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4.2.6. Konsummotiverende inntekt og privat konsum
A Lumen Gentium ressalta o projeto de salvação divina por meio de um povo escolhido. O documento conciliar dedica todo o segundo capítulo para tratar desse
povo: como ele surgiu, suas características e a sua relação com o mundo. Já no
início do capítulo, o documento descreve que Deus quis salvar e santificar os homens, formando um povo, para o qual Ele se revelaria para que o servisse. Desta forma, Deus escolheu Israel e estabeleceu com ele uma Aliança e foi instruindo-o gradualmente, manifestando a si mesmo e os seus desígnios de salvação. Tudo aconteceu em preparação da Aliança nova e perfeita que foi selada com a vinda de Cristo, quando ele mesmo revela plenamente a predileção de Deus por seu povo. Um povo messiânico que tem como cabeça Cristo, “o qual foi entregue pelas nossas faltas e ressuscitado para a nossa justificação” (Rm 4,25). A condição desse povo “é a da dignidade e da liberdade dos filhos de Deus […] tem por lei um mandamento novo, de amar como Cristo nos amou (cf. Jo 13,34); e tem por fim o Reino de Deus” (LG 9). Esse povo messiânico, que ainda não abrange atualmente todos os homens, é para toda a humanidade como um germe fecundíssimo de unidade, de esperança e de salvação. A Constituição Lumen Gentium afirma que “do mesmo modo que Israel segundo a carne, […] é chamado Igreja de Deus, assim também o novo Israel do tempo atual […] chama-se Igreja de Cristo, porque ele a conquistou com teu sangue, encheu-a do seu Espírito e a dotou com meios aptos para uma união visível e social” (LG 9). A Igreja de Cristo, portanto deve estender-se a todas as regiões do mundo para levar o Evangelho de Jesus aos confins da terra e alcançar todos os povos.49
O Concílio ainda destaca a proposta de que, do mesmo modo que Jesus revelou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, cabe a Igreja também, como discípula de Cristo para comunicar aos povos os frutos da salvação, seguir o mesmo caminho. A Igreja não foi fundada para alcançar glórias terrestres, mas para
48 Cf. ALMEIDA, Antonio José de. Lumen
Gentium, a transição necessária. p. 76-77.
anunciar, também com seu exemplo, a humildade e abnegação. Dessa forma, ela deve estar a serviço de todos os que sofrem reconhecendo assim, na face dos pobres e sofredores, a própria imagem do Cristo.50
A Constituição Dogmática sobre a Igreja também faz referência à universalidade do único povo de Deus, a qual se estende a todos os povos da Terra, dentre eles estão seus membros, pois eles são cidadãos do Reino de Deus, que possui natureza celeste e não terrestre. Todos os fiéis espalhados pelo mundo se comunicam uns com outros por meio do Espírito Santo, porque o Reino de Deus não é deste mundo (cf. Jo 18,36). A Igreja, o Povo de Deus, ao implantar o Reino não retira nenhum bem temporal de cada povo, ao contrário, fomenta e assume as suas qualidades, o seu patrimônio cultural e seus costumes, naquilo que tem de bom. No Reino, os povos são assumidos, purificados, fortalecidos e elevados. Este caráter universal que distingue o Povo de Deus é dom do Senhor. A Igreja, sob a sua cabeça, que é Cristo, congrega na unidade do Espírito a humanidade inteira com tudo o que ela possui de bom. Assim, cada um pode contribuir, com os demais e com toda a Igreja, com os dons que lhe são peculiares. Isso ajuda no crescimento de todos e na comunicação mútua com objetivo comum de alcançar a plena unidade. Outro aspecto importante dentro desta característica da Igreja Povo de Deus, levando-se em conta a sua própria organização, é que as Igrejas particulares com suas tradições peculiares não ferem a unidade que está centrada no sucessor de Pedro. Protegendo, assim, as diversidades legítimas e cuidando para que as particularidades não prejudiquem, mas contribuam positivamente para manter a unidade. A Lumen Gentium conclui este assunto explicando que, a universalidade desta unidade do Povo de Deus, prefigura e promove a paz universal, a qual é chamada a viver toda a humanidade. Mesmo de maneiras diferentes, tanto os católicos como todos os cristãos e mesmo todos os seres humanos são chamados à salvação pela graça de Deus.51
A formação do Povo de Deus está ligada à construção do Reino e ao mandato de Jesus, que ele fez primeiro aos Apóstolos e que a Igreja recebeu para levar aos confins da Terra anunciando a verdade da salvação: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e
50 Cf. CONSTITUIÇÃO Lumen Gentium sobre a Igreja. In: CONCÍLIO VATICANO II. n. 8.
do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei.” (Mt 28,19- 20). Desta forma, “a Igreja conjuga esforços para que o mundo inteiro se transforme em Povo de Deus, corpo do Senhor e templo do Espírito Santo” (LG 17).52
A Lumen Gentium, ao citar a índole escatológica da Igreja, ensina que ela só será consumada na glória celeste no tempo da restauração de todas as coisas (cf. At 3,21) quando o mundo e o homem serão totalmente renovados em Cristo (cf. Ef 1,10). Quando Cristo foi levantado na cruz, atraiu para si a humanidade (cf. Jo 12,32-33) e quando ressuscitou enviou o seu Espírito vivificante sobre os apóstolos, constituindo, assim, por meio do Espírito Santo, o seu corpo, que é a Igreja como sacramento universal de salvação, alimentando-a com o seu próprio corpo e sangue. Portanto já começou em Cristo a prometida restauração, impulsionada com a vinda do Espírito Santo e que continua por meio da Igreja, na esperança da salvação. Já é presente o fim dos tempos (cf. 1Cor 10,11), a renovação do mundo já vai realizando- se de certo modo, a Igreja já vive a santidade verdadeira, apesar de imperfeita, até que haja céus novos e nova terra, onde habitará a justiça (cf. 2Pd 3,13).53
A Lumem Gentium, no oitavo e último capítulo que trata da presença de Maria, a Mãe de Jesus no mistério de Cristo e da Igreja, cita que ela é imagem e primícia da Igreja. Maria brilha como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do Povo de Deus que caminha peregrinando até que chegue o dia do Senhor (cf. 2Pr 3,10).54