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Kontroller og sanksjoner

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4 Autonomi, kompetanse og kapasitet

6.4 Kontroller og sanksjoner

Na perspectiva de Lipman é ponto convencionado que é fundamental que as crianças tenham uma educação para o desenvolvimento das habilidades do pensar. As habilidades “são o ingrediente que falta na educação.” (1990, 47) As crianças devem ser ensinadas a pensar por si mesmas, dando-lhes a oportunidade de desenvolverem critérios relativos ao que constitui o comportamento racional e moral, para viverem em sociedade. Se isto se proporcionar estão a produzir-se agentes morais, inteligentes sinceros e autónomos. Sendo que esses dois papeis, socialização e autonomia, têm como sustentáculo a Democracia:

“Uma sociedade que providencia a participação nos seus benefícios de todos os seus membros em iguais condições, e que garante o reajuste flexível de suas instituições mediante a interacção das diferentes formas de vida associativa, é, quanto a isso, democrática.”

(1999a, 162)

Perante este objectivo a sociedade tem que promover uma educação que estimule nos alunos o interesse pessoal nas relações e controle social. As escolas devem proporcionar metodologias e currículos que facilitem o pensar crítico e o pensar criativo aos alunos, para que sejam interventivos

numa sociedade de direitos e deveres. Diz Lipman que “Cada aspecto da educação deve ser, em princípio a qualquer custo, racionalmente defensável.” (2001, 21) Pois crianças educadas em escolas que apresentam critérios racionais têm maiores probabilidades de serem razoáveis do que crianças educadas sob conjuntura irracional.

As crianças podem ser auxiliadas a tornarem-se sensíveis à necessidade que pode surgir nas suas vidas, podem adquirir hábitos que lhes proporcionem uma mais fácil adaptação a novas situações.

Mas afinal qual é a função da educação numa sociedade democrática? E o que entende Lipman por democracia?

Lipman apoia-se na noção de democracia proposta por Dewey que faz referência a dois sentidos de Democracia, um político e outro social. Sendo que o primeiro é designado como uma forma de governo ou um sistema de instituições para organizar a vida em sociedade.

“Democracia é um modo de vida, social e individual. É mais do que uma forma de governar; ela é acima de tudo um modo de viverem sociedade, da experiência participativa conjunta” (Cfr. 1999a, 155)

Definitivamente, J. Dewey entende Democracia como a participação directa na eleição dos governantes tornando-se imprescindíveis para satisfazer o princípio da equitatividade e bem – estar da totalidade das pessoas de uma sociedade. E como modo de vida, atingindo todos os grupos, instituições sociais: família, escolas, empresas e religião. Sendo que o grupo social deve ter como critério para determinar o carácter democrático, o grau de ligação entre as acções e os interesses das diferentes pessoas que o formam, assim com o modo em

que a livre interacção entre os seus membros faculta a reacomodação e correcção dos hábitos e práticas sociais.

Neste último sentido, a democracia e a educação conciliam uma relação dialéctica, isto é: a escola como instituição educativa gera hábitos democráticos para estabelecer um processo de relações de abertura, sem preconceito mas com enriquecimento de experiências individuais e partilhadas. Segundo Dewey a educação tem de promover hábitos democráticos “só a educação pode garantir a ampla difusão de uma comunidade de interesses e objectivos.” (1999a, 165)

São vários os colaboradores, entre eles Walter Kohan, de FpC que referem Lipman como continuador de Dewey, pois encaram a democracia, como um ideal de vida social ao qual todo o grupo humano tem um compromisso; muito mais que um sistema político. Grupo humano, como grupo perfeito, que se funda numa educação como processo de questionamento e auto-correcção. Educação que:

“se transforma em educação como investigação e educação para a investigação, o produto social desta mudança institucional será a democracia como investigação e não meramente democracia.” (2001, 355).

O papel de uma educação em questionamento e investigação é preparar alunos a viver como membros questionadores de uma sociedade, que se interrogam trabalhando para uma democracia como investigação, que une a racionalidade e o consenso e que este factor de união é superior a ser orientado por qualquer critério isolado. (Cfr. 2001, 365).

Uma relação perfeita entre democracia e educação leva à concretização de uma sociedade organizada. Não se trata apenas de educar para a democracia, senão democratizar para educar. Esta relação recíproca implica o pensar e o julgar por um lado e o conhecer por outro. Dewey sugeriu a escola como um espaço de construção para o pensar, onde as crianças adquirem hábitos de exercícios para o pensar, e não como um lugar de transmissão de conhecimento. “A educação tem de preparar o aluno para compreender e criticar o modo de vida do seu grupo”. (1987, 397) E nada melhor que a filosofia como disciplina do pensar para conseguir esse objectivo. A filosofia, a educação e métodos sociais caminham de mãos dadas, segundo Dewey, sendo a filosofia a”teoria da educação nas suas fases mais gerais.” (1999a, 163).

O ponto onde Lipman se afasta de Dewey é exactamente quando este considera a filosofia como a teoria da educação, pois para o pioneiro de FpC a filosofia é a prática da educação. Argumentando da seguinte forma:

“Eu acho um tanto estranho identificar a filosofia como teoria, porque isso exclui a possibilidade de se fazer filosofia, da filosofia como prática, e assim ele acaba dando respaldo àqueles que querem separar a teoria da prática e negar que a filosofia tenha algum valor prático nas escolas”30(1999a, 167)

Lipman partilha da definição que Dewey atribui à filosofia como crítica,

centrada no juízo crítico, chegando a dizer: “Essa é uma das coisas mais importantes que aprendi com Dewey”, porém não aceita que a filosofia

prática educativa. Para justificar a sua teoria, apresenta dois aspectos. O primeiro, mostra como as outras disciplinas se sentem amedrontadas em trabalhar com noções como verdade, justiça, felicidade, etc, com as quais a filosofia trabalha sem qualquer tipo de inibição. Na educação essas noções não podem ser irrisórias pois, pretendendo-se uma educação

para a democracia e a democracia para o educar não se pode fugir delas.

Só investigando o que significam e como aplicá-las é que se constrói uma sociedade com respeito. Em segundo lugar, Lipman, realça a forma como a filosofia aborda esses conceitos. A filosofia estuda-os “a partir de um ângulo diferente das outras disciplinas. Ela desloca o foco dos termos substantivos para os de ordem metodológica.” (1999a, 168)

De acordo com essa ideia o processo educativo de FpC aplica a prática filosófica onde desloca o âmago do objecto de estudo para o método de questionamento e investigação. A ferramenta mais importante é conseguir que as crianças questionem. E se a filosofia é uma forma de questionamento e investigação que estimula o questionamento e a investigação, assim como encoraja a procura da verdade, então explica- se a relação apresentada por Dewey e Lipman entre Filosofia, Educação e Democracia.

A filosofia ocupa-se de considerações normativas e a educação de considerações descritivas e também normativas. A filosofia trabalha com critérios, com valores, com a lógica no sentido do que deveria ser a causa, das inferências, o educar democrático ocupa-se do conhecimento e a filosofia da epistemologia, ou seja, de como conhecemos e o que 30

Argumento utilizado numa entrevista que Walter Kohan lhe fez por motivo de um congresso.

conhecemos. A educação ocupa-se do pensamento e a filosofia da crítica do pensamento. Posto isto, a “democracia em termos de questionamento e investigação é um ideal de democracia”. (1999a, 177) Mas como e qual o método utilizado por Lipman para fundamenta a Filosofia para Crianças?

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