São várias as barreiras encontradas pelas micro e pequenas empresas na adoção de TI, em particular ligada ao comércio eletrônico. Ratnasingam (2003) estudou as barreiras e riscos vivenciados na adoção do comércio eletrônico a partir de quatro questões envolvidas na discussão: tecnológicas, organizacionais, ambientais e sociais. A falta de infraestrutura tecnológica, a falta de comprometimento da alta administração, a questão da segurança, a falta de competitividade no ambiente mercadológico onde atua e o poder coercitivo do grande comprador são fatores que influenciam a adoção de TI (RATNASINGAM, 2003). Premkumar e Roberts (1999) identificaram os fatores que influenciam a adoção de TI em pequenas empresas rurais a partir da análise das características organizacionais e ambientais e da inovação. A vantagem relativa, o apoio da alta admnistração, o porte da empresa e as pressões competitiva e externa foram definidos como importantes determinantes da adoção.
O próprio perfil do proprietário pode ser uma barreira no tocante à centralização das decisões, sua falta de conhecimento de técnicas modernas de administração. Outra barreira está relacionada com a falta ou maior desqualificação da mão-de-obra (MACGREGOR, 2003). Nas MPE há tendência maior ao dirigente desconhecer o mercado e ter acesso às informações mais confiáveis. Um tipo de barreira comum para as MPE diz respeito à falta de recursos para aquisição de novas tecnologias.
Complementando o assunto sobre as barreiras ao uso do comércio eletrônico pelas empresas, citam-se as relacionadas por Turban (2004), como limitações técnicas e não- técnicas.
Limitações técnicas
• A inexistência de padrões universalmente aceitos de qualidade, segurança e confiabilidade; • Largura de banda e disponibilidade insuficientes (principalmente fora dos grandes centros
urbanos e regiões mais desenvolvidas) nas telecomunicações. Uma política de preço diferenciado, dentro de uma mesma operadora, para as várias regiões do país (para um mesmo serviço e características técnicas);
• Ferramentas de desenvolvimento de software ainda em evolução;
• A dificuldade de integrar a internet e software de comércio eletrônico com alguns aplicativos existentes (especialmente os sistemas legados) e os bancos de dados;
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• O custo agregado dos servidores da Web em acréscimo aos dos servidores de rede; • Acesso caro e/ou complicado a internet para alguns.
Limitações não-técnicas
• Muitos aspectos legais ainda não resolvidos, como os relativos aos impostos;
• Padrões e regulamentos governamentais nacionais e internacionais que ainda não foram criados para determinadas circunstâncias;
• Dificuldade de avaliar certos benefícios do comércio eletrônico, tais como anúncios na Web. Os métodos para justificar o comércio eletrônico estão ainda na primeira infância; • Muitos compradores e vendedores estão esperando o comércio eletrônico estabilizar-se
antes de a ele aderir;
• A resistência dos consumidores a passar de uma loja real para uma loja virtual; • A impressão de que o comércio eletrônico é caro e não oferece garantias;
• Em muitas atividades do comércio eletrônico, ainda inexiste a massa crítica (número suficiente) de vendedores e compradores, indispensável para tornar rentável uma operação.
Observando as limitações da adoção da TI nas MPE, Pacheco e Tait (2000) citam que o uso da TI nas micro e pequenas empresas possuem barreiras muito evidentes para este segmento, tais como limitação de recursos financeiros, a escassez de recursos humanos qualificados, a dificuldade de acesso às informações, a falta de conhecimento das tecnologias disponíveis e a dificuldade em adquirir ou desenvolver tecnologia. Para os esses autores, essas barreiras induzem uma postura pouco pró-ativa para que as micro e pequenas empresas invistam em TI de forma eficiente e em consonância com o planejamento geral de suas empresas. Conforme Pavic et al. (2007), não somente as pequenas e médias empresas têm recursos financeiros limitados, como têm também escassez de recursos humanos qualificados, os quais contribuem para que haja uma escassez em geral de conhecimento e habilidades dentro dessas organizações para lidar com novas idéias, conceitos e tecnologias.
A introdução de uma nova tecnologia no âmbito de uma MPE passa por barreiras e dificuldades. Para ilustrar o caso do ERP, Mendes e Escrivão Filho (2002) elecaram três fatores inibidores da adoção desse sistema. O primeiro é o planejamento do projeto inadequado, em que há insegurança dos funcionários em relação ao manuseio e à utilização do sistema; alto custo para customizar e desenvolver relatórios; e perda de foco resultando em estouro no custo e no prazo de implantação. Um outro fator inibidor é a contratação de equipe experiente. Neste caso, são barreiras: a dificuldade no atendimento pelo fornecedor, pelo
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tempo de resposta lento, a pouca adequação do suporte técnico e o despreparo dos consultores. Quanto à consultoria, um obstáculo é o fato de ser considerada cara para o universo das MPE. A última dificuldade a ser contornada diz respeito à resistência dos funcionários pela necessidade de adaptação às mudanças na rotina do trabalho. Por parte da alta administração e dos funcionários mais antigos há resistência, por não terem conhecimentos básicos em informática. De forma geral, há barreiras para adoção de novos sistemas em MPE porque geralmente não há funcionários com qualificação técnica para dar suporte e utilizar o sistema e há falta de confiabilidade nas informações extraídas do sistema.
Conforme Tigre (2002), as empresas já deram o primeiro passo para adoção da Internet, mas a maioria enfrenta barreiras para entrar em aplicações mais integradas e sofisticadas, necessárias para explorar as oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias de informação e comunicação. A tabela 4 mostra os obstáculos encontrados pelas MPE brasileiras quanto à adoção de comércio eletrônico.
Obstáculos Percentual
Falta de segurança na rede 38.6
Falta de recursos humanos qualificados na empresa 28.7
Precariedade da infra-estrutura de telecomunicações 27.7
Custo de marketing associado ao canal Web 27.7
Alto custo dos equipamentos, software e serviços 25.5
Falta de parceiros adequados 24.8
Falta de conscientização da empresa sobre as oportunidades 21.8 Falta de informações sobre as tecnologias mais adequadas 18.8
Assistência técnica deficiente 7.9
Pouca integração com os sistemas internos de gestão 5.7
Fonte: Adaptado de Tigre (2002, p. 11) Nota: Foram admitidas mais de uma resposta por respondente Tabela 4: para a utilização do CE pelas MPE brasileiras
Para Testa, Luciano e Freitas (2006), a variável Segurança é mais crítica para B2C, onde o cliente é desconhecido e em maior quantidade do que em B2B, cujos clientes são em número bem menor e mais conhecidos por parte da empresa cliente. Desta forma, tendo em vista que na presente pesquisa o foco é na relação B2B, a percepção de falta de segurança como determinante à adoção da TI não foi investigada, apesar de sua importância como obstáculo à inserção digital das empresas de pequeno porte.
Os obstáculos ou barreiras citados pelas MPE para a utilização do comércio eletrônico (CE) são relacionados com a infra-estrutura e que provavelmente variam em menor ou maior grau dependendo do setor econômico e da região geográfica estudada. Um estudo da FIESP (2000) verificou que as dificuldades operacionais e a falta de informações sobre o processo de implantação do comércio eletrônico são os dois maiores obstáculos para integrar o comércio
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eletrônico aos negócios das micro e pequenas empresas.
Um dos aspectos mais citados diz respeito à conscientização do empresariado com relação à adoção de novas tecnologias. A fim de que os gestores de pequenos negócios possam vir a adotar uma determinada tecnologia, Kuan e Chau (2001) revelam que é mais importante que esses percebam e reconheçam positivamente os benefícios da TI.
O SEBRAE e a Petrobras realizaram em 2005 um pré-diagnóstico com as empresas participantes do Arranjo Produtivo Local (APL) da cadeia de petróleo e gás no RN (SEBRAE, PROMIMP e PETROBRAS, 2005), com a contribuição de 20 empresas, as quais afirmaram ter como principais dificuldades para comercializar eletronicamente com a Petrobras a falta de infra-estrutura de telecom adequada e de custo acessível, bem como a falta de informações e conhecimento sobre a escolha, aquisição e implantação de sistemas de informação mais adequados às empresas, a inexistência ou carência nas regiões mais distantes dos grandes centros de empresas ou pessoas especializadas em prestar consultoria de TI, e por fim a falta de pessoas especializadas ou capacitadas em TI nas empresas.
Essas barreiras são, portanto, desafios que o SEBRAE e a Petrobras encontraram para promover a inclusão das MPE do RN no universo do comércio eletrônico e, em particular, no comércio com a Petrobras, aumentando assim a participação de empresas locais nas negociações comerciais com essa grande empresa.