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Tendo presente o crescente número de adolescentes com perturbações patológicas, tal como, refere Matos (2002: p. 37) “A psiquiatria do adolescente adquire foros de uma certa autonomia na última década, impulsionada pela necessidade de melhor compreender e mais eficazmente ajudar o crescente número de jovens desadaptados socialmente e em sofrimento pessoal”. Neste âmbito, uma vez que o instrumento utilizado para avaliar a Saúde Mental dos adolescentes, para além, de avaliar a Saúde Mental em geral, também discrimina a avaliação de diversas dimensões de sintomatologia, optamos por focar a dimensão “Depressão”, devendo-se por um lado, ao facto de a mesma representar uma grande parte das situações mais comuns em psiquiatria da (infância) e adolescência. Sendo que nalgumas estatísticas, chegam mesmo a ter representações de mais de 50% de todas as (crianças) e adolescentes observados (Strecht, 2003). Por outro lado, como se sabe, o traço comum às diversas organizações depressivas é a falha narcísica, a frágil auto-estima, a imagem negativa e distorcida de si próprio. Pelo que, ao contrário do que é normal os adolescentes não têm uma solidez interior mínima. Se pensarmos que a estruturação do narcisismo (o amor de si próprio inscrito numa sólida e coerente auto-imagem) se faz ao longo das diferentes etapas do desenvolvimento emocional, torna-se fácil ligar a fase em que ocorreram as principais dificuldades (infância e adolescência), com as consequências que surgiram na estruturação psíquica adolescente (Strecht, 2003). Tal como o autor afirma “As estruturas depressivas são sempre condicionadas por acontecimentos exteriores sentidos pela (criança) ou adolescente com uma marca de insuficiência, ausência, vazio

«Qualquer investigação efectuada junto de seres humanos levanta questões morais e éticas. A própria escolha do tipo de investigação determina directamente a natureza dos problemas que se pode colocar.»

e, quase sempre, mais do que a forma de que realmente se revestiram, interessa a maneira como eles os viveram” (Strecht, 2003, cit p. 133). Neste sentido, esta patologia parece estar estreitamente ligada ao tipo de relacionamento entre pais e filhos, sendo que a organização narcísica depende essencialmente da imagem que, em espelho, a (criança) ou adolescente recebe de quem lhe está mais próximo; mãe, pai, irmãos, família abrangente, amigos, escola e comunidade (Strecht, 2003).

Por outro lado, outros autores defendem que a Saúde Mental em geral parece estar relacionada com os Recursos Familiares. Canavarro, Serra, Firmino & Ramalheira (1993), através do estudo que realizaram sobre os Recursos Familiares e Perturbações Emocionais, verificaram que os indivíduos não doentes apresentaram valores mais elevados na percepção do Recursos Familiares da sua própria família. Também, para Fleming (2004) é da qualidade da relação entre pais e filhos que se desenvolve o bem- estar afectivo básico para que uma criança ou adolescente, possa desenvolver-se psicologicamente de forma saudável. Ainda para Martins (2005: p. 562), “as relações interpessoais, nomeadamente as relações de vinculação e as afectivas, desempenham um papel fundamental no desenvolvimento humano, influenciando as relações futuras e sendo, deste modo, também responsáveis pela saúde mental do sujeito. Subjacente a esta ideia os resultados encontrados permitem confirmar que as relações afectivas podem ser consideradas factores de protecção que permitam a estes jovens um desenvolvimento do seu perfil de resiliência”. Esta autora destaca ainda que, o relacionamento entre pais e filhos assenta numa complexidade própria, pelo que, se torna imprescindível por parte dos pais, um ambiente incentivador, protector e seguro, no qual, os filhos possam aprender a crescer. Refere ainda que, uma família protectora, promove nos filhos os alicerces básicos para o seu desenvolvimento e socialização, pois ao contrário, poderá ser a própria família um factor de destabilização e de risco para o desenvolvimento saudável dos jovens. Perante este panorama, evidenciamos a nossa inquietação, pelo que, pretendemos contribuir para melhor perceber os factores que originam esta patologia em particular e a doença mental em geral. Sendo que nesta investigação, foi nosso propósito centrar a atenção nos factores psicológicos na fase da adolescência, que segundo Gameiro (1989) são aqueles que interferem com os processos do conhecimento,

do autodomínio e do equilíbrio dos sentimentos, sem interferirem directamente com a saúde orgânica, este autor aponta como exemplos, as emoções fortes, os conflitos e traumas psíquicos e as frustrações provocadas por acontecimentos ou factores sociais.

Na sequência do que foi anteriormente exposto, e de acordo com a revisão bibliográfica, a variável “Optimismo” poderá ter um efeito mediador na relação entre os Recursos Familiares e a Saúde Mental dos filhos adolescentes, pois tal como Marujo; Neto & Perloiro (2002, p.14) afirmam, “educarmo-nos e educarmos os nossos filhos para o optimismo levar-nos-á por caminhos de maior felicidade e bem-estar e ajudar- nos-á a construir uma geração mais confiante, mais sorridente e mais positiva (...) Pelo optimismo podemos chegar a uma maior vontade de viver, a uma melhor saúde, e a maior estabilidade emocional. Se esperarmos convictamente o melhor, encontraremos mais felicidade e maior bem-estar; se olharmos para o mais positivo de cada experiência da vida, viveremos com mais alegria e vontade para recomeçar animadamente cada dia”. Estes autores referem ainda que, o optimismo traz mais saúde mental e física e maior felicidade, e que mistura uma maior leveza e estrutura para aguentar os embates da vida, sendo que, o bom educador tem a responsabilidade moral de se educar e de educar os outros para o optimismo.

Em relação à amostra deste estudo, optamos por seleccionar aleatoriamente adolescentes que frequentassem o 9º ano, de escolas localizadas em diversas regiões do nosso país. Por um lado, esta selecção deve-se à necessidade de delimitar a faixa etária dos inquiridos, por outro lado, a formação académica dos mesmos e, em terceiro lugar, a opção das regiões tem como objectivo evitar que a amostra não seja tendenciosa, ou limitada a um único meio social e cultural. Desta forma, a presente investigação, pretende obedecer a um desenho característico de um estudo não experimental ou correlacional, dado que, não há manipulação de variáveis independentes (Pedhazur & Schmelkin, 1991; Achenbach, 1978, cit in Canavarro, 1999). Posto isto, pretendemos com este estudo, perceber se existe relação entre os Recursos Familiares e a Saúde Mental dos Adolescentes.