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Konklusjon

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6 Oppsummering og konklusjon

6.1 Konklusjon

O presente estudo teve como objetivo principal analisar em que medida os Relatórios de Gestão das Universidades Federais analisadas atendem aos princípios de boa governança da Administração Pública Federal, segundo diretrizes nacionais e internacionais, com base na noção de transparência. Para tanto, apoiou-se na teoria do agente-principal, uma vez que o relacionamento de seus atores – Estado e cidadãos – quando não alinhado, tende a ser conflitante e pode gerar problemas na condução da boa governança dos contratos.

As justificativas mais relevantes para a realização da pesquisa centraram-se em: a) obrigatoriedade constitucional e legislativa de os entes públicos prestarem contas do uso dos recursos públicos (accountability), respeitando o princípio da publicidade e serem mais transparentes; b) avanço progressivo da cobrança por mais transparência pública; c) transparência – tema de importância social e gerencial presente na agenda política mundial; d) estímulos por parte dos órgãos multilaterais, por exemplo, Ifac, Banco Mundial, entre outros, para adoção de boas práticas de governança; d) promoção de uma Administração Pública mais aberta à participação social e colaboração na transição da cultura do segredo para a cultura de

acesso à informação, com disponibilização proativa de dados e informações.

Para a consecução do objetivo geral, foram desenvolvidos três objetivos específicos. O primeiro foi identificar os princípios de boa governança para a APF, segundo instituições nacionais e internacionais. Atendeu-se a esse objetivo, com o Quadro 5 (p. 85) que contém os princípios de governança para o setor público, elaborado a partir de identificação na literatura, de nove instituições (CIPFA, Clad, IMF, Netherlands, HM, IIA, TCU, Anao e Ifac) que divulgaram instrumentos de governança para esse setor, abrangendo o período de 200493 a 2014.

Como segundo objetivo específico, propôs-se sistematizar os princípios contidos nos instrumentos de governança para a APF, elaborados pelos órgãos nacionais e internacionais que orientam sobre o assunto, para verificar se havia convergência desses princípios para a temática transparência. Cumpriu-se esse objetivo com a sistematização dos princípios de governança do setor público, das nove instituições mencionadas no parágrafo anterior, cobrindo o mesmo período, apresentando-os no Quadro 7 (p. 92). As análises permitiram inferir que, em todos os instrumentos de governança analisados, entre outros requisitos, exige-

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Identificou-se, na literatura, que o Anao divulgou, em 2003, o primeiro instrumento de governança no setor público e o CIPFA o segundo, em 2004. Mas como o Anao, em 2014, publicou nova versão cujos dados constam do Quadro 5 (p. 85), considerou-se, então, como ponto de partida para a elaboração do referido quadro o do CIPFA.

se que as organizações do setor público sejam transparentes, responsáveis por suas ações e que prestem contas (accountability).

O terceiro objetivo específico do trabalho consistiu em elaborar um modelo que pudesse ser utilizado para a avaliação dos RGs das Universidades Federais no que diz respeito à transparência. Foram estabelecidas categorias e subcategorias de análise (métricas) com base nos instrumentos de governança nacionais e internacionais, literatura e legislação brasileira que tratam dos aspectos de publicização, transparência pública, accountability e acesso à informação, para verificar se essas métricas foram contempladas nos RGs das UFs pesquisadas. Essa verificação, por meio do modelo proposto, constituiu também inferências do objetivo geral da pesquisa. Alcançou-se esse objetivo com a identificação de 110 subcategorias de análise de boas práticas de governança, agrupadas em 14 categorias (Tabelas 6 a 19). Com base nessas categorias e respectivas subcategorias, os RGs das universidades pesquisadas foram analisados e os resultados totais observados foram demonstrados em uma tabela-síntese (Tabela 20, p. 162).

Como hipótese, para auferir os objetivos mencionados, estabeleceu-se que os RGs das UFs analisadas não contemplam os princípios de boa governança, segundo diretrizes nacionais e internacionais, exprimindo lacunas significativas que comprometem a transparência da gestão universitária.

Para investigação da hipótese, procedeu-se à análise dos dados dos RGs da amostra selecionada constituída de cinco universidades (UFBA, UFMG, UFPA, UFRGS e UnB), comparando-se com as métricas estabelecidas para análise. Os principais resultados demonstram que:

a) nenhuma das universidades analisadas atingiu o patamar da alta transparência de acordo com o que foi especificado na metodologia para este estudo, acerca da intensidade do nível de transparência (Tabela 1, p. 127), com cinco graus na escala de valores (baixo, médio-baixo, médio, médio-alto e alto);

b) os maiores percentuais foram auferidos pela UFMG, UFRGS e UnB, classificadas no nível de transparência médio-alto. Em seguida, a UFPA e a UFBA, com o nível de transparência médio. Contudo, os percentuais dessas duas últimas universidades estão bem próximos de alcançar o nível de transparência médio-alto, conforme escala de valores mencionada na alínea anterior;

c) ainda é reduzido o número de subcategorias que foram atendidas pelos RGs das universidades pesquisadas (o percentual mais alto foi 69,09%, da UFMG), em relação ao esperado para se atingir o nível alto de transparência, isto é, entre 81% e 100%.

Com esses resultados e inferências, é possível confirmar a hipótese de que os RGs das UFs analisadas não contemplam os princípios de boa governança, segundo diretrizes nacionais e internacionais, exprimindo lacunas significativas que comprometem a transparência da gestão universitária.

Depreende-se que os objetivos desta pesquisa foram atendidos, uma vez que foi possível analisar a aderência dos RGs das universidades pesquisadas em relação às informações que deveriam ser evidenciadas por elas, com base nos princípios de boa governança da APF, segundo diretrizes nacionais e internacionais, com base na noção de transparência.

Conclui-se que, embora exista regulamentação pelos órgãos de controle, atinente às práticas de divulgação dos RGs para os entes públicos, no setor brasileiro, as UFs não estão divulgando adequadamente as informações relacionadas com a condução de suas ações e, dessa maneira os stakeholders podem não estar dispondo do conhecimento da aplicação dos recursos públicos, reforçando a característica dos cidadãos como usuários secundários desses relatórios, uma vez que lhes faltam conhecimentos específicos para o seu completo entendimento.

Os resultados desta pesquisa confirmam as evidências de outros estudos referenciados na tese, por exemplo, Bizerra (2011), Bairral (2013) e Pessoa (2013). Conforme apontadas em outras investigações acerca da transparência no setor público, este estudo também apresenta limitações, ressaltando-se nesse sentido os seguintes aspectos:

a) a generalização dos resultados para todas as universidades federais deve ser feita com muita cautela, uma vez que a pesquisa em tela abordou uma amostra de cinco universidades de um ranking de 12, embora cada uma representando cada uma das regiões do Brasil;

b) a pesquisa tem uma abordagem de corte transversal, uma vez que foram analisados os RGs relativos ao ano de 2013 e pode haver alterações nas práticas de transparência, no decorrer dos anos, principalmente com a adoção da LAI e das Ipsas, e um estudo de corte longitudinal poderia captar melhor essas alterações;

c) limitações de métricas (categorias e subcategorias) empregadas para representar os itens analisados ou ausência de categorias e subcategorias relevantes;

d) possíveis erros na coleta manual dos dados das subcategorias, utilizados na composição das categorias;

e) não foi possível investigar de forma aprofundada todas as variáveis que expliquem o fato de os RGs das universidades investigadas não contemplarem de forma satisfatória os princípios de boa governança.

Finalmente, o estudo está circunscrito às UFs e às formas por meio das quais elas elaboram e disponibilizam suas informações econômicas, financeiras, ambientais e sociais de caráter obrigatório e/ou voluntário nos seus RGs. Vale ressaltar, entretanto que, apesar de a amostra não contemplar todas as UFs, inclusive porque seria complicado fazer um estudo verticalizado com todas as universidades, acredita-se que os critérios de escolha da amostra são significativos para se inferir que, no geral, as UFs podem não estar cumprindo todos os quesitos, visto que a amostra contempla universidades bem avaliadas no ranking escolhido.

Embora a pesquisa esteja focada nessas instituições, espera-se que o estudo contribua com aportes teóricos no sentido de complementar e enriquecer a bibliografia acerca do tema e em termos práticos na perspectiva de auxiliar os gestores, governos, órgãos de controle, sociedade e stakeholders interessados no disclosure, transparência, accountability e acesso à informação das UFs. Também poderá contribuir para que os princípios de boa governança se tornem amplamente aplicados na APF para obtenção da transparência da informação, aspecto fundamental às sociedades democráticas, e assim colaborar na promoção do controle social, na ampliação da cidadania, no combate à corrupção, na melhoria da gestão pública, entre outros.

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