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Esta pesquisa tem como objetivo investigar o processo de prazer e sofrimento de professores universitários que atuam em duas diferentes instituições de ensino privadas. O caso escolhido foi a análise do curso de Administração das IES privadas da cidade de São Paulo, que serão denominadas de instituições A e B.

Para realizar tal estudo, fez-se uma revisão bibliográfica, observação participante e utilizou-se o método qualitativo com a realização de entrevistas semiestruturadas individuais em profundidade.

As pesquisas qualitativas possuem características multimetodológicas, utilizando um número variado de métodos e instrumentos de coleta de dados. Entre os mais aplicados, estão a entrevista em profundidade (individual e grupal), a análise de documentos e a observação participante ou não (ALVES-MAZZOTTI;GEWANDSZNAJDER, 2000).

Neste estudo, além das entrevistas, foi realizada a observação participante na IES B. A observação participante, de acordo com Minayo (2004), é definida como um processo pelo qual se mantém a presença do observador numa situação social com a finalidade de realizar uma investigação científica, na qual o observador está em relação face a face com os observados. Esse observador participa da vida deles e no cenário cultural, colhe dados, tornando-se parte do contexto de observação e, ao mesmo tempo, modificando e sendo modificado por ele. A observação participante do cotidiano escolar aconteceu somente na instituição B, em relação aos corredores, sala de professores e salas de reunião em momentos de atividade e descanso.

A pesquisa passou pela análise do Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e foi aprovada segundo aResolução nº 196/96 do Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Saúde e Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (MS/CNS/CONEP).

Foram entrevistados três professores da organização A e três professores da organização B. Conforme acordado com os participantes da pesquisa, os nomes das organizações pesquisadas serão mantidos em sigilo, assim como os nomes das entrevistadas. Todas as entrevistas foram gravadas, transcritas na íntegra e analisadas pelo método de análise de conteúdo proposto por Bardin (1977). No que se refere à confidencialidade dos

dados, com destaque para a não identificação da entrevistada e dos nomes das instituições, estes

aspectos foram inicialmente explicitados no e-mail preliminar enviado pela pesquisadora (Apêndice B) e também reforçados verbalmente antes do início de cada entrevista.

As professoras das duas instituições serão identificadas pela letra “E”. Além da identificação pela letra “E”, as entrevistadas são apresentadas e acompanhados de um algarismo que as diferenciará entre si, de 1 a 6. De E1 a E3, será a identificação das docentes da IES A e de E4 a E6 será a identificação das docentes da IES B.

O critério utilizado para a escolha da amostra foi a não probabilística e por conveniência (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Não se planejou que as entrevistadas fossem do sexo feminino, mas isso veio a ocorrer em função das aceitações e recusas dos docentes convidados a participarem da pesquisa.

Portanto, realizaram-se seis entrevistas com professoras atuantes em cursos de Administração (graduação) em IES particulares da cidade de São Paulo.

Os perfis das entrevistadas são apresentados nos Quadro 1 e 2. No que se refere à formação, foram entrevistadas 1 Mestranda, 1 Mestre, 2 Doutorandas e 2 Doutoras.

Quadro 1 ‒ Perfil das entrevistadas

Tempo de

Contrato Mora perto

Gênero Idade Formação Atividade da

de Trabalho

Docente IES

E1 F 33 Doutora em Ciências Sociais 10 anos DedicaçãoExclusiva Sim

E2 F 42 Doutora em Psicologia Social 13 anos Dedicação Sim Exclusiva

E3 F respondeuNão Doutoranda em Ciências Sociaise Antropologia 19 anos DedicaçãoExclusiva Sim

E4 F 35 Mestranda em Psicologia Social 10 anos Horista Sim E5 F 56 Mestrado em Administração 15 anos Horista Sim E6 F 44 Doutoranda em História Social 10 anos Horista Não

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Percebe-se que o contrato de trabalho das professoras é diferenciado. As docentes da IES A possuem um contrato de trabalho de 40 horas semanais. Mas efetivamente lecionam até 50% dessa carga horária. As demais horas são empregadas no caso da entrevistada E1 à pesquisa, da entrevistada E2 à gestão escolar (cargo administrativo) e a entrevistada E3 à área administrativa. Na IES B, as professoras não possuem horas para pesquisa e todas as horas são efetivamente em sala de aula. A entrevistada E4 tem uma carga horária de 32 horas semanais, E5 de 20 horas e E6 de 30 horas. Levou-se em consideração o segundo semestre de 2013, uma vez que a cada semestre o número de aulas dessas professoras varia. As docentes E4 e E5, apesar de não terem horas remuneradas para pesquisa, desenvolvem projetos de iniciação científica, ou seja, desenvolvem, por conta própria, sem que sejam remuneradas por essa função.

A média de atuação das docentes entrevistadas é de 13 anos e 5 atuam na graduação, E6 é a única docente que atua na pós-graduação. Na IES A, as docentes E1 e E2 mantêm outra ocupação além da academia. A entrevistada E1, doutora, em processo de pós-doutorado, trabalha também em uma Organização Não-Governamental (ONG); e a entrevistada E2 atua como psicóloga clínica. Na empresa B, as docentes E5 e E6 também desempenham outra função; E5, como consultora na área de desenvolvimento de pessoas e também, na área de psicologia clínica, como psicóloga; e E6 como cantora. Das docentes entrevistadas, as professoras E1 e E5 possuem outra ocupação para poderem ter o bastante para o sustento, enfatizando que com o salário somente da academia não teriam como sobreviver. Ainda quanto ao perfil das entrevistadas, somente a docente E6 trabalha em outra IES, mas, segundo ela, o retorno financeiro advém da IES em que a pesquisa foi feita.

Quadro 2 ‒ Perfil das entrevistadas

Outra

Atuação além da Atuação em mais

Gênero de uma IES

Ocupação Docência

de ensino

E1 F Sim ONG Não

E2 F Sim Psicóloga Clínica Não

E3 F Não Não Não

E4 F Não Não Não

E5 F Sim Psicóloga Clínica Não

E6 F Sim Cantora Sim

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

‒ A IES A é uma IES privada confessional. Não tem fins lucrativos e todos os excedentes gerados devem ser revertidos em benefício de seus objetivos principais: ensino, pesquisa e extensão. Constitui-se em uma IES consolidada e reconhecida no cenário educacional nacional, ocupando posição de destaque no ensino superior do estado da cidade de São Paulo, que mostra preocupação com o investimento no ensino e em pesquisa. Possui programas de graduação e pós-graduação, lato e stricto sensu. O campus, que inclui o curso a ser analisado, situa-se na sede da IES localizado em região nobre da cidade, portanto os professores lecionam somente em uma unidade. O público-alvo constitui-se de alunos da classe A e B.

‒ A IES B é uma IES privada particular. Possui vários campi na cidade de São Paulo. Possui programas de graduação, pós-graduação, lato e stricto sensu. O público-alvo constitui-se de alunos da classe C, D e E. Tais alunos se caracterizavam por trabalharem, em sua maioria, assumindo a responsabilidade pelos custos das mensalidades; em geral,

constituindo-se como os primeiros na família a cursarem um curso superior. Em sua grande maioria, provêm do ensino fundamental e médio cursados em escolas públicas.

Na IES A, dos cinco professores convidados, três efetivamente dispuseram-se a participar da entrevista; um docente esquivou-se da pesquisa, relatando que suas respostas poderiam ferir a reputação da IES e que preferiria responder à pesquisa no anonimato (o que era informado no início da entrevista) ou no formato quantitativo. O outro docente, no dia da entrevista, dispôs de apenas 10 minutos, o que inviabilizaria uma conversa mais detalhada. Esses dois docentes acabaram não participando e buscaram justificar-se de maneira genérica e evasiva.

Na IES B, das três professoras convidadas, todas concordaram em participar da pesquisa.

Inicialmente foi enviado um e-mail convidando os professores para participarem da pesquisa. Posteriormente, outro e-mail para confirmação da data e horário.

As entrevistas seguiram o modelo semiestruturado e foram gravadas para garantir a fidedignidade das informações. Esse modelo foi escolhido porque é o que melhor possibilita a investigação de ordem qualitativa. Os encontros aconteceram por meio de várias visitas à sede da IES, tanto no caso da IES A, quanto da B. O Apêndice A contém o roteiro que foi utilizado para realizar as entrevistas.

As entrevistas na IES A ocorreram em maio de 2013 e da IES B, em dezembro de 2013, sendo que cada entrevista teve uma duração média de 1 hora. Com o roteiro em mãos, a pesquisadora tomava nota de alguns fatos relevantes colhendo informações e opiniões de cunho pessoal e fazendo observações.

O roteiro para a entrevista foi estruturado de forma que o entrevistado tivesse que responder a 29 questões subdivididas em identificação pessoal e vida profissional.

Uma vez coletados, os dados foram organizados de modo que possibilitassem uma melhor visualização dos dados. Nesse processo, as respostas foram classificadas em vivências de “prazer” e “sofrimento” e, posteriormente, organizadas à luz do arcabouço teórico, sendo os dados analisados para se extrair deles o máximo de significados.

Conforme proposto por Bardin (1977), as categorias emergiram paulatinamente, como resultado do processo de leitura, agrupamento e reagrupamento dos dados.

Após definidas as categorias, foi realizado o processo de análise de conteúdo propriamente dito, buscando-se o sentido do que se encontrava por trás do discurso apreendido.