5 Konklusjoner og videre perspektiver
5.1 Konklusjoner
Com o objetivo de verificar, formalmente e de maneira geral, qual a dinâmica de capacitação dos professores e qual o olhar de quem coordena e administra as atividades de formação dos professores em serviço, foram dirigidas perguntas aos coordenadores pedagógicos da Secretaria de Educação e das escolas da mesma cidade.
Segundo Esteve (2004, p. 159), “Jamais terá êxito uma reforma educacional que se pretenda fazer contra a mentalidade dos professores.” Podemos inferir dessa citação que qualquer projeto ou curso de formação de professores deve estar sensibilizado ao que pensam os professores ou será compreendido como uma imposição, como algo que não corresponde à realidade escolar. Se o professor não for parte pensante e atuante desse processo de formação, estes projetos serão apenas um conjunto de cursos de “informação”, provavelmente não alcançando o objetivo de ensino e aprendizagem na sala de aula.
Também questionamos os coordenadores entrevistados sobre a presença da Didática nos cursos de formação e sobre o trabalho com mapas e conteúdos de Geografia nas séries iniciais. Quanto à Didática, eles declaram que ela é tratada nos cursos de formação a partir da necessidade de os professores organizarem seus planos de aulas, destacando que, se o professor não tiver domínio do conteúdo, não é possível a Didática sozinha dar conta de resolver os problemas do ensino da Geografia.
Ao perguntarmos aos coordenadores se os professores recebem formação na área do ensino da Geografia nas séries iniciais, eles disseram que a formação continuada de professores dessas séries ocorre nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, no âmbito da Secretaria de Educação, desde 2009, por meio do Programa de Formação do Ministério da Educação – Letramento. Eles comentaram, ainda, que a maior parte dos professores, mesmo titulados, possui um conhecimento insuficiente em algumas áreas do saber, visto que suas formações valorizaram muito mais a teoria que os conteúdos das disciplinas, o que também se aplica à Geografia.
Sobre esse assunto, postula Esteve (2004, p. 167):
As propostas mais conservadoras partem de um objetivo único no qual se concentram todos os esforços da formação inicial de professores. Trata-se de oferecer ao futuro professor um conhecimento profundo e sólido dos conteúdos das matérias científicas que posteriormente deverá explicar.
É importante dizer que as respostas dos coordenadores e da maioria dos professores com os quais tivemos contato nas escolas são semelhantes, o que mostra a necessidade de uma reflexão curricular relacionada à formação inicial de professores, no campo específico e no campo pedagógico. Ao
relacionarmos a ação dos coordenadores como agentes de formação em serviço, discutimos que qualquer estratégia, tal como afirma Sacristán (2000, p. 106), pode melhorar a qualidade:
Se o currículo expressa o plano de socialização através das práticas escolares imposto de fora, essa capacidade de modelação que os professores têm é um contrapeso possível se é exercida adequadamente e se é estimulada como mecanismo contra- hegemônico.
Nesse sentido, o professor passa a ser membro participante da construção curricular e não um mero espectador, já que é ele quem lida no dia a dia com os alunos em sala de aula, percebendo suas demandas, mas nem sempre é ouvido. Qualquer formação para professores que não incorpore suas perspectivas provavelmente será mais uma das tantas já aplicadas. Entendemos, antes, a formação continuada como fruto da demanda que vem da sala de aula, do convívio entre professor e aluno e das necessidades advindas de sua formação.
Nesse sentido, reforçamos ainda mais a necessidade de os professores receberem formação em serviço, a fim de minimizar essa dificuldade de trabalhar com os mapas que resulta na ausência desse trabalho em sala de aula. Essa é uma questão séria, haja vista o currículo escolar contemplar a disciplina de Geografia, que depende, e muito, da Cartografia na abordagem de seus temas.
Acreditamos que ensinar através de mapas significa percorrer os caminhos da alfabetização cartográfica, através dos quais a criança desenvolve habilidades e conhecimentos que lhe darão a possibilidade de ler mapas, tais como a visão oblíqua e vertical, a imagem bidimensional e tridimensional e o
alfabeto cartográfico (linha, ponto e área). Enfim, significa estabelecer todo o processo necessário à aprendizagem do mapa, permitindo sua leitura com o menor esforço possível.
A busca pela qualidade do ensino requer investimento nos cursos de formação continuada, nos projetos de intervenção, sendo preciso que o professor participe dessas atividades para que o ensino seja o melhor possível, pois elas dizem respeito a sua profissão, que se depara a cada dia com novos desafios, seja nos procedimentos didáticos, no âmbito conceitual ou na estrutura administrativa escolar. Mas insistimos na questão de observar a maneira pela qual ocorre a formação continuada, de forma a privilegiar as disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa, deixando as outras à margem, configurando uma situação que precisa ser revista. Não estamos negando a importância dessa formação, mas reivindicando uma formação que abarque a totalidade disciplinar, pois acreditamos estar já superado o discurso de que basta saber ler, escrever e efetuar as quatro operações.
Por que não ler e escrever a partir da paisagem do lugar onde os alunos vivem, articulando didaticamente tanto as representações elaboradas por eles, como mapas e fotografias? Por que não utilizar os textos geográficos sobre a cidade, o campo, o transporte? Esses textos podem ajudar e melhorar a escrita e a leitura, visto serem palpáveis para os alunos. Ao mesmo tempo em que ensina os alunos a melhorar a escrita e a leitura, o professor pode, com um mapa, por exemplo, localizar as casas onde eles moram, usando referências como ruas, padarias, igrejas, aprofundando assim seu senso de espacialidade (direita, esquerda, à frente, ao lado, distante, perto), elaborando legenda, colorindo as casas e, ao trabalhar a distância entre um lugar e outro, estará
ensinando Matemática, podendo-se, ainda, produzir um texto, a ser socializado com a sala.
Para ilustrar o que estamos dizendo, esboçamos a seguir um exemplo de uma possível atividade a ser desenvolvida pelo professor, a fim de aprofundar o conhecimento dos alunos em leitura, escrita e Matemática, de maneira articulada à Geografia e à Cartografia.
a) Pede-se aos alunos que desenhem o caminho de casa;
b) A partir daí, inicia-se uma série de perguntas sobre, por exemplo, a distância da casa de cada um até a escola. Dependendo das respostas, podem-se levantar as possibilidades de medir essa distância (por passos, pelo velocímetro do carro etc.);
c) Explora-se o desenho do caminho de casa, feito pelas crianças, indagando-os sobre o que veem no trajeto ao sair de casa até a escola, elaborando-se uma legenda e trabalhando-se a noção de escala (por exemplo, cada quadra do percurso da casa até a escola corresponde a x metros, o que oportuniza o estudo das unidades de medida);
d) Feito isso e com outros elementos que o professor poderia acrescentar, haja vista que estamos apenas dando uma ideia do que pode ser feito, os alunos poderiam construir um texto relatando como é o trajeto da sua casa até a escola, com a ajuda do professor.
Assim sendo, a representação feita pelas crianças, reproduzindo o desenho do trajeto de casa até a escola, contém elementos que podem ser utilizados para diversos estudos. Quanto mais agregarmos as ciências a essas tarefas pontuais, maiores as possibilidades de avanço na construção de conhecimento, o que permite a ampliação do conhecimento escolar dos alunos,
possibilitando que eles estabeleçam mais analogias entre este e seus cotidianos.
Para Oliveira (1978, p. 19),
O mapa é um instrumento necessário e básico para o homem relacionar-se com o mundo e comunicar-se com outros homens; a experiência da vida moderna vem exigindo cada vez mais a manipulação de mapas com as mais variadas informações.
De fato, o mapa é um instrumento que possibilita ler o mundo. É nessa perspectiva que sugerimos a formação dos professores, a partir da leitura de mundo, fazendo uso da Cartografia articulada à Geografia, para que o professor se sinta seguro ao trabalhar a Geografia e a Cartografia, já que eles declaram que este último é um conhecimento que constitui uma defasagem em suas formações.
Para Castellar (2003, p. 108),
As questões propostas durante o curso de capacitação foram sendo concebidas de modo a permitir uma análise sobre os conceitos básicos da geografia a partir da linguagem cartográfica que, no nosso entender, auxiliam na compreensão e na leitura da paisagem, sendo a paisagem uma das categorias de análise da ciência geográfica.
Ao propor que, na formação de professores, sejam articuladas Língua Portuguesa, Matemática e Geografia, estamos embasando-nos em autores como Castellar (2005), que, em suas pesquisas, propõe um eixo de integração do currículo. Nesse caso, os conhecimentos convergem para o ensino por meio de situações propostas aos alunos, que os levem a resolver situações problema que fazem parte de seu cotidiano. Propor uma formação de professores a partir do currículo interligado é proporcionar ao professor a possibilidade de trabalhar com os alunos o ensino como um todo, sem contar o
fato de que os conhecimentos curriculares nos quais os professores tenham mais dificuldades, em determinada matéria escolar, poderão ser igualmente contemplados em uma formação continuada interdisciplinar.
Percebe-se aí um problema a ser resolvido. O domínio dos conteúdos por parte dos professores talvez seja a maior preocupação: segundo o coordenador entrevistado, sem ele a Didática não terá sua utilidade, que é a de desenvolver os conteúdos ao entendimento dos alunos, visando à construção de conhecimento. A partir desse argumento, buscamos em Brousseau (2008) uma base teórica para pensar a Didática.
Segundo Brousseau (2008, p. 121), “A didática reduz as redundâncias e facilita a organização de cursos centrados na principal atividade a que se volta no processo de ensino.” Pode ser contraditório dizer que se o professor tiver domínio de conteúdos conduzirá bem sua aula, haja vista que, para despertar o interesse dos alunos, principalmente dos menores, e fazer com que aprendam determinado conteúdo, não basta simplesmente informá-los, sendo preciso ir além. Por isso a Didática, se bem utilizada, pode contribuir para o processo de aprendizagem e, por meio dela, o conhecimento passa a ser organizado a fim de ser socializado, levando-se em consideração a idade dos alunos, sua habilidade, o interesse pelo assunto o material disponível (livro, atlas, maquete etc.). Enfim, o ensino requer uma ação planejada que articule vários fatores para que a criança possa adquirir os conceitos dos conteúdos curriculares correspondentes a sua idade, para que construa seus próprios conhecimentos e para que, aos poucos, descubra a sua utilidade, isto é, em que circunstâncias de seu cotidiano ela poderá utilizá-los. No entanto, o professor não aprendeu a
trabalhar com mapas nem a articular a alfabetização em Geografia por meio da linguagem cartográfica.