SENTIDOS-E-SIGNIFICADOS DE PROFESSORES DE DIFERENTES ÁREAS SOBRE A PROPOSTA CURRICULAR E OS CADERNOS DA SEE/SP
Entrevista gravada em: 06/06/2009 Duração: 28’30’’
Helena: Professora História PP: Professora Pesquisadora Obs: parte da entrevista foi perdida
1-PP: Essa parte era tão importante essa que a gente falou para ... 2 – HELENA: Mas vamos retomar...
3 -PP: Tá então, Por que... Como é que seria um trabalho mais interessante para eles, esses alunos?
4 - HELENA: Então eu dei um trabalho teórico pra eles e você me chamou atenção que, nos poderes, né?, Nos poderes o que o vereador faz, o que o prefeito faz. Então você deu uma sugestão muito boa, se a gente partisse de um problema que a população sofre que é a enchente e a partir daí eles iriam investigar se é uma tarefa do vereador e o que ele poderia fazer para contribuir ou pra sanar esse problema.
5 - PP: Você acha que assim então...(fala interrompida)
6 - HELENA: Então, eu acho que essa sugestão é ótima até eu vou até fazer isso, é que eu só tenho uma sétima série, vou praticar esse exemplo que você falou pra ver se realmente dá certo, porque eles são... uma classe muito desinteressada, quem sabe eles se interessam por isso.
7- HELENA: Você acha que com outros assuntos outros temas não daria para fazer essas associações do sei lá, talvez do contexto real (falas sobrepostas).
8 - PP: (...)Do trabalho infantil, por exemplo, será que aqui em Diadema existe trabalho infantil? 9- HELENA: Existe... os meninos catadores, que a gente vê muito.
10 -PP: Ah, existe sim inclusive dizem que alunos nossos que ficam trabalhando...Eu vou falar para eles pesquisarem isso também eles devem conhecer, mas não foi colocado no cartaz não... (falas sobrepostas) é que eles devem ter mais consciência do que eu, porque eu não moro aqui, porque eles falam. Tem muita criança na 5ª. série que a gente vê que tem problemas financeiros e dizem que trabalham no farol. Aquilo nem é trabalho né?! Seria uma mendicância.
11- PP: Mas eles intitulam como trabalho, né? 12- HELENA: Mas tiram eles da escola, né!?
13 - PP: Sim, mas eles intitulam e entendem... e o que será que eles entendem como trabalho?
14- HELENA: È e as vezes ajuda pra comprar alguma coisa na casa deles, então ai já conta como trabalho, né?Vai ver que o pai e a mãe nem tem trabalham, né? E eles ajudam com esse trabalho.
15 - PP: Talvez partir daí, considerar daí,o que eles endentem dos assuntos, partir do micro pro macro, do macro pro micro, sei lá fazer essas relações...
16 - HELENA: Talvez fosse interessante...
17 -PP: Bom, A, a gente estava entrando num assunto dos textos que você falou... que são bons os textos da revistinha (fala interrompida)
18 -HELENA: Ah, então você me perguntou dos textos. Então eu trabalho os textos... as questõezinhas que aparecem na revistinha as vezes aparecem, elas estão relacionadas a pesquisa do livro didático que a gente tem que usar, as vezes são da leitura do próprio texto, então tem o texto, eu não preciso mais passar o texto na lousa, só passei aquele da 5ª. série que estava mal feito e era importante, os outros eu aproveito, as vezes, pela
dificuldades deles de ler e de ter assim... as vezes as questões fala de pontos que não apareceu na pesquisa eles não estão sabendo e ai eu completo.
1 9 - PP: E A, como você esta vendo a relação deles coma revista, eles terem o material para manusear, anotar? 20 - HELENA: Eles gostam. Não vejo ninguém falar que não, porque a gente usa os dois, mas eles usam o livro, trazem o livro... a 6ª série traz o livro e apostila, a 5ª. série traz só apostila, porque eu acho que ela dá...pode ser que agora que a gente vai entrar nas civilizações antigas ai talvez eles precisem usar o livro , mas ai eu vou falar para eles trazerem o livro, por enquanto não estão trazendo, só apostila. Na 6ª. 7ª. e 8ª. é apostila e o livro.
21- PP: A, você ta falando que faz as adaptações que são necessárias ... quando dá pra fazer as relações ...mas você acha que o jeito que eles estão propondo para trabalhar na apostila,a metodologia do material didático condiz com a sua visão de trabalho?
22 - HELENA: (...)Eu acho sim, acho que dá certo...
23 - PP: A, alem da limitações que todos temos que são as salas muito cheias, problemas diários que a gente tem, é... assim focando no material didático mesmo, você acha que tem alguma coisa que limita sua prática hoje em relação ao material mesmo?
24 - HELENA: Você falou de classe cheia, a gente pode falar da 8ª. E que é nossa. A 8ª. E era uma sala uma 5ª. , uma 6ª... 5ª. 6ª. foram minhas, já na 7ª. não foi. Mas a professora a 7ª.E falava muito bem deles. Agora na 8ª. entraram alunos, outros, que prejudicou a classe toda. Então o Bruno o Cleber eles não são alunos que participam então os outros ficam meio ... eles fazem o trabalho deles como se eles tivessem pressionados, né, assim no cantinho deles... será? Agora que você falou muitos alunos, será que se esses alunos não tivessem entrado no meio deles a gente poderia discutir melhor as coisas, porque os outros fazem muita brincadeirinha e tira a seriedade da discussão, às vezes. Talvez se eles não tivessem entrado na sala, a sala seria tão produtiva quanto foi na 6ª. e na 7ª., inclusive o Guimarães, tem muito Rafael lá né? Eu chamo o Rafael Guimarães de Guima. Ele era muito ruim e eu falo sempre pra eles, o Guima não está melhorando? Que o pessoal é colega dele, é mesmo né professora. Ele não fazia absoltamente nada. Ele está melhorando e quando ele faz ele ta fazendo melhor não é aquele prim... o ideal ainda, mas acho até que melhorou. Então eu acho que se não tivesse tanto aluno na sala essa sala fosse como antigamente seria melhor.
25 - PP: Mas o que a senhora acha, no caso d Rafael, por que ele melhorou?
26 - HELENA: Não por que ele melhorou ...(risos) eu não sei se ele já estava, na sétima, série melhor. Porque eu conheço ele da 5ª.e 6ª. ele não era bom. Agora na 7ª. a professora que indicou a 8ª.E pra pegar disse que a 7ª. era ótima. É uma professora de Português é a Rose ne´. E Português é uma matéria que está sempre ali tem muitas aulas, então ela conhece bem a sala. Ah pode pegar a 8ª. E que é boa, só que o Bruno repetiu, ficou na 8ª., então... 27 - PP: Mas, e:: aí o que a gente faz (risos) o que a gente faz com esses meninos?
28 - HELENA: É então... não sei o que a gente faz... 29 - PP: Ou que pode ser feito? O que você acha que...
30 - HELENA: eu tenho uma... eu acho que tem alunos ali que seriam excelentes... O Nicolas eu não conhecia é um bom aluno. O Mateus me encanta, eu falo Mateus eu fico agradecida de ter sido tua professora, porque ele é ótimo. As coisa dele são bem feitas, caprichadas; ele escreve muito bem. Ele não copia ele escreve. É muito bom, eu gosto muito dele e ele é novo na sala. Só veio acrescentar. Agora o que fazer?...
31- PP: Eu pergunto agora o que a gente faz por que esses alunos: o Mateus, o Nicolas, o Carlos Henrique...eles estão... eles vão sozinhos, né. Ai o nosso... o nosso... papel, sei lá, de educador é fazer com que esses outros acompanhem de alguma maneira...
32 - HELENA: Então, depois que o Cleber fez o Rap eu dei um dez de atividade pra ele que não é da miha matéria, mas ele mostrou criatividade. Ele precisa passar de ano, ele não pode mais ficar na 8ª. série de jeito nenhum. Ele ficou com 5 de média ele fez 3 pesquisas ele fez não ele copiou das meninas...
33 - PP: A senhora falou do Rap, por que será que como Rap ele desenvolveu...
34 - HELENA: É ... era na aula de Educação Física, eles gostam de jogar, mas como estava chovendo, eles ficaram... A Bete deu uma atividade diferente e ele fez tão engraçadinho.
35 - PP: Falava sobre o que?
36 - HELENA: Falava sobre professor, mesmo. Ele falou muito bem, se ele sentisse isso seria ótimo . Não sei se Le fez só pra agradar... (risos)
37 - PP: Que ele é danado, né? 38 - HELENA: Ele é muito esperto. ..
39 - PP: Será que...Estou pensando assim que será que mobilizou o Cleber para fazer, produzir algum coisa. 40 - HELENA: O Cleber seria um desses alunos sabe... que ele vai fazer tudo que ele quer fazer, infelizmente o que ele quer fazer não e uma boa coisa. Porque ele é muito ligado muito inteligente. Se ele quisesse fazer coisas boas ele teria todas as condições. Eu fico muito preocupada quando tem me meninos assim na 5ª. série. Eu falo pras mães deles, olha fica muito esperta, tome cuidado com ele, por ele pode ir pra cá ou pra lá, depende só d você estar orientando. Porque eu fico na 5ª. só três vezes por semana. E palavra do professor não é o suficiente. Ele tem que ter o respaldo da família ali e todos os dias, educar é uma tarefa cotidiana. E o Cleber, por exemplo, é muito esperto, é muito vivo e ele vai para o lado de lá...
41 - PP: Uma outra coisa que você também comentou da oura vez que a gente conversou, que assim...é:: eu tinha perguntado pra você se em algum momento você tinha tentado trabalhar exatamente como estava na proposta, aí você falou “acho que não, também não tentou porque você já tem uma certa experiência, conhecimento em relação a escola, as turmas, né, enfim, uma coisa que senhora não fazia a questão do filme legendado e a senhora explicou porquê, né, e a senhora falou assim “quando eu não consigo filme dublado eu não utilizo a sugestão do caderno, a senhora já disse que faz adaptações, mas assim a senhora coloca outra coisa no lugar ou...?
42 -HELENA: A sugestão do filme?
43 - PP: È ou qualquer outra sugestão que venha e a senhora não consegue...(fala interrompida)
44 - HELENA: Quando é sugestão de pesquisa eu dou ou eu... se a pesquisa pode ser tirado do livro gente faz. Se a pesquisa não pode ser tirada do livro, pro exemplo na 8ª. série tem um pesquisa que é pra pesquisar fora, né, eles não fizeram e a 8ª. do ano passado fez, inclusive ela fez até cartazes, era outra 8ª. né. Está 8ª. não fez, aliás a pesquisa esta na revista da 8ª. série é uma pesquisa sobre armas usada na 2ª. guerra mundial uma curiosidade que não acrescenta nada, pra quem faz é ma curiosidade... o ano passado fizeram a foto, que tinha que fazer a foto, ilstração e a pesquisa de como funcionava, como usava e eles fizeram e acho que são vinte armas assim... cada um fez uma, então foi muito simples eles fizeram os cartazes foi tão bom e´é bom porque é diferente
45 -PP: Ou igual, né, porque falar de armas pra eles... 46 - HELENA: Mas as amas de guerra?...
47 -PP: Mas talvez eles fazerem a correlação, o que eles usavam, faziam antes o que tem a ver com que se tem agora?...
48 - HELENA: E eles gostam muito assim de avião, de submarino. Eles gostam, né. Eles gostam de carro também. Eles fizeram muito, esse ano eles não fizeram nada. Esse ano eu sugeri a pesquisa por que eles viram, por que eles tem a revista, mas eles não fizeram, mas também eu não cobrei porque ninguém fez e no ano passado eles tiravam da internet e traziam a ilustração da internet e eu sei que isso é caro, não tem... quer dizer tirar a ilustração da internet gasta muita tinta da impressora, meu marido acha ruim quando a gente gasta tinta. Eu sei que eles não podem,né. Isso eles fizeram por conta deles, porque no ano passado a pesquisa foi feita e eles podiam ir no centro cultural pesquisar e muitos trouxeram o desenho, eles desenharam e outros colocaram a ilustração da internet que ai fica mais caro ai eu não quero dar nenhum peso de dinheiro pra eles, né. Porque eu também eu não quero ah eu não fiz porque era caro. Não tem essa pode fazer de graça, agora quem quiser gastar dinheiro se o pai e a mãe permitir...
49 - PP: Mas talvez o mais importante até do essas ilustrações é a discussão que se tem depois com isso, o que foi provocado, as consequências do uso...(fala sobreposta) O que se tinha e o que a gente tem hoje... as armas químicas, até a linguagem como uma arma... que a gente tem e como se usa e não considera uma arma de guerra, talvez a linguagem seja a pior delas, né?!
51 - HELENA: Você ta fazendo esse trabalho só comigo? 52 - PP: Não, tem outro professores também.
53 - HELENA: Tem que ter outra visão, né. Por que eu sou daquela época em que o professor entrava na sala de aula e ele era o deus, como aluna, né. A gente levantava... hoje não é nada assim, hoje eu tenho assim uma certa resistência com a classe organizada, não gosto de classe bagunçada, sabe. Eu não fico falando a aula inteira, eu explico assim, a, gente dá cinco minutinhos pra eu falar aí eu explico, porque senão eles não agüentam,né. Mas eu sou de uma outra época e é bom que você tenha uma visão de uma pessoa bem diferente de mim, porque tem muita gente criticando a revista. Eu gosto. Não se estou certa ou errada, mas eu gosto.
54 - PP: Embora você tenha dito que é de uma outra época, mas você não... não...você acha que esse material... ta mais... por dentro do que gente tem hoje?
55 – HELENA: Não, eu acho que hoje é bom, porque seleciona, a gente tem aquele compromisso com o SARESP, então a gente acredita que vai ser em cima do eles selecionaram, não é, por exemplo, na Revolução Francesa, o conteúdo não foi dado, não foi dado aquela parte, talvez eles vão cobrar só isso. Mas eu acredito que o aluno precisa ter uma noção do que foi, porque que aconteceu, então eu dou. Eu acho que as questões vão ser baseado no que eles selecionaram na revistinha,eu acredito, aí tem coerência. Porque se o SARESP no for em cima do que foi dado na revistinha , pra que foi feita a revistinha?Não é?
56 - PP: Outra coisa, eu tinha perguntado se a revistinha tava ajudando você falou assim, ah tem ajudado tomara que continue. E agora, porque o no passado a gente tinha essa insegurança de não saber se vinha o não se continuaria ou não. Agora que veio pros alunos, agora que estão recebendo...
57 - HELENA: Então, por exemplo nas 6as. Séries eu estou adiantadíssima nas apostilas, por que é uma série,muito cheia muito barulhenta, então eu fico feito general trabalhando apostila, livro e apostila. Sá apostila não dá, né , porque eles trabalham (inaudível). Inclusive teve uma pesquisa lá que era para pesquisar palalvras de origem árabe, porque estava falando da reconquista né. Então eu falei ah quem tem internet? Se vocês puderem fazer a pesquisa pra aula que vem ... se vocês puderem, né. Ai na aula eu perguntei quem fez? Ninguém levantou a mão, mas um aluno falou eu não fiz porque não ia ganhar nota, mas agora você vai fazer e eu vou te dar nota. Porque eu não tinha mandado, aí como ele falou isso então ele fazer,ué. Na próxima vez você não fala essa besteira! (risos)
58 - PP: Você comentou também, ainda sobre a revista, “acho que a proposta também a gente vai precisar amadurecer essa proposta, tanto a maneira como a gente vai dar, utilizar os instrumentos, retomar... (fala interrompida)
59 - HELENA: Eu acho que a revistinha vai continuar o ano eu vem com o mesmo conteúdo, então eu vo sabre melhor tirar os frutos disso,proque eu já conheço, eu já pratiquei. Já vi como dá certo, o que da errado. Eu acho que vai ser melhor, acredito eu. Porqe quando a gente usa o mesmo livro a gente sabe, ah essa parte o aluno não vai entender ou não adianta nada dar isso pra ele, né o que vai acrescentar. Então eu acho que a revistinha vai ser a mesma coisa.
60 - PP: Talvez amadurecendo a maneira de abordar ...(fala interrompida)
61 - HELENA: Sabe eu não sei se eu já falei, mas a minha maneira, a minha prioridade quando eu dou os exercícios é eles aprenderem a ler e escrever. Isso é fundamental. Inclusive na 5ª. séries, eles lêem o texto, mas eu leio com eles, que eles não fazem pontuação e o texto fica sem sentido. Eles não entendem um texto porque eles lêem mal.
61 - PP: E o que é ler bem? ((risos))
62 - HELENA: O que ler bem, é saber o que está escrito no texto, não é juntar as letras eu falo pra eles logo no inicio... no ano passado teve o jornalzinho que privilegiava a leitura e a escrita... se você souber ler...até matemática, você pode saber fazer a continha direitinho, ótimo, mas se vc não souber o que o problema está pedindo você não vai resolver o problema. Então você precisa saber ler, primeiro a fase de juntar as letrinhas, juntar as palavras e depois saber o que aquelas palavras estão falando. E tem aluno que sabe, viu, sabe bem fazer isso, mas aluno que não. A falta de uma boa leitura faz com ele não saiba responder a questões que estão ali na apostila.
63 - PP: A, você falou de uma boa leitura como que a gente pode ajudar nosso aluno a fazer uma boa leitura, porque eu não sei de todos os textos que estão na sua apostila, mas eles só textos científicos? Ou crônicas, músicas?
64 - HELENA: Não eles usam documentos históricos e textos de historiador que podem estar em qualquer livro didático, agora música infelizmente não, que eu gostaria.aliás eu já trabalhei, numa época áurea.