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4.2 SENTRALE FAKTORER FOR KOMPETANSEUTVIKLING

4.2.1 Kompetansestyring

Segundo Pires (2005)70, o designado “Modelo Europeu de Desporto” com expressão centrada no Desporto Federado, durante os três primeiros quartéis do Séc. XX, na generalidade, foi desenvolvido numa lógica corporativa de prática desportiva amadora e numa dinâmica organizacional de promoção social. Já a partir dos anos sessenta, o autor diz que, o Desporto Federado estruturou-se através de um modelo piramidal, onde o poder e o comando decisório está centralizado, fazendo com que a criatividade e a capacidade de sonhar das pessoas fossem travadas pelas “nomenklaturas” instaladas no poder corporativo.

Presentemente, o Desporto Federado, para Pires (2005) em diversos cenários e circunstâncias está “a ser desenvolvido numa falsa economia de prática desportiva tendencialmente profissionalizante e numa dinâmica organizacional de perversa gestão

de negócios, em profunda contradição ideológica (os valores e princípios) com o seu passado social”. Mas com esta mudança de paradigma social, quase sempre na obtenção de lucros, o autor refere que as contradições começaram a se desenvolver para níveis de ruptura, referindo alguns exemplos:

• Fortes lutas entre ligas e federações em várias modalidades desportivas;

• Desaparecimento de muitos clubes;

• Corrupção ideológica em diversas organizações do vértice estratégico do desporto;

• Incapacidade dos poderes públicos e desinteresse da sociedade em geral.

A este propósito, Correia, (1999) recomenda que os factores críticos de competitividade para o sector federado, tendo em vista as ameaças deve-se defender através de: melhoria da qualidade da formação dos praticantes e aumento do número de praticantes. Já quanto agir às ameaças deve: fomentar a cooperação inter organizacional e recrutamento e selecção de recursos humanos qualificados.

No que diz respeito as oportunidades, o autor indica os seguintes factores como possibilidades de obtenção de vantagens competitivas: quantidade e localização das instalações desportivas e a procura de desporto por diferentes segmentos da população.

Porém, o mundo actual, possui múltiplos de interesses, onde o desporto também desagrega nas mais diversas actividades consoante os interesses dos diferentes grupos. Esta constatação leva a que Gustavo Pires, no 7º Congresso de Gestão do Desporto, alerte os presentes e a sociedade em geral para a necessidade de realizar um esforço intelectual (teórico) deixando de lado qualquer espécie de egoísmo, encontrando assim os caminhos que levem a um diálogo entre todos os cidadãos, independentemente de onde nasçam e vivam em contextos económicos, sociais e culturais diferentes. Para realizarmos esse esforço intelectual, precisamos de ter presente o conceito de “posição inicial” que John Rawls (1997, 2001) citado por Pires no referido Congresso, que define como sendo «parte de uma situação hipotética em que num dado momento os homens como seres racionais, acordam em associar-se para realizar fins, satisfazer necessidades e alcançar a justiça e em consequência o desenvolvimento». O autor realça ainda que para tal acontecer, devemos respeitar dois princípios fundamentais:

- Igualdade na repartição dos direitos e deveres básicos;

- As desigualdades só são justas se forem geradoras de benefícios compensadores para todos, em especial para os mais desfavorecidos.

2.3.9.1 O Clube como continuador da actividade escolar e veículo de cultura física.

A actividade desportiva escolar hoje é vista de forma completamente diferente, isto porque os jovens cada vez mais recusam-se aceitar programas estandardizados, que nada têm a ver com a sua maneira de ser. Ou melhor dizendo, como afirma Pires (1996) são programas que não estão de acordo com as necessidades do seu corpo, da sua saúde, da sua inteligência e da sua cultura, acrescentando ainda que são programas «que negam o seu direito à opção e à livre escolha, os agridem em regimes de coeducação de uma artificialidade chocante, que não respeitam a estrutura da cadência da organização do tempo da sociedade actual».

Para Garcia e Lemos, (2005) a Educação Física é uma disciplina que parece estar à margem da sociedade, pois insiste em submeter-se em exclusivo às práticas desportivas tradicionais, não admitindo a possibilidade de que os seus programas curriculares estão ultrapassados e que não atingem os interesses dos nossos jovens, numa clara desadequação entre o que existe na sociedade e o que por si é oferecido, nos clubes e espaços privados. Uma constatação que o autor considera ser uma educação que parece não acompanhar as mudanças hierárquicas de valores onde são olhadas como partes secundárias desconsiderando seus efeitos e causas.

Por outro lado Pires, (1996) afirma, que actualmente só pode existir desporto no nosso país, se existir um sector do Desporto Escolar forte com uma perspectiva de desenvolvimento fundamentalmente centrado no objectivo de criar praticantes desportivos para a vida. O clube com a sua prática formal, ser capaz de prolongar a prática desportiva para além das estruturas competitivas formais. Ele diz, que só um modelo de desenvolvimento centrado numa perspectiva educativa pode, a médio prazo, acabar com a degradante situação que hoje se vive no desporto nacional. Segundo o autor, o quadro orientador da Lei de Bases do Sistema Educativo, o Desporto Escolar, deverá ser: «um meio de formação pessoal e social dos jovens, pela ocupação formativa e educativa da parte do seu tempo de lazer, através de uma prática

desportiva orientada, e só mesmo o Desporto Escolar pode atingir a generalidade da população juvenil portuguesa através da rede de escolas que cobre o país».

O futuro praticante, técnico ou dirigente desportivo está hoje, na escola. Mas o Desporto Escolar para além de estar integrado no Sistema Desportivo, deve fazer parte também do Sistema Educativo como reafirma Pires (1996) quando diz que «o Desporto Escolar é um subsistema autónomo do Sistema Desportivo que o alimenta a montante e um instrumento de intervenção pedagógica do Sistema Educativo que se desenvolve no quadro das actividades curriculares e de complemento curricular». O autor diz ainda que muitos dirigentes são unânimes, quando dizem que não existe uma entidade com quem, em matéria de desporto, possam estabelecer diálogo no âmbito do Sistema Educativo. Contudo, as federações desportivas seriam as primeiras entidades a beneficiarem de um Desporto Escolar a funcionar com uma ideia de desenvolvimento (que pouco existe) e uma vontade política (que tem que ser mais do que o simples gastar dinheiro) um projecto de organização do desporto do futuro71 Por outro lado, diz o autor, que há dirigentes e técnicos que têm do Desporto Escolar uma perspectiva de “aviário” onde se vai escolher os frangos (jovens) para serem “assados” na fornalha do rendimento e do espectáculo desportivo, numa perspectiva completamente distorcida, egoísta e hipócrita daquilo que deve ser o desenvolvimento desportivo.

Neste âmbito tem forçosamente de prevalecer a ética desportiva, pois Garcia e Lemos, (2005) refere que, não pensamos em falar sobre uma ética para dirigentes desportivos mas, tão somente, de uma ética para o Desporto, que consequentemente terá que ser observada a partir de diferentes contextos, tais como: treinadores, praticantes, espectadores, pais, psicólogos, enfim, de uma miríade de condições onde o dirigente se inclui com toda a naturalidade.

O Desporto Federado, segundo Pires (1996) é importante, e tem de ser alimentado a montante pelo Desporto Escola, mas numa perspectiva de desenvolvimento e não de crescimento. Numa perspectiva de desenvolvimento humano principalmente das crianças e dos jovens, na medida em que cada um destes sectores apresenta objectivos específicos que não podem nem ser ignorados nem confundidos. O autor realça que, o Desporto Federado está envolvido numa cultura desportiva que não se compadece com as necessidades de promoção e desenvolvimento igualitário que deve envolver as actividades desportivas praticadas

71 - Gustavo Pires a sua opinião exposta in O Desporto Madeira de 23 de Setembro de 1994, Nº. 113 –

em ambiente escolar. Trata-se de dois sectores de prática desportiva com culturas próprias, que têm de ser preservadas sob pena de se cometerem graves erros como tem sido habitualmente em Portugal.

Já o Desporto Escolar, para Pires, (1996), deve assumir-se como estrutura organizacional de interface entre o Sistema Educativo em geral e a disciplina de E. Física em particular. Deste modo, tanto o Desporto Escolar como a Educação Física fazem parte do Sistema Desportivo como elementos que devem agir em interacção dinâmica, e contribuir para o desenvolvimento educativo e desportivo, pessoal e social da população portuguesa.

Daqui se pode deduzir que deve existir uma complementaridade entre o Sistema Educativo e o Sistema Desportivo, de tal forma que o clube desportivo se assuma como continuador da actividade escolar e veículo de cultura física no quadro dos valores da educação, da ética e da responsabilidade. Diz-nos o professor Manuel Sérgio (2003) que «chegou a altura de pôr em causa a todos os níveis, o desporto inteiramente submetido ao império da competição da medida, do rendimento e do recorde. Atingimos o ponto em que nos é exigido saber se, sim ou não, o progresso desportivo, apregoado pelas grandes centrais de manipulação da opinião pública, satisfaz as quatro aspirações de fundo que habitam o homem dos nossos dias: aspirações à dignidade de pessoa consciente e livre; aspirações à paz e à liberdade; aspirações à solidariedade e à justiça social; aspiração de ver-se reconhecido e tratado como responsável...» Este autor considera que o progresso desportivo é indissociável do progresso humano, dizendo ainda que, pode não haver progresso humano, com muitos recordes batidos e muitos golos marcados. O clube não deve rever-se tão-só nas vitórias e nas taças conquistadas, mas também e sobretudo nos serviços prestados à comunidade.