHRT entre os anos de 1987 e 2010. Base de Dados: INPE (2013) e AESA (2013).
Mapa 16- Evolução da Caatinga Arbustiva Fechada na BHRT entre os anos de 1987 e 2010. Base de Dados: INPE (2013) e AESA (2013).
Mapa 17- Evolução da Caatinga Arbórea-Arbustiva Aberta na BHRT entre os anos de 1987 e 2010. Base de Dados: INPE (2013) e AESA (2013).
Mapa 18- Evolução da Caatinga Arbórea-Arbustiva Fechada na BHRT entre os anos de 1987 e 2010. Base de Dados: INPE (2013) e AESA (2013).