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Vedlegg 3.1 Planter registrert i Grytdalen 1988–2019

5.3 Konklusjon

Na Pedagogia Waldorf, a arte se confunde com a própria pedagogia. Segundo Zimmermann (1997, p. 15), “a arte de educar, como arte social, abrange todas as demais artes e necessita delas como meio”. O conceito de educação como obra de arte social compreende a forma do professor atuar entre os alunos, de modo a promover o fluir e a harmonia das relações e o desenvolvimento harmônico de suas capacidades humanas de pensar, sentir e querer/agir. Como toda arte, exige conhecimento, sensibilidade e ação. Joseph Beuys (apud Craemer e Ignácio, 2008, p. 70) sustenta que:

A evolução da arte compreende desde a arte tradicional até a arte antropológica e, neste campo, surge a arte social: a obra de arte social e a sociedade como obra social, como utopia, a sociedade como obra de arte mais elevada, que se estende para além das obras de arte individuais. Poderíamos chamar isso de 'obra de arte integral'. Isto só é realizável com a participação de todos. E por causa disso denominamos este conceito de conceito ampliado de arte (ênfase do autor).

Lanz (1990, p. 116) chama atenção para o fato do intelectualismo estar dominando a educação e as matérias científicas. Segundo ele, o homem moderno, de forma consciente ou não, dá uma exagerada importância para a abstração, a fórmula, a quantificação e a tecnologia. Sustenta que:

Falta-lhe, cada vez mais, a capacidade para uma abordagem mais ampla, que inclua vivências estéticas e pensamentos não mecanicistas. As crianças que vivem nesse ambiente são modeladas pela sua influência. Daí a tendência para uma atrofia da sua personalidade total e para um bitolamento do seu modo de pensar. Disso resulta a importância das matérias artísticas, que apelam ao sentimento e à ação do aluno: ele tem de fazer algo com as mãos e outras partes do corpo: ele tem que criar algo que seja resultado da sua fantasia, usando a vontade, a perseverança, a coordenação psicomotora, o senso estético. Por isso essas matérias têm alto valor pedagógico e terapêutico, quando exercitadas com regularidade.

Importante também conhecer a opinião de Clouder (McAlice e Göbel et al, 1994, p. 34) sobre a arte de educar, para quem ela consiste na capacidade de despertar conhecimentos para a vida. O autor sustenta que:

O conhecimento das leis que regem o desenvolvimento da criança deve constituir a base desta arte, que deve possibilitar aos alunos a construção de uma relação viva com os conteúdos curriculares. Muito antes de começar a compreender o mundo de modo consciente, a criança abre-se-lhe através dos seus sentimentos. Para ela é tão importante o sentido estético das aulas como seu conteúdo, e isso deve ser tido como um elemento essencial em toda a educação, daí o ser extremamente importante na estruturação do ensino.

O valor de uma educação centrada na arte também foi objeto de profunda reflexão por parte de Platão (2005, p. 109), que já considerava que a harmonia e a predisposição da alma são determinadas por sentimentos estéticos.

Sócrates - Será, Glauco, que a educação pela música é muito eficiente principalmente porque o ritmo e a harmonia penetram no íntimo da alma e com muita força a tocam e, trazendo-lhes elegância, também lhe emprestam uma postura elegante, se é bem educado? E, se não for, dar-se-á o contrário? Por outro lado, não seria também porque a pessoa, educada na música como convém, perceberia com mais acuidade os defeitos que há nas obras de arte não bem trabalhadas e nos seres da natureza e, com razão, descontente com isso, louvaria o que é belo e, acolhendo-o com alegria em sua alma, dele se nutriria e viria a ser um homem nobre e bom? Desde a infância, porém, censuraria e odiaria os vícios, mesmo antes de ser capaz de entender porquê, e, quando a razão chegasse, geralmente seria o que foi educado na música quem lhe daria boas vindas, porque reconheceria a afinidade que há entre eles?

Assim sendo, de acordo com os preceitos da Pedagogia Waldorf, a escola e a sala de aula devem constituir um ambiente estético. A cor do prédio, as pinturas e os desenhos dos alunos nas paredes, a disposição dos móveis, os desenhos do professor na lousa, os cadernos dos alunos, a forma como o professor se apresenta e age perante os alunos, todos estes elementos, segundo Clouder (McAlice e Göbel et al, 1994, p. 35) “despertam considerações de ordem estética”. O autor sustenta que:

As crianças olham, observam e aprendem! Não só tem efeito sobre eles o conteúdo da aprendizagem, mas também a experiência global. […] É necessário ter-se consciência de que a própria criança é um artista que trabalha constantemente no desenvolvimento do seu próprio corpo e das suas capacidades. No período compreendido entre os 7 e os 14 anos, a criança converte em imagem interior todas as interações com o ambiente e, por isso, o professor deve ser capaz de responder, não só em termos intelectuais, mas também artísticos .

A realização do ensino com sentido estético, e estruturado com atividades artísticas, passa pela capacitação artística do professor. Trata-se de um processo difícil para alguns, já muito enrijecidos, mas ao perceber o quanto o trabalho com a arte fortalece sua autoestima, o professor passa a acreditar no benefício destas atividades para seus alunos. Este é o cerne do Projeto Dom da Palavra, possibilitando a vivência artística dos participantes. Segundo Craemer8:

Os grandes obstáculos à nossa atuação no social são nossos preconceitos, nossa forma rígida de ver as coisas, nossos hábitos endurecidos de comportamento. A prática artística tem o poder de pôr em movimento nossos enrijecimentos internos, de nos tornar mais leves, mais flexíveis, mais tolerantes. Além disso, ela nos dá prazer e eleva nossa alma através da beleza.

Por isso, a formação de um professor Waldorf também é uma formação artística. Embora numa escola Waldorf também exista o professor de trabalhos manuais – que geralmente ensina escultura, pintura, trabalho com madeira etc, assim como há o professor de música –, grande parte das atividades artísticas é ensinada pelo próprio professor de classe, pois elas vão permear todas as matérias.

As atividades artísticas são essenciais para que o professor consiga organizar ritmicamente suas aulas e torná-las interessantes e significativas. Ele precisa saber executar um exercício de ritmo, cantar, declamar um poema, pintar com aquarela, desenhar na lousa, contar uma história ou encenar uma peça teatral, para poder ensinar seus alunos. Por isso a capacitação do professor é essencial para que ele possa estar apto a usar estas atividades como ferramentas didáticas. Embora o desafio não seja pequeno, os resultados que ele traz, tanto para a educação de seus alunos, como para a autoestima do professor, são valiosos e eficazes. Assim, os professores têm seu repertório didático enriquecido e aprendem a ensinar de uma forma “viva”, que torna seu trabalho mais prazeroso e produtivo.

São ensinadas artes das duas correntes artísticas – a plástico-pictórica e a poético-musical. Estas correntes têm sentidos polarmente distintos entre si: a plástico-pictórica trabalha mais no sentido da individualização do homem, e a poético-musical no sentido da socialização, e justamente por isso se completam. Quando uma criança faz uma pintura, ou uma escultura, sua vontade individual está sendo trabalhada, e quando canta junto com seus colegas, sua sociabilidade é que caminha pela arte. Steiner (2003, p. 40) sustenta que:

Os homens entram em comunhão pelo poético-musical e se individualizam pelo plástico-pictórico. A individualidade é mantida mais pelo plástico-pictórico, e a sociedade mais pela vida e pela trama contidas no musical e no poético. O poético é produzido a partir da solidão da alma, e só dela, vindo a ser compreendido pela comunidade humana. O que se quer fundamentar, ao dizer que com sua criação poética o homem descerra seu interior e que, pela acolhida da criação, algo vem ao encontro desse interior partindo das mais íntimas profundezas do outro, não é uma abstração, e sim algo absolutamente concreto. Por isso, a criança em crescimento deveria ser educada para sentir alegria e anseio diante da música e da poesia.

Apresentaremos a seguir uma descrição das atividades artísticas que as crianças aprendem na escola Waldorf no ensino fundamental, e que compõem os conteúdo de formação artística do projeto Dom da Palavra:

2.5.1 – Exercícios de ritmo

Conforme já vimos em 2.4.3, todos os dias o professor de classe inicia sua aula com uma atividade rítmica. Esta atividade pode ser composta por variadas atividades artísticas pedagógicas. São criadas pelo próprio professor, ou foram criadas por outros professores e adaptadas à classe e ao momento. Para as crianças de até 9 anos estes exercícios são realizados em roda, com as crianças em pé, livres para se movimentarem. As crianças aprendem comandos musicais para formar a roda (vídeo 05), sem causar confusão na classe. Os exercícios de ritmo ajudam a harmonizar a classe e a “sintonizar” os alunos na comunicação de seu professor. Por menor e mais simples que seja, um poema dito em coro na sala de aula também ajuda a harmonizar a classe e levar cada aluno a sentir que faz parte de um todo (vídeo 06). De forma lúdica e alegre, ensinam-se exercícios de ritmo com poesias e canções – que até podem fazer parte de uma futura peça de teatro – executados por todos, com palmas, gestos, movimento, “afinando” a turma. Assim se trabalham a geografia corporal, espacialidade, dicção, atenção, integração social e muitos outros aspectos.

A geografia corporal é trabalhada com exercícios que conduzem os alunos a exercitar direita e esquerda, frente e trás, em cima e embaixo, dentro e fora, sempre com movimentos ritmados e ilustrados com uma música ou poema (vídeo 07).

Exercícios que exigem atenção começam com uma movimentação acompanhada por uma música, cuja letra as crianças cantam uma vez. Na segunda vez, fazem os movimentos e entoam só a melodia, sem a letra, e na terceira vez apenas a sequência dos movimentos.

Tabuadas também são exercitadas através dos exercícios de ritmo, com gestos ritmados que ajudam na memorização dos resultados. Para os pequenos, também podem ser feitas contagens ritmadas, de frente para trás e de trás para frente (vídeo 08).

Os exercícios com música ou poemas ritmados têm um forte impacto no desenvolvimento da linguagem oral e no enriquecimento do vocabulário dos alunos. No entanto, a poesia e a música também são trabalhadas independente dos exercícios de ritmo.

2.5.2 – Poesia

Em Salles (2003, p. 9), os prefaciadores sustentam que, como a fala é a atividade que liga o ser humano ao mundo, ao próximo e a si mesmo, o papel do professor é embelezá-la e enriquecê-la, inclusive como um contraponto à imagem virtual e audiovisual que cada vez ocupa um espaço maior na vida destas crianças

(vídeo 9). Afirmam ainda que:

As crianças de hoje recebem um excesso de linguagem prosaica em detrimento da linguagem poética. Esse excesso sempre assusta e retrai a criança, ela se torna rapidamente um adulto sem sê-lo. A poesia ilumina interiormente o ser humano e o fortalece, preparando- o para lidar com as tarefas impostas pelo dia a dia. A fala ritmada vitaliza a criança e abarca seu próprio corpo, atuando na relação entre o ritmo da respiração e o da pulsação. Isso permeia seu ser interior. Assim o artista, com a poesia, introduz o homem em outro ambiente, diferente do da fala prosaica.

Além de constituir um elemento de equilíbrio e concentração, conteúdos de diversas matérias podem ser aprendidos através da poesia e do jogral. Veja alguns exemplos de poemas pedagógicos, que constam do livro “Aprendendo com Poesia” (Salles, R. 2003), que todos os participantes do projeto Dom da Palavra recebem:

A SEMENTE

(Salles, 2003, p. 39) Tema: natureza

Semente misteriosa,

que caiu da planta ao chão, que segredos ela guarda no fundo do coração? “Eu sou o menor presente que foi posto em tua mão, pois parece não ser nada este pequenino grão. Mas dele verás crescer, numa fecunda estação, uma árvore frondosa subindo para a amplidão! Toda a árvore, todinha, continha o pequeno grão, esperando o bom momento para enfim se erguer do chão. Vale mais que muita jóia - como percebes então - o presente pequenino que foi posto em tua mão.”

PRONOME

(Salles, 2003, p.74)

Tema: gramática da língua portuguesa Às vezes, no lugar do nome,

eu ponho o pronome, pois ele explica se o Edu sou eu ou és tu.

E, no lugar de Manezinho, é ele que eu ponho,

e, quando sonho com a Lila, com ela é que eu sonho. E Manezinho, Lila e Edu então somos nós; André e Bia e Sebastião

eu troco por vós.

Mas gosto mesmo é de um pronome - direi de uma vez -

que uso sempre em vez do nome:

você ou vocês.

- Onde está o Edu? -Eu estou aqui!

- E o Manezinho? - Ele está ali. - Ó Lila, responde!

Tu vais nesse bonde?

- Com este nenem?

Nós vamos de trem!

- E a Bia? E o André?

Vós ides a pé?

- Vem vindo correndo o Sebastião!

- Eu vou com vocês, quer queiram ou não!

O RIO

(Salles, 2003, p. 44) Tema: geografia O rio, no alto da serra, serpenteia quando nasce, a cavar fundo na terra um leito por onde passe. E muda as voltas que dá e, nesse trabalho intenso, entre os montes, cá e lá, vai abrindo o vale imenso. Às vezes, se o chão lhe falta, sua força se desata,

e espumeja e ruge e salta, despencando em catarata. Depois, mais forte e mais vasto, vai seu rumo se igualando, e leva as margens de arrasto quando à foz já está chegando. De repente: “Onde é meu chão?” De repente: “Onde é que estou?” É que o rio, em turbilhão,

lá no mar desembocou. E luta como se fosse capaz de vencer as vagas, e uma faixa de água doce o sal das ondas apaga. Enfim, após tanta guerra, no mar imenso se espraia. Será que procura a terra quando a espuma dá na praia?

Há também um grande acervo de poemas “trava-línguas” para exercitar a dicção e embelezar a fala. Segue um exemplo: